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A CRIAÇÃO DO UNIVERSO SEGUNDO O GÊNESIS.
No princípio, Deus criou os céus e a Terra.
A Terra estava confusa e vazia, e as trevas cobriam a
face do abismo,
mas o Espírito de Deus pairava sobre a superfície das
águas.
Deus disse: “Haja luz”, e houve luz.
11.-DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS
21.-PRIMEIRA PARTE.- CRIAÇÃO DA LUZ DO GÊNESIS
42.-.- SEGUNDA PARTE.- CRIAÇÃO DO FIRMAMENTO DOS CÉUS
50.-TERCEIRA PARTE.- A ESCADARIA DOS ELEMENTOS NATURAIS
61.-QUARTA PARTE.- CRIAÇÃO DA BIOSFERA
66.-QUINTA PARTE.- CRIAÇÃO DA ECOSFERA
77.-SEXTA PARTE.- CRIAÇÃO DO SISTEMA SOLAR
89.- SÉTIMA PARTE.- CRIAÇÃO DOS CÉUS
INTRODUÇÃO À
COSMOLOGIA DO SÉCULO XXI
Eis o segredo mais bem guardado do mundo. Durante os
3.500 anos que se passaram desde Moisés até Cristo Raul, a nenhum ser humano
foi permitido abrir o Selo com o qual YAVÉ, Deus, determinou que a História da
Criação dos Céus e da Terra permanecesse fora do alcance da inteligência dos
milênios; até o Dia fixado em Sua Presciência, é claro.
Uma vez aberto esse Selo, e exposto o Hieróglifo escrito
por Moisés à leitura de todas as nações, a Inteligência de YAVÉ Deus, seu
Criador, é magnificada até o infinito, tanto mais quanto os sábios e gênios de
todos os séculos tentaram abrir esse Selo, ler seu Conteúdo, e não conseguiram.
A inteligência de YAVÉ, Deus, Criador do Universo, torna-se ainda mais elevada
e inacessível quando se percebe que o homem a quem Ele concedeu a glória de
abrir esse Selo e ler seu conteúdo para todas as nações não passa de um homem
sem mais estudos do que os elementares, próprios de sua época e de seu povo.
Obviamente, a força a ser vencida por este Livro se
multiplica pelo número de homens que, frustrados por sua incapacidade de abrir
o Selo do Gênesis, convenceram-se de que tal impossibilidade decorria do fato
de o Relato bíblico do Gênesis não ser outra coisa senão “uma metáfora sem
qualquer conteúdo científico”.
Tendo a inteligência humana sido criada para elevar-se à
imagem da inteligência divina, conforme se lê: “Façamos o homem à nossa imagem
e semelhança”, essa frustração não poderia deixar de trazer à luz uma visão
sobre a origem do Universo, nascida para abafar a ignorância humana e manter à
tona “o poder absoluto da Razão científica”. O fruto dessa dualidade emocional
trouxe ao mundo uma cosmologia sem Deus, defensiva em um primeiro momento e,
posteriormente, ofensiva — ou seja, anticriacionista —, com o objetivo de salvar a grandeza humana diante da “morte de Deus”.
Ora, Deus não mente; não foi à toa que Ele disse de Si
mesmo: “Eu sou a Verdade”. Assim, tendo Ele escrito, na forma de hieróglifos, a
Memória da Criação do nosso Universo, pela própria razão da impossibilidade de
penetrar em seu Texto, sem a intervenção da Mão de seu Autor, e porque essa
impossibilidade se manifesta na queda da ciência do século XX nos abismos do
nazismo, por essa impossibilidade a existência do Texto passou a ser uma
promessa de revelação, a ser cumprida, graças a Cristo, em data conhecida
exclusivamente por Ele.
Em suma, o Selo deveria ser aberto e o Mistério de seu
Conteúdo viria à luz.
Ora, tendo o ateísmo científico do século XIX evoluído
para a cosmologia do século XX, e tendo o século XX construído uma estrutura
artificial para o edifício irreal de sua imagem fictícia do Universo no Tempo e
no Espaço, por lógica o choque entre tal visão artificial e fictícia e a
verdadeira imagem do Universo, aqui revelada, deve fazer saltar faíscas.
Digamos que a necessidade de fundamentar, com base em
princípios pseudocientíficos, uma imagem cosmológica sem qualquer apoio na
estrutura da Realidade tenha dado origem, em torno daquele castelo no ar que
foi a CSXX, toda uma religião neopagã, com as universidades como templos e a
Academia de Ciências como Vaticano, demonstrando assim, mesmo em seu ateísmo,
que qualquer estrutura humana que aspire a ser invencível deve seguir o modelo
que Cristo estabeleceu em vida: a Igreja Católica.
Em suas aspirações à imortalidade, tanto o Terceiro Reich
quanto o Partido Marxista-Leninista-Estalinista não hesitaram em adaptar a
estrutura católica aos seus partidos. O ateísmo anticriacionista do século XX não ficaria atrás, nem deixaria de levar essa cópia à perfeição,
tanto mais que entre seus construtores contavam-se os gênios que deram origem à
Era Atômica.
A tarefa de Deus neste século não é pequena, nem
insignificante.
Mas é na impossibilidade que a Onisciência e a
Onipotência Divinas se manifestam em sua verdadeira natureza infinita e eterna.
Quanto ao aspecto literário,
todos os defeitos que este livrinho possa ter devem ser atribuídos a mim. Por
se tratar de uma Introdução, isso não implica infalibilidade nem dogma. No
entanto, tendo seus fundamentos sido estabelecidos pelo próprio Criador dos
Céus e da Terra, qualquer ruptura com esses
fundamentos é reabrir a porta para as Guerras Mundiais.
Com o passar dos anos, meu pensamento foi se
aprofundando. A essência original permanece.
A leitura deste livrinho não é fácil, nem pretendo
adaptar meu estilo às leis do mercado. Tanto menos fácil me é, quanto mais
complexa foi a estrutura artificial que a cosmologia do século XX construiu
para o ateísmo da classe científica.
Foram muitos os gênios que usaram as costas de Newton
como alavanca para chegar às de Einstein. Ignorando as revoluções tecnológicas
e científicas vividas nos dois séculos passados, os herdeiros daquele Sistema
Cosmológico, fundado em uma Hipótese cuja grandeza consistiu em ter reinventado
um Universo que existia apenas em suas mentes, os astrônomos de nossos dias
preferem continuar trabalhando com os olhos fechados diante dos dados a
comprometer esse maravilhoso edifício cosmológico criado pelo homem e, sob o
peso das evidências, ter que assinar a demolição da religião do ateísmo do
século XX. A Verdade Divina, no entanto, é invencível. Os dados armazenados na
memória astronômica do século XXI se levantam para, de uma só vez, derrubar
esse castelo no ar que foi o século XX.
A Estrutura Dinâmica de nossos Céus, esse Firmamento dos
Céus que todas as noites nos abre os olhos para as imensidões de sua Criação, e
do qual, por razões de barbárie social histórica, os homens foram alienados de
sua livre contemplação, escravos como são de um Sistema Social Animal fundado
precisamente sobre aquele Sistema Cosmológico de cujo seio nasceram todos os
males do século XX; quando, ao estudarmos os dados físicos que a Astronomia
Natural nos fornece, nos revela-se uma Edificação de beleza infinita, cujos
fundamentos abrem os olhos do pensamento para a existência de uma Sabedoria
Criadora fundamentada na inteligência ilimitada de um Ser Todo-Poderoso, cuja
força foi colocada a serviço da Árvore das Ciências da Criação dos Universos,
em cuja atividade seu Ser adquire as propriedades sobrenaturais próprias do
Criador do Cosmos: onisciência e onipotência.
É lógico, portanto, que diante da questão do ser ou não
ser da CSXX, na medida em que se trata de uma religião da ciência, os
astrônomos de nossos dias continuem com os olhos fechados diante das evidências
que os dados astrofísicos universais lhes apresentam.
Meu trabalho neste contexto consiste em tornar simples o
que é difícil e mostrar que a Luz que cega os olhos é a Luz que abre a
inteligência da criatura humana à imagem da Inteligência Divina de seu Criador.
Pois continua-se preferindo viver sob a condição animal única e exclusivamente
por medo de viver uma Liberdade que, à imagem e semelhança da Divina, vence
tudo e enfrenta os problemas do Espaço e do Tempo com a consciência vitoriosa
de quem aprendeu que Viver é uma Aventura, uma Epopeia em avanço constante e
contínuo rumo a um Horizonte que revela sua natureza à medida que nos
aproximamos de sua Meta. Nas palavras d , nosso Criador, Deus Filho Unigênito,
nosso Rei e Senhor, nosso Pai e Mestre: “Cada dia trará sua preocupação”.
Compreendo que, tendo trabalhado neste Campo da Criação
do nosso Universo com a perseverança de quem dedicou sua vida a recriar a
Verdadeira Imagem dos nossos Céus e sua Relação no Espaço e no Tempo com o
Cosmos no qual foi criado, tendo minha inteligência sido formada para trabalhar
com imagens simples sustentadas pelos Dados Astronômicos Naturais, preciso
partir de um Princípio Universal claro, que não deixe margem para dúvidas e
sirva de Ponte entre o século XX e esta Introdução ao século XXI. Para atender
a essa necessidade, direi desde já que esta Introdução é exatamente o que seu
título indica: “Uma Introdução”. Quem abre a Porta cumpre sua tarefa; cabe
àqueles que entram continuar trabalhando e atualizar o pensamento cosmológico e
astrofísico para que as novas gerações possam trilhar, nos próximos séculos, um
caminho alimentado por uma árvore de ciências criadoras cujo fruto viva sob a
Lei da Vida e não sob a Lei da Morte — que foi o fruto que a árvore do ateísmo
científico veio oferecer ao século XX.
No que diz respeito à Origem do Cosmos, estabelecendo
aqui o Princípio do Nosso Universo como uma Obra posterior à Criação do Cosmos,
e um Cosmos que foi criado para ser o Campo de Matéria-Prima do qual seu
Criador se serviria para a Criação de Novos Universos, essa Origem Cosmológica
ocorreu em uma Transformação Massiva de matéria astrofísica em energia cósmica;
energia global que, ao ser redirecionada para campos de energia espaço-tempo,
iniciou sua jornada de retorno à matéria astrofísica.
Basicamente, esse Big Bang Original continua ocorrendo nas Fronteiras do Cosmos,
onde a energia cósmica criada pelas Galáxias é captada por campos de energia
espaço-tempo que transformam energia em matéria. Assim até o infinito, pela
eternidade, e daí a expansão ad infinitum natural do
Cosmos. A criação de galáxias é um evento sem fim que o Criador do Big Bang Original alimenta,
expandindo o espaço das fronteiras de sua criação à medida que o tempo se
materializa em galáxias e aglomerados de galáxias.
Não é, portanto, por acaso que a Revolução Radioastronômica que estamos vivendo soma e continua
somando novas galáxias às já detectadas, e expande as
fronteiras do Cosmos à medida que essa nova soma nos abre os olhos para uma
Expansão alheia a qualquer Contração Cosmológica Final.
Assim como a Eternidade, o Infinito e Deus não têm
Princípio nem Fim: a Criação veio para permanecer para sempre, por toda a
eternidade. O contrário, negar a Expansão até o Infinito do Cosmos ao afirmar
uma Contração que teria início em algum ponto da linha da Eternidade, é
entregar-se à ficção científica; ou seja, é retornar à Era da Falácia do século
XX, quando uma Hipótese era Lei enquanto não se demonstrasse sua Maldade. Tendo
a maldade do século XX inundado os campos da Terra com duas guerras mundiais, a
persistência em tal falácia é declarar-se em guerra aberta contra a humanidade,
contra a vida e contra Deus.
E, concluindo este Prólogo, a observação em tempo real da
evolução que as ciências astronômicas e físicas em geral têm experimentado nos
últimos 40 anos é uma fonte de estudo de recursos intelectuais favoráveis à
construção de um Pensamento nítido e sem fissuras sobre a Imagem Natural que
corresponde aos nossos Céus e à nossa Terra. Não há como duvidar, a esta
altura, que a imagem que as ciências geológicas e astronômicas projetam para a
humanidade afeta sua posição em relação à sua civilização e sua atitude diante
do universo. Querer se esquivar das responsabilidades e atribuir a culpa dos
próprios males a uma força externa ao próprio sistema é um recurso patológico
que, conforme se depreende da realidade histórica em que nos encontramos
atualmente, não leva a lugar algum; ou melhor, leva a um lugar muito preciso: a
destruição.
O papel que as
ciências naturais desempenharam no início da Segunda Guerra Mundial é um mea culpa que paira no ar como uma laje sobre um túmulo.
A relação entre
Conhecimento e Comportamento é uma lei perfeitamente aceita pelas ciências
desde os dias mais gloriosos da Etologia; para não nos alongarmos demais no
tempo, o papel que o ateísmo científico, sustentado pelo século XX, desempenhou
na tragédia do século XX está longe de ser contestado. A menos, é claro, que
agora, além de cegos, queiram que sejamos todos sem cérebro.
Pessoalmente, não acredito que a Maldade tenha sido
consciente. Mas, uma vez que a Consciência é adquirida, as consequências da
Liberdade não podem ser atribuídas à Impossibilidade de abrir um Selo que Deus
manteve fechado com seu Punho e sua Letra. Não há, portanto, Condenação; nem
meu trabalho consiste em julgar os Pensadores dos últimos séculos. A Verdade
está além do julgamento dos outros; está em sua Natureza libertar aqueles que
se viram aprisionados nas trevas de um Silêncio cuja Origem está em uma Necessidade
Cosmológica, hoje superada.
Assim, abramos a Porta que, durante 3.500 anos,
permaneceu fechada para a Glória de nosso Criador Divino e para a Libertação de
todas as nações da humanidade das forças que a Ignorância, nascida da Queda do
Primeiro Homem, desencadeou sobre todos os povos da Terra.
CAPÍTULO 1. DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS
1. Mas, para começar, e visto que sempre se deve escolher
um bom ponto de partida, direi que este estudo sobre a Memória da Criação do
Universo (Céus e Terra) tem sua origem na necessidade de abrir a Fé aos
princípios científicos da Natureza. Não pretendo fundamentar a Fé nesses
princípios, pois a Fé foi e está fundamentada nos princípios sobrenaturais, dos
quais os Evangelhos são seu Tratado Eterno. A Encarnação e a Ressurreição são
as duas colunas do Templo da Fé; quando se trata de perguntas sobre a Origem de
todas as coisas, a única explicação que nossos pais puderam nos dar — e que nós
mesmos pudemos dar, até agora, aos nossos filhos — é o Relato da Criação do
Universo segundo o Gênesis. Ou seja, “Deus criou os Céus e a Terra”... E o
restante, o “como” e o “quando”, são aspectos da
Atividade Criadora que podemos conhecer ou desconhecer, mas que não acrescentam
nem tiram nada da Fé.
2. A tarefa que me propus neste livro é superar a
primeira das duas incógnitas: “o como”. Pois, embora a fé seja invencível,
ninguém pode negar que a fé sem a inteligência é corruptível, como bem ficou
demonstrado ao longo dos séculos. Devemos, portanto, atribuir à ignorância
todos os erros do cristianismo. Consequentemente, neste livro irei direto à
Verdade; e a verdade é esta: o Universo, essa estrutura de engenharia
astrofísica dentro de cujas paredes orbita nosso Sistema Solar, foi criado pelo
Deus do Gênesis. O contrário — o suposto fato circunstancial de que esse
conjunto final de beleza impressionante que chamamos de “o Universo” tenha
surgido a partir de uma série caótica de elementos — não causou ao materialismo
científico nenhum tipo de conflito psicológico, na medida em que a Ciência
negou a existência de uma Estética Natural. (Esse tema da Estética dos Céus e
sua função estimulante da Inteligência é uma questão que o ateísmo científico
declarou ser fruto de uma série de acasos, todos com origem no Caos. Quanto ao
resto: como é possível que o Caos produza Céus de uma beleza tão
impressionante, esse é um ponto ao qual se recusaram a responder. Ou
responderam com o desdém que merece a pergunta de um tolo). Não à toa o pai da
Etologia e ganhador do Prêmio Nobel Konrad Lorenz
relacionou Conhecimento e Comportamento em sua equação clássica: “Verdade =
Sobrevivência; Mentira = Destruição”.
3. Os exemplos que o sábio Konrad Lorenz, pai da Etologia, ao falar sobre a relação direta entre Conhecimento e
Comportamento, colocou diante de nossos olhos são infinitos, mas, em suma,
convergem para uma conclusão universal; a saber: o Comportamento positivo, ou
de sobrevivência, adaptação e evolução de todo ser vivo, é fruto de seu
Conhecimento verdadeiro e real sobre a Natureza; informação que adquire por
meio de seus sentidos, por um lado; e de sua herança filogenética, por outro;
de tal forma que, pela natureza do comportamento vivo de uma espécie, podemos
definir a natureza do conhecimento que lhe serve de base para se mover no
espaço e no tempo.
Ou seja, se fornecermos a um indivíduo uma informação
falsa sobre o cenário em que ele se move, a consequência será que ele passe a
se desorientar. Exemplo: se, a um indivíduo em movimento, transmitirmos uma
informação falsa sobre o comprimento de uma fenda em seu caminho — para a qual,
à medida que se aproxima, ele deve se preparar para atravessá-la —,
informando-lhe que ela tem dois metros de comprimento como um fato, quando na
verdade são dez, a aceitação dessa falsidade levará à sua ruína.
Nos animais, são os sentidos, quaisquer que sejam, que
captam a informação à medida que o movimento ocorre. No ser inteligente, no
caso humano, a informação provém da comunicação e, portanto, o indivíduo fica
exposto a uma manipulação factual externa que, ao direcionar seu comportamento,
pode ou não buscar sua destruição. Ora, quando é toda a espécie, todo o gênero
humano, neste caso, que segue por um caminho autodestrutivo, por lógica devemos
falar de uma patologia intelectual que, ao afetar todos os homens,
inevitavelmente os arrastará a todos para o abismo de sua extinção. E como a
Cosmologia se refere à Estrutura da Natureza, origem de toda a vida na Terra, o
Comportamento Global Autodestrutivo que o Gênero Humano vive deve ser buscado
em uma Patologia do Intelecto para recriar intelectualmente a natureza do mundo
em que o Homem vive, existe e é.
4. Voltando ao tema metafísico, o fato é que a Ética
também não está implicada na Genética e, no entanto, sua manifestação ocorre em
todos os níveis históricos conhecidos. Assim, sendo a necessidade inata, o
Conhecimento faz parte de nossa estrutura genética. Ou, o que dá no mesmo, não
reagiríamos à Estética do Universo se nossa estrutura genética não estivesse
preparada para responder às faíscas que os Céus fazem saltar em nosso cérebro.
Assim, ao negar a relação entre Inteligência Natural e
Estética Universal, o que o materialismo científico fez foi conduzir o trem da
pesquisa cosmológica criacionista a um beco sem saída. Contra essa tentativa, é
preciso dizer que a história das civilizações, desde seus primórdios, mantém um
registro das respostas das diferentes culturas a esse estímulo natural
(Inteligência Natural – Estética Universal), em relação ao qual o Gênero
Humano, encontrando-se como se encontrava em sua Infância Ontológica, não tinha
capacidade de manipulação nem domínio. Ou, o que dá no mesmo, o ser humano
reage diante da Beleza do Universo com a naturalidade das árvores diante da
chegada da primavera e dos ventos diante do inverno.
Sendo “a admiração a mãe do pensamento filosófico”, é a
própria Natureza que, carregando em sua Estrutura Universal a marca da
Inteligência de seu Criador: seu efeito sobre a Vida, não podendo ser outro
senão uma Criatura Inteligente “à imagem e semelhança de seu Criador”, engendra
no ser humano o Pensamento Metafísico, com base no qual ele transcende a
própria materialidade da informação registrada pelos sentidos para elevar-se a
uma Causa Externa Universal que tem em Deus sua Origem.
Nesse sentido, pode-se objetar que a Metafísica tem pouco
ou nada a ver com a Cosmologia. Objeção sem fundamento, pois a Filosofia, sendo
a mãe da Metafísica, é o fogo que acende no Ser a Inteligência que o conduz à
Ciência. E a Ciência direciona seu Pensamento para a Criação. Modelo de conduta
que observamos em todas as civilizações. E do qual deduzimos que a marca do
Criador se integra à Criação para elevar a Vida de sua Criatura à sua
Existência e Participação na Eternidade.
5. Quanto à Criação da Vida Inteligente sobre a face da
Terra, naquela época (referindo-se ao Homo Sapiens Adanensis),
o ser humano em sua Infância Ontológica, a resposta do Homem ao estímulo do
Universo em seu Cérebro foi a Palavra. Ou seja, se o fato da admiração
constitui o passado da Ciência, esse mesmo fato revolucionou, muito antes, o
futuro do Homem, abrindo-lhe a boca para articular sua Primeira Palavra.
A Primeira Palavra, a palavra de admiração por
excelência, que outra poderia ser senão “Deus!”.
De fato, o relato bíblico sobre a Criação do Universo tem
sua origem na satisfação daquele estímulo que despertou no Homem a busca pelo
Conhecimento da Origem de todas as coisas. No seio dessas respostas que as
diversas nações da Antiguidade deram a esse estímulo (Estética Celeste –
Inteligência Natural), a Resposta Bíblica abriu entre Moisés e seus
contemporâneos uma distância tão intransponível quanto seria impossível para o
Faraó atravessar o Mar Vermelho.
6. De fato, em comparação com o relato de Moisés sobre a
Criação do Universo, os relatos cosmogônicos dos povos antigos traziam a marca
do trauma histórico vivido por seus antepassados em algum lugar do outro lado
do Dilúvio. Deuses, demônios, oceano, céu, terra, semideuses... Todas as
paranoias daqueles homens se misturaram em um caos mítico, de cujas entranhas
nada de bom poderia surgir, exceto a justificativa do comportamento social que
constituía seu patrimônio histórico. Por isso, neste livro, prefiro deixar para
outra ocasião uma análise sobre a gênese das respostas da Antiguidade ao
desafio do cosmos. Tampouco vou me perder na análise e refutação das teorias
cosmológicas modernas, pois, embora sob uma roupagem diferente, as respostas da
Era Atômica às antigas questões clássicas sobre a Origem e a Estrutura do
Universo tiveram suas raízes na mesma atitude psicológica que arrastou o homem
antigo para a Era dos mitos e das lendas.
No momento oportuno, quando a ocasião surgir, irei
desmembrar suas estruturas até revelar a natureza de suas hipóteses. Pois, não
sendo esta Nova Cosmologia o desenvolvimento de uma hipótese anterior, e não
sendo devedora de nenhuma delas, a teoria histórica que dá início a este livro
não tem por que seguir o mesmo método de registro e refutação de todas as
hipóteses que, desde os dias do Mundo Clássico até a Era Atômica, fizeram o
mesmo, ou seja, tentar satisfazer a necessidade de conhecimento do ser humano.
E, considerando que a liberdade de expressão se une à liberdade de pensamento
para criar seu próprio método, preferi seguir como linha de ação a plataforma
que Moisés traçou no Gênesis. E digo isso ciente de que, sem o trabalho das
gerações passadas, seria impossível estarmos aqui presentes.
Ora, levando em conta que esse progresso já estava
inscrito na História de nossa Civilização desde o momento em que seu Fundador
não foi outro senão Aquele que, abrindo a boca, disse: “HÁ LUZ”, esta
Introdução não reconhece outro parentesco senão com Aquele que dispôs que a
Inteligência humana encontrasse a Porta aberta para a Ciência d a Criação. As
ciências cumpriram uma função histórica sagrada, que não é outra senão preparar
a inteligência do nosso século para acessar a
inteligência sem limites do nosso Criador.
7. A partir do estudo da História das Ciências, em geral,
e da Astronomia, em especial, percebe-se de que maneira e em que medida a
Ignorância foi a herança deixada à Humanidade pela geração daqueles míticos
fundadores das primeiras cidades construídas pelas mãos dos homens, cuja idade
de ouro foi alcançada quando “a coroa desceu do céu”, quando as cidades se
ergueram como o corpo do Primeiro Rei da Terra, aquele Adão que, desafiando a
Lei e desprezando a Paz enquanto caminho para a civilização da plenitude das
nações do gênero humano, fez da Guerra Santa sua lei de ferro; herança que
levou todos à Morte. Destruição onde se aprecia melhor do que em qualquer outro
lugar a delicada relação entre Conhecimento e Comportamento.
Uma informação “falsa” sobre a Identidade e a
Personalidade do Criador, aceita como verdadeira e certa, desencadeou a
primeira guerra civil mundial, encenada no fratricídio de Caim contra Abel;
informação que, se não tivesse sido aceita — caso o Homem tivesse empreendido
um Caminho direto para a Civilização Universal —, teria poupado à Humanidade
tanta desgraça.
Mas, como não estamos neste livrinho para corrigir os
erros dos historiadores da Antiguidade, é melhor deixarmos de lado, por
enquanto, o tema da Queda à luz das ciências históricas, e já teremos tempo,
quando Deus assim o determinar, para viajar ao Sétimo Milênio a.C. e recriar, à
luz das evidências, o Mundo antes da Queda daquele primeiro reino cujo rei
recebeu a coroa “que desceu do Céu”, Adão para nós, “Alulim”
para os herdeiros daquele mundo perdido… por causa de uma maçã!
8. Continuando com o tema, a título de introdução, e
embora possa parecer fora de contexto uma breve visão geral, a entrada de
Moisés na História Universal revolucionou a estrutura do Futuro da Humanidade
por muitas razões. Ele foi o primeiro legislador a abolir os sacrifícios
humanos. Uma vez purificado por Jesus Cristo das penas relacionadas ao crime
bíblico, o Código Mosaico de Justiça continua sendo a base de nossa Ética
Social, mantendo-se seus “NÃO matarás, NÃO roubarás, NÃO cometerás adultério, NÃO
darás falso testemunho”... os pilares sobre os quais o Palácio da Justiça
mantém sua estrutura básica.
Obviamente, o mundo continua sendo o que é devido à
batalha até a morte que a semente de Caim vem travando contra Cristo.
Desde as origens do Mundo, daquele mundo renascido das
cinzas do antigo mundo pré-cristão, o objetivo de reinos e impérios, tiranos e
ditadores não foi, nem é outro senão legalizar o Roubo, o Adultério, o Crime, o
Testemunho Falso, o Sexo contra a natureza, etc. A história dessa luta entre a
lei da Natureza, escrita por Deus Criador no coração de todas as primeiras
famílias da Terra, e a lei do Crime, cujo objetivo era e é a legalização dessa
transgressão (em nome do Estado, da Casta, da Democracia e até mesmo de Deus),
teve e tem como linhas-guiadoras conduzir as nações à aceitação da guerra como
modo de vida.
Não é necessário enfatizar a transcendência do Código de
Moisés e sua natureza revolucionária. Como já disse, esse Código foi o fogo que
fez surgir das cinzas aquele Mundo Antigo que, com a Quadratura dos Césares,
conduziu a Civilização Antiga à sua ruína. Animado pelo Espírito de Cristo,
daquelas cinzas surgiu o Mundo Moderno, que atualmente volta a galopar rumo à
sua ruína nas costas dos mesmos cavalos que conduziram à queda do Império
Romano.
9. De muitas maneiras, portanto, a Revolução de Moisés
continua a nos afetar três mil e quinhentos anos após seu nascimento.
Sem contradizer de forma alguma nossa Dogmática sobre a
Trindade, seu monoteísmo continua sendo a Rocha sobre a qual Cristo ergueu sua
Igreja. (Da oposição entre aquela força Antiga, estagnada em sua inércia, que
se recusava a dar o salto para a frente, e a Nova, que clamava por
renascimento, surgiu o grande conflito que, com sua explosão, devolveu à
Sagrada Escritura a natureza revolucionária que ela possuía em suas origens e à
qual nunca renunciou. Graças a Jesus Cristo, mesmo ao preço de ser considerado “traidor
da pátria” por querer transformar a Sagrada Escritura em patrimônio universal
da Humanidade, a Inteligência Natural Clássica encontrou a porta aberta para o
estudo da Criação. E o que é mais importante, Jesus Cristo deu à Bíblia um Povo
que a protegeria da Queda do Império Romano, que se aproximava).
10. O povo judeu, é verdade, havia carregado a Sagrada
Escritura contra o vento dos séculos. Mas o havia feito como quem carrega um
fardo do qual não se pode livrar. Seus períodos de idolatria, suas épocas de
corrupção, tão comuns em sua história, não eram mais do que isso: a
manifestação dessa impossibilidade de tirar aquele fardo das costas. Moisés
firmou uma Aliança entre Deus e o povo hebreu, pela qual Israel nunca seria
destruído; mas, ao vincular ambas as partes e com o Olho de Deus onipresente, isso
criaria — e de fato criou — na consciência do povo judeu a necessidade de não
se sentir vigiado de maneira tão constante e onipresente. O efeito dessa
necessidade de libertação foram aqueles períodos de idolatria e corrupção dos
quais a Bíblia está repleta.
Foi essa relação de natureza sadomasoquista — na medida
em que Deus sabia que era impossível ao homem não pecar, e o homem sabia que
era impossível a Deus deixar de punir — que conduziu o povo judeu à situação
final que, por meio de seu confronto com os poderes sacerdotais de Jerusalém,
nos revelou Jesus Cristo.
Após um milênio e meio estudando a Sagrada Escritura,
vivenciando-a na própria pele — eu diria —, tal foi o modelo de relação entre
Deus, o Universo e o Homem que moldou Jerusalém e seus filhos. Seus ritos
litúrgicos, suas prescrições legislativas, o modo de vida judaico em geral,
salvo algumas exceções, mantiveram as mãos do resto do mundo longe da Sagrada
Escritura, e as do povo judeu, salvo raras exceções, longe dos livros da Idade
de Ouro da Filosofia e das Ciências Clássicas.
Essa situação, esse muro psicohistórico intransponível nos dois sentidos, Jesus Cristo se propôs a derrubar.
E ele o derrubou.
A necessidade era
vital. Como depositários da Sagrada Escritura, os judeus não podiam ignorar que
a História Universal continuava em evolução e que, ao seu redor, havia outro
povo no qual Deus havia depositado outro tipo de “escritura sagrada”.
Se a Sagrada Escritura foi fruto do amor de Deus pelo
Homem, o fruto do amor do Homem pela Sabedoria seria a Filosofia, mãe da
Ciência.
11. Longo foi o caminho da Ciência ao longo dos séculos.
Como não poderia ser de outra forma. Pois, tendo o Homem sido criado para ser
participante da Onisciência criadora, a inteligência humana, reflexo vivo da
Inteligência Divina, não podia nem pode deixar de aspirar a viver seu
crescimento dentro da dimensão onisciente natural à Fonte de sua existência. A
consequência direta e maligna que a Queda legou a todas as famílias do mundo
foi essa desconexão; de modo que, tendo o homem “em si a potência de ser”, ele
se viu, após a Queda, diante da impossibilidade de passar do “dito” ao “feito”,
o que na Filosofia se denomina: passar da “potência” ao “ato”.
Essa impossibilidade natural traduziu-se em mitologias e
cosmogonias, uma a uma e todas em conjunto, impulsionadoras do Delito contra
uma Natureza que, portando em seu seio a lei Divina, viu-se impotente para
reconectar a Criatura Humana com seu Criador.
A ignorância foi o destino do gênero humano (sobre cuja
natureza já falaremos no momento oportuno, mas não aqui, uma vez que este livro
se destina a permanecer exclusivamente no campo do conhecimento de Deus como
Criador dos Céus e da Terra)... Contra essa ignorância se ergueu o Pensamento
Filosófico e, embora a inteligência humana estivesse escravizada à lei da razão
animal, pelo fato de o ser humano portar em seu seio a semente da inteligência
divina, esta, por disposição do Criador, acabaria por dar seu fruto.
12. Assim, mil e quinhentos anos após o Nascimento,
chegou para a Ciência a hora de sua liberdade. A tutela que a Teologia exercera
sobre seu corpo chegava ao fim. Só que a situação não era a mesma. Não se pode
comparar o mundo mil e quinhentos anos depois de Moisés com Galileu, mil e
quinhentos anos depois de Jesus Cristo. Mas, no que diz respeito ao fim da
tutela da Teologia sobre a Ciência, a Hora realmente havia chegado.
Os ponteiros do relógio do Tempo vinham avançando em
direção a essa Hora.
Se os teólogos se escandalizaram com Galileu, não foi
porque Deus tivesse deixado de ser o espírito que, em seu rosto, insufla o
sopro da vida às suas criaturas. Eu diria que foi exatamente o contrário; foi
porque a Teologia havia tentado monopolizar esse sopro da vida e, ao não
conseguir, logicamente teve que se escandalizar com Deus. Mas essas coisas já
haviam sido preditas. O verdadeiro problema, na essência da independência da
Ciência, surgiu quando, a partir dos atritos, surgiu aquela sensação de liberdade
de quem se liberta, finalmente, da proteção de uma mãe exageradamente — como eu
diria — madona. Sensação crescente que, alimentada pela crítica da razão
independente a uma igreja ancorada em seus comportamentos medievais, acabou por
converter o Mundo Moderno aos diversos tipos de materialismos científicos.
Dado o condicionamento intelectual adquirido pela Ciência
Moderna, dificilmente o progresso do conhecimento físico do Universo poderia
convergir para o encontro com seu Criador.
13. Embora possa soar como uma crítica destrutiva — o que
não é —, é fato que o fracasso da Era Moderna já estava escrito em seu legado
para a Era Atômica. Muitas ideias sobre possíveis modelos cosmológicos, cada
uma delas uma peça de um quebra-cabeça que se vislumbrava maravilhoso, mas que
ninguém conseguia organizar. Coube ao gênio de Einstein e à sua geração elevar
o Número à condição da Palavra e, com seu poder onipotente, ordenar o Cosmos.
(A loucura que — segundo eles — havia no gênio levou os sábios da Era Atômica a
acreditar que estavam em uma corrida de revezamento e que havia chegado a sua
vez de correr. Com a fidelidade dos sábios a uma causa perdida, os gênios da
primeira metade do século XX saltaram para a pista que conduzia ao inferno das
guerras mundiais. Quando perceberam, quando quiseram parar o trem, já era tarde
demais, e a inércia fez o resto). Eles saltaram e, como Pilatos lavando as
mãos, se afastaram do caminho.
Nós, como não implicá-los no nascimento do monstro que
alimentaram com o leite da lei do mais forte e o pão da guerra como instrumento
de progresso e evolução!
Alimentados pela doutrina do materialismo científico, o
monstro nazista e o monstro bolchevique cresceram até se tornarem os exércitos
daquele inferno que fez do século XX o período mais maligno vivido até então
pela humanidade.
É verdade que a Queda do Império Romano não foi menos
infernal, mas o fato de o século XX ter contado com todos os meios necessários
para impedir a hecatombe apocalíptica, o fato de ter visto na Guerra o único
meio possível para sair da crise ideológica e econômica que afetava todas as
nações por igual, transformou a Queda do Mundo Moderno na maior tragédia já
conhecida, tanto pelo número de almas presas na hecatombe apocalíptica quanto
pelo ódio e pela maldade que se liberaram nas guerras mundiais do século XX.
Ou seja, segundo o evangelho do mais forte: a Guerra
Mundial era legítima.
Elas tinham que começar.
E começaram
14. Felizmente para nós, tudo o que tem um começo tem um
fim, e a maior das guerras vividas pela humanidade também chegou ao fim.
Acabou; mas, fugindo da derrota do Forte, os atletas da
Ciência correram em todas as direções e entregaram o bastão da energia atômica
às duas grandes potências vencedoras do conflito.
Surgiu a Guerra Fria.
Uma Guerra Fria que teve sua origem na decisão de Deus de
armar Caim e Abel com a mesma mandíbula, com o objetivo de impedir o
fratricídio por meio do medo da destruição de ambos. Política maravilhosa,
cujos frutos todos nós desfrutamos agora. Não que a Era Atômica seja, ou tenha
sido, um paraíso de acordos com o pensamento voltado para a salvação das nações
e a redenção da Mãe Terra. De jeito nenhum! Mas a revolução tecnológica tinha
que seguir seu curso.
E, por uma dessas decisões maravilhosas da Providência,
os olhos da inteligência humana se abriram; começaram a penetrar nas distâncias
astronômicas.
E, à medida que o campo universal se expandia aos olhos
telescópicos da Civilização, aquele Universo do Mais Forte foi se evaporando,
desaparecendo como faz a bolha de sabão que, segundo seus criadores, existia.
Atônitos, com os olhos incrédulos de quem vê seus ídolos vacilarem em seus
pedestais e não conseguirem suportar o peso do terremoto que abala os alicerces
da terra, as últimas gerações da Guerra Fria viram como a religião de Einstein
e sua doutrina cosmológica tremeram em seu altar, e não havia nada que seus
sacerdotes pudessem fazer para impedir isso.
Mais uma vez, a Realidade negou, nega e continuará
negando a ideologia do materialismo científico. Primeiro, negou seu evangelho
do mais forte; depois, negou sua doutrina da necessidade da guerra como
instrumento biológico da civilização; e agora faz tremer os alicerces do
Cosmos, segundo a Ciência.
15. Mas, em vez de me perder em uma crítica ao
comportamento científico, prefiro passar diretamente a destacar o
desenvolvimento da Civilização como resultado da evolução da linguagem humana,
cavalo de batalha que nos conduziu à vitória sobre aquela ausência de
conhecimento da qual o Filho de Deus se lamentou, dizendo: “Se não compreendeis
as coisas da Terra, como ireis compreender as do Céu?”.
Não é um exercício de retórica afirmar que o sentido, o
objetivo, a meta para a qual caminhamos nestes dois milênios passados tem sido
a superação dessa deficiência intelectual. Lembremos que Deus havia falado como
profeta, Deus havia falado como legislador, Deus havia falado como rei e
senhor; finalmente, Deus falou como Pai, mas nunca nos falou como a
Inteligência Criadora daquele que, abrindo a boca, disse: “Haja luz”.
E, no entanto, tendo afirmado que criou o Universo, no
seio dessa afirmação estava a promessa de fazê-lo. Assim, no lamento do Filho
de Deus, essa promessa pulsava em forma de Futuro, que estava por vir, que Ele
gostaria de ter visto já, mas que, infelizmente, ainda estava por chegar.
E é que a inteligência do Homem Clássico teria de crescer
muito para poder compreender as leis da Ciência da Criação. O Caminho da
barbárie no alvorecer de nosso tempo seria longo e estreito; mas aquele Dia
viria. A História abriria seu horizonte, e a Estrela da Manhã, que anuncia a
chegada do Novo Dia, faria brilhar sua luz sobre a Plenitude das Nações.
16. Ao vê-la se aproximar, à distância dos séculos, um
dos discípulos de Jesus a saudou, dizendo: “A ansiosa expectativa da Criação
aguarda a manifestação da glória da liberdade dos filhos de Deus”. Filhos de
Deus que eram todos os apóstolos de Jesus Cristo, ao afirmar Paulo que “toda a
Criação” aguardava a “manifestação da glória da liberdade dos filhos de Deus”,
à sua maneira, da maneira tão inteligente que São Pedro reconheceu, São Paulo
profetizou o Nascimento desse Dia em que Deus nos falaria como aquele Criador
do Universo que se revelou no início de seu Livro.
Além disso, os dois primeiros passos nessa direção já
haviam sido dados. Havia a Revelação e a Ciência.
Embora fosse verdade que entre ambas existisse uma
barreira, o cristianismo, como se veria na primeira metade do primeiro milênio,
derrubou-a, e à luz de seu Magistério, a Teologia e a Ciência aprenderam a
conviver, a crescer juntas.
Obviamente, a Civilização ainda teria de passar por
momentos amargos e críticos; pairavam sobre seu caminho as invasões, a divisão
das igrejas, a batalha entre a Fé e a Razão e, ao final dos dois milênios, as
Guerras Mundiais. Somente no final o espírito da Inteligência entraria em cena.
PRIMEIRA PARTE
A CRIAÇÃO DA LUZ NO GÊNESIS
CAPÍTULO 2. NO PRINCÍPIO, DEUS CRIOU…
17. Entramos de cabeça no tema central deste livro: a
Criação do nosso Universo. E, para começar — pois não poderia ser de outra
forma —, escolhi a Revelação Bíblica como caminho para a descoberta da Origem e
da Constituição dos nossos Céus e da nossa Terra.
Pelo simples fato de o pensamento científico ter se
afastado da Revelação, o direito de inventar um Universo à medida de cada um
não se torna, de forma alguma, legítimo. A legitimação dos modelos do universo,
“desde que, em sua construção, se utilizem como tijolos as ciências dos
números”, nada mais é do que uma forma sutil de reconhecer em particular — sem
afirmá-lo publicamente — a incapacidade da Ciência de desatar a correia das
sandálias daquele que é a Origem de todas as Ciências.
Mas será que poderia ser de outra forma? Nascidos, por
assim dizer, ontem, pretendemos negar Deus para que nosso orgulho se salve da
ruína?
18. Curiosamente, a Teologia, contagiada pela ousadia do
ateísmo científico, deixou-se enganar pela farsa da cosmologia do século XX; e,
compartilhando da impossibilidade de acessar o
Pensamento de Deus, passou a fazer a Igreja acreditar que o Relato da Criação
do Gênesis não passa de mais uma metáfora sem qualquer conteúdo científico; ou
seja, que o único objetivo da Revelação do Gênesis consiste em relacionar a
experiência do Universo com a Ideia de um Criador Divino.
Assim, daí a promover um constante aggiornamento do
Texto, adaptando-o à mentalidade e à inteligência dos séculos, que mais!
Para o orgulho da intelectualidade, será sempre
mais útil negar sua incapacidade de se colocar à altura do Deus Criador do
Cosmos do que admitir a impossibilidade de se colocar à altura da sola dos
sapatos do Criador de tantas maravilhas que adornam o Traje do nosso Universo.
19. Uns por uma razão e outros por outra, o fato é que,
ao entrarmos no terreno da Onisciência Criadora, todos o fazemos como quem pisa
em território virgem. Quer uns, negando a existência de um Deus Criador do
Universo e do Cosmos, quer outros, afirmando sua impossibilidade de entrar na
Palavra Criadora por meio do artifício teológico de que o Relato é uma
metáfora; além das crenças e opiniões de uns e de outros, o Relato da Criação
do Universo cumpriu sua função histórica de apresentar o Homem ao seu Criador.
Nas mãos de Deus está o direito de intervir em sua
própria Criação; a Revelação foi concedida para revelar a vaidade de toda
inteligência natural. Mas, visto que Deus não se glória em zombar de suas
criaturas, sobretudo quando se uniu à sua Criação na qualidade de Pai, e sendo
a Sabedoria o oposto da Ignorância, no corpo literário da Revelação estava
selada a Promessa Todo-Poderosa do Acesso, no espírito da Fé, da Inteligência
do Homem à Onisciência Criadora Divina.
Alegria, então, e deixemos que o rio dos séculos arraste
para o mar do Passado os argumentos que surgiram para mascarar o fracasso de
todos: cientistas e teólogos, para abrir a Porta, entrar e ver.
20. Dito isso, tendo em mente o Pensamento de Deus, o
Texto Original do Gênesis diz que:
“A Terra estava… confusa!”.
“No princípio, a Terra estava confusa e vazia”, é a frase
completa.
Na imensa maioria das traduções do original bíblico,
especialmente desde os dias da Rebelião de Lutero contra a Unidade da Igreja
Universal fundada pelo Senhor Jesus, Único Rei Eterno, Único Pontífice
Universal, Deus Filho Unigênito, que com seu Poderoso Verbo trouxe à existência
a Luz, o Firmamento, e toda a vida com que a Mãe Terra foi preenchida por seu
Criador, as palavras: “A Terra estava confusa e vazia”, não são exatamente as
mesmas.
E isso é compreensível.
Os próprios tradutores modernos viram-se presos à razão
científica e, para evitar “a confusão” aos seus leitores, preferiram adaptar a
Palavra de Deus ao espírito da época.
Aqui, com total independência dos complexos e
preconceitos da época e de suas adaptações — pois consideramos que Deus é
Eterno —, optei por manter o texto original e trabalhar a partir de suas
informações:
“No princípio,
Deus criou os Céus e a Terra.
A Terra estava confusa e vazia…”.
21. Ora bem, o fato de a Terra ter passado por um período geohistórico caracterizado por um vazio planetário
(no que se refere à biosfera) é um dado tão elementar e evidente quanto o fato
de nascermos nus. Do ponto de vista da geologia clássica, não se fala de um
período histórico de vazio cortês, no estilo que o autor do Gênesis quer nos
apresentar. Mas, se devêssemos nos ater ao critério da geohistória moderna, também não seria correto falar de um vazio, para a superfície da
Terra, à imagem e semelhança daquele que vemos na superfície da Lua. E é
precisamente desse tipo de vazio cortês que nos fala o autor do Apocalipse.
22. A Lua, por exemplo; falando da Lua, podemos dizer — e
dizemos — “que ela está vazia”. Por razões evidentes. Na Lua não há plantas; a
Lua não tem atmosfera; a Lua não tem oceanos; a Lua não tem nada em sua crosta
externa cujas propriedades nos permitam afirmar que a Lua teve, ou está a
caminho de ter, uma biosfera.
Da crosta da Lua, em especial, além de não ser mais do
que um deserto interminável que, por não ter nada, não possui sequer vestígios
de alguma civilização perdida nas dobras de um desses cataclismos asimovianos de que tanto gostavam os leitores do século XX;
e da Lua, em geral, podemos afirmar e afirmamos que “a Lua está vazia”. Sem
atmosfera, sem oceanos, sem continentes, sem vida de qualquer tipo, nem vegetal
nem animal, a Lua está hoje tão vazia quanto a Terra estava ontem, antes de
Ele, o Filho de Deus, abrir a boca e dizer: “Haja luz”.
23. Não há necessidade de insistir, e insistir novamente,
na imagem geohistórica a partir da qual o Verbo,
abrindo a boca, com sua Palavra Todo-Poderosa, vestiu a nudez da Mãe Terra com
o manto de gelo que Ele chamou de “a Luz”.
Quando, portanto, o Autor Divino nos revela que a Terra
“no princípio estava vazia”, a imagem científica que seu Criador, Deus Pai,
deseja nos transmitir e nos faz perceber é esta: a de uma Lua supergigante
chamada Terra. E foi a esse planeta em sua infância, “nu” e exposto à
destruição, que Deus Filho se aproximou, para maravilha de todos os filhos de
Deus, “não desta Criação”, e, abrindo a boca, deu início à criação do gênero
humano.
24. Assim, e para ir ampliando horizontes, a escada dos
elementos naturais que o Gênesis nos convida a subir nos coloca diante de uma
Terra sem oceanos, sem atmosfera, sem continentes, sem calotas polares, sem
plantas, sem animais, sem aves nem peixes. Em uma palavra, sem biosfera. E a
partir dessa retrospectiva, com toda a tranquilidade
do mundo, um homem de 35 séculos atrás perguntava a todos os sábios de todos os
tempos e lugares, nascidos e por nascer:
“Senhoras e senhores, partindo daquele planeta vazio, tão
vazio quanto a superfície da Lua: como Deus criou a água, o gelo, o ar, a
terra, o fogo? Ou seja, os oceanos, os continentes, a atmosfera, as calotas
polares, as plantas, as aves, os peixes e toda a vida”.
Desde então, a pergunta do Autor do Apocalipse tem
pairado sobre a inteligência dos milênios.
25. A esta altura, diante da distância entre o autor
divino e o leitor do século XXI, a resposta oficial, na boca de teólogos e
cientistas, é que Moisés se limitou a criar uma metáfora baseada em uma espécie
rara de hipérbole mística.
Pessoalmente, não sei como chamar um fracasso que nega a
possibilidade de qualquer vitória, e na afirmação do Nada espera afogar no mar
do esquecimento sua derrota. Talvez algum dia eu consiga encontrar a resposta.
Enquanto isso, a primeira tarefa deste livro é demonstrar, contra Descartes,
que Deus não mente. A segunda, que os gênios se achavam mais espertos do que
realmente eram. E a terceira, dar a resposta correta à pergunta em direção à
qual a Civilização tem caminhado: “Como Deus criou o Universo?”.
26. A necessidade de começar por algum lugar nos colocou
diante da informação bíblica em questão:
“No princípio,
Deus criou os céus e a Terra.
A Terra estava confusa e vazia, e as trevas cobriam a
face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a superfície das águas.
Disse Deus: ‘Haja luz’; e a luz se fez”.
Quantas vezes essa informação já foi lida? Quantas vezes
essa revelação já foi comentada? Quantas gerações tentaram desvendar seu
segredo! E quantos pensadores foram honestos consigo mesmos e com os outros e
reconheceram que o quociente intelectual de quem criou esses Céus e esta Terra
está tão distante do quociente intelectual humano quanto o Inferno está do Céu?
(Neste livro, o tempo será sempre entendido em escala
geológica. À medida que avançarmos, novos horizontes irão se abrindo. O
Princípio é o problema. E o problema está na escolha da plataforma).
CAPÍTULO 3. – CRIAÇÃO DA TERRA
27. A Informação bíblica nos coloca sobre uma plataforma
geológica específica. Mais especificamente, a Revelação estende aos nossos pés
um período geohistórico. Se, a partir de sua
informação (“a Terra estava vazia”), olharmos ao redor e apagarmos da
superfície do Globo todos os elementos clássicos da Natureza: atmosfera,
continentes, oceanos e calotas polares; o que nos resta? Resta-nos um planeta
vazio na véspera do Nascimento de sua Biosfera!
Mas o ponto, para o qual a inteligência foi mobilizada,
centra-se na busca pela resposta atrás da qual tantos esforços se perderam.
Quero dizer: partindo de um planeta com essas características geológicas, com
uma crosta primária desprovida de qualquer elemento natural com o qual se
pudesse começar a fazer algo — sendo que a imagem mais próxima de seu estado
primário é a visão da superfície da Lua —, partindo desse estado primário, a
pergunta é:
Como Deus conseguiu criar a Biosfera?
Essa seria a maneira tradicional de abordar o tema.
Mas há outra.
28. Abordemos o tema sob uma nova perspectiva.
Por que não fazemos a nós mesmos a pergunta? A saber: que série de processos
físicos teríamos que desencadear, controlar e dirigir para, trabalhando com uma
plataforma geológica semelhante, criar uma biosfera?
Ver para acreditar! No futuro, veremos com nossos
próprios olhos Deus em ação e nos maravilharemos ao contemplar como Deus
realiza Suas Obras. Falando sobre elas, seu Filho, ao nos lançar um convite
para assistir ao espetáculo da Criação, nos maravilhou dizendo-nos “que seu Pai
fará obras maiores do que esta”. Com isso, também compreendemos que esse
convite foi a causa da participação dos filhos de Deus nessa obra, a Criação de
nossos Céus e de nossa Terra; Convite que atingiu sua felicidade suprema quando,
chamando seus filhos, Ele os tornou participantes de nossa Formação e, dizendo
“Façamos o Homem à nossa Imagem e à nossa Semelhança”, o Convite foi aberto à
Participação no Ato Criador.
Dito isso, e para não nos perdermos em caminhos
paralelos, e visto que a Origem do nosso Universo não pode ser vista por nós
senão com os olhos da Inteligência, será com esses olhos da inteligência que
veremos como Deus criou a Luz e todas as coisas.
29. Nem é preciso dizer que a recuperação, para a Memória
da Humanidade, de uma Realidade Histórica à qual foi negado o acesso ao Gênero
Humano, por lógica, entrará em conflito com os sistemas cosmológicos que o
Mundo Moderno criou para preencher esse vazio.
Independentemente dos detalhes sobre as origens dos
sistemas cosmológicos do século XX — aos quais, para conferir maior veracidade
virtual, foi atribuída a medida do tempo até mesmo em nanossegundos —, a
entrada em cena do verdadeiro sistema histórico na origem do Universo deve
atordoar a inteligência de todos aqueles cujo pensamento ainda está ancorado no
oceano sob cujas águas o Mundo Moderno pereceu.
Por minha parte, acostumado a navegar livremente pelo
Conhecimento das Memórias do Universo, corro sempre o risco de avançar a uma
velocidade maior do que a que o leitor consegue acompanhar. Confio em poder
superar esse problema. Pelo menos é o que espero.
Desenhei a plataforma geohistórica da qual partiremos.
Ao amanhecer do Primeiro Dia do Gênesis, a Terra estava
vazia, nua, sem oceanos, nem continentes, nem atmosfera, nem calotas polares.
Nenhum dos elementos naturais revestia a nudez da Terra no dia seguinte ao seu
nascimento. Como, então, Deus criou a Biosfera?
Como, se tivéssemos o Poder, nós mesmos a criaríamos?
30. De fato, Deus criou a Terra nas Trevas, pois o
Autor escreve que, uma vez criada a Luz, Deus separou a Luz das Trevas; e
depois diz que “Deus criou as estrelas para separar a Luz das Trevas”.
Daí surge a pergunta: onde estavam, e onde estão, essas
trevas “que cobriam a superfície do abismo”, entre as quais Deus criou a luz?
Essa questão receberá, no devido tempo, a resposta que
merece. Pelo que se lê, percebe-se, com olho de águia, que, onde quer que
estivessem essas trevas entre as quais Deus criou a Luz, em sua Origem a Terra
não foi criada no seio das estrelas de nossos Céus. Afirmação precoce avançando
sobre as asas da aurora, mas que se verá cobrindo o firmamento do Século com a
potência do Sol, afastando a Noite do Dia.
Basta pegar papel e lápis, dar vida à informação partindo
do Princípio, relacionar a Luz com a Terra e deparar-se com uma imagem
revolucionária na plenitude de sua grandeza. Ainda há um caminho a percorrer
até que essa imagem seja desenhada.
Vamos percorrê-lo.
31. Na verdade, meu trabalho nesta Introdução consistirá
em criar essa pintura, integrá-la à História da Terra e, a partir desse quadro,
abrir a Porta da Luz da Inteligência para todas as ciências.
Há algo mais natural do que saber de onde viemos!
Por enquanto, uma vez colocado no papel o Mar das
Estrelas de nossos Céus entre a Luz e as Trevas, a Admiração não apenas
desperta, mas nos abre os olhos para um Cenário Criador que beira a
incredulidade: “A Terra foi criada do outro lado do Mar das Estrelas de nossos
Céus”.
Mas deixemos que a Luz nos desperte, nos abra os olhos, e
que a “potência” sufocada, criada para se tornar “ato”, essa vocação de uma
inteligência nascida para crescer na onisciência natural de seu Criador,
realize essa natureza tão nossa, por culpa de uma rebelião sufocada no abismo
da ignorância, mãe de todos os crimes, entre cujos rios de sangue a Mãe Terra
sente-se morrer de vergonha e tristeza diante dos olhos do Céu. Por ela,
levanto minha alma do pó, e que Deus transforme nossas lágrimas de horror
diante de um ódio que não cessa em rios de alegria que jamais se sequem.
32. No que diz respeito à inteligência da Criação, que
pai não revelaria aos seus filhos seus segredos mais íntimos!
A Terra foi criada lá, nas Trevas, do outro lado das
estrelas do Firmamento. Sim, mas por quê?
Vista à distância, a Terra desenhava no espaço um planeta
com toda a aparência de um satélite, do tipo Lua, só que muitas vezes maior. Um
planeta “vazio” sobre aquele Abismo cuja superfície estava coberta pelas
Trevas; como não se sentir confusa!
Será que seu Deus a criou para abandoná-la nas Trevas?
Onde estava aquele esposo estelar que seu Criador lhe dera para que ela fosse
sua esposa celestial? Desde o seu nascimento, a Terra e o Sol haviam sido
prometidos em matrimônio perpétuo; de seu abraço, a Vida à Imagem de Deus
emergiria para a alegria de todas as estrelas. Separada de seus irmãos, os
planetas, abandonada nas trevas que cobrem a face do Abismo do outro lado do
Mundo das estrelas, com a destruição cercando-a, seu futuro pendurado por um fio
sob uma ponte de pedra, como não sentir a confusão rasgando a alma!
33. Será que Deus promete aleluias que enlouquecem de
alegria e, uma vez consumado o nascimento, vira as costas para sua criatura,
entrega-a à destruição e parte para outra coisa?
Ai, o coração da Terra, esse coração terno em sua
esperança mais forte que o raio e a tempestade, entregue à solidão perpétua que
precede a desintegração da consciência e da razão. “Ai, minha alma, que se
parte em pedaços diante da indiferença do meu Criador”, chora desconsolada a
Mãe que nunca deu à luz, e em sua confusão sente acreditar que nunca dará à
luz.
O casamento foi anunciado, ela foi escolhida como dama de
honra, bela como só ela, aquela Lua que espera em silêncio, com seu buquê de
flores, a chegada de sua senhora e rainha, e logo se vê abandonada nas
Trevas...
34. “Vazia e confusa”, abandonada nas Trevas do outro
lado do mundo das estrelas, a Terra se encolhe, com os braços em volta dos
joelhos, esperando a Morte. Ela já a cerca. Ela já se deixa cair, sem forças. O
sono que tudo cura, lançando-a da Criação como uma pedra que se partiu ao golpe
do escultor, a levará de volta ao pó de onde seu Criador a tirou. A Terra
respira sem fôlego. Deita-se em torno da última centelha de calor. É a
Sabedoria que, abraçando-a, a cobre com um cobertor e, ao ouvido, sussurra palavras
de confiança e amor:
“Aguenta firme, minha filha, o teu Criador já está
chegando”.
Esse era o cenário; e essa será a plataforma a partir da
qual começaremos a subir a escada dos elementos naturais.
Como cheguei a montar esse cenário para uma Introdução
Cosmológica, isso ficará claro no momento certo. Na falta de números, as letras
servem bem. E estimular a inteligência com palavras é como açúcar na mão de uma
criança. A inteligência sem o poder é estéril, e o poder sem a ciência se torna
força de destruição. Pretender que o homem é a medida de todas as coisas é como
uma arma nas mãos de um suicida; negar a existência de Deus com base na
ignorância é alimentar o genocídio da extinção. As razões do Criador do Cosmos
não precisam de justificativa, e é de criatura insensata pedir explicações ao
seu Criador. Quem pode destruir um Universo com sua única Palavra faz o que faz
porque ama a Vida; escandalizar-se com Seu Poder e com as razões pelas quais
Ele determina que sua Criação siga por um caminho ou por outro é fazer uso da
Liberdade para cometer homicídio. Não é na ignorância que provém da negação que
se encontra a vitória da ciência; e, enfim, tudo o que sobe tem de descer, e a
mentira não pode reinar para sempre enquanto a verdade viver.
Vamos prosseguir, então.
CAPÍTULO 4. – CRIAÇÃO DA BIOSFERA
35. Temos, portanto, duas realidades: a Terra, de um
lado, e, do outro, Deus. Trata-se aqui de saber como, partindo daquela
plataforma geológica “vazia”, Deus criou a Biosfera.
Eu disse antes que poderíamos fazer essa pergunta a nós
mesmos. Pois, como conhecedores das ciências da matéria e de seu comportamento,
sempre poderíamos apresentar uma sequência geofísica que se aproximasse o mais
possível do modelo histórico real. E eu disse “ ” porque esse é o mesmo
problema que Deus enfrentou e precisava resolver. E Ele resolveu. Sobre isso,
não é necessário nos alongarmos nem insistirmos mais do que o necessário. Os
resultados saltam aos olhos e preenchem tudo o que a Terra contém.
36. O fato é que “porque Ele conhecia a resposta”, Deus
resolveu o problema da criação da biosfera a partir daquela estrutura
geológica, aparentemente informe. E Ele conhecia a resposta porque conhecia
todas as igualdades que as equações geofísicas colocavam diante Dele.
Perfeito conhecedor dessas equações e de suas soluções,
Deus se levantou, subiu ao palco, abriu a boca e revelou o seu Verbo: “Haja
Luz”.
37. Falamos da fusão do corpo geofísico externo. E aqui
poderíamos nos lançar à descrição de uma fusão por fogo a partir do exterior,
ou então trazer à tona uma fusão causada por uma compressão de fora para
dentro, como se o campo gravitacional entrasse em colapso sobre si mesmo até
reduzir seu raio à mínima expressão possível.
Se a Ignorância ainda nos mantivesse escravizados à
Muralha da Morte, a escolha estaria em aberto. Não é esse o caso e,
consequentemente, vou direto ao ponto.
38. O primeiro passo que Deus deu, para proceder à fusão
do corpo geofísico, foi “o aumento da densidade por unidade cúbica astrofísica
do campo gravitacional terrestre”. O efeito imediato foi o seguinte:
Imediatamente, a Terra começou a girar em torno de seu
eixo a uma velocidade cada vez maior.
Sob a pressão gravitacional gerada — assim como uma
rajada de vento transmite a tudo o que está nas bordas de sua trajetória um
movimento acelerado —, o Globo Terrestre começou a girar em torno de seu eixo a
velocidades cada vez mais elevadas.
Esse foi o primeiro efeito.
39. No que diz respeito aos fundamentos dessa Natureza
dos campos gravitacionais envolvidos em um espaço tridimensional específico, de
tal forma que a densidade pode aumentar ou diminuir de acordo com a lei da
transformação da energia, estando essa natureza dos campos na raiz da relação
entre a energia universal e a matéria astrofísica, a Criação não teria podido
nascer sem que Deus fosse um Conhecedor até o infinito dessa Relação
Cosmológica na base da Expansão do Cosmos e da Construção dos Universos.
A transformação da energia gravitacional em forças
físicas materiais — campos elétricos, luz, energia cósmica etc. — é, de fato, o
pilar fundamental sobre o qual toda a estrutura da Criação se sustenta.
Ver-se-á a seguir o que essa relação implica e significa.
40. Consequentemente, partindo de uma rotação nula — o
que é natural para todo corpo astrofísico cujo núcleo se encontra à beira do
colapso —, a Terra começou a girar em torno de seu eixo a uma velocidade cada
vez maior. Velocidade de rotação que Deus calculou de acordo com a necessidade;
a elevação cinética do corpo da Terra deveria estar em correspondência com a
densidade gravitacional por unidade cúbica astrofísica que a produziria.
Essa correspondência entre a densidade gravitacional de
um campo e os parâmetros termodinâmicos dos corpos astrofísicos é uma das leis
fundamentais do comportamento da Matéria Cósmica.
41. Esta foi, portanto, a primeira etapa da sequência geohistórica na Origem de nossa Biosfera.
O efeito de fusão do corpo geofísico externo — Manto e
Crosta —, em resposta à ativação do Núcleo Astrofísico da Terra, não demorou a
se manifestar.
Vamos ver se conseguimos entrar no quadro e, a partir do
interior da tela, sentir o Movimento que, por ser Memória, se encontra como
objeto de decoração pendurado na Parede de nossa História Universal.
Como sabemos que a Matéria que reage diretamente à
Gravidade é a Matéria Astrofísica, e, pelos efeitos que levam à causa,
compreendemos que os parâmetros cinéticos de um corpo estelar provêm dessa
relação de correspondência com as propriedades do campo gravitacional em que se
localiza, podemos abrir nossa inteligência à aceleração rotacional do Núcleo da
Terra como efeito do aumento da Densidade do Campo Gravitacional da Terra
impulsionado por Deus.
42. Criada essa ativação do núcleo astrofísico da Terra,
pela qual o transformador geonuclear passou a produzir forças físicas naturais
em seu corpo, a saber, forças eletromagnéticas e calor, o pulso sismológico da
estrutura geofísica interna disparou, sendo que tanto o Manto quanto a Crosta
da Terra experimentaram, no momento, o efeito natural de sua sujeição ao
processo de expansão do Núcleo físico desencadeado por Deus, por um lado, e ao
seu aumento de temperatura, por outro.
43. Como o rugido do rei da selva ao despertar, como os
ecos dos primeiros raios da tempestade, como uma estrela no dia de sua
implosão, como um terremoto de proporções astronômicas sacudindo o Manto sob o
qual o Núcleo vinha dormindo, tanto o Manto quanto a Crosta começaram a se
aquecer e a estalar sob uma sinfonia de terremotos e vulcões.
O espetáculo do despertar daquele gigante que jazia
adormecido no coração da Terra transformou a superfície terrestre em um mar de
lava viva, sacudida por um processo vulcanológico de poder e beleza
indescritíveis.
Assim como o soldado que obedece ao seu rei e senhor e,
ao ouvir a ordem de batalha, dá um salto, empunha a espada e o escudo e, sem
hesitar, lança-se ao combate rugindo com a voz de um vulcão, e com o poder de
pernas que provocam terremotos faz o solo estalar sob seus pés, dessa maneira
maravilhosa, em algumas horas geológicas, aquela Terra “confusa e vazia”
transformou-se em um oceano de lava viva, sob cujas correntes parecia mover-se
um exército de vulcões lutando contra as ondas magmáticas de um Manto que havia
rompido as barreiras externas e se espalhava alegremente pela superfície da
Terra. Maremotos, gigantescos tsunamis de lava, sacudiram a superfície
terrestre; de suas cristas foram lançadas para a estratosfera ilhas de magma
que, ao esfriarem, transformaram-se em rocha e voltaram a cair no oceano de
fogo com o estrondo de um meteorito ou de um cometa.
CAPÍTULO 5. – FUSÃO DA CASCA TERRESTRE
44. Vemos, portanto, que, partindo do que se vê para o
que se deduz — tal como a inércia por si só propõe —, ao partir do que se
possui para as consequências a que os fatos conduzem, não se admitem
incongruências, embora seja verdade que quem possui não costuma valorizar o que
o outro perde; é seguindo essa linha de pensamento que a resposta, de ordem
física, ao enigma bíblico, põe em movimento uma série geofísica cujas
principais etapas são:
1: Fusão da Crosta Primária
e 2: Sublimação da proto-atmosfera resultante.
45. O motor dessa série geohistórica foi o Núcleo. A energia necessária para provocar essa mudança de estado foi
produzida por Deus por meio da aceleração do ritmo de trabalho do Núcleo;
aceleração revolucionária que, por sua vez, foi efeito do aumento da Densidade
Gravitacional por Unidade Cúbica Astrofísica do Campo Gravitacional Terrestre.
Em termos práticos, comparando agora o Corpo Geofísico a
uma Máquina, digamos que Deus encheu o tanque (Campo Terrestre) de energia
(Gravidade), provocando assim o aumento automático dos parâmetros do Motor
Geonuclear até o Ponto Crítico de Implosão Astrofísica.
O fato de esse Ponto Crítico não ter sido ultrapassado é
evidenciado pelos efeitos causados pela Sublimação da Proto-Atmosfera,
que, por sua vez, deu origem às calotas polares, sem as quais o Sistema
Biosférico não teria surgido, e cujo desaparecimento pressupõe seu colapso
irrecuperável.
Assim, uma vez que a Crosta Primária se transformou em um
mar de lava viva, abrangendo suas margens de um polo ao outro do Globo, e a Proto-Atmosfera (Primordial) elevou-se até o teto do
Planeta, o corpo geonuclear começou a diminuir sua rotação por unidade
geológica de tempo.
46. Já era meio-dia quando os gases produzidos pela fusão
da crosta se acumularam ao redor do Globo e deram origem a uma atmosfera
planetária, primitiva, mas que continha em seu volume todos os elementos
necessários para dar origem à nossa biosfera.
Aquela atmosfera continuou a se expandir durante toda a
manhã e, com o passar das horas, começou a ocultar, sob seu volume rarefeito, o
mar de magma que lhe dera origem. (Sempre falando em linhas gerais, de maneira
aproximada, concentrando a atenção no todo em vez de nos detalhes).
Essas coisas aconteceram durante a manhã do primeiro dia.
Ainda restava uma tarde pela frente.
47. Levando em conta a mecânica da fusão dos sólidos —
uma lição para crianças pequenas que costuma ser ensinada em todas as salas de
aula desde tempos muito antigos, e cujo cerne iremos poupá-los, omitindo o
conhecimento aprofundado das estruturas cristalinas e a manipulação a que se
presta tanto na química quanto na física —, e entendendo que essa mecânica
elementar foi a que Deus aplicou à Crosta Primária da Terra, podemos afirmar,
sem medo de cair no absolutismo da razão onipotente da ciência, e muito menos
na armadilha nobeliana do dogmatismo da Academia, que
a estabilização dinâmica da estrutura geofísica externa daquela Terra Primária
surgiu como consequência da diminuição da atividade sismológica de seu corpo
interno.
Digamos que aquela Força que Deus empregou para brincar
com a Terra como se fosse uma bateria de vulcões com a qual compor uma sinfonia
única, espetacular, maravilhosa e alucinante, e depois de ter tirado faíscas e
trovões dos pratos, seja porque se cansou e não aguentava mais, seja porque
quebrou as baquetas, o fato é que a Força cessou, e se fez o silêncio.
Traduzindo para o leigo:
48. Seguindo a lei da inércia, transformada a energia
causadora da fusão da Crosta Primária, uma vez cumprida sua tarefa, o Núcleo
Astrofísico da Terra retornou ao estado de equilíbrio anterior ao momento em
que Deus abriu a boca e proclamou Sua Palavra: “Haja luz”.
Assim, à medida que o silêncio se tornava mais denso, até
igualar a densidade da Atmosfera Primária assim criada, a cor vermelha e
amarelada vulcânica da Crosta Primária começou a se dissipar, a se dissipar e a
adquirir a cor da matéria sólida vulcânica. E assim, ao entrar na reta final da
Tarde do Primeiro Dia do Gênesis, a Terra começou a retornar ao seu estado
natural de equilíbrio entre as diferentes partes que compõem seu corpo
geofísico.
49. A etapa final desse processo (a criação da Atmosfera
Primordial por meio) foi a Sublimação de uma Proto-Atmosfera,
cuja composição química primária podemos comparar à dos planetas “gasosos”,
cuja evolução não foi submetida a esse evento especial, embora sem esquecer a
fenomenologia única a que Deus submeteu a formação da Crosta Primária da Terra,
assunto que será abordado quando for a hora certa e se adequar ao ritmo desta
Introdução.
Portanto, e continuando, uma vez isolada a Terra de uma
fonte de energia externa com a qual estabelecer uma “conversa” energética —
para introduzir termos do dia a dia no assunto —, o Núcleo da Terra, em
decorrência da transformação do campo gravitacional em forças mecânicas, entrou
em uma perigosa trajetória de colapso astrofísico (assunto esse que também será
abordado quando for oportuno e pertinente. O importante são os fatos, e o fato
foi que:) Durante a transição do “estado de fusão maciça” para o “estado de
equilíbrio geofísico”, a crosta terrestre se solidificou e, como resultado, a proto-atmosfera entrou em uma fase de sublimação repentina.
50. Ao cair a noite do Primeiro Dia, sem ir mais longe, a proto-atmosfera havia se transformado em um manto de
gelo.
Manto de Gelo que cobriu a Terra do Polo Norte ao Polo
Sul, e era a Luz de que fala o Gênesis.
Em linhas gerais: do Fogo ao Gelo.
CAPÍTULO 6. – CRIAÇÃO DA ATMOSFERA PRIMORDIAL
51. Naturalmente, passei por este Primeiro Dia o mais
rápido possível, pensando em trabalhar a partir de uma base sólida. Não queria
que, sem saber do que estou falando, o leitor se perdesse na tentativa de
compreender a ideia que estou delineando.
Fusão da Crosta Primária e Sublimação da Atmosfera
Primitiva: esses foram os dois principais processos que Deus realizou durante o
Primeiro Dia.
(O fator tempo permanece uma incógnita. Não serei eu quem
atribuirá valores numéricos ao tempo que Deus levou para realizar cada
processo.
Pelas razões que veremos a seguir, meu conselho ao leitor
é que ele também não se preocupe demais. Acima de tudo, porque, sendo Deus
onipotente e uma vez definida a potência a partir da relação entre força e
trabalho, uma das coisas ao alcance do Criador é acelerar um processo até sua
máxima expressão possível.
Quando falo de onipotência, entendo-a sob essa perspectiva. Logicamente, a matéria impõe alguns limites,
tanto para cima quanto para baixo.
Também considero isso como um dado adquirido).
52. Mas o que Deus fez para desencadear a rotação
acelerada do Globo na origem da fusão de seu corpo geofísico?
Muito bem, “Deus disse e assim se fez”. Sou o primeiro a
não me importar nem um pouco em saber como Ele fez isso ou como Deus faz o que
quer fazer. O fato é que, tendo sido criado à sua imagem e semelhança, desviar
o olhar e não me preocupar com uma resposta sem a qual meu ser se sentiria
insatisfeito, não é o meu estilo. Não me basta acreditar. Quero dizer, isso já
é mais do que o suficiente, mas se eu puder ver — e como acontece que tenho
olhos para ver —, se eu vir, melhor ainda.
Portanto, insisto: que força capaz de provocar tal série
de processos geofísicos Deus colocou em ação para desencadear, daquela maneira,
a rotação acelerada do globo terrestre?
O que Deus
realizou no alvorecer do Primeiro Dia foi gerar um campo de energia. (Veremos
que a Natureza Divina e a Essência do espírito Criador se encontram na essência
desta afirmação: “Deus é Energia”, campo sobre o qual já teremos tempo de nos
aprofundar. De fato, à medida que a inteligência for abrindo caminho para a
contemplação da Natureza Não Criada do Ser Divino, veremos como a energia
criadora se transforma nas forças naturais do corpo sobre o qual o Ato Criador
está se realizando).
A primeira coisa, portanto, que Deus fez no alvorecer
deste Primeiro Dia foi gerar um campo de energia. E a segunda, projetar esse
campo de energia sobre a Terra.
53. Eu dizia que a primeira coisa que Deus fez no
alvorecer deste Primeiro Dia foi gerar um campo de energia. E a segunda,
projetar esse campo de energia sobre a Terra. E eu declarei que Deus é Energia;
e que sua manifestação física ocorre por meio de sua transformação na natureza
do campo do objeto sobre o qual Deus projeta sua força. No caso que nos ocupa,
a Terra, o campo de energia que Deus gerou transformou-se em energia
gravitacional.
54. De forma mais dinâmica, para não nos perdermos em
movimentos muito lentos devido ao seu peso científico, direi que o campo
gravitacional terrestre absorveu aquele rio de energia e duplicou sua densidade
média por unidade cúbica astrofísica. Isso, por um lado. E, por outro, que Deus
duplicou a densidade original do campo gravitacional terrestre com base nos
cálculos estimados que havia feito para levar o Núcleo da Terra ao seu Ponto de
Implosão Astrofísica, cujo efeito seria a fusão da Crosta Primária.
A consequência imediata da multiplicação da energia por
unidade cúbica astrofísica a que o campo gravitacional terrestre foi submetido
foi produzir o efeito de rotação orbital acelerada que a Terra iniciou.
(À medida que formos avançando, já ficará claro em que
medida a velocidade de transformação da energia gravitacional em massa e calor
e a velocidade de rotação do corpo celeste em questão mantêm uma espécie de
relação semelhante à de qualquer máquina com o combustível necessário para seu
funcionamento).
55. Eu sei, imagino que, ao abordar o tema nesse ritmo,
comparar o campo gravitacional a um tanque de combustível que se enche e se
esvazia não pareça nos levar a lugar algum. Mas foi isso que aconteceu: a
resposta automática da Terra à multiplicação da densidade média de seu campo
gravitacional foi a aceleração instantânea do número de rotações a que seu
Núcleo vinha se movendo até então. E a resposta do Núcleo ao aumento de suas
rotações de trabalho foi a produção de calor.
(De forma mais superficial, ou menos aprofundada, todos,
em maior ou menor grau, sabem qual é o produto final da fusão de sólidos. Digo
isso ao falar sobre a fusão da Crosta Primária. Os vulcões são o melhor exemplo
que posso citar. A associação entre erupção vulcânica e massas de gases subindo
ao céu é um clássico da Natureza, e a foto nos poupa de ter que navegar pelas
redes cristalinas e suas ligações moleculares — uma viagem agradável para
alguns, bastante pesada para outros. No âmbito industrial, os altos-fornos nos
oferecem gratuitamente outro exemplo. Mas se o que nos preocupa é conhecer o
assunto a fundo, o melhor é recorrer a um especialista em ciências da Natureza
e perguntar-lhe como a matéria sólid e se comporta
para retardar o pior; afinal, o comportamento das redes cristalinas submetidas
a uma fonte de calor crescente é um caso onipresente nos manuais mais
elementares de física).
56. As perguntas que aqui nos deixam perplexos são as
seguintes:
O que Deus pretendia ao acelerar ao máximo os motores do
transformador geofísico?
O que Ele pretendia ao provocar a aceleração das rotações
de trabalho do Núcleo da Terra e produzir a fusão da Crosta Primária?
(As outras questões que deixei em aberto — a natureza
química da Casca Primária e sua formação — são detalhes que tentarei abordar
mais adiante, quando chegar ao capítulo sobre a Criação da Terra. Na hora
certa, procurarei também abordar a natureza astrofísica do Núcleo e a relação
entre a matéria estelar e os campos gravitacionais, que estão na origem das
propriedades do cosmos. Salientar, como fiz, que essa relação entre energia e
matéria se traduz em luz e calor não é uma ideia sem fundamento, mas simplesmente
a forma mais natural e simples de explicar o processo básico no qual as
estrelas e as galáxias têm sua origem e de acordo com cuja fenomenologia elas
se distribuem e interagem. Mas, como o que foi prometido é uma dívida, espero
lembrar-me disso mais adiante; e, caso não o faça, espero que o leitor desculpe
esse tique psicológico que me afeta na hora de saldar “dívidas”).
57. Voltemos, então, retomemos o fio da meada e sigamos o
caminho que, nas trevas do túnel, a Luz nos indica.
Eu estava dizendo que, uma vez ativado o Núcleo, devido à
pressão causada pela multiplicação da densidade gravitacional do campo
terrestre, a transformação da energia em calor precedeu a fusão do corpo
geofísico. E perguntava, em seguida, o que Deus esperava obter dessa fusão.
Com base na representação da fusão da Crosta Primária, a
resposta é a seguinte:
Deus buscava a
produção de uma atmosfera quimicamente predeterminada. Em outras palavras, o
efeito final que Deus produziu ao pisar no acelerador do transformador
geonuclear tinha na Atmosfera Primária sua estrela polar.
(Omitiremos nesta seção tudo o que se refere à matemática
do controle de voo, desde o estado inicial até o final. A lógica da vitória
alcançada implica, em sua estrutura e desenvolvimento, a superação de um
complexo sistema de incógnitas. Com os resultados à vista, não seria justo
arriscar-se a perder o fio da meada com base em considerações específicas
“apenas adequadas para gênios”.
Mas seria bom deixar claro que a necessidade de
atravessar esse mar de equações tinha o futuro como recompensa. Qualquer erro
ao duplicar a densidade gravitacional por unidade cúbica astrofísica além de um
ponto crítico teria levado o sistema geofísico a se transformar em uma espécie
de supernova planetária. Nesse caso, a Terra teria se desintegrado em um enxame
de meteoritos. Mas voltemos ao assunto).
58. Eu estava dizendo que, uma vez atingido o meio-dia
dessa jornada, a Terra se viu envolvida por uma atmosfera supersaturada com um
dos elementos mais abundantes nos espaços exteriores: o hidrogênio. Em todos os
outros aspectos, a atmosfera terrestre era semelhante
às atmosferas dos demais planetas.
Em termos de cores, digamos que, do preto e branco típico
do corpo lunar, a Terra passou para o vermelho brilhante e vivo das fulgurações
solares, só que, em estado líquido, para finalmente ir se apagando e esfriando
até que sua superfície se dissipasse no seio de uma nuvem espessa, tão
envolvente e enigmática quanto uma nebulosa que orbitasse em torno de um campo
imaginário à velocidade de cruzeiro de um cometa de Natal.
Digamos...
E vamos deixar por aqui.
CAPÍTULO 7. – CRIAÇÃO DA LUZ
59. E continuamos.
Espero que vocês tenham acompanhado meu
raciocínio até aqui e que a velocidade com que meu pensamento se lançou a
recriar as Memórias do nosso Universo não tenha representado nenhum
inconveniente para vocês.
Vamos em frente, então.
Assim que a Terra transformou a energia
que seu Criador lhe fornecera em forças naturais para seu sistema geofísico, e
a implosão geonuclear provocou na arquitetura de seu corpo os dois processos
mecânicos descritos: Fusão da Crosta Primária e Produção da Atmosfera
Primitiva; uma vez concretizada essa primeira sequência, o motor geonuclear foi
diminuindo sua rotação até atingir um novo estado de equilíbrio.
60. É possível acompanhar esse processo a partir dos
manuais de Física. Na verdade, basta inverter a sequência: diminuir a
velocidade de rotação do Globo, bem como a temperatura do Planeta, e o resto é
brincadeira de criança — embora seja preciso dizer: de criança, sim, mas de
crianças intelectualmente capazes de perceber o jogo de forças que constitui o
Sistema da Criação, no qual Deus entra como “fonte universal de energia”, e
onde o campo gravitacional se manifesta de acordo com os princípios clássicos da
energia, ou seja, transforma-se, neste caso, nas forças naturais que atuam
sobre um determinado corpo astrofísico — transformação que está na raiz do
movimento universal e torna possível a existência tanto de estruturas
astrofísicas sistemológicas pontuais, abertas ou
globulares, quanto de estruturas do tipo das galáxias; não é à toa que, tomando
sempre o Verbo como fonte de inspiração, verdade que se tornará evidente à
medida que avançarmos, quando entrarmos na criação do Firmamento, Deus fala da
Gravidade como daquelas “águas… que estão acima do Firmamento…”, abrindo assim
nosso Criador nossa compreensão para a comparação da Gravidade com o elemento
líquido, realidade à qual Ele mesmo está acostumado, que Lhe é natural e, a
partir dessa realidade: Gravidade = combustível líquido, Ele trabalha.
Certamente a Gravidade enquanto “energia líquida singular”, mas isso já será
visto com mais detalhes à medida que avançarmos.
61. Assim, uma vez transformada a multiplicação adicional
do volume original do campo gravitacional que Deus causou ao dizer “Haja luz” —
transformação de energia no trabalho que implicava a fusão do corpo geofísico
externo —, e uma vez consumada a fusão da crosta primária e do manto geológico,
concluída essa série, a velocidade de rotação do núcleo do globo terrestre
diminuiu, e, ao diminuir, arrastou consigo a temperatura geral do planeta em
sua queda.
As duas consequências imediatas da queda da temperatura
em todo o corpo geofísico foram:
1: Formação da litosfera
e 2: Sublimação da atmosfera.
62. O que eu disse antes, reitero agora. Meu hábito de
lidar com esses processos como parte da minha Memória Viva me leva, por
inércia, a pular etapas sequenciais que, aos olhos dos outros, podem não ser
tão óbvias.
Vou me explicar.
Se eu disse que a velocidade de rotação e a velocidade de
transformação da gravidade em luz e calor estão diretamente relacionadas, e
agora digo que a velocidade de rotação da Terra começou a diminuir, entende-se
que essa redução afetou o Núcleo. À medida que suas rotações de trabalho
entravam em queda vertical descendente, uma vez que o combustível fornecido
havia sido consumido no processo de transformação da gravidade em calor, a
temperatura geológica geral começou a diminuir. Primeiro a do Núcleo, depois a
do Manto e, finalmente, a da Crosta. A consequência desse resfriamento seria a
formação do anel litosférico e a sublimação da Atmosfera. Abordaremos essa
sublimação a seguir.
63. E, mais uma vez, ao falar sobre a Fusão da Crosta
Primária, insisto na importância fundamental do conhecimento sobre a fusão de
sólidos como ponto de partida para compreender a mudança na estrutura
cristalina que ocorreu na estrutura da Terra em decorrência da Fusão de seu
corpo geofísico primário.
Nesse sentido, o pré-condicionamento artificial
existente, no âmbito universal, em relação à origem natural dos planetas, é uma
barreira que o leitor deve superar. Essa imagem arquetípica para ignorantes que
ainda se movem às cegas no túnel das vergonhas do século XX, onde uma Gravidade
que surge como por magia do Nada comprime um mar de matéria flutuante que sai
da cartola do Merlin de plantão e, abracadabra, produz um ente físico, essa
imagem, tal como se depreende do próprio discurso, se encaixa perfeitamente em
um conto de Alice no País da Ficção Científica.
E nada mais.
64. Toda inteligência que se preze e trabalhe com um
sistema em que os valores astrofísicos são determinados pela relação entre a
matéria (estrela) e a energia (gravidade) chega à conclusão, tomando a
astro-iconografia como reflexo da Realidade, de que o resfriamento temporal dos
corpos estelares provoca a fixação da matéria nebulosa em seu corpo externo,
sendo esta a Origem Natural dos Planetas.
No caso da Origem do Planeta Terra, sua Singularidade
Cósmica decorre do fato de sua Origem ser uma Aplicação direta da Inteligência
Criadora sobre o sistema matéria-energia — assunto que abordaremos no momento
oportuno —, e determinou tanto os parâmetros geofísicos primários quanto os
efeitos geohistóricos dedutíveis dessa Aplicação
Criativa.
Aqui, poderíamos nos perguntar por que Deus não se
limitou, então, a brincar com um planeta de origem natural; questão que será
respondida à medida que avançarmos, mas que envolve a Teologia, pois tem a ver
com o “porquê”, sendo o “como” o domínio próprio das Ciências Físicas.
65. Voltando ao nosso tema principal:
Por sublimação dos gases entende-se a passagem da matéria
do estado gasoso para o sólido sem passar pelo estado líquido. O exemplo mais
cotidiano de sublimação gasosa nos é oferecido pela Natureza todos os invernos.
As nuvens se transformam em neve e granizo.
No âmbito das experiências caseiras, o horizonte de
experimentação nos parece muito limitado, mas, no âmbito do laboratório, os
experimentos abertos à curiosidade são numerosos. Como aqui não temos espaço
nem meios para transformar as palavras em imagens, concluo dizendo que:
O Manto de Gelo em que Deus transformou a Atmosfera
Primitiva, protagonista deste Primeiro Dia, era “a Luz” do Gênesis.
66. E deixo aqui aos meus leitores a reflexão sobre o
mais incrível dos mistérios: como um homem de três mil e quinhentos anos atrás
pôde ter uma concepção física tão moderna sobre a
Origem da Biosfera?
A. Fusão da crosta primária,
B. Formação da proto-atmosfera,
C. Resfriamento da crosta e sublimação da atmosfera
primitiva.
Não é de tirar o chapéu?
Este é um ponto sobre o qual eu deveria insistir, creio
eu, ou pelo menos é o que eu deveria pensar. Imagino que teremos tempo para
voltar a essa questão da relação cognitiva, tal como descrita nesta Introdução,
do pensamento de Moisés a respeito do Conteúdo do Hieróglifo que chamamos de
“Gênesis”.
67. De qualquer forma, a relação de Moisés, o hebreu, com
a História Universal não se deu por meio da ponte da Ciência, mas sobre os
trilhos da Onipotência e do Todo-Poder, deixando a
Onisciência — entendida como Ciência — a Deus, o verdadeiro Autor desse
Hieróglifo, não sendo as mãos humanas senão canetas movendo-se ao ritmo marcado
pelo Pensamento daquele que se coloca diante da Eternidade e desenha
Acontecimentos na tela dos Milênios com a mesma facilidade com que outros
planejam seus crimes à luz do mundo inteiro. Dois assuntos, portanto: a
Onisciência e a Onipotência, pratos distintos, que serão servidos no momento
oportuno, seguindo as regras da boa mesa.
SEGUNDA PARTE
CRIAÇÃO DO FIRMAMENTO DOS CÉUS
CAPÍTULO 8. – RECAPITULAÇÃO GEOHISTÓRICA
68. A surpresa ao descobrir essa sequência de
acontecimentos geohistóricos — na qual os gênios do
mundo moderno julgaram não haver nada, exceto a imaginação febril e fanática de
uma mente em estado religioso febril (sequência perfeitamente científica em sua
abordagem e desenvolvimento) — não deve desviar nosso olhar da série completa
de fatos sobre os quais, para facilitar a visão geral do todo, passei
rapidamente.
Recapitulando:
69. Um: Multiplicação Controlada da densidade por unidade
cúbica astrofísica do campo gravitacional terrestre. A origem dessa
Multiplicação Controlada, como afirmei, é a Natureza do Ser Divino.
70. Dois: Aceleração vertical das rotações de trabalho do
transformador geonuclear da Terra. Daí derivou-se a aceleração rotacional do
Globo em torno de seu eixo e a implosão astrofísica do Núcleo, na origem do
calor do Planeta.
71. Três: Elevação termodinâmica global do corpo
geofísico, que, a partir do Manto, se estendeu até a superfície e produziu a
fusão da Crosta Primária.
72. Quatro: Liquefação da Crosta Primária sob os efeitos
da Fusão do Globo externo e formação da Atmosfera Primitiva.
(A natureza química da atmosfera terrestre, única entre
as de sua família planetária, nos apresenta um problema alternativo que não
abordarei neste momento, mas sobre o qual voltarei a tratar oportunamente).
73. Cinco: Uma vez concluída a transformação do
combustível gravitacional em calor, a Terra voltou às mãos da Natureza,
ajustando-se, em suas novas mudanças, à lei da inércia.
A. Desaceleração das rotações de trabalho do
transformador geonuclear.
B. Queda da velocidade de rotação do planeta.
C. E queda da temperatura do Globo.
Esses foram os três primeiros efeitos visíveis.
74. Seis: esses três efeitos foram a causa de uma nova
sequência de efeitos. O primeiro desses novos efeitos foi o resfriamento da
superfície externa do Globo, o que, ipso facto,
lançou a primeira pedra para a criação do anel geofísico externo, a litosfera.
75. Sete: Também podemos falar de solidificação da Crosta
Secundária. Enfim, isso já é uma questão de preferência. Assim que nos
aprofundarmos mais no assunto, teremos tempo para diferenciá-las. Avançando um
pouco no assunto, digamos que a litosfera é para o Globo o que a crosta
secundária é para a litosfera. Resumindo, a crosta secundária é a camada
externa da litosfera. Foi, portanto, a crosta secundária a primeira camada
litosférica a se solidificar.
76. Oito: O contínuo abaixamento da temperatura geofísica
até seu antigo estado inicial — que nunca mais seria alcançado — provocou a
solidificação da Crosta Secundária, como já mencionei, e a formação do anel
litosférico. A Arquitetura Geofísica continuou a completar sua estrutura com o
surgimento do segundo anel, o Manto, cujo resfriamento fecharia a fonte de
calor da qual, até então, a Atmosfera Primitiva vinha se abastecendo para
conservar seu estado natural.
77. Nove: O resfriamento de fora para dentro do Globo,
por lógica, tinha que transformar o anel litosférico em uma barreira que
impedisse a transferência de calor do Núcleo para a Atmosfera.
78. Dez: Termicamente isolada do Núcleo, a temperatura da
Atmosfera despencou à velocidade vertiginosa imposta pelo isolamento. Seu
volume congelou. O resultado foi a transformação da Atmosfera no Manto de Gelo
que cobriu a esfericidade do Planeta, do polo norte ao polo sul, durante a
Tarde do Primeiro Dia.
Como disse antes, esse Manto de Gelo é a Luz no Verbo do
Primeiro Dia.
79. Esta é a sequência que percorremos com alegria. Ao
longo do caminho, fui apresentando fatos específicos que demonstram a grandeza
da Inteligência Criadora e seu domínio das ciências do espaço, do tempo, da
matéria e da energia. Domínio cognitivo que é como um campo onde a Árvore da
Ciência da Criação lança suas raízes. Nesses fatos nos deteremos por um momento
na próxima seção.
CAPÍTULO 9. – PRIMEIRA LEI DO COMPORTAMENTO DO UNIVERSO
80. Deus aplicou ao sistema geofísico a primeira das leis
que regem o comportamento do Universo: a transformação da energia gravitacional
em luz e calor. Sendo essa primeira lei o princípio geral sobre o qual Deus
construiu a Arquitetura dos Céus, é graças à sua manifestação no espaço local
que a geometria do nosso Universo se mantém constante ao longo do tempo. Sei
que é um pouco precipitado afirmar algo tão contundente, mas, à medida que
formos avançando, a imagem que os resultados expostos pretendem transmitir à
nossa inteligência irá se revelando até desdobrar, em cores, a magnitude de sua
beleza.
81. Dito isso, a aplicação ao sistema geofísico da
primeira lei entre o conjunto que rege a Física dos Céus nos leva a nos
interessar pelas reações que corpos estelares com propriedades diversas
desencadeiam diante de um mesmo fator externo, como poderia ser a entrada em
torrente no interior de seu sistema de uma corrente de energia, do tipo corda
gravitacional intergaláctica que, à medida que atravessa os abismos, arrasta
toda a matéria solta que encontra em seu caminho.
82. As explicações a que possamos chegar terão sempre,
neste Acontecimento Histórico (multiplicação da densidade gravitacional do
campo terrestre), seu ponto de partida. São suas derivações que nos levam a
formular a relação entre a energia universal e a matéria astrofísica no âmbito
da produção de luz e calor, as duas consequências visíveis mais diretas que
chegam aos nossos sentidos. Quando falo em produção de luz, entende-se todo o
espectro da radiação estelar na origem da energia cósmica. A importância dessa
relação entre energia gravitacional e matéria estelar será revelada nos
capítulos seguintes. Por enquanto, limitarei-me aos
fatos, tomando sempre a multiplicação da densidade original do campo
gravitacional como a plataforma de partida desta Nova Cosmologia.
83. Observamos (e isso foi feito porque se inferiu a
causa primeira a partir dos efeitos finais) que, ao dobrar a densidade cúbica
astrofísica — ou seja, a quantidade de energia presente em um campo
gravitacional, no caso de um planeta e, mais especificamente, da Terra —, a
produção de calor do transformador astrofísico se multiplica por esse múltiplo.
Se estivéssemos falando de um transformador estelar, a
primeira consequência visível se manifestaria na intensidade da luz produzida.
No caso que nosso Criador nos apresenta, o calor é a
consequência direta, em função da natureza do transformador sobre o qual Deus
atuou.
(A variedade de transformadores astrofísicos está além da
nossa imaginação. Dentro do horizonte que se abre diante de nós, é de se supor
que essa variedade compreenda fontes de raios gama, raios X e raios de natureza
indefinível para o nosso limitado alcance de conhecimento do Cosmos. E, enfim,
como ousar colocar limites ao que não tem fim!).
84. As perguntas são: o que aconteceria se, em vez de
Deus controlar o processo de transformação da energia de um sistema astrofísico
em luz e calor, nos encontrássemos nas fronteiras dos Céus e, por qualquer
causa externa, um sistema estelar binário ou múltiplo sofresse uma
multiplicação descontrolada da densidade de seu campo gravitacional? E,
inversamente, o que aconteceria se a velocidade de transformação do campo
gravitacional em luz ou em qualquer outro tipo de fonte de radiação
ultrapassasse o ritmo de transferência de energia de um sistema para outro? Não
teríamos que começar a corrigir nossas hipóteses sobre a origem das novas e das
supernovas?
85. Aqui vai outra: as flutuações na intensidade da luz
das estrelas e as variações em seus períodos e ciclos orbitais não são um apelo
à nossa inteligência, com a intenção de abrir nossa mente para a compreensão do
universo como um oceano de energia sobre cujas águas flutua a matéria?
Não é maravilhosamente curioso que, ao falar sobre si
mesmo e relembrar aqueles dias, Deus nos tenha contado dizendo: “que pairava
sobre a superfície das Águas”?
Pessoalmente, não tenho nenhuma dúvida quanto à
identificação do campo gravitacional universal com um oceano de energia onde
ocorrem correntes que funcionam como canais de transferência da gravidade de
algumas zonas para outras, mantendo Deus, por meio desse sistema de irrigação,
a geometria de Sua Criação em perfeito estado de equilíbrio.
Mas a questão que
levantei anteriormente diz respeito à relação do nosso universo-galáxia com o
cosmos exterior, com o reino das galáxias.
86. A pergunta era: o que acontece quando uma corrente extralocal irrompe com força no perímetro de nossos Céus e
desequilibra uma zona, seja pela multiplicação da soma total de energia
presente, seja pela aceleração instantânea das rotações de trabalho da matéria
astrofísica.
Por meio desta análise, a ideia é recuperar o efeito de
rotação acelerada que a Terra experimentou quando Deus multiplicou a densidade
de seu campo gravitacional, efeito do qual extraímos uma lei de regularidade
direta entre o processo de produção de calor e a velocidade de rotação do
transformador astrofísico.
A ideia nos leva a perceber que, ao levar uma estrela a
uma rotação acelerada instantânea, o efeito deve nos proporcionar, em
sequência: a criação de uma nova ou de uma supernova, caso o corpo afetado pela
multiplicação instantânea de suas rotações de trabalho seja um sistema
múltiplo.
Também, no momento oportuno, nos dedicaremos a analisar
detalhadamente esse processo de formação de novas e supernovas.
CAPÍTULO 10. – E O VERBO É DEUS
87. E retomamos agora o fio condutor que nosso Criador
estendeu diante de nós, que sempre esteve ali, mas que, em Sua Presciência, Ele
deixou repousar nas trevas até que a Inteligência de nossa Civilização abrisse
seus ouvidos à Linguagem da Ciência da Criação. Dito isso, o resumo sequencial
dos acontecimentos históricos protagonizados por Deus durante aquele Primeiro
Dia pode ser apresentado da seguinte forma:
A: Multiplicação da densidade do Campo Gravitacional
Terrestre. (Essa questão da multiplicação, por Deus, do volume de energia de um
determinado sistema astrofísico — questão que está na base da própria Criação —
é algo que resolvemos ao assumir a natureza do próprio Criador, natureza que
Lhe permite ser a fonte de energia fundamental da qual se alimenta o oceano
cósmico).
B: Aumento vertical ascendente do ritmo de funcionamento
do Transformador Geofísico Central. (A existência de uma correspondência inata
entre densidade gravitacional e rotação estelar está na base da luz e de sua
intensidade).
C: Fusão do Manto e liquefação vulcânica da Crosta
Primária. (Abro mão de qualquer comentário a esse respeito, pois confiei à
inteligência natural do leitor a conexão entre a causa primeira apontada e os
efeitos finais expostos).
D: Formação da atmosfera primitiva “clássica”. (Ao falar
de “clássica”, tenho em mente a atmosfera planetária típica, rarefeita e
caótica, tal como a encontramos nos demais planetas do nosso Sistema).
E: Resfriamento do Núcleo e solidificação da Crosta
Secundária, ou Litosférica.
(Essa foi a origem da Crosta Secundária. Sobre ela e
durante o resfriamento, Deus atuou visando a formação do Substrato Ecosférico
Autônomo, sobre o qual ainda não falei nada, mas sobre o qual já se falará
algo. Enfim, aí estão as dorsas oceânicas como provas
das forças de arrasto que Deus colocou em ação, e de cuja solidificação se
depreende o momento durante o qual Deus moldou a geografia dos continentes.
A lógica mais elementar impõe seu critério e pressupõe
que um estado de semilíquido é o momento perfeito para remover da superfície do
corpo semissólido parte de sua matéria, assim como faz quem trabalha com barro
e depois leva a figura resultante ao forno. Nesse caso, o efeito do forno foi
assumido pelo processo acelerado de solidificação que a Crosta Secundária havia
iniciado.
O motivo pelo qual Deus abriu o hemisfério atlântico em
canal faz parte da Arquitetura Geofísica na base da Criação do Plano
Biosférico, sobre o qual falaremos em breve.
O fato é que as forças de arrasto que criaram o Canal
Atlântico e deram origem às dorsas oceânicas deixaram
suas marcas ao se solidificar a camada litosférica. E lá estão elas, como
testemunho da existência da atividade criadora que molda as plataformas
continentais.
Não pretendo me pronunciar sobre como essa criação afeta
a teoria da tectônica de placas. Além da Teoria do Plano Biosférico,
apresentarei outra evidência adicional contra o modelo geofísico que o século
XX impôs como norma.
F: Sublimação da Atmosfera Primitiva. (Eu disse que,
quando a litosfera isolou a atmosfera primitiva do Núcleo: levada pela queda da
temperatura, a atmosfera congelou, sublimou-se, e o resultado final foi sua
transformação em um manto de gelo, que, assim como antes o mar de lava, cobriu
a esfericidade da Terra do Polo Norte ao Polo Sul, de leste a oeste).
88. Esse manto de gelo que envolveu o planeta na tarde
daquele dia era a Luz que saiu dos lábios do nosso Criador, quando Ele disse:
“Haja luz”.
E assim se fez. E
assim foi.
O contrário teria sido absurdo.
A dúvida cartesiana, como método de relação entre a
Inteligência do Criador e a da Criatura, não é um método; é um muro de
separação, uma barreira que limita as possibilidades e capacidades da Ciência
de crescer na direção da Onisciência Criadora.
Se antes entendi por Onipotência a faculdade criadora de
reduzir o tempo de trabalho de um processo à sua mínima expressão possível,
entendo agora por Onisciência o domínio que, em Sua Sabedoria, Deus exerce
sobre todas as ciências da matéria, do espaço, do tempo e da energia. E, ao
fazê-lo, incluo nessa lista ciências que operam em diferentes universos, sobre
os quais nada podemos dizer, a não ser nos maravilharmos com Seu conhecimento
infinito.
CAPÍTULO 11. – CRIAÇÃO DO FIRMAMENTO
89. Assim, tendo em mente o estado da Terra ao final do
Primeiro Dia, com o Globo Geofísico envolto naquele Manto de Gelo que seu
Criador chama de “a Luz”, a visão do nosso Planeta, vista de longe, era a de
uma imensa bola de gelo flutuando no Abismo, como a visão de um enorme ovo
cósmico nascido nas Trevas.
A próxima
sequência geohistórica que Deus tinha em mente era a
seguinte:
90. Deslocamento da Terra de sua região de origem para
seu lugar definitivo nos Céus.
(A localização da região de origem da nossa Terra será um
problema a ser resolvido nos próximos capítulos. A necessidade de alertar o
leitor sobre o fator de descrença que essa localização suscitará me leva a
isso. Também enfrentarei esse desafio com elegância e tranquilidade).
91. Lançamento da Terra no Sistema Solar e acoplamento em
sua terceira órbita.
92. Sublimação do manto de gelo. (Por sublimação do gelo
entende-se a passagem da matéria do estado sólido para o gasoso sem passar pelo
estado líquido. Neste caso, seria o processo inverso ao da sublimação dos
gases.
Se no dia anterior vimos como Deus conseguiu baixar a
temperatura do Globo até o ponto crítico de sublimação de sua atmosfera, neste
novo dia veremos o processo contrário. Meu conselho é abrir os olhos da
inteligência e se preparar para compreender maravilhas. E, como sempre, se
alguma objeção surgir, não se preocupe demais, tudo se resolverá).
93. Ruptura do manto de gelo em
dois blocos e recuo em direção aos pólos geográficos.
(Esse recuo dos dois blocos de gelo em direção às calotas polares é um período geohistórico que, abordado a partir de uma perspectiva diferente, a geologia clássica incutiu na mente
de todos.
Lembro aqui que a Ciência é o ABC da Linguagem da
Criação. O resto — pretender moldar o Universo e sua História à medida da
onipotência da Razão humana — é um exercício de vaidade sobre o qual não vou
dizer nada agora.
Tanto a Ciência quanto a Teologia permaneceram até hoje
submetidas à escravidão imposta pela Necessidade da Queda. Não é a partir de
uma tribuna de acusação e condenação que devemos analisar as teorias e os
estados intelectuais pelos quais tanto a Fé quanto a Razão passaram. Talvez, se
estivéssemos no lugar de qualquer um dos que nos precederam, teríamos feito
exatamente o que eles fizeram. Portanto, neste dia de alegria, não vamos ficar
sérios).
94. Nascimento do Oceano e Formação da Atmosfera
Biosférica. (Essa Atmosfera é o Firmamento no Verbo do Segundo Dia. Em seguida,
entraremos em sua sequência geohistórica. Antes que o
amanhecer desse Segundo Dia se faça e a História se aproxime mais um passo de
nós, acho que não é má ideia refletir sobre o lugar onde Deus criou a Luz. Já
sei que mais de um vai levar as mãos à cabeça e ficar sem palavras. Bem, basta
abrir o Evangelho e ver o que Seu Filho fazia para ficar maravilhado com a
surpresa).
TERCEIRA PARTE
CRIAÇÃO DA ESCADA DOS ELEMENTOS NATURAIS
CAPÍTULO 12. – SOBRE AS TREVAS
95. O texto bíblico não mente. No quarto dia do Gênesis,
é-nos dito que Deus criou as estrelas para separar a Luz das Trevas. Cito:
“E assim foi. Deus fez os dois grandes astros, o maior
para presidir o dia, e o menor para presidir a noite, e as estrelas; e os
colocou no firmamento dos céus para iluminar a terra e presidir o dia e a
noite, e separar a Luz das Trevas”.
Quem nunca leu este texto?:
“Deus criou as estrelas e as colocou no firmamento dos
céus para separar a luz das trevas”.
O autor do Gênesis primeiro nos diz que Deus criou a Luz
e, em seguida, nos afirma que, uma vez criada a Luz, Ele a separou das Trevas.
96. Bem, as opções que nos são oferecidas são essas e não
admitem contestação. Deus criou a Luz, depois a separou das Trevas e criou as
estrelas para separar a Luz das Trevas. A questão é: o que aconteceria agora
se, onde Moisés escreveu “Luz”, colocássemos o Manto de Gelo, cuja criação
acompanhamos?
O clima está começando a esquentar?
Que tal pegarmos lápis e papel e traçarmos algumas
linhas?
Traçamos uma circunferência em um canto da folha e a
chamamos de Terra.
No lado oposto, traçamos outro círculo e o chamamos de
Trevas.
Agora, traçamos no meio uma parede de separação entre a
Terra e as Trevas, que chamaremos de Estrelas.
É a imagem que surge quando colocamos a Terra onde Moisés
colocou a Luz. E, de fato, se olharmos para o céu, vemos que os Céus funcionam
como uma parede de separação entre a Terra e o cosmos exterior.
97. Conclusão: Se Deus criou a Luz e a separou das
Trevas… é porque a Terra se encontrava, naquele momento, naquela região da qual
as estrelas a separam atualmente. Ou, o que dá no mesmo, antes de criar a Luz:
a Terra se encontrava no meio das Trevas.
98. Compreendo que essa forma simples de construir uma
lógica possa parecer ao leitor uma arte sinistra de complicar ainda mais as
coisas. A verdade é que, por mais que eu queira, não encontro essa complicação
e talvez por isso me lance à recriação dos acontecimentos geohistóricos sem me preocupar com a opinião dos séculos. Na hora da verdade, que é o que nos
interessa aqui, o problema é onde, em que região do espaço sideral, se
encontram essas Trevas que cobriam a face do Abismo quando Deus disse: “Haja
luz”.
99. O Apocalipse limita-se a nos informar sobre a
distância astronômica que Deus colocou entre as Trevas e a Luz. Não fornece
números nem coordenadas intergalácticas. Diz-nos que Deus criou a Terra e,
entre a Terra e sua região de Origem, colocou os Céus. Tradução maravilhosa e
revolucionária que nos deixa grudados na cadeira e nos coloca exatamente onde
nosso Criador queria nos ver: no meio das Trevas e olhando para os Céus. Então,
de que adianta termos os pés no chão se, no fim das contas, quem tem a cabeça
nas nuvens é quem vê melhor as coisas?
100. Uma questão adicional vem à tona.
Deus criou as estrelas para separar a Terra de sua região
de origem sem outra razão além de desenhar o zodíaco na abóbada do firmamento?
Ou será que Ele conferiu aos céus dimensões galácticas
por alguma outra razão?
A resposta afirmativa implica a afirmação de um
impossível histórico: nada mais e nada menos do que um homem de três mil e
quinhentos anos atrás ter compreendido, sem jamais ter observado o cosmos, que
nosso Universo é uma galáxia no coração de um oceano de galáxias em movimento —
razão pela qual Deus conferiu aos nossos Céus suas atuais dimensões
astronômicas.
CAPÍTULO 13. – A ESCADA DOS ELEMENTOS NATURAIS
101. Mas continuemos.
Criada a Luz (processo que descrevemos seguindo a linha
do tempo com a qual Deus desafiou, desde o Gênesis, a Ciência de todos os
tempos; percorrendo essa linha, chegamos à Fusão da Crosta Primária e à
Sublimação da Atmosfera Primitiva resultante, fábrica onde Deus produziu o
Manto de gelo que, durante a Manhã do Primeiro Dia, cobriu a esfericidade do
planeta Terra, e sem julgar os processos mecânicos, dada a naturalidade do
tema: Fusão da Crosta Primária e Sublimação da Atmosfera Primordial), deixamos o
assunto da Revelação um tanto no ar até que a ocasião nos permitisse voltar a
colocar os pés no chão.
102. E, sem entrar em mais detalhes, voltamos ao Texto;
ao ler suas letras, concordamos que a definição da Palavra Criadora — cuja
identidade a faz abandonar o reino das metáforas, hipérboles, mitos e demais
entidades lendárias — transformou “a Luz” em uma Chave de Champolion,
cujo uso permite interpretar a Revelação, contra toda opinião, teológica ou
científica, defendida até hoje, afirmando que Deus separou a Terra de sua
região de origem e a introduziu nos Céus, conclusão que se depreende do Texto:
“e Deus viu que a Luz era boa, e a separou das trevas”, declaração que, à luz
dessa interpretação, me leva a admirar a coragem que o autor humano demonstrou
ao ousar, sem conhecimento científico, confessar tal declaração de separação
entre Luz e Trevas pela mão do próprio Deus que criou a Terra e os Céus.
A ignorância de Moisés é precisamente onde reside a
sabedoria daquele que lhe ditou o texto, e, por seu silêncio, seu escriba
tornou-se o homem mais sábio de sua época. Em uma seção dedicada à ignorância
de Moisés enquanto escriba de Deus, voltaremos ao tema da onisciência do Senhor
que lhe ditou o relato da criação do universo. Como não poderia ser de outra
forma. Ou será que, para nós, tudo não começou quando a Terra foi criada?
103. Já sabemos que dizem por aí que a verdadeira
história do Homem remonta até mesmo a antes da existência da Terra. Ora, nem a
existência do Homem é transcendental para o Cosmos, nem o conhecimento da
estrutura das galáxias é vital para a existência do Homem. Assim, se o Homem
não existisse, o Cosmos continuaria e , onde está, seguindo seu curso; e se o
Homem não conhecesse a estrutura do Cosmos, isso também não faria com que o
Homem deixasse de ser o que é.
Isso não significa que a importância do Conhecimento do
Universo não tenha um valor existencial específico para nós; mas sim deixar
claro que o conhecimento que é de transcendência vital para o Homem, enquanto
Ser, é o Conhecimento de Deus; e, como em Deus está o Criador, a Ciência da
Criação vem junto, por assim dizer, com alegria no corpo.
104. Alguém poderá questionar por que, então, Deus
manteve em silêncio a Memória da Criação da Terra e dos Céus, separando o
Criador em Deus do Senhor. Postura que Deus manteve em Cristo, mantendo a Fé e
a Inteligência como dois braços unidos a um mesmo corpo, nascidos para obedecer
à mesma Vontade, mas com o movimento de cada braço sujeito ao pensamento da
cabeça, sob cujos impulsos todo o corpo se move.
E eu responderei a
essa simples questão afirmando que assim foi, de fato.
Ao mesmo tempo, negarei que, desde o início, Deus tivesse
disposto o Conhecimento do Criador em Si, seguindo esse padrão de crescimento
sob as condições da Ciência do Bem e do Mal. Aconteceu o que aconteceu e já não
há remédio. E, por ter acontecido isso, a Formação da Inteligência à Imagem e
Semelhança da de nosso Criador sofreu, ao longo do caminho, um contratempo, que
obrigou Deus, de fato, a antepor ao Conhecimento da Ciência da Criação o
Conhecimento da árvore da ciência do Bem e do Mal, cujo fruto, como sabemos, é
a Guerra.
105. Não sei se quem lê estas linhas compreendeu as leis
desta Ciência. Pela minha parte, acredito que a estrutura desse Fruto está
assimilada e, a partir do conhecimento que vem da experiência, posso escrever o
que, com o conhecimento que vem da teoria, tomava forma na língua do Primeiro
Homem, a saber: “Maldito seja todo aquele que comer desse fruto, e maldito seja
aquele que der de comer do fruto da Árvore da Ciência do Bem e do Mal”.
Confissão final que me traz de volta ao ponto de onde
iniciamos esta pequena jornada, falando da Separação da Luz que Deus realizou
assim que a criou nas Trevas. Ao escrever sobre isso, afirmei que, enquanto a
Ignorância teve sua Lei, a impossibilidade de penetrar em seu Conteúdo levou
uns, os teólogos, e outros, os cientistas, a devolver a Deus seu Gênesis
envolto no papel das metáforas e dos mitos.
Mas, uma vez que a Luz foi traduzida pelo Manto de Gelo
que, ao final do Primeiro Dia, cobria a superfície da Terra — Manto de Gelo
produzido pela Sublimação da Atmosfera Primitiva surgida da Fusão da Crosta
Primária —, não nos resta mais do que atear fogo no papel da Tradição Teológica
e da Cosmologia do Século XX, soprar sobre as cinzas, limpar a mesa e voltar a
trabalhar partindo das Informações que Deus nos oferece em Seu Livro.
Talvez eu volte a abordar esse assunto em outra seção, e
talvez já o tenha feito em uma anterior.
Não importa.
E não digo isso porque sou daqueles que acreditam que uma
verdade é mais ou menos verdadeira dependendo do número de vezes que o martelo
cai sobre a cabeça do tolo de turno. Digo isso pensando que a vida é um
pensamento que se constrói a partir de raízes universais, e não porque se tenha
um sonho muitas vezes esse sonho adquira mais sentido, nem porque, ao deixar de
sonhar, o corpo vá perder o benefício que o descanso noturno lhe proporciona.
De jeito nenhum!
106. Pois a insignificância do homem para o Cosmos é um
fato; a Verdade existe por si mesma, mesmo que não haja ninguém no Universo. Eu
posso deixar de existir neste exato momento, mas a verdade existia antes de mim
e permanecerá sem mim.
107. Quanto à minha mania de voltar a um ponto de
referência, que pode ser um hoje e outro amanhã, ela se deve mais à necessidade
de manter um ponto de referência comum entre escritor e leitor.
Por inércia, o ensaísta tende a se perder em seus
pensamentos e o leitor, a se agarrar a uma ideia concreta.
E, sendo o caso em questão de tal complexidade, por mais
que eu queira simplificá-lo, o fato é que excluir a Cosmologia e a Teologia —
abordando sua postura em relação ao Gênesis de Moisés — da mesa de trabalho
sobre cuja superfície o espírito da Inteligência de Deus está se movendo neste
século XXI, pressupõe um ato mais próximo da arte do que da ciência, supondo
que escrever seja uma arte, e que seja arte dar expressão ao pensamento; algo
com o qual, pessoalmente, concordo, e deduzo dos filósofos e heróis das
revoluções do segundo milênio, os primeiros afiando suas canetas com a arte do
polemista e os segundos suas espadas com a arte dos filósofos.
Nas duas vezes em que essa união deu à luz, trouxe ao
mundo dois Acontecimentos para a eternidade: a Revolução Francesa e a Revolução
Russa.
108. O problema, portanto, não está na Palavra, mas no
uso da arte de sua ciência. Nesse caso, a Verdade, e não o Poder, é o Princípio
e o Fim. E daí que, sendo o homem insignificante e a Verdade eterna, a opinião
humana seja pó sobre a mesa. Cuja superfície limpamos com o objetivo de colocar
a Terra em seu devido lugar durante o Dia em que Deus criou a Luz e, uma vez
criada: “a separou das Trevas”.
109. Voltando, portanto, ao ponto da restauração, direi
que qualquer um que tenha dois olhos na face verá que, criada a Luz nas Trevas,
a Terra — sendo a Luz o Manto de Gelo que, ao término do Primeiro Dia, cobria
sua superfície — encontrava-se nas Trevas.
Dessa região Deus a separou uma vez criada a Luz, ou
seja, o manto de gelo que cobria a esfericidade da Terra ao final do Primeiro
Dia, conforme está escrito há três mil e quinhentos anos: “e Deus viu que a luz
era boa, e a separou das trevas”.
Se Deus a separou, é porque ela estava lá. E se depois
Deus criou as estrelas para separar a Luz das Trevas, como se pode ler no
Quarto Dia: “Deus fez os dois grandes astros, o maior para presidir o dia, e o
menor para presidir a noite, e as estrelas; e os colocou no firmamento dos céus
para iluminar a Terra, e presidir o dia e a noite, e separar a Luz das Trevas”.
110. Assim, traduzindo nesta Linha do Hieróglifo de
Moisés “Luz” por “Manto de Gelo”, temos que a Terra se encontrava em uma Região
exterior aos Céus. Tradução impressionante e surpreendente que, se não fosse
pelo fato de ser Deus quem a subscreve e seu Escriba quem a escreve com a Vara
de comando da qual se serviu para separar as águas do Mar Vermelho, nossa
inteligência se lançaria ao mundo dos extraterrestres e onde coloco C — de
Cosmologia — teria que colocar F — de fantasia.
Dito isso — porque merece ser dito — e já que a porta
está aberta, vamos entrar.
111. Como Deus produziu essa mudança de uma região do
Espaço Geral para a região onde ela se encontra atualmente? Sobre esse
particular, o autor nada disse. Tampouco disse nada sobre a natureza específica
da região de origem onde Deus criou a Terra. Nem neste momento vou entrar em
mais detalhes. Quando for conveniente para esta Cosmologia, já levantaremos o
véu. Por enquanto, basta aceitar que Deus criou a Terra fora de nossos Céus,
além das constelações de nossa galáxia, no Abismo coberto pelas Trevas.
112. De fato, voltando ao tema da Formação da Crosta
Secundária e da Sublimação da Atmosfera Primitiva, o fato de a Terra se
encontrar em uma região sujeita ao zero absoluto foi o catalisador de que Deus
se serviu para criar o Manto de Gelo.
Vemos como, estando Marte a uma distância maior, sua
atmosfera não passou por aquele processo de sublimação pelo qual passou a
Terra. A singularidade que a Biosfera representa entre os planetas aponta para
a existência de um período geohistórico especial que,
por mais incrível que nos pareça, se revela a partir da Revelação, quando Deus
declara que a singularidade da Biosfera obedece e é a resposta à região de
origem onde Ele a criou. Afirmação espontânea que nos conduz imediatamente ao
problema do Poder do Criador do Universo. Pois, se, intelectualmente falando, o
processo de criação da Biosfera revela, na sequência exposta, sua natureza
científica, a objeção insuperável diz respeito à Natureza desse Ser que não
apenas pensa em como fazer as coisas, mas que também possui Poder Infinito para
realizá-las.
113. Não sei se já disse isso, mas se não o disser agora:
o Poder sem a Inteligência não satisfaz a necessidade que a transformação da
Realidade exige; e vice-versa, a Inteligência sem o Poder fica restrita a
sonhos, à fantasia, a respostas que o vento leva embora.
Nesse caso, conhecendo Deus pela Teologia e o Universo
pela Ciência, a única coisa que precisamos fazer é fundi-los em uma Nova
Ciência, a Ciência da Criação, e seguir suas leis e seus princípios.
Nesse caso, sabendo Deus que, ao expor uma atmosfera a
uma região sujeita ao zero absoluto, seu volume se sublimaria e daria origem à
criação de um bloco de gelo, e podendo fazê-lo, Ele o fez.
E chamou de Luz o manto de gelo.
114. Mas a integração da Terra nos Céus foi preparada por
Deus antes de abrir a boca e dar início à sequência criadora da Luz. Não foi
por acaso que Deus encontrou um sistema estelar com características planetárias
compatíveis com a Terra. Antes de mergulhar no oceano das constelações da Via
Láctea, Deus sabia o que estava procurando, onde se encontrava o que procurava
e quais eram as características do Sistema Solar que buscava. E sabia disso
porque Ele mesmo formou sua estrutura planetária com o objetivo de não provocar
uma rejeição à integração da Terra na estrutura solar.
115. O Gênesis parte de uma plataforma prévia: a Terra e
os Céus já haviam sido criados, e sobre sua superfície nos lançamos a navegar.
Poderíamos ter iniciado essa jornada mergulhando nas profundezas do Tempo, mas
preferi seguir a rota traçada por Deus de antemão, entre outras coisas, porque
Ele conhece o terreno melhor do que nós. No momento oportuno, vou me empenhar
na tentativa de recriar a Criação do Sistema Solar. Até que esse momento
chegue, devemos colocar em discussão as leis básicas necessárias para a
compreensão de uma sequência sistemológica de tanto
interesse para nós.
116. Assim, a integração da Terra no Sistema Solar, por
mais natural que pareça para quem associa a Divindade ao poder de abrir a boca
e ter tudo pronto, implicava a resolução de um mar de equações complexas,
repleto de incógnitas e fatores a serem levados em conta. Como qualquer outro
sistema do Universo, o corpo solar não pode aceitar a integração de um novo
elemento sem passar ele próprio por uma transformação de estado. Pensando nessa
regra universal simples de integração de corpos astrofísicos em sistemas
complexos, Deus garantiu a impossibilidade de rejeição ou perturbação
destrutiva do Sistema Solar em resposta à integração da Terra em sua estrutura,
criando o Sol, a Terra e a Lua com uma mesma Origem no espaço e no Tempo.
117. Uma vez criados o Sol e os planetas com suas luas e
seus anéis, Deus procedeu ao isolamento da Terra, raiz da Confusão à qual o
Texto se refere, para, após criar a Luz — como já vimos —, reunir novamente a
Terra e o Sol, momento em torno do qual estamos nos concentrando nesta seção.
Essa integração tinha um caminho. E, nesse caminho, a camada de gelo deveria
iniciar sua trajetória particular rumo à sua transformação em ar e água.
Descrever essa trajetória é o objetivo que nos propomos na próxima seção.
118. E, enfim, a consequência do lançamento da Terra na
trajetória boreal (porta pela qual a Terra entrou no campo elétrico do Sol)
fez-se sentir na superfície do manto de gelo. O fato de a Terra ter acessado sua órbita biosférica por essa rota boreal tinha
causas mais complexas do que aquelas que nos interessam abordar aqui. Por
enquanto, vamos nos concentrar no derretimento do Manto de Gelo e nas
consequências físicas de sua aceleração até o ponto crítico máximo ao longo da
duração desse processo. Elevação instantânea buscada por Deus ao proporcionar à
Terra o acesso pela rota boreal.
119. O certo é que, ao introduzir a Terra pela rota solar
boreal, o que Deus conseguiu foi acelerar, à velocidade máxima permitida, o
processo de degelo do manto de gelo, bem como fazer o mesmo com a consequente
evaporação do produto resultante.
O jogo de forças sobre o qual a fusão do Manto de Gelo se
acelerou ao seu máximo possível combina as forças clássicas com as
revolucionárias, e aponta para essa cosmologia quântica indescritível na origem
de todos os processos de criação de matéria astrofísica e de energias
eletromagnéticas.
Quanto mais se aproximavam a Terra e o Sol, menor ficava
a distância Sol-Terra e mais intenso se tornava o processo de derretimento do
Manto de Gelo. É a rapidez desse movimento de aproximação que nos leva a falar
em sublimação. Nesse sentido, a sublimação do Manto de Gelo foi uma evaporação
direta. Que, buscando compreendê-la da forma mais simples possível, podemos
compará-la à aplicação de um ferro em brasa sobre a superfície de uma barra de
gelo. O Sol funcionou como a barra de ferro em brasa na mão de Deus e a Terra,
como a barra de gelo.
Não estou falando figurativamente ao dizer que, se Deus
tivesse continuado aplicando o ferro indefinidamente, a massa total da camada
de gelo teria se transformado em atmosfera. Pelo menos é essa a impressão que
nos causa a extensão infinita do tema. Eu diria que se trata apenas de uma
simples aparência e nada mais. Uma aparência que nos convida a dar mais um
passo adiante. E a afirmar que a estabilidade do universo em geral, e do nosso
Sistema em especial, baseia-se em dois pilares fundamentais. O primeiro já
vimos: é a transformação da energia em novas formas de energia. O segundo é a
natureza eletrodinâmica da matéria cósmica fundamental.
CAPÍTULO 14. – SEGUNDA LEI DO COMPORTAMENTO DO UNIVERSO
120. O estudo que Deus realizou sobre o comportamento da
Matéria Cósmica o conduziu ao reino da Eletrodinâmica Astrofísica. Durante as
pesquisas sobre a natureza do espaço, da matéria e do tempo que Deus realizou
em sua busca pelo domínio da Ciência da Criação — o que Lhe permitiria
transformar a Realidade Universal —, Deus observou como a matéria fundamental,
apesar de suas transformações e saltos dimensionais no espaço geral, conserva
as propriedades de sua natureza atômica.
A descoberta da conservação das propriedades atômicas
naturais na energia cósmica fundamental, independentemente da direção
percorrida, abriu para Deus um horizonte criativo sem limites. Pois, por
maiores que sejam as distâncias percorridas durante o salto da matéria
microcósmica para a macrocósmica, a natureza de suas
forças eletrodinâmicas se conserva; o cenário que se abre para a inteligência
criadora é ilimitado. Além disso, essa descoberta, por si só, faz com que as
estrelas e suas redes sistemológicas se transformem
em tijolos, em blocos, em um campo de matéria-prima do qual extrair toda a
massa necessária para erguer edifícios constelacionais.
121. Assim, aplicando agora: se a primeira lei
(transformação do campo gravitacional em luz) se opõe à contração infinita do
universo, uma vez que a quantidade de energia não permanece estática na equação
— instabilidade equacional derivada da transformação da gravidade em luz e
forças eletromagnéticas —, condição de estabilidade exigida pela hipótese para
dar via livre à contração do campo universal em um núcleo primordial, e que não
é cumprida — realidade que a estabilidade do sistema astrofísico local demonstra;
essa segunda lei — natureza eletrodinâmica dos campos gravitacionais — impede o
movimento contrário (destruição por dispersão) ao estabelecer entre os sistemas
siderais uma rede eletrodinâmica de comportamento.
Ou seja, a operacionalidade dessa lei de transformação da
energia gravitacional em forças eletromagnéticas e outras formas de energia
luminosa, a operacionalidade dessa lei — dizia eu — contra a dispersão por
enfraquecimento constante do volume da energia universal: mantém a concentração
a partir das leis da eletrodinâmica.
122. E, finalmente, a ativação dessa barreira
eletrodinâmica de proteção permite a existência de correntes gravitacionais ao
redor de continentes astrofísicos, sujeitos a uma teoria de estruturas
moleculares em que as partículas são astros.
123. A aplicação visível dessas duas leis a um Sistema
Estelar Individual está presente no nosso próprio sistema.
Por um lado, o campo magnético atua como elo entre a
Terra e o Sol. O que se estende a todos os demais planetas.
Por outro lado, o campo elétrico ergue uma barreira entre
o Sol e a Terra. O que, poeticamente falando, poderíamos resumir assim: Lançada
a Terra ao encontro impossível de sua destruição, a natureza de seu espírito
positivo transformou a aparência em admiração quando a igualdade entre os
signos resolveu o conflito.
E continuamos.
124. De maneira mais ou menos simples, vou recriar o
primeiro trecho dessa nova sequência geohistórica que
ocorreu no Segundo Dia.
Mas voltando ao assunto, a incorporação de um novo
planeta pelo Sol significava para seu Sistema a integração, em seu campo, de um
novo transformador de energia gravitacional, com suas propriedades exclusivas.
Como essa mudança estrutural alterou a relação entre a família planetária não é
fácil de determinar, mas esse era um fator que Deus conhecia por experiência
própria e, a partir dessa experiência, resolveu no papel todas as incógnitas
antes de passar à ação. Não é preciso ir muito longe para encontrar o sucesso
da aplicação de sua matemática à realidade; os resultados estão à vista. Vamos
nos concentrar na Terra e no que sua integração em um campo gravitacional
compartilhado significou para seu corpo físico.
125. Começarei dizendo que qualquer corpo de natureza
astrofísica, enquanto estiver isolado de qualquer outro corpo, limita-se a
consumir sua própria energia. Enquanto esteve isolada em sua região de origem
durante o Dia Zero, a Terra se alimentava de seu próprio campo gravitacional. A
baixa velocidade de transformação com que seu núcleo operava manteve seu pulso
em um mínimo estável de rotações. O problema era que o campo gravitacional
continuava aumentando a massa cortésia por meio de
seu efeito de buraco negro. Portanto, a Terra tinha motivos para estar confusa.
126. E diz Deus que ela estava vazia porque a Terra, por
si só, não conseguia sair daquela situação. Somente estando conectada a uma
rede de energia ela poderia superar o fim para o qual, abandonada às suas
próprias forças, se via condenada. Quando Deus retornou e duplicou a energia de
seu campo, acelerando a rotação de seu corpo externo, rompeu aquela situação.
Daí resultou, como mostrei, a fusão da crosta primária e a criação do Manto de
Gelo que cobriu o Globo ao final do Primeiro Dia.
127. A energia fornecida, uma vez transformada em calor,
e tendo o Núcleo retornado a um novo estado de equilíbrio ao final do Primeiro
Dia, ao introduzi-la no Sistema Solar ao amanhecer do Segundo Dia, a Terra se
viu repentinamente na situação em que se encontra um transformador conectado a
uma rede de energia.
A primeira reação de seu Núcleo foi passar de um estado
lento de funcionamento para outro mais avançado.
Podemos compreender o que isso significa relembrando como
a variação da energia com a qual seu campo pode interagir a afetou no início do
Primeiro Dia. Efeito do qual se deduz, de maneira universal, que o motor que
mantém constante o movimento estelar é o Núcleo.
128. O movimento das estrelas e de todos os corpos do
Universo, portanto, como se vê muito bem em nosso Sistema, possui uma
singularidade. Todos giram em torno de seu eixo. O efeito físico natural desse
tipo de movimento é, como se observa nos helicópteros, o movimento para cima.
Daí deveríamos deduzir que todas as estrelas e seus sistemas seguem uma
trajetória ascendente. Como se disséssemos que o Universo se comporta como um
corpo que se move para cima eternamente. Agora, voltemos ao ponto em que interrompi
este Relato.
QUARTA PARTE
CRIAÇÃO DA BIOSFERA
CAPÍTULO 15. – CRIAÇÃO DOS CONTINENTES E DOS OCEANOS
129. Eu dizia que Deus criou a Terra nas Trevas e que,
após criar o Manto de Gelo — que, em Seu Livro, Ele chama de Luz —, Ele o
separou das Trevas e o introduziu nos Céus, onde se encontra.
E creio ter dito que o primeiro de todos os efeitos que a
Terra experimentou em decorrência dessa integração pode ser comparado ao efeito
que um transformador experimenta ao ser integrado a um circuito elétrico. E
que, assim como no início do Primeiro Dia, no início deste Segundo Dia, o
aumento da velocidade de rotação do Globo — sinal externo do aumento das
rotações que seu Núcleo experimentou — foi o efeito imediato da integração da
Terra no campo do Sistema Solar.
130. Ora, sendo a trajetória natural entre dois pontos
que se atraem a linha reta, e o movimento em um campo gravitacional semelhante
ao de um líquido em um copo, o movimento aproximativo de um corpo externo em
direção a um corpo astrofísico, em virtude dessa relação, traça um círculo ao
redor da estrela. Mas, como Deus descartou a opção de aproximação pela
trajetória planetária, a trajetória que a Terra deveria descrever não poderia
ser outra senão a parábola. E foi precisamente essa que ela começou a traçar
como reação à ação de aceleração instantânea que sua rotação sofreu. Isso no
que diz respeito ao primeiro trecho do voo da Terra em busca de sua órbita
biosférica.
131. No primeiro efeito desenhado — a lei que rege o voo
dos helicópteros a lápis —, é preciso incluir nesse processo de acoplamento a
natureza dos respectivos campos elétricos. Dito isso,
qualquer campo eletromagnético é definido por suas duas componentes: a força
magnética que atua à distância entre os corpos e a força elétrica que os
posiciona em torno de um núcleo de referência. No caso do lançamento da Terra,
temos a força magnética em ação, em combinação com a lei do movimento rotativo.
A descrição que essa combinação nos oferece da aproximação da Terra ao Sol é a
que nos traça uma parábola desde o exterior do Sistema Solar em direção ao polo
boreal do Sol como rota de acesso.
132. A entrada em ação da segunda força eletromagnética,
a elétrica, criou no horizonte de eventos uma faixa de inversão à medida que a
Terra se aproximava indefinidamente do Sol.
Uma vez dentro dessa faixa, em resposta à igualdade dos
sinais elétricos entre os respectivos campos, a
trajetória da Terra iniciou seu descida em direção à sua órbita biosférica.
(Independentemente das equações que regulam a massa dos
corpos astrofísicos sujeitos a uma relação sistemológica,
as energias em jogo entre os corpos que compõem um sistema estelológico do tipo solar, e a distância percorrida por um corpo planetário durante sua
órbita, a sequência de efeitos que a Terra experimentou durante sua trajetória
de aproximaçã e ao Sol repercutiu no superaquecimento
de seu núcleo, efeito do qual decorreu a série de ondas termonucleares na
origem do estado termodinâmico do manto).
133. O efeito decorrente da transformação do Manto — algo
que já vimos ao falar da Criação do Anel de Gelo — em uma massa de reação
termonuclear foi a fusão da Litosfera Inferior.
(Por “Litosfera Inferior” entende-se a zona de contato
geofísico com o Manto Superior. Vale lembrar que a divisão do corpo da Terra em
três zonas principais, com suas faixas de contato intermediárias, não é um mero
capricho da natureza. A zona que passou a ser chamada de Núcleo Externo
pertence, dentro dessa Estrutura, à faixa de contato entre o Núcleo
propriamente dito e o Manto. Levando em conta que o Núcleo é o corpo estelológico em torno do qual se forma um planeta e,
portanto, é o Transformador da Energia Gravitacional em calor, a física do
Núcleo Externo corresponde ao estado da matéria no Manto Inferior, que seria
equivalente ao que se encontraria em uma massa ao redor de um microastro com baixa temperatura, ou seja, matéria
comprimida no estado gasoso, embora esse estado não seja adequado para
caracterizar a física da faixa dentro da qual o Núcleo oscila, causando com sua
oscilação — como já mencionei em outra ocasião — o achatamento do Globo. Mas
voltemos ao ponto principal:)
134. Em outras circunstâncias, o aquecimento do corpo do
Manto Superior, ou massa de reação termonuclear, origem do Vulcanismo Geológico
Global, deveria ter atingido o Anel Litosférico Superior ou externo, mas o fato
de o Anel Litosférico estar sob a Camada de Gelo, cuja Criação vimos no início,
manteve a estrutura da Crosta Litosférica em estado sólido, embora a Crosta
Secundária estivesse sujeita à dinâmica da elevação da temperatura dentro de
uma panela de pressão. É compreensível que a temperatura, no interior daquela
panela de pressão em que Deus havia transformado o corpo geofísico, não pudesse
continuar subindo indefinidamente.
135. Nossos geólogos determinaram a física da Terra
partindo de um Núcleo frio, mecanicamente inativo e vivo apenas de acordo com a
reação termodinâmica dependente da pressão gravitacional, que, neste caso,
atuava como pressão sólida. Eles precisavam de um modelo virtual a partir do
qual pudessem explicar a constância do calor geofísico determinante da
atividade vulcânica litosférica. O fato de que a radiografia por ondas lhes
traçasse na mesa uma estrutura termodinâmica de menor para maior, ou seja, de
fora para dentro, acabou por dar razão ao modelo infantil do calor geonuclear
por pressão da massa que haviam pré-estabelecido em suas mentes; modelo pueril
que, por sua vez, se baseava na hipótese da origem da matéria estelógica a
partir de uma concentração de poeira no coração de um campo gravitacional à
deriva pelos mares estelares... não corta o mar sem que voe... blá blá blá...
Que o leitor desculpe meu infinito cinismo.
136. E, fazendo amor, deram à luz uma Ecosfera por arte
de magia, regulada por Equações Perfeitas que, claro, ao contradizerem a Origem
a partir do Acaso, por lógica tinham que lhes parecer suspeitas e,
consequentemente, sem qualquer possibilidade de prosperar. E preferiram
continuar se agarrando ao modelo infantil a seguir buscando um Modelo Geofísico
capaz de explicar o Equilíbrio Termodinâmico da Biosfera.
137. Como, no entanto, um planeta sem gerador de energia
térmica pode permanecer quente por milhões de anos, de tal forma que, conforme
demonstram os registros fósseis, é possível falar de um Ciclo Termodinâmico
Ecosférico, esse é um ponto que, uma vez elevado à categoria de dogma o Modelo
Infantil da Pressão da Matéria como Origem do Calor Geonuclear, e por não haver
nenhuma hipótese com a qual substituí-lo, preferiram a ignorância de quem
prefere o mal que conhece ao bem que ainda não conhece. E daí surge o desafio
que “ ” — uma teoria em que o núcleo de todo planeta se torna um corpo estelógico, transformador da energia gravitacional em calor
—, portanto, abre neste novo século.
138. Dizíamos, portanto, que a liberação do calor
geonuclear (em consequência da entrada da Terra no Sistema Solar), que se
acumulava entre a crosta e o manto, caso não encontrasse uma saída, acabaria
provocando uma explosão astronômica, o que significaria a desintegração do
corpo geofísico. Ou seja, e para centrar o tema: sem destruir a litosfera, Deus
precisava romper aquela enorme barra de gelo sob cuja massa as reações
termonucleares que cresciam no corpo do manto ameaçavam fazer o núcleo
explodir. A solução estava na atração gravitacional que o campo magnético solar
exerceria sobre o corpo geofísico ao cruzar a Terra (na direção de sua órbita
estacionária) a faixa de interação entre os respetivos campos elétricos.
139. A origem da cadeia de reações termonucleares que
mantêm o Manto ativo é um assunto a ser estudado sob a perspectiva da Arquitetura Geofísica que estamos desenvolvendo. Por exemplo, como uma série
em cadeia de reações termonucleares pode estender sua frente de onda até a
litosfera e abrir vias de flutuação pelas quais o calor magmático é liberado.
Também este outro: a relação entre o Núcleo e a forma irregular do geoide da
Crosta. Assunto esse que nos leva a considerar a oscilação do Núcleo dentro do
Manto como a origem do abaulamento da região equatorial. E, consequentemente, a
introduzir entre a zona externa do Núcleo e a interna do Manto um anel
geofísico em estado cromosférico, sobre cuja singularidade não vou me
aprofundar agora.
140. Vimos — recapitulando — que, lançada a Terra na
direção do Sol, nosso planeta atravessou a faixa de interação entre os respetivos
campos elétricos, o que provocou a reação elétrica natural entre dois campos do
mesmo sinal. (A mesma lei operativa que configura as órbitas estacionárias das
partículas ao redor de um núcleo atômico em função dos campos elétricos é a lei
que devemos aplicar à estrutura do Sistema Solar. Embora pareça simples demais
para ser verdade, em breve demonstraremos que a configuração planetária obedece
às leis da eletrodinâmica. A órbita da Terra é uma consequência natural).
141. E é curioso que, tendo percebido a semelhança entre
a estrutura de um átomo e o Sistema Solar, bem como a semelhança entre as
forças intra-atômicas e as forças eletromagnéticas sistemológicas — por ser óbvia — e por se recusarem a
acreditar que a Natureza e a Criação obedecem a princípios tão lógicos, os
cientistas do século XX se recusaram a acreditar no que tinham diante dos olhos
e, tendo a resposta bem debaixo do nariz, rejeitaram-na por considerá-la
indigna de seu gênio, preferindo mergulhar em uma Teoria de Unificação dos
campos eletromagnéticos e gravitacionais, que, no entanto, tem seu milagre
diário na estrutura da matéria atômica. Pois, se a origem do calor geonuclear
provém da pressão material, como é possível que essa mesma pressão não tenha
feito com que toda a massa planetária afundasse no corpo do Sol nos milhões de
séculos em que o Sistema está em atividade?
142. Eles respondem com a energia centrífuga, mas ignoram
que um trabalho não pode ser executado até o infinito; a constância orbital
contradiz isso. Assim, tendo que buscar uma força diferente, empreenderam a
busca por um campo unificado e, ao falarem de forças eletromagnéticas,
faziam-no eliminando a componente elétrica do campo magnético. Verdadeiros
sábios!
Então: com a trajetória terrestre direcionada para sua
órbita estacionária, por efeito da repulsão elétrica entre campos do mesmo
sinal, em termos de trabalho podemos comparar esse efeito ao de uma força
centrífuga acelerada. De fato, sujeita a esse efeito, se o campo magnético não
tivesse freado as consequências: a Terra, arrastada pela tempestade elétrica,
teria sido lançada contra a órbita de Marte, por exemplo. A atração
gravitacional que a interação entre os respectivos campos magnéticos produziu, quando a Terra cruzou a faixa elétric e que lhe correspondia no Sistema, foi o freio que a estacionou em sua órbita.
Essa atração repercutiu na Litosfera Inferior, arrancando do Manto Superior as
bases das grandes cadeias montanhosas. Com essa ação de elevação das raízes das
grandes cadeias montanhosas: a ação do martelo contra a barra de gelo sob cujo
anel se encontrava a Litosfera já estava consumada. Reproduzir essa ação
sismológica global seria abrir uma porta no tempo e ousar permanecer firmes
sobre um terremoto com epicentro no Núcleo e cujo raio de extensão universal
faz dançar sob nossos pés, plantados sobre o Anel de Gelo, todo o corpo da
Crosta terrestre.
(Os sábios do
século XX encontraram, certamente, evidências de um recuo dos gelos; o que
jamais ousaram sonhar é que a massa de gelo que se retirou, no início, cobria
toda a esfericidade do Planeta. Como seu Criador conseguiu partir aquela Barra
de Gelo é o ponto tratado nesta seção, sobre o qual há muito a ser dito, e cuja
Mecânica, Origem da Orografia Ecosférica, teremos tempo de abordar, em todos os
níveis, ao longo deste Século XXI).
Uma vez rachado dessa forma o manto de gelo que Deus
chamou de “a Luz”, o calor acumulado no corpo geofísico interno encontrou a
válvula de escape pela qual se libertar: na forma de gases e lavas, obtendo
Deus, com esse efeito, a transformação do gelo em água. Essa é a sequência da
origem da Água e do Ar. Mas lembremos como o Manto de Gelo reagiu à aproximação
da Terra ao Sol.
QUINTA PARTE
CRIAÇÃO DA ECOSFERA
CAPÍTULO 16. – SUBLIMAÇÃO DO MANTO DE GELO
143. Há duas maneiras de fazer as coisas. Uma é deixar
que a lei do tempo atue e a outra é acelerar o desenvolvimento de uma ação por
meio dos recursos disponíveis. Se estivesse sujeito à lei do tempo, o Manto de
Gelo teria respondido à energia solar derretendo-se, teria se partido em dois
e, com o tempo, as duas barras de gelo teriam-se retirado em direção aos casquetes polares. As águas do primeiro grande oceano
teriam se evaporado. Lentamente, mas sem parar, o oceano teria se dividido para
se multiplicar; dos oceanos teriam surgido os mares... Mas Deus conhecia uma
maneira mais rápida de desenvolver esse processo global.
Por que derreter o manto de gelo a baixa temperatura
quando Ele poderia provocar, por meio da integração pela rota boreal, o efeito
do ferro em brasa contra uma barra de gelo? A esse efeito chamamos de
sublimação do gelo. O efeito imediato do encontro Terra-Sol nas condições
expostas determinou a sublimação acelerada do manto de gelo. A energia solar
agiu como ferro em brasa aplicado diretamente sobre a superfície do manto.
Sublimação que determinou a ruptura do manto em dois
grandes blocos e o nascimento da atmosfera biosférica. (Quando digo “condições
expostas”, refiro-me à parábola de acesso, que determinou que a Terra
permanecesse, por um tempo, a uma distância menor do que a natural de sua
órbita estacionária).
144. Já mencionei que a atração gravitacional solar
surgiu como consequência do efeito contrário que impulsionou a Terra em direção
à sua órbita biosférica. E que, em consequência dessa atração — resultado da
interação magnética entre os dois campos —, as bases das grandes cadeias
montanhosas se soltaram completamente. Talvez “elevação” seja a palavra
correta. A liberação foi promovida pelo aquecimento da estrutura geofísica.
Lembremos que, ao esfriar o Manto, o anel litosférico se solidificou, ficando a
placa de contato fundida em um único corpo. Quando a Terra entrou no Sistema
Solar, o Núcleo se aqueceu, o diâmetro do Manto se ampliou e a pressão térmica
criou ondas naturais que provocaram um movimento de expansão do centro para o
exterior do corpo geológico. Esse movimento não era suficiente para lançar as
cadeias montanhosas contra uma litosfera externa aprisionada sob um manto de
gelo que, embora estivesse sendo sublimado externamente, internamente
permanecia em seu estado original.
145. A solidez do manto de gelo resultou no acúmulo de
calor no interior da Terra. Esse acúmulo começou a provocar um movimento
sísmico generalizado que, a partir do manto e por meio de séries ininterruptas
de reações termonucleares, aqueceu a crosta, abrindo vias de liberação do calor
que ameaçava desintegrar toda a estrutura. A fusão entre a camada superior do
Manto e a inferior da Crosta, assim rompida, fez com que a pressão térmica
começasse a elevar as bases das cordilheiras, em torno das quais o calor
geonuclear encontrou linhas de flutuação para o exterior. Assim, enquanto na
zona externa a energia solar fazia o seu trabalho, na parte inferior a energia
geofísica fazia o mesmo, rachando o Manto de Gelo, por entre cujas fendas os
gases começaram a sair e a contribuir para a formação da Atmosfera em
andamento.
146. A distância do Sol interrompeu a sublimação e deu
lugar ao degelo do Manto de Gelo. A pressão térmica externa e interna sobre o
Gelo resultou no derretimento do Gelo, transformando-o em Água. Processo que,
dada a temperatura do Globo, deu origem a um oceano que cobriu o Equador e as
regiões tropicais, e continuou empurrando em direção aos pólos geográficos os dois grandes blocos de gelo em que se dividira o bloco original.
As águas desse Oceano-Mãe eram as águas que estavam sob o Firmamento dos Céus.
O Firmamento dos Céus que “estava entre as águas que
estavam abaixo e acima de seu corpo” era a Atmosfera.
147. Identificação do Firmamento que esclarece muitas
questões.
Primeiro: sendo que as águas que estão abaixo do
Firmamento são as águas do Oceano Mãe, as águas que estão acima desse
Firmamento são as águas do campo gravitacional solar.
Esse ponto nos
revela a necessidade de abordar o comportamento da gravidade a partir da
natureza dos fluidos. O que dá origem à imagem do Universo como um oceano de
energia sobre o qual flutuam os continentes com suas ilhas, que, neste caso,
seriam os sistemas astrofísicos. Um oceano de energia sobre o qual há mais a
ser dito, mas que, por enquanto, nos abre o horizonte para a compreensão do
comportamento do campo gravitacional à imagem da fenomenologia típica de um
fluido exposto a forças internas e externas.
148. Resumindo:
A Luz era o Manto de Gelo sob cujo corpo ficou encerrado
o restante da estrutura geofísica ao final do Primeiro Dia. Sua criação ocorreu
por meio da fusão da Crosta Primária; e a fusão dessa Crosta Primária foi
iniciada por Deus, acelerando o pulso geonuclear do Globo. Esse aumento do
ritmo de trabalho do coração astrofísico da Terra foi consequência da
multiplicação da densidade do campo gravitacional terrestre por unidade cúbica
astrofísica.
149. No início do Segundo Dia, a Terra e o Sol se
reencontram. Deus cria uma série de efeitos, dos quais a Sublimação do Manto de
Gelo será o primeiro. O Manto se rompe e nasce a Atmosfera, cujo crescimento,
ao interagir com a atração gravitacional na origem da órbita estacionária,
receberá uma impressionante aceleração física. Os dois blocos de gelo
resultantes iniciam sua jornada em direção aos pólos geográficos, deixando entre si as águas do Oceano Mãe, cujo volume, por
evaporação, continuará alimentando o corpo da Atmosfera. Essa Atmosfera é o
Firmamento no Verbo do Segundo Dia.
150. Uma vez identificado o Firmamento, o movimento do
Espírito de Deus sobre as Águas se resolve como seu movimento no Espaço. E nos
aprofundamos no comportamento da Gravidade, que podemos compreender a partir de
nosso conhecimento da natureza dos líquidos. O que abre nossa inteligência para
a compreensão do campo gravitacional universal como um oceano no qual os
sistemas siderais se apresentam como continentes e ilhas, permitindo a
navegação sideral graças às suas posições no espaço galáctico local.
151. Fogo, Gelo, Água e Ar. Esses são os primeiros
degraus da escada dos elementos naturais que estamos subindo. O próximo que vem
não precisa de apresentação. Em suma, e para encerrar:
A. – Fusão da Crosta Primária.
B.- Sublimação da Atmosfera Primitiva.
C. –
Descongelamento e retirada dos gelos.
D.- Formação da Atmosfera Biosférica.
CAPÍTULO 17. – CRIAÇÃO DO PLANO DE INTER-RELAÇÃO
BIOSFÉRICO
152. Encerramos a ascensão pela escada dos elementos
naturais e abrimos um novo caminho.
Gelo, água, ar: todos os elementos estavam em seu devido
lugar e preparados para o grande acontecimento da transição da matéria
inorgânica para a orgânica. (Ponto em torno do qual a Razão e a Fé se perderam
e seguiram caminhos tão opostos quanto suicidas).
Falando da evolução das espécies, o sábio bíblico por
excelência lançou a pedra na água, dizendo: “E para exercer justiça sobre eles,
os elementos se harmonizaram, assim como no saltério os sons se harmonizam em
uma harmonia inalterável, como se pode ver claramente pelos acontecimentos.
Pois os animais terrestres transformam-se em aquáticos, e os que nadam caminham
sobre a terra”. Palavras perspicazes de um homem que não hesitou em lamentar a
solidão do gênio em outro lugar, mas que, enquanto esteve em seus melhores
momentos, também não hesitou em antecipar-se à mente científica e afirmar que
Deus lhe deu “a verdadeira ciência das coisas e o conhecimento da constituição
do universo e da força dos elementos; o princípio, o fim e o meio dos tempos;
as alternâncias dos solstícios e as mudanças das estações; o ciclo dos anos e a
posição das estrelas; a natureza dos animais e os instintos das feras; a força
dos ventos e os raciocínios dos homens; as diferenças das plantas e as virtudes
das raízes. Tudo o que é oculto e o que é manifesto ele conhecia, pois a
Sabedoria, artífice de tudo, me ensinou isso”.
É de se acreditar
que, se a Fé e a Razão tivessem ouvido com ouvidos mais humildes essa confissão
de Salomão, a inimizade entre o cristianismo e a ciência não teria chegado aos
extremos que atingiu nas primeiras décadas do século XX.
Voltando ao tema da evolução da árvore da vida, o
primeiro passo são as raízes. É por onde a árvore começa a germinar. Mas, para
que haja árvore, deve haver semente. Partindo do pressuposto de que a
Célula-Mãe, a Semente da Vida, teve em Deus sua origem, depreende-se das
sequências biohistóricas que estamos acompanhando que
a semente da árvore das espécies foi plantada por Deus sob as águas do Grande
Oceano. E, consequentemente, primeiro vieram as plantas. Desse reino vegetal
subaquático, por meio da adaptação dos primeiros ramos à vida terrestre — à
medida que o nível das águas do Grande Oceano foi baixando —, surgiu a árvore
das espécies vegetais terrestres. A evolução desse novo reino se completou
quando a fotossíntese transformou a composição química da atmosfera.
153. Esse passo biohistórico ocorreu durante a Tarde do
Terceiro Dia. Já vimos como, uma vez rompido o Manto de Gelo, os dois blocos
resultantes iniciaram a retirada em direção aos pólos,
e como a evaporação do oceano, em conjunto com o levantamento das cordilheiras
pela atração gravitacional, produziu a multiplicação do oceano em oceanos e a
divisão dos oceanos em mares. Assim, à medida que o nível das águas foi
baixando, as plantas marinhas se adaptaram à vida terrestre, acabando, com o
tempo, por transformar a atmosfera pré-histórica na atmosfera histórica, tendo
o oxigênio como elemento principal. Por sua vez, e sob a necessária adaptação à
revolução que o próprio reino vegetal estava produzindo, a fibra vegetal
pré-histórica do substrato submarino adquiriu as propriedades das árvores
terrestres históricas. Com a criação do reino das árvores, Deus completou a
estrutura do Plano de Inter-relação Biosférico. Plano sobre o qual vou me deter
por um momento antes de decolar do solo e lançar este relato aos espaços.
154. A autonomia do Plano de Inter-relação Biosférica
pode ser resumida dizendo que as calotas polares foram estabilizadas para serem
os dois principais focos termorrefrigeradores do sistema ecosférico. Focos dos
quais Deus fez depender o equilíbrio da temperatura da biosfera e que, para
estabilizar o degelo de ambos os focos termorrefrigeradores, Deus fez depender
do ângulo de rotação do globo terrestre. Vamos por partes, no entanto.
155. Imaginemos por um segundo que a Terra fosse plana e
permanecesse sempre à mesma distância do Sol. O que aconteceria? Quanto tempo o
Sol levaria para aquecer os oceanos até o ponto de ebulição e transformar os
oceanos em uma panela de água fervente? E em quantas horas geológicas a
atmosfera perderia seu equilíbrio termodinâmico e toda a sua estrutura se
desintegraria por não levar em conta o ângulo de rotação da Terra com um
mecanismo regulador? Vamos calcular quantos anos seriam necessários para que,
na ausência dos dois focos termorrefrigeradores polares, a temperatura dos
oceanos e da atmosfera disparasse dez graus. Como esse aumento de temperatura
afetaria a vida marinha? Se, em consequência de uma onda de calor, os seres
humanos morressem, quantos morreriam por ano se essa onda de calor persistisse
e, pior ainda, ameaçasse subir mais dez graus nos próximos vinte anos, por
exemplo?
156. O que vem acontecendo ao longo desses milhões e
milhões de anos é exatamente o contrário. Os focos termorrefrigeradores
ecosféricos permaneceram constantes, mantiveram a temperatura biosférica
estável, sempre levando em conta que, à medida que sua massa diminuía, a
temperatura geral inevitavelmente aumentava. Mas, ao fazer com que a
temperatura biosférica dependesse dos focos termorrefrigeradores polares, nosso
Criador viu-se obrigado a proporcionar-lhes uma plataforma geofísica.
Plataforma à qual chamarei de Substrato Ecosférico Autônomo e que está
relacionada às equações que fundamentam a imutabilidade do ângulo de rotação da
Terra.
CAPÍTULO 18. – O SUBSTRATO ECOSFÉRICO AUTÔNOMO
157. Temos a Terra girando em torno do Sol. Vimos que
Deus fez com que a estabilidade termodinâmica da biosfera dependesse das massas
polares. Agora cabe a nós estudar a mecânica de manutenção das calotas polares,
pois tudo nos leva a acreditar que a temperatura e o ângulo de rotação estão
diretamente relacionados; no entanto, a Terra orbita dentro de um campo
gravitacional sujeito às alterações que, a partir do astro central, transformam
o espaço interplanetário em função de sua inter-relação com o mundo sideral ao
qual pertence. O que provoca nos planetas uma dinâmica rotacional instável,
reflexo da oscilação do Sol.
(O fato de o Sol oscilar significa que seu ângulo de
rotação parece se mover como se estivesse bêbado e, assim como o corpo de um
bêbado se balança da esquerda para a direita, da mesma forma seu eixo
geográfico se inclina ora para a direita, ora para a esquerda. Movimento que se
reflete com especial intensidade na rotação de Marte e que, por natureza,
deveria ser o natural para o eixo da Terra. Se a oscilação do ângulo de rotação
planetária é a regra, a Terra é a exceção à regra. A importância dessa dinâmica
constante é vital se lembrarmos que a temperatura e o ângulo de rotação estão
diretamente relacionados).
A sujeição do nosso planeta à lei da inclinação solar —
cuja causa teríamos que abordar em outro capítulo — alternaria a área de
incidência da energia solar sobre a geografia continental, com o consequente
efeito de degelo irregular das calotas polares. Mas isso não ocorre, e daí
surge a pergunta: por que a Terra sempre apresenta ao Sol o mesmo ângulo de
rotação?
158. Essa singularidade tem uma explicação. A resposta
está na lei que rege a inclinação do eixo de rotação para um hemisfério ou para
o outro de um corpo que gira sobre si mesmo. A experiência não falha. A
realidade cotidiana nos oferece exemplos variados sobre a natureza e os efeitos
práticos dessa lei. Sua descrição não é complicada. Pensemos: o que aconteceria
se começássemos a girar com os braços abertos, segurando uma enciclopédia em
uma das mãos? O braço carregado não cairia na direção natural, devido ao peso
que sustenta? Enfim, sobre exemplos, assim como sobre gostos, não há nada
escrito. Uma vez compreendida a natureza da lei e o efeito a que ela dá origem,
cada um pode inventar o seu próprio exemplo. Compreendida em toda a sua
extensão, o que precisamos fazer agora é aplicá-la à realidade do Globo
Terrestre. Quero dizer, basta pegar um globo terrestre, colocá-lo sobre a mesa
e parar para observar esse exemplo da enciclopédia em uma mão com o fenômeno da
concentração dos continentes em um hemisfério. Toda a massa continental não
está agrupada em um hemisfério? O outro hemisfério é ocupado pelas águas do
Pacífico. Já temos a enciclopédia em um braço da Terra; que efeito teremos se
agora pegarmos o globo terrestre e começarmos a girá-lo em torno de seu eixo?
159. Esse efeito de inclinação do ângulo de rotação em
direção ao hemisfério sobrecarregado é exatamente o que Deus buscou ao
concentrar a massa pentacontinental em um hemisfério.
O efeito final produzido era um ângulo de rotação fixo. Por que se dar ao
trabalho? Bem, a necessidade de estabilizar o Plano de Inter-relação Biosférico
era uma causa de primeira ordem. A criação de uma plataforma termodinâmica
estável era uma necessidade da Evolução. Graças à concentração pentacontinental dentro de um hemisfério do planeta, Deus
tornava possível que a área de incidência que o Globo apresenta à energia solar
fosse sempre a mesma. Graças a essa constância óptica,
a curva de crescimento da temperatura biosférica e, portanto, do degelo das
calotas polares se manteria em um ritmo estável durante todas as eras
geológicas. (Conclusões extremamente simples e naturais estas que, para os
defensores da tectônica de placas, por exemplo, devem parecer uma heresia. Mas
o que se pode fazer? Nem sobre gostos há nada escrito, nem é possível agradar a
todos).
CAPÍTULO 19. – TEORIA DOS ANÉIS GEOFÍSICOS
160. Afirmei que, ao estabilizar o ângulo de rotação do
Globo por meio do deslocamento da massa continental sobre um hemisfério, Deus
obtinha um ângulo constante de incidência da luz solar sobre os pólos geográficos. Desse efeito, esperava obter o degelo
gradual que concederia à evolução da árvore das espécies o tempo necessário
para ser levada a bom termo. E destaquei que, evidentemente, essa versão arquitetônica entra em conflito com a famosa hipótese da
deriva continental. Mas não poderia ser de outra forma. A deriva continental
não consegue explicar a constância do ângulo de rotação; e, pior ainda,
contradiz sua própria existência. Além, obviamente, de não conseguir responder
a nenhuma das incógnitas que a estrutura e a morfologia da litosfera apresentam.
Negar as incógnitas para impor a ficção sobre a ciência foi, infelizmente, a
atitude que a era moderna adotou como filosofia em seu ateísmo.
161. Deixando de lado discussões rebuscadas e partindo da
materialização da matemática do Substrato Ecosférico Autônomo, digamos que a
arquitetura geofísica a que Deus deu sua aprovação nos configura uma estrutura
em que a litosfera se apresenta como um anel compacto girando uniformemente
sobre um anel magmático, líquido. O anel magmático, ou Manto, por sua vez,
flutua sobre um anel cromosférico. E, no centro, a microestrela que compõe o Núcleo oscila no seio das correntes gravitacionais que lhe servem
de órbita. Dentro dessa configuração, o fato de haver igualdade de temperatura
entre a superfície do Núcleo e a e e do Sol não é uma
coincidência. Nem o fato de que, ao manter constante a temperatura litosférica,
os oceanos se comportem como as águas do rio de que o reator nuclear precisa
para manter sua temperatura em equilíbrio. (Quanto à igualdade de temperatura entre
a superfície do Núcleo e a do Sol, não se sabe se ela se verifica em todos os
membros do Sistema ou se se aplica apenas à Terra. Caso valha apenas para a
Terra, é possível chegar a uma lei de interação entre estrela e planeta que
confirme essa regra de igualdade para todo sistema biosférico. O tamanho do
astro e sua temperatura superficial determinariam a distância até o planeta em
questão. Embora, atualmente, isso seja apenas especulação, a igualdade
mencionada não implicaria uma paridade entre os ciclos termodinâmicos do Sol e
do Núcleo? Nesse caso, o importante não é tanto determinar, mas compreender a
interação entre o Sol e a Terra).
162. Dito isso, vocês dirão então que o que estou
propondo é uma espécie de engrenagem com mancal, em que o anel magmático
desempenha as funções das esferas sobre as quais se move a roda externa. E
concordo plenamente com vocês. Vocês vão me objetar, então, que, nesse caso, é
preciso explicar como essa panela de pressão não explode. Pergunta sutil que
lhes faz honra, e à qual vocês mesmos poderão responder a partir da visão
cotidiana do sistema de flutuação do calor interno que são os vulcões. As
linhas de flutuação do calor geonuclear não são constantes e não são marcadas
pela circulação das correntes eletromagnéticas?
CAPÍTULO 20. – TEORIA DO SISTEMA SISMOLÓGICO DE FLUTUAÇÃO
163. Embora pareça um exercício sem sentido, vamos
recomeçar. No primeiro Dia, nosso Criador duplicou a densidade de energia por
unidade cúbica astrofísica do campo gravitacional terrestre. A resposta do
Núcleo, naquele momento em estado frio, foi ativar-se e proceder à
transformação desse suprimento em calor. Imediatamente, o Manto se liquefez e a
crosta Primária se fundiu. Concluídos esses processos, o Núcleo esfriou
novamente, de modo que a Crosta se solidificou e se transformou no anel
geofísico que chamamos de Litosfera. Se a Terra tivesse permanecido na região
onde esses processos ocorreram, o resfriamento de seu Núcleo teria levado o
Manto à solidificação. A Bíblia diz que isso não aconteceu porque Deus separou
a Terra de sua região de origem e a introduziu em um campo gravitacional de
densidade estável, o Sistema Solar.
164. Uma vez dentro do campo de ação do Sol, o
transformador geonuclear se reativou e atingiu uma temperatura constante, igual
à temperatura externa do astro em torno do qual orbita. Acredito que sejam
cerca de seis mil graus Celsius. Essa integração no Sistema Solar interrompeu a
solidificação do Manto e, ao mesmo tempo, manteve a solidez do anel
litosférico, que, a partir de então, giraria com movimento próprio sobre o anel
magmático. Grosso modo.
165. Com a produção constante de calor pelo Núcleo, a
física nos obriga a traçar, entre o Manto e o Núcleo, uma espécie de zona
cromosférica, dentro da qual o próprio Núcleo oscila, fazendo com que essa
oscilação — sujeita às alterações de gravidade de que falei anteriormente —
provoque o achatamento dos pólos que o Globo
apresenta. (Nesse sentido, a oscilação do Núcleo dentro do corpo geofísico
depende de sua própria mecânica de produção de calor e de sua reação às ondas
termonucleares na origem dos vulcões. Quanto à morfologia do Núcleo, a reação
do próprio corpo geofísico à sua ação oscilatória nos dá certas pistas. Mas
isso já será estabelecido em outro momento, a partir de outras bases).
166. É essa estrutura geofísica que nos leva a nos
perguntar o seguinte: como a Terra libera o calor interno armazenado que é
gerado pelo anel litosférico? A resposta, mais do que teorias, exige fatos; e
bem, embora estejamos falando de uma litosfera com ângulo de rotação fixo sobre
uma superfície magmática, seu corpo está dotado de um complexo sistema de tubos
de flutuação através dos quais o calor geonuclear é continuamente liberado.
Falar de vulcões é falar de toda a dinâmica sismológica que acompanha a criação
dessa arquitetura geofísica, impressionante em sua manifestação e perfeita em
sua execução. Agora: por que as aberturas do sistema de flutuação se estendem
ao longo dos limites das grandes cadeias montanhosas?
167. A correspondência entre as linhas sismológicas e as
linhas das grandes cadeias montanhosas explica-se a partir da física da atração
gravitacional, cuja fenomenologia qualquer especialista pode esclarecer. E já
que estamos falando nisso, a objeção à arquitetura geofísica que o aumento
contínuo da temperatura de uma litosfera sujeita à lei do Substrato Ecosférico
Autônomo apresentaria, elimina de uma só vez a temperatura constante dos fundos
oceânicos, graças à qual a superfície mais exposta da litosfera freia esse
aumento natural, que, sem esse equilíbrio, acabaria por fazer explodir essa
estrutura de engenharia geofísica. Acredito que os reatores nucleares se valem
dessa mesma teoria para frear o aquecimento de seus motores.
168. Esse sistema geofísico autônomo, fonte de tantas
dores de cabeça, é complementado por uma estrutura planetária sui generis,
especial, avassaladoramente maravilhosa, cujos fundamentos tenho a honra de
apresentar a vocês. Mas quero partir de um fato. Melhor ainda, de uma lei: a
saber, se todo sistema astrofísico é um transformador de energia universal em
luz e calor, sua velocidade de funcionamento dependerá da densidade
gravitacional de seu campo e do número de revoluções por século de seu astro.
Isso, para começar.
169. Por outro lado, é correto afirmar que a velocidade
sideral de um sistema — seja uma constelação ou uma galáxia — é uma constante
deduzida das forças da região astrofísica à qual esse sistema pertence. Em
outras palavras, se o Sistema Solar não interagisse com o Universo das
constelações, sua velocidade de cruzeiro dependeria exclusivamente da
quantidade de energia de seu campo gravitacional. Ao submeter o Sistema Solar à
lei da atração gravitacional entre os corpos do universo, a própria lei nos diz
que, ao diminuir a distância entre as constelações, logicamente a velocidade de
cruzeiro dos sistemas estelares que as compõem deve aumentar. Trata-se de um
efeito universal do qual podemos inferir que, se a velocidade do astro central
— da qual dependem os corpos menores de um sistema — for acelerada, todos os
corpos dependentes de sua física sofrerão essa variação. De alguma forma, de
algum jeito.
170. E isso é relevante porque a questão não pode ser
evitada nem deixada de lado em função de certos contextos, especialmente uma
vez que a Evolução da Vida na Terra foi aberta a um complexo sistema de
equações físicas, sem cuja resolução o futuro da vida não poderia ser
garantido. A nova questão que se coloca é: como Deus impediu antecipadamente as
possíveis alterações que, no futuro — e precisamente por nosso Sistema estar
sujeito a essa lei universal —, a Terra viria a sofrer? Para compreender melhor
o cerne da questão, comparemos nosso Sistema a uma nave. Feita a comparação do
Sistema Solar com uma nave em pleno voo, o que estamos tentando descobrir aqui
é se essa nave foi dotada de um freio de segurança ou se simplesmente navega à
deriva pelo mar das constelações, exposta aos ventos gravitacionais e aos
campos eletromagnéticos siderais.
171. Mas por que Deus precisaria dotar o Sistema Solar de
um freio de segurança para manter estável sua velocidade de cruzeiro? Essa é a
questão oposta à anterior. Bem, acho que a necessidade é tão óbvia quanto o
fato de todos os corpos do universo estarem sujeitos às leis que o regem. Se as
rodas aceleram, o chassi não fará o mesmo ao mesmo tempo? Se o Sol pisar no
acelerador, os planetas não sofrerão as consequências?
172. E em que medida essa aceleração hipotética afetará
os transformadores centrais dos planetas, e especialmente o da Terra, uma vez
descoberta a relação direta entre velocidade e calor? Mas e se agora a
velocidade solar diminuísse abruptamente por razões de interação eletrodinâmica
à distância? Ou seja, será que Deus se esforçou tanto para criar um Substrato
Ecosférico Autônomo para o Plano de Inter-relação Biosférico e depois iria
expor toda a Arquitetura Geofísica à destruição em consequência de uma mudança
repentina na orientação das constelações? Ele traçou linhas, deslocou
continentes de um hemisfério para o outro, criou zonas sismológicas ativas,
regulou a termodinâmica geonuclear, não deixou nada ao acaso, nenhuma ponta
solta lhe escapou. E agora, quando a aventura da vida estava começando, ele
iria deixar a nave solar à deriva pelas correntes interconstelacionais?
A necessidade de corrigir trajetórias no tempo, controlar variações no espaço e
governar a matéria por controle remoto obrigava a Inteligência Criadora a dotar
o Sistema Solar de um freio de segurança que mantivesse a velocidade de
cruzeiro do astro central dentro de uma faixa de máximos e mínimos. A questão
é: a que tipo de freio automático um engenheiro astrofísico deve recorrer na
hora de colocar em órbita um sistema do tipo solar? Embora, é claro, se não
soubermos a que tipo pertence o Sistema Solar, dificilmente conseguiremos
encontrar a resposta. A resposta está bem diante dos nossos olhos.
SEXTA PARTE
CRIAÇÃO DO SISTEMA SOLAR
CAPÍTULO 21. – SISTEMOLOGIA FINÍTICA APLICADA (ESTRUTURA
DINÂMICA DO SISTEMA SOLAR
173. A resposta ao enigma apresentado na seção anterior,
a saber: que tipo de freio automático mantém a velocidade de cruzeiro do
Sistema Solar constante, contrariando a lei da gravidade que aponta para a
necessidade de uma aceleração constante devido à diminuição das distâncias
entre o Sol e qualquer ponto ao qual ele se aproxime? — a resposta a esse
dilema é inequívoca. Ora bem, e confesso minha falha, o dever exige especificar
melhor a natureza do problema. Quero dizer, estamos ou fomos acostumados a trabalhar
com uma imagem instantânea do Sistema Solar. Aqui está ela:
174. Por inércia e devido a uma simulação virtual
implantada durante os anos de nossa formação intelectual, tendemos a ser
oniscientes e basta-nos aplicar as leis de Kepler à foto imaginária para nos
sentirmos como deuses. Essa implantação vem de séculos atrás e a imagem é
herdada nas entranhas com tal sutileza que aos profissionais da formação
intelectual basta impor a ordem com a batuta de seus regimes estatais para
encerrar o problema. O fato é que, hoje em dia, essa imagem simplista do
movimento kepleriano é própria de mentes atrasadas e de inteligências sem
qualquer atividade independente, com nula capacidade de julgamento crítico. O
certo é que o resultado fica bom e até bonito, e atinge seu objetivo: fazer com
que até o mais idiota se sinta maior do que São Tomás e Santo Agostinho juntos.
Na hora de confrontar com a Realidade, essa imagem de um Sistema Solar
congelado no tempo é o oposto da Física do Sistema Solar, que se move entre
astros a poucos anos-luz de distância e com os quais forma, sem dúvida alguma,
— cacofonia? — um Aglomerado Estelar Aberto.
175. Se tomarmos como referência os parâmetros dos
aglomerados estelares abertos de nossos céus e combinarmos os dos sistemas
estelares binários e múltiplos, onde as distâncias entre os astros de um
sistema estelar individualizado superam, em muitas ocasiões, a distância
existente entre o Sol e Alfa Centauri, por exemplo,
eu me pergunto: onde fica aquela imagem destinada a crianças recém-iniciadas na
astrofísica que saiu da oficina de Kepler nos dias de Matusalém? Dizem que a
lei opera a distâncias infinitas — e nega-se que essa mesma lei atue entre
corpos situados a apenas quatro ou cinco anos-luz de distância? Alguém, além do
bom senso, perdeu a razão ao longo do século XIX, e a ninguém do século XX —
com a Academia lançada na aventura da Busca pela Origem do Cosmos, já
acomodados na nave do Tempo que levaria os sábios até o Núcleo da Origem e, de
lá, saltariam até o Fim por meio de uma dobra no Espaço... a ninguém ocorreu
apertar o botão e ativar a foto de um Sistema Solar congelado no tempo que
Kepler lançou para o futuro. Nem mesmo para se divertir um pouco. O dogmatismo
dos discípulos da revolução einsteiniana revelou-se tão primitivo e forte que,
mesmo com os cálculos dinâmicos mais atuais à disposição, nenhum astrônomo
ousou colocar o dedo no botão e ver o Sistema Solar tal como ele existe no
Espaço e no Tempo, incrustado em um Aglomerado Estelar Local e com seus membros
planetários dotados de estrutura sólida. É, portanto, deprimente a ponto de
provocar a mais retumbante gargalhada abrir um Manual de Astronomia, escrito
por professores universitários, como, por exemplo, o Manual da Complutense de Madri, para não me perder em outras linguagens mais sutis,
e ler que Plutão é um corpo gasoso. Como somos bem-educados, contemos o vômito.
Continuemos, então.
176. Afirmei acima que a resposta para o motivo pelo qual
a velocidade do Sistema Solar escapa ao domínio da lei gravitacional — sob cuja
força é governado todo o universo — deve ser inequívoca, simples e lógica.
Reconheço agora que as expressões verbais, ao contrário das matemáticas,
possuem uma ambiguidade de natureza tão profunda que é capaz de engolir em seu
abismo a pureza de qualquer montanha de números. E gostaria de explicar esse
enigma. A palavra, em definitiva, é um veículo capaz de transportar em seu seio
diferentes viajantes, e acontece que, dependendo do viajante, uma palavra pode
deixar de significar uma coisa para passar a ter um novo significado. Os
políticos são mestres nessa arte. Mas não apenas eles; não sejamos cruéis com
esses bichinhos. O número, por exemplo, é um ente perfeito; seu significado é
intransferível, divino em sua incorruptibilidade, e daí a adoração pagã e
selvagem que os matemáticos sentem por esses entes. Um quatro é um quatro, e
quer se aplique a bananas ou a ratos, a essência e a substância do quatro,
enquanto ente abstrato, puro e imaculado, permanecem apesar das mudanças. Eu,
que sou um idiota, e por ser isso sirvo de exemplo, pois posso ser tanto um
cretino quanto uma flor — o que mostra a ambiguidade da palavra, confusão à
qual o número não se presta sob nenhuma desculpa —, e porque defendo a
necessidade de dar o pontapé inicial no Movimento Sistemológico Solar para
superar os traumas keplerianos e os complexos herdados dos séculos passados,
guardo para mim o riso que me causa ver na Internet a defesa a todo custo desse
antigo sistema sistemológico que, se em sua época
nasceu para revolucionar, atualmente é o sistema mais reacionário que conheço.
Ignoro por que os astrônomos não cumprem sua função e não processam a montanha
de dados com a qual, se Kepler e Newton tivessem trabalhado, a imagem final do
sistema herdado já teria passado a engrossar a longa lista de erros —
necessários como um passo adiante, mas inimigos da Civilização por sua recusa
em passar para a história melhor.
177. Mas o fato de uma resposta poder ser inequívoca não
significa que ela não deva ser complexa. Tudo dependerá do modelo com o qual se
trabalhe. Se o raciocínio se chocar com uma inteligência ancorada na imagem
arquetípica que identifica os planetas com bolas de gás, acabará-se chegando à Ponte dos Suspiros, para escrever sobre as águas um melancólico:
“Pobrezinho!” Superado esse problema e partindo do princípio de que o banco de
dados à nossa disposição torna impossível manter ativa uma resposta obtida a
partir de uma série de dados sem peso aos pés da montanha de conhecimentos, do
cujo cume voltamos a contemplar o Universo, o Cosmos e o Sistema Solar, a
decisão é nossa, e nas nossas mãos ficou o processamento desse acúmulo de
parâmetros cuja igualdade final, e, por se basear em uma nova série de dados,
por lógica deve colocar diante de nossos olhos uma Arquitetura Estelológica Local em relação à qual — sem renegar o foto-finish kepleriano — esta Sistemologia Finística Aplicada não pretende ser mais do que o
ponto de partida e jamais o ponto final para a questão central desta Seção: por
que a velocidade do Sol é estável e se desvia da lei da gravitação universal,
segundo a qual, à medida que o Sol se aproxima de um sistema astrofísico, deve
dobrar sua velocidade em função da distância?
178. Percebe-se que, pelo simples fato de sua
complexidade, uma resposta não deixa de ser simples. É preciso situá-la em seu
verdadeiro contexto. Esclarecer a natureza do problema que ela encarna. Definir
qual lei a suscita. Abrir espaço e traçar na tela de nossa inteligência a
natureza da questão para a qual buscamos resposta. Há um momento em que são os
especialistas que devem intervir, pois são eles que possuem esse banco de dados
cujo processamento permite demonstrar ou refutar, se for o caso, a integração
do Sol em um aglomerado estelar, mais ou menos aberto e mais ou menos populoso,
em função da arquitetur e gravitacional a que esses
dados dão origem. Consideremos uma nova ampliação estelológica local de 20 anos-luz:
179. Quantos aglomerados estelares abertos poderiam nos
servir de modelo astrofísico? Obviamente, estamos falando de uma verdadeira
revolução no nível da conceituação sobre o que é um aglomerado estelar. Será
necessário descartar conceitos antigos e trabalhar a partir dos sistemas
binários até abrir, no espaço universal, campos gravitacionais regionais,
dentro dos quais os astros se comportam como átomos dentro de uma molécula
astrofísica. Isso explicaria a razão da constância óptica das formações estelares no firmamento, a constância nas distâncias e
velocidades dos sistemas estelares dentro da Rede Universal Láctea, e nos
colocaria diante de um Universo que se comporta como um Corpo Cristalino,
alimentado por correntes gravitacionais, em função das quais o consumo da
energia total se mantém ao longo do tempo dentro de uma faixa de máximos e
mínimos. Daí as flutuações nas intensidades luminosas estelares. Isso implica
Deus, é claro, mas neste Sistema Cosmológico Deus é dado como certo; portanto,
vamos já apontar a resposta local ao problema da constância da velocidade do
Sol.
180. Neste momento, preciso me corrigir, depois de ter
destacado o ponto verdadeiramente importante: a existência do Sol como membro
de um sistema sideral; meu próprio pensamento me leva a definir a transformação
da massa planetária em Mecanismo de Correção da Órbita Solar, por cuja ação a
Força Centrífuga a que o Sol está sujeito em resposta ao Movimento de seu
Sistema dentro de um Campo Gravitacional Cumulativo é anulada e passa a estar
sujeita a uma constante específica. Se antes eu disse que “Não temos mais do
que transformar a massa total da família planetária em massa de arrasto, e já
teremos o freio estabilizador da velocidade de cruzeiro do Sol”, agora penso
que essa transformação concentra seu peso na Equação Corretora da Órbita do
Sol, pela qual, como já disse, a força centrífuga a que o Sol está sujeito é
vencida por meio da transformação da massa planetária em Controle de Direção
por Mecanismo Remoto. (Se alguma objeção vier à sua mente, imagine correr
impulsionando apenas o próprio corpo e, em seguida, repita a mesma operação
carregando um saco de areia nas costas. Isso, para começar. Mas antes de
colocarmos nas costas não o Globo, à semelhança daquele titã, mas os nove
planetas com seus satélites e os cinturões de anéis solares, antes de pegarmos
a alavanca para mover o universo, vocês terão que abandonar o lastro da visão
decadente dos planetas como imensas bolas de gases flutuando entre os fios
eletromagnéticos do campo do Sol).
181. Quero insistir nesse tema porque acredito que seja
importante. A afirmação acadêmica de que os planetas são bolas de gases
comprimidos sob pressão gravitacional é um desses argumentos pseudocientíficos
primitivos, típicos do fundamentalismo do século XX, que não se sustentam de
forma alguma por si só, mas que permanecem no século XXI como símbolo da
submissão das universidades ao gênio do ateísmo científico. Até quando a
idiotice e o gênio continuarão lado a lado, como as duas faces da mesma moeda?
Não é algo fácil de afirmar. Até ontem mesmo, por exemplo, Marte era uma esfera
de gás, assim como Vênus, Mercúrio, Júpiter, Saturno e os demais membros do
nosso Sistema Solar. E assim continua sendo descrito nos manuais elaborados
pelas mentes mais prestigiadas do planeta para consumo das massas. As fotos e
as expedições a Marte e seus vizinhos servem-nos de prova ao abordar esse tema
— o da absurda visão gasosa dos planetas. No entanto, as provas não são
suficientes para apagar dos manuais de Astronomia e dos livros de Ciências
Naturais essa vergonhosa mentira. É, portanto, engraçado a ponto de parecer
palhaçada ver os eminentes gênios dos observatórios astronômicos de todo o
mundo continuarem pregando o evangelho da natureza gasosa dos planetas. Devem
ter alguma razão oculta para confessar com os lábios o que seus ouvidos
consideram heresia. Ora bem, se houver algum super sábio eminente em alguma das universidades do mundo capaz de demonstrar que
Marte é uma bola de gás, que não fique parado e nos exorcize; , cumprindo a
vontade desse mega-deus, para o Tártaro dos tolos
iremos. É uma vergonha alheia — digo eu — ver nos manuais de Astronomia
palavras que só na boca de um idiota poderiam ser desculpadas; vergonha alheia
porque quem as escreve são todas eminências, titulares de cátedras e coisas do
gênero. Será que o século XXI merece a mente típica de um tolo como mestre e
guia do conhecimento do universo? A questão continua sendo: sob que tipo de
filosofia concederemos voz a uma cosmologia suicida, sabendo que seus efeitos
sobre as nações, desta vez com meios de destruição infinitamente mais
mortíferos ao seu alcance, serão os mesmos? Lembremos que Satanás não matou com
a espada, mas com a palavra, pois, embora ainda haja quem não acredite nisso, a
arma definitiva, para o bem e para o mal, é a palavra. Como acreditar, então,
nos dias de hoje, que Plutão seja uma bola de gás? A esta altura, é preciso ser
um verdadeiro ignorante para ensinar tal absurdo, e um idiota para acreditar
nisso. Para quem escreve e quem lê fora desse círculo mortal típico do século
XX, o que nos interessa agora é descobrir como a soma da massa planetária total
entra em jogo na hora da estabilização corretiva da velocidade de cruzeiro do
Sol. Voltemos, então, ao problema em questão, pois em outra ocasião as próprias
circunstâncias nos levarão de volta às entranhas desse buraco negro, em cujo
ventre lavam os cérebros da juventude mundial, nos quais, contra a natureza,
escreve-se que os planetas são bolas de gás. E eu sou a Chapeuzinho Vermelho,
está claro.
182. Retomemos, então, o fio da meada. Navegando à
velocidade de cruzeiro X, temos, entre as constelações dos Céus, uma estrela
chamada Sol. O atrito desta nave contra a superfície de voo é insignificante
para frear sua velocidade; e, o que é mais natural, o impulso da força
centrífuga a que sua órbita está sujeita impulsiona esta nave para fora do
campo gravitacional ao qual pertence. Nosso problema é saber por que sua
velocidade de aproximação em relação à estrela para a qual se move não aumenta
com o passar do tempo. Independentemente de o Sol voar em linha reta ou seguir
uma linha curva, enquanto ele navega no espaço interestelar, as distâncias
entre ele e o ponto aparente de aproximação diminuem. Isso é óbvio. E, à medida
que a distância entre o Sol e o ponto aparente de aproximação diminui, a força
de atração entre o Sol e esse ponto estelar aumenta. A lei da gravidade é que
prevalece. À medida que a atração entre o Sol e o sistema estelar de referência
pontual aumenta, a velocidade de aproximação também aumenta. Consequentemente,
a velocidade de cruzeiro do nosso Sistema aumenta. E continua aumentando.
Quanto mais curta se torna a distância entre dois astros, maior se torna a
velocidade do menor dos dois. Podemos estar falando ou não do Sol. Seja o Sol o
astro maior ou o menor do par em questão, o fato é que ocorre uma variação em
sua velocidade de cruzeiro. Mas, já que estamos falando do Sol... vamos falar.
183. Acredito que a distância do Sol ao sistema estelar
mais próximo seja de alguns poucos anos-luz. Próxima Centauri fica a cerca de quatro anos-luz do Sol. Já foram descobertas estrelas ainda
mais próximas. Pela velocidade com que o Sol se move, cerca de 600 quilômetros
por segundo, a colisão entre o Sol e o sistema de Próxima Centauri,
contando a partir de agora, ocorreria daqui a aproximadamente 500 anos.
Perguntamo-nos agora, sem rodeios: há quantos milhares de anos o Sol vem
navegando entre as constelações dos céus? E desses milhões de anos durante os
quais a vida na Terra seguiu seu curso sem sofrer uma alteração letal, não
podemos deduzir a estabilidade da velocidade de cruzeiro do Sol? E não temos o
direito de acreditar que a velocidade do Sol é uma constante? E, sendo uma
constante, essa constante não nos obriga a corrigir a fenomenologia da
gravidade, não tanto como lei, mas quanto à sua natureza? Destaco este trecho
especificando que minhas questões buscam abrir caminhos, jamais fechá-los. Na medida
do meu conhecimento, faço o possível para sintetizar, a fim de enxergar o
processo a partir de uma perspectiva dinâmica. Não
aceito em minha mente o “foto finish” kepleriano e,
se há algo a que eu comparo o movimento dos planetas ao redor do Sol, é a uma
corrente elétrica que passa por uma barra de metal, do tipo solenóide.
A própria angularidade das órbitas projetadas em um espaço tridimensional expõe
a necessidade de um voo em ondas de corrente, onde o Sol ocupa o lugar da barra
de metal. Mais ou menos assim:
184. Partindo dessa imagem, a questão tridimensional se
simplifica e é possível deduzir as irregularidades nutacionais de algumas órbitas externas. Em outra seção, dedicada exclusivamente ao Sistema
Solar, voltarei ao tema tentando definir melhor a imagem por meio da
incorporação de dados físicos. Não pretendo, com essa imagem solenoidal, senão
deslocar a imagem congelada no tempo que circula desde os tempos de Kepler,
Galileu e Newton, e que se tornou uma barreira nos dias de hoje, um ídolo
barato diante do qual todo mundo se acredita um gênio e, dobrando os joelhos,
volta tranquilo para casa porque já sabe de tudo.
185. A Academia, sempre tão brilhante, sabe encontrar a
cada momento a explicação que mais lhe convém para manter intacta sua glória
diante das críticas do futuro. E é que, ao que parece, o Sol navega seguindo
uma trajetória atípica, de tal forma que evita o contato gravitacional com as
demais constelações. Fingindo ignorância ao estilo daquele Sócrates que só
sabia que nada sabia, mas sabendo de tudo, a Academia proíbe as universidades
de apagar dos manuais de astronomia as falsidades nas quais se baseia sua ideia
sobre o Sistema Solar e seu lugar no Universo. Pois é claro que, se o Sol não
segue uma trajetória natural para um corpo sujeito à lei da gravidade
universal: que tipo de trajetória o Sol traça entre os demais sistemas
estelares de sua vizinhança? O cálculo simplório que fiz acima em relação a
Próxima Centauri pode ser extrapolado para os últimos
quinhentos milhões de anos; e, considerando que o Sol esteve quinhentas mil
vezes à beira da colisão, o fato de isso não ter ocorrido me dá motivos para
descartar a ideia ingênua de um Sol solitário, que não pertence a nenhum
aglomerado. E isso deveria fazer com que vocês parassem de repente e, olhando
para cima, sentissem sob seus pés as vibrações do motor estelar. Perguntem a si
mesmos como é possível que o Sol, nos milhões de anos em que vem navegando a
600 km por segundo, não tenha colidido com nenhum desses senhores de sua
vizinhança. Não lhes parece lógico pensar que ele não poderia nem pode,
simplesmente porque o Sol pertence a esse aglomerado? Insisto na imagem:
186. Na verdade, essa é uma pergunta interessante, que,
pela simplicidade de sua formulação, pode soar como uma trivialidade sem
importância. Erro grave. Ou será que o passageiro que embarca no avião não se
interessa nem um pouco pela mecânica da aeronave, sabendo, como sabemos, que se
arrisca a vida no ar? Não é o Sol, em sua totalidade, uma nave eternamente no
ar, repleta de passageiros? Quanto à manutenção da velocidade autônoma da nave
solar, podemos deduzi-la por meio da transformação da fenomenologia fotosférica
solar na queima do combustível necessário para mover um corpo no espaço. Em que
as grandes erupções solares diferem do jato do reator que impulsiona uma nave
na direção oposta à sua emissão? Ambos os fenômenos não estão sujeitos à mesma
lei de ação e reação? Suponhamos, por um momento, que seja assim. E, uma vez
que conhecemos o ciclo de onze anos que rege a temperatura do corpo fotossférico solar — já que esse ciclo de aquecimento fotossférico está sujeito a um ciclo estável —, não
poderíamos deduzir, a partir de sua constância, a mecânica de propulsão
controlada que rege a velocidade de cruzeiro do Sol, mecânica essa, por sua
vez, sujeita à lei de transformação da energia gravitacional em energia
luminosa? A resposta é difícil, mas não impossível.
187. Consideremos a reação do Sol à passagem do cometa Hale-Bopp. Vocês se lembram? A extraordinária erupção
observada na superfície solar imediatamente após a passagem do cometa Hale-Bopp não é um fenômeno suficiente para nos abrir a
compreensão sobre a conexão entre temperatura, densidade gravitacional e
velocidade de transformação, neste caso provocada por uma frente de onda com
cabeça sólida? E se a conexão entre a passagem do Hale-Bopp e a extraordinária erupção observada é um fato científico, como continuar
mantendo, dentro dos mesmos parâmetros de comportamento, a relação entre o Sol
e os planetas, quando um corpo minúsculo é suficiente para acelerar, por um
tempo x, a velocidade de transformação de uma estrela inteira!
188. Um dos pilares básicos do desenvolvimento do
pensamento humano refere-se à busca das causas a partir dos efeitos observados
e, inversamente, à descoberta dos efeitos a partir das causas dadas. Graças à
capacidade da inteligência de valer-se dos instrumentos da lógica, a aventura
do pensamento pôde atingir patamares inesperados. Mas, com o passar do tempo e
muitas conquistas, os pensadores que em sua época foram revolucionários
cometeram o crime nefasto que se define por eliminar a causa originária do efeito
observado, sob a alegação de que a descoberta não se coadunava com seus
interesses subjetivos e emoções irracionais. Tendo o século XX se perdido na
teia de um ateísmo científico que apagou causas e opôs razões à lógica da
realidade, é de se acreditar que os herdeiros daqueles gênios saibam como
distorcer o caminho entre efeito e causa e conduzir os ignorantes ao abismo de
uma irracionalidade ultrapassada. Pois, por mais difícil que seja acreditar, a
Ciência tornou-se ateísta para provar a si mesma que sabia mais do que Deus. O
fato de ter encerrado seu discurso às vésperas da Grande Guerra não a fez
refletir, durante a Guerra Fria, sobre a patologia na qual sua inteligência
havia levado sua lógica. Sua patologia chamava-se ateísmo. Mas voltemos ao tema
do nosso Sistema Solar.
189. O primeiro a pensar em todos os fatores a serem
levados em conta no que diz respeito à estabilidade dinâmica do Sistema Solar
foi o Engenheiro que concebeu sua criação dentro de uma rede molecular
astrofísica chamada Céus. A maior dificuldade que Deus tinha de superar era
representada pelos milhões de anos que a evolução da árvore das espécies exigia
para seu nascimento e crescimento. Se, no caso da criação da biosfera, os
processos podiam ser acelerados sem causar nenhum conflito científico, no caso
da vida a regra era — e continua sendo — bem diferente. No campo da vida,
digamos assim: as leis são mais rigorosas. Os milhões de anos que a evolução da
vida na Terra exigiam de Deus, por necessidade, tinham que colocar diante dele
um complexo sistema de equações sistemológicas. Entre
elas, como manter constante a velocidade de cruzeiro do Sol no espaço e no
tempo, e como dotar seu Sistema de uma rota de voo tal que ele planasse entre
as constelações sem se integrar aos seus sistemas, foram os dois grandes e
principais desafios que sua Inteligência teve de superar. E, buscando aqui como
ele fez isso, é nisso que estamos.
190. A autonomia de voo que a natureza das estrelas lhes
proporciona, por serem transformadoras de energia em luz e calor — fenômeno
muito semelhante ao comportamento de uma partícula excitada, que se defende
irradiando uma subpartícula —, é um aspecto que
implica a necessidade de corrigir a hipótese do movimento astrofísico a partir,
e somente a partir, da lei da gravidade universal. Não se nega essa lei;
simplesmente se corrige sua definição. Se até agora a lei era a única força, a
partir de agora temos uma mecânica de transformação de energia, cujos efeitos
geram a autonomia de propulsão necessária para manter constante a velocidade do
Sistema. Nesse sentido, a fenomenologia da fotosfera solar nos serve de quadro
de referência a partir do qual podemos ativar a imagem de um astro como uma
nave propulsionada autonomamente por meio da transformação de sua energia no
combustível necessário para manter o impulso inicial. Outra coisa será se, em
sua irracionalidade científica, a Academia quiser negar a aplicação da lei de
ação e reação às fulgurações estelares e à velocidade sideral. O autor não vê
como tal negação possa ser demonstrada e, consequentemente, prefere prosseguir
com sua exposição sobre a relação entre os planetas e a rotação do Sol durante
sua trajetória entre as constelações que marcam sua órbita.
191. Imaginemos o seguinte cenário. Temos o Sistema no
qual vamos cultivar a Árvore da Vida. Sabemos com certeza que, desde o momento
em que a plantarmos até que ela nos dê seu fruto, deverão se passar milhões de
anos naturais. Também sabemos que o desenvolvimento da Vida exige que a
Natureza mantenha sua Estrutura nas condições que lhe são próprias. O que
significa e que devemos evitar a interferência de fatores cosmológicos externos
no processo evolutivo. Isso nos obriga a proteger o Sistema Biosférico de tal
forma que, sem deixar de estar dentro de um Universo, a existência desse
Universo não represente para ele a criação de uma interferência letal. Como
fazer isso? A própria velocidade de cruzeiro do Sol, cerca de 600 quilômetros
por segundo, e sua sujeição à lei da Gravidade indicam que, com o passar do
tempo, essa velocidade deve aumentar, o que é exatamente o que não queremos. E,
consequentemente, isso nos obriga a dotar o Sistema Solar de um freio de
segurança que atue automaticamente e seja acionado em resposta ao aumento de
sua velocidade. É isso que se busca. Vejamos quais soluções práticas nosso
Criador encontrou.
192. A primeira solução prática era lógica: carregar a
nave solar de tal forma que a aceleração gravitacional fosse freada pelo
trabalho de deslocamento e obrigasse a nave a transformar essa aceleração
exógena na força necessária para realizar o trabalho de deslocamento da carga
de frenagem. Dessa forma prática, a nave solar manteria sua velocidade de
cruzeiro sempre constante, ao mesmo tempo em que superaria a tendência inercial
de aumentar sua velocidade com o tempo. Mas vamos transferir esse caso para o solo.
Imaginemos que temos o carro abastecido com combustível. O tempo durante o qual
o carro permanecerá na estrada dependerá, além da velocidade atingida, do peso
com que o carregarmos. Se carregarmos o porta-malas ao máximo, reduziremos o
tempo de funcionamento que o tanque pode proporcionar. A esse tipo de freio
chamaremos de exógeno.
193. Mas agora imaginemos um tipo de freio exógeno ainda
mais sofisticado. Imaginemos que, à medida que a máquina percorre uma distância
maior, a carga no porta-malas multiplique seu peso. Não chegaria o momento em
que a máquina seria freada, esmagada sob o peso adquirido por esse freio
exógeno? A questão é: o Sol está dotado desse tipo de freio exógeno, de tal
forma que o peso dos planetas se multiplica pela energia potencial adquirida
durante o tempo decorrido? E, inversamente, não é por essa lei do aumento da
energia potencial e sua transformação em peso que é freada a tendência do Sol
de se comportar de acordo com a lei da gravitação universal?
194. Se as ideias sobre a natureza dos planetas são
falsas, os números também devem sê-lo. O que me leva a afirmar que não se
chegará a lugar algum enquanto a ditadura da cosmologia do século XX continuar
impondo sua lei dogmática e seu absolutismo racionalista à inteligência do
século XXI. Até ontem mesmo, Marte — como disse antes — era uma bola de gás.
Portanto, se tivermos que esperar que as sondas cheguem a Plutão para traduzir
seu corpo em massa geofísica, sentemo-nos e esperemos que a morte chegue; a morte
chegará antes do que a sonda a Plutão. Assim que os cálculos corretos estiverem
sobre a mesa, então poderemos começar a trabalhar com fatos e não com razões
impostas com base em prêmios. Deixando de lado, portanto, a crítica destrutiva
contra tais gênios, continuemos viajando a bordo da nave solar e continuemos
nos fazendo perguntas.
195. O Sol está se aproximando de um sistema estelar e,
consequentemente, sua aceleração vai disparar, mesmo com o freio exógeno em
ação. Como vamos superar esse novo problema? No jogo imaginário que criamos,
estamos no comando, pilotamos a nave e, portanto, seu futuro depende de nós. O
que devemos fazer agora é pegar o volante e virar, por exemplo, para a
esquerda. Ou isso, ou colidiremos com os astros do sistema estelar para o qual
a lei da gravidade nos arrasta. Talvez não amanhã nem depois de amanhã. Dá no
mesmo. Nossa missão é encontrar uma maneira de provocar a manobra que nos
levará para longe da colisão inevitável contra o sistema que, com sua
gravidade, tomou o controle dos comandos da nossa nave. A primeira coisa que
nos ocorre é procurar o volante. Onde ele está? Pois ele existe, sem dúvida.
Milhões de anos e o Sol ainda em rota são a melhor prova de que Deus dotou a
nave solar de um freio exógeno — que são os planetas e o jogo de energias que
os movem — e de um volante que é acionado por um programa de controle remoto
que, , vence a invencível aceleração interconstelacional,
obrigando a nave a girar. Minha inteligência me leva a olhar ao meu redor e me
perguntar: que tipo de força endógena é capaz de fazer com que o Sistema Solar
se comporte como uma nave pilotada por um capitão inteligente? Para tornar
possível essa rotação que o Sol vem executando desde o alvorecer dos tempos e
sem cujo mecanismo a nave teria se integrado a qualquer sistema estelar da
vizinhança: com que tipo de mecânica autônoma Deus dotou o Sol?
196. Como ontem e como sempre, levanto meus braços ao meu
Criador e dedico a Ele a alegria que desperta em minha inteligência minha
admiração pela resposta que Ele me deu a esses problemas. O programa de
controle remoto de rota chama-se Alinhamento Interplanetário. Criado o freio
exógeno, para que serve um freio se não há um pé para pisá-lo? A essa ação do
pé sobre o freio chamaremos de Mecânica Endógena de Giro. Se a ação exógena de
frenagem surge como resposta do Sistema em seu conjunto ao meio universal, essa
ação do pé sobre o freio surge como resposta dos planetas ao comportamento do
Sol. Mais ou menos. Mas antes de abordar o efeito dos alinhamentos planetários
sobre a trajetória solar, neste momento gostaria de trazer à memória a
multiplicação da força do braço debaixo d’água e a redução do peso de um corpo
nesse mesmo elemento. Não pensem que faço isso para despistar. Pelo contrário,
faço isso para revelar o ambiente natural no qual se desenvolve o jogo de
forças naturais em nosso Sistema.
197. Pensem que o peso de um corpo está diretamente
relacionado à gravidade. Uma pedra de um quilo tem a mesma massa na Terra e na
Lua. E essa mesma pedra não tem a mesma massa na água e fora dela? No entanto,
elas têm o mesmo peso? Não é verdade que não? Agora, vamos aplicar essa
realidade ao próprio Sol. Isso sem pretender nos equiparar, em visão, ao gênio
que buscou uma alavanca para mover o universo. Imaginemos, então, que colocamos
o Sol em uma extremidade da alavanca, nós nos colocamos na outra extremidade e
cabe a nós movê-lo. A primeira coisa que devemos nos perguntar é qual é o valor
da gravidade no meio em que nos situamos. Embora pareça um truque, quanto menor
for a gravidade, menor será o peso do corpo e maior a eficácia da força do
braço contra a alavanca. A dedução é óbvia. O peso do Sol e de qualquer corpo
celeste varia de acordo com a interação gravitacional do momento. Isso de um
lado. Do outro, que, ao contrário do Sol, os planetas do nosso Sistema se movem
em um meio gravitacional estável e, portanto, mantêm a igualdade entre a força
que desenvolvem e o peso que podem levantar.
198. O Alinhamento Planetário, total ou parcial, múltiplo
ou simples, atua como um braço, e sua ação sobre o Sol é a do braço contra a
alavanca. A equação sistemológica afirma que a
aceleração solar é freada pelo programa regulador em que Deus transformou o
alinhamento planetário. Os planetas transformam o peso do único corpo em que o
Alinhamento os converte: em força; e, como toda força tem, por natureza, a
função de realizar um trabalho, o trabalho que executam é provocar o ângulo de
rotação de que falávamos e mantê-lo constante. Este, de fato, é o volante que
estávamos procurando.
199. Quanto à descrição físico-matemática dessa nave
estelar guiada por controle remoto em voo autônomo no seio das constelações dos
Céus, deixo-a para outro mais versado em números, incógnitas e outras equações
complexas. Destacando sempre as alinhamentos planetários, tanto parciais quanto
totais, no quadro da Sistemologia Astrofísica
Aplicada, os primeiros atuando como um contrapeso à velocidade, e os segundos
como o deslocamento da proa do Sistema em direção ao hemisfério a partir do
qual a carga é realizada. Em suma, antes de semear nas águas do grande oceano a
semente da árvore das espécies, foram muitas as equações que Deus teve de
resolver.
200. Concluindo: Tudo ainda está por ser resolvido no
nível dos dados finais. As ideias são a antecâmara das pesquisas. E, nesse
contexto, quis retocar minha primeira ideia sobre a relação entre os Planetas e
o Sol no seio de um campo gravitacional compartilhado, no qual, assim como o
próprio campo solar é causa de uma força centrífuga que repele os corpos e
produz os anéis de asteróides externos; estando
integrado ao Sol em um campo multiestelar, cujo
centro é gravitacional — como se disséssemos que é um ponto de referência em
torno do qual ocorre o movimento cumulativo —, esse centro é a causa de uma
força centrífuga geral, que o Sol supera por meio da massa planetária geral que
corresponde ao seu sistema. O que nos leva, finalmente, a uma estrutura de Engenharia
Astrofísica tão perfeita que abandoná-la ao caos é, pura e simplesmente,
próprio de um gênio incapaz de compreender o complexo edifício de equações que
Esse Engenheiro Divino resolveu no início, e, como não é capaz de aceitar o
fracasso por não conseguir, por si só, emular — se não em três dimensões, pelo
menos no papel — a Ciência infinita dessa Inteligência Criadora, opta pela
alternativa do louco: Deus não existe. Que os astrônomos e matemáticos deste
século tomem nota disso.
201. As coisas, portanto, são o que são, e não o que
parecem; embora, às vezes, o que pareçam ser seja o que são. Estamos falando de
uma quantidade indefinida de milhões de anos, período durante o qual o sistema
biosférico exigia sua integração em uma estrutura astrofísica estável. Até o
momento, as quantidades de tempo para as sequências geofísicas descritas não
entraram na narrativa. Deixei esses números para os desafios que, um a um, Deus
foi superando. E creio ter dito que, uma vez relacionada a Onipotência Criadora
com o conceito físico de potência, os cálculos naturais se queimam no Fogo,
congelam no Gelo, se afogam na Água e se evaporam no Ar. Em quantos milhões de
anos Deus reduziu a sublimação e o degelo do Manto de Gelo ao integrar a Terra
ao Sistema Solar por meio da parábola boreal? Se o degelo do Manto de Gelo
tivesse ficado exposto à distância correspondente à terceira órbita, quantos
milhões de anos teria durado o degelo?
SÉTIMA PARTE
CRIAÇÃO DOS CÉUS
CAPÍTULO 22. – O PRINCÍPIO COSMOLÓGICO GERAL
202. O objetivo e a meta da criação dos Céus e da Terra,
o Homem no fim do túnel do tempo: estamos vendo como Deus traçou a arquitetura
geral dos Céus e a especial da Terra, pensando nos milhões de anos que o
Nascimento e o Crescimento da Árvore da Vida exigiam para dar seu fruto. Porque
podia e sabia fazê-lo, Deus criou um Plano de relação entre os elementos da
Biosfera, com dois focos termorrefrigeradores principais nas extremidades da
Ecosfera e focos pontuais distribuídos pelos continentes, que são as
cordilheiras de neve perpétua. A forma como, a partir dos focos polares, as
correntes atmosféricas e oceânicas se reciclam e mantêm estável o termômetro
biosférico é uma obra de engenharia geofísica tão maravilhosa quanto
surpreendente, que envolvia a morfologia da própria litosfera. Como precisava
manter estável o termômetro ecosférico, Deus teve que dotar a Ecosfera de um
ângulo de rotação perene. E, como podia e sabia, criou o Substrato Ecosférico
Autônomo, graças ao qual, como já disse, o ângulo de incidência da energia
solar se manteria constante durante os milhões de anos que a Árvore da Vida
precisaria para dar seus frutos. Mas havia ainda mais, pois o Sistema Solar não
está isolado do restante da Criação e, estando em movimento e sujeito às leis
gerais do Universo, a inter-relação causava e poderia causar interferências que
prejudicariam o trabalho de tantos milhões de anos. Como isso era possível, e
Deus sabia disso, Ele não hesitou em empregar Sua inteligência e dotar o
Sistema Solar de um mecanismo de controle remoto de sua velocidade sideral, ao
qual chamei de Sistemologia Astrofísica Aplicada. E,
no entanto, tudo isso não era suficiente.
203. O Universo local, a Via Láctea, move-se no seio de
um Cosmos em que o movimento é a característica mais marcante. Pode ser que
entre as galáxias existam diferenças qualitativas e quantitativas, mas em todas
elas há um denominador comum: elas se movem. Dizer que se movem significa dizer
que interagem, se multiplicam, se dividem, se somam, se subtraem. A Criação é
movimento constante, avassalador, maravilhoso, surpreendente. Mais ainda, o
Cosmos retratado nas teorias do século XX e o Cosmos de Hubble se assemelham
tanto quanto uma foca a uma andorinha. No real, o de Hubble, não há movimento
homogêneo, não há distâncias padrão, não há padrões. O reino das galáxias é
pura diversidade, pura harmonia na descoberta do desconhecido, êxtase na
apoteose da capacidade infinita da matéria cósmica de se reproduzir no espaço e
entreter sem jamais entediar. Gênio espalhado aos quatro ventos, beleza que se
manifesta alegremente e não clama por ser a última moda. Desenvolvimento de
estrelas em aglomerados de aglomerados de trilhões de
astros que não se destroem nem entram em colapso; são como faróis nas
distâncias oceânicas. Galáxias que, como criaturas submarinas, viajam pelas
correntes cósmicas e, como águias, abrem suas asas e se deixam levar pelos
ventos intergalácticos. Onde está o Cosmos do Século XX?
204. De fato, a estrutura celeste que observamos em nosso
entorno imediato apresenta características muito típicas. Para que, no fim das
contas, o conjunto se resolva em uma arquitetura constelacional de defesa do coração astrofísico, a partir do centro do qual se define sua
configuração óptica especial. Pois, tal como podemos
contemplá-lo com nossos olhos telescópicos, o universo é percorrido por
poderosas correntes gravitacionais que deslocam grandes massas de nuvens de um
lado para outro, origem das nebulosas. Assim, ao nos revelar que “criou as
estrelas do firmamento para separar a luz das trevas”, Deus nos diz muito sobre
como a passagem da Terra por uma dessas correntes nebulosas afetaria o Sistema
Solar. E nos revela a natureza dos escudos constelacionais.
205. O texto bíblico é claro como a água. “Deus criou as
estrelas para separar a luz das trevas”, diz. No Primeiro Dia, é-nos dito que
Deus criou a Luz e a separou das Trevas. Neste Quarto Dia da Primeira Semana da
História da Humanidade, diz-se que, de fato, depois de separar a Luz das
Trevas, Deus criou os Céus para separar a Luz das Trevas. O Texto não poderia
ser mais direto. O fato de as conclusões que daí se derivam serem fascinantes
e, por serem maravilhosas, totalmente opostas à mentalidade do século XX, não
significa nada. A opinião do homem moderno sobre a Natureza do Universo não tem
importância. Não foi olhando para o homem moderno que Deus redigiu Sua
Revelação a Moisés. Quem não tinha importância para Deus também não pode ter
importância para Seus filhos. As conclusões a que chegaram não interessam a
este livro, nem as opiniões deles ao autor. Portanto, vamos prosseguir.
206. A estrutura do Universo da Revelação e sua resolução
no espelho da Realidade nos revelam, por analogia, o seguinte. A saber: o
Universo do Gênesis é a Via Láctea. E é sobre a Criação dessa Via Láctea que se
diz: “Deus criou os Céus para separar a Terra do reino das Galáxias”.
Necessidade física que se depreende do estudo dos Céus, e cujos fenômenos
revelam que, do outro lado dos Céus, poderosas correntes e ventos percorrem o
Cosmos. Lá estão as imagens astronômicas para falar com o poder de mil palavras
por foto. Sua beleza, no entanto, não deve obscurecer a clareza de nossa
inteligência na hora de interpretar os acontecimentos que são sua causa. A
função física que cumprem os aglomerados estelares que nos cercam é a de uma
rede que captura tudo o que a corrente arrasta e impede que as nuvens
intergalácticas penetrem no interior do sistema constelacional em torno do qual estão distribuídos. Fundementemos agora, com base científica, a declaração divina de que os Céus foram criados
para erguer, entre a Terra e o mundo das galáxias, uma barreira de proteção.
207. A descrição, portanto, do Espaço Cosmológico Geral
que herdamos nos apresenta um Universo-Galáxia que se move e interage com os
demais corpos por meio de leis gerais. O que se adequa perfeitamente à expansão
até o infinito da Matéria sugerida pela Ideia da Criação. A necessidade de
compreender por que Deus criou os Céus para proteger a Terra do Movimento
Cósmico Geral implica a resposta à relação entre Deus e essa multiplicação da
Matéria até o infinito. E a resposta a essa pergunta nos leva diretamente
àquela outra pergunta à qual, com sua teoria cosmológica, o gênio do século XX
quis responder, a saber: Antes do princípio, o quê? Questão que, por sua vez,
nos leva diretamente a nos perguntar qual foi o papel de Deus nesse Princípio
dos princípios e o que era Dele antes desse Princípio Cosmológico Geral.
Assunto que nos obriga a entrar na Teologia, mas sempre conservando a atitude
científica que, até agora, tem se mantido como linguagem de entendimento entre
a Criação e nós.
208. Antes da Criação houve a Não-Criação e, antes do
Criador, havia Deus. Deus se declara Eterno e, sobre Sua Idade, nada há a
dizer. Mas Ele também confessa: “Antes de mim não foi formado nenhum Deus, e
nenhum haverá depois de mim”. Assim, sabendo que Deus é Eterno e que, portanto,
a Formação de que fala não poderia afetar Sua Natureza, deduz-se que essa
Formação se referia à Sua Inteligência, que é a parte do Ser que cresce e se
desenvolve no tempo. Conclusão lógica que coloca, de um lado, o Conhecimento da
Ciência da Criação e, do outro, o Ser que possuía todos os Atributos Naturais
de Deus. Quando essas duas coisas se uniram e se tornaram uma única coisa,
então Deus tornou-se o Criador e a Realidade, sua Criação.
209. Quando e como ocorreu essa revolução cosmológica,
abordei na História de Jesus. Lá, entrei no tema da História da Não-Criação e
desenvolvi seus grandes momentos. Creio me lembrar de ter dito que o Criador se
tornou porque estava em Deus. Mais ou menos o que quis dizer é que, se a
Inteligência sem Poder não é suficiente para transformar a Realidade, tampouco
o Poder sem a Inteligência possui essa faculdade. E afirmei ali que o Poder
estava em Deus e a Inteligência na Força Incriadora,
Origem de todas as coisas. Lembro-me de ter colocado a Eternidade e o Infinito
diante de Deus, mas não em oposição a Ele. E de ter relatado essa relação não
criada ao falar da Infância do Ser Divino. E essa Infância sob a ótica da
revolução que levou Deus a se tornar a Origem de todas as coisas novas. Em
relação a esse processo, Ele falou de si mesmo dizendo que foi formado.
Processo de Formação que só pode ser compreendido como realizado pelo Infinito
e pela Eternidade, na medida em que são realidades não criadas que tinham em
Deus a estrela de tudo o que se movia e se fazia. E, uma vez que o Criador foi
formado em Deus, consumou-se a revolução que faria de Deus, do Infinito e da
Eternidade uma única coisa. Em linhas gerais.
210. Dessa revolução ontológica que integrou Deus,
Espaço, Tempo e Matéria surge o conceito de Princípio Cosmológico Geral, ou
seja, o acontecimento que marcou um Antes e um Depois. Pensando nisso, os
gênios do século XX falaram de um Big Bang, e eu, na História Divina, parti de uma atividade
criadora natural na qual Deus transformou a Realidade a partir da própria
estrutura da Realidade. Ou seja, houve a destruição de um cosmos anterior e a
transformação desse cosmos em um novo, que, como tudo o que começa, partiu de
um acontecimento ou Princípio Cosmológico Geral. Princípio Cosmológico Geral
que marcou de forma irreversível o Antes e o Depois. A questão é como Deus deu
origem a esse Princípio, do qual o início do nosso Universo, em especial, é um
fragmento da sequência histórica que pôs em movimento aquele Acontecimento.
211. A resposta a essa questão exige que se fale das leis
fundamentais do Movimento de Multiplicação da Matéria Cósmica, que vinham
atuando desde a Eternidade. Só que, ao contrário do Cosmos Não Criado, que
envolvia o Infinito nessa Multiplicação, ao ter o Movimento sua Origem em Deus,
esse Movimento foi revolucionado e realizado por campos que transformam a
matéria em energia cósmica e essa energia cósmica em matéria astrofísica. Para
compreender essa fenomenologia, recorramos à natureza quântica da matéria
atômica.
212. Tanto no âmbito das observações em laboratório
quanto em aceleradores de partículas, a reprodução da matéria tem sua origem no
aumento da energia dinâmica que transforma a relação da partícula com o campo
no qual ela se move. Desde o próprio surgimento da física quântica, observou-se
que o aumento da massa exige o aumento da energia cinética, relação que
Einstein tentou expressar em sua célebre equação da energia. Mas se, no átomo
em seu meio natural, ao aumento de sua velocidade a partícula responde transformando
a diferença em massa — e o mesmo ocorre em um acelerador —, se retirarmos o
limite de velocidade da equação e procedermos à extração da partícula de seu
meio, conferindo-lhe as características da energia cósmica em voo livre em um
espaço sem referência eletromagnética: essa partícula continuará transformando
a diferença de velocidade em massa. Supondo que lhe atribuamos uma acumulação
de trajetórias até o infinito, já temos o salto da matéria quântica para a
astrofísica. Esse era o processo natural não criado.
213. Deus revolucionou esse processo ao concentrar a
trajetória em um campo onde o tempo matemático se curva e o espaço físico cai
em direção ao centro. Simulando um acelerador em anel de tal forma que, a
partir do exterior, crie uma espiral sobre a superfície de uma ampulheta, onde
cada fragmento mantém a velocidade de aceleração independentemente da massa: no
momento em que o feixe atinge o centro, ou seja, a boca da ampulheta, o feixe
salta para o outro lado por meio da explosão na origem das estrelas. Esse é o
fenômeno que chamo de Implosão Astrofísica, fenômeno que marca o nascimento das
galáxias e das estrelas.
214. Pois, como um astro individual pode dar origem a uma
quantidade ilimitada de feixes de energia cósmica, a reprodução da matéria até
o infinito é uma realidade que vem desde a Eternidade. O que diferencia essa
multiplicação até o infinito é que, antes, ela exigia o Infinito como pista de
transformação e, depois, o mesmo processo se reproduz em campos de espaço-tempo
desdobrados por Deus nas fronteiras do Cosmos. Isso torna o Cosmos um ente mais
massivo e confere ao Espaço Geral uma densidade de matéria mais elevada, razão
pela qual o Cosmos nos maravilha com novas criaturas galácticas a cada dia em
que o Hubble abre seus olhos. A Criação é contínua e sua expansão, constante.
215. Esse processo de multiplicação da matéria cósmica a
partir de um Princípio Geral Cosmológico pode ser comparado a uma reação em
cadeia que nunca termina e amplia seu raio de ação e extensão à medida que o
tempo avança, do centro em direção às fronteiras. Nossos olhos telescópicos nos
permitem admirar o movimento das galáxias dentro desse Espaço Geral Cósmico em
constante expansão. E também ajustar as leis da gravidade às criaturas
galácticas, cuja ação nos permite observar como elas se atraem e se acumulam;
lei clássica à qual devemos somar a lei das forças eletrodinâmicas, graças à
qual a concentração da massa total em um ponto é um impossível físico de se
alcançar. Razão extraordinária pela qual o movimento dos átomos de um gás
quente dentro de um recipiente é o que corresponde ao Movimento Cosmológico
Geral.
CAPÍTULO 23. – O ESPAÇO COSMOLÓGICO GERAL
216. A criação de galáxias como fenomenologia autônoma,
ativada por Deus por meio da alimentação constante do campo transformador da
energia cósmica em matéria astrofísica, nos leva diretamente a descobrir o
Cosmos como um campo de matéria-prima do qual Deus extrai a matéria necessária
para erguer Suas Obras. Entre elas, nosso Universo é uma delas. Não foi a
primeira, nem será a última. A palavra de Deus a esse respeito é firme: “Em
verdade, em verdade vos digo que o Filho não pode fazer nada por si mesmo, a
não ser o que vê o Pai fazer; pois o que o Pai faz, o Filho também faz. Pois o
Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que Ele faz, e lhe mostrará obras ainda
maiores do que estas, de modo que vocês fiquem maravilhados”. As implicações
teológicas não poderiam ser mais claras.
217. Mas por que um feixe de energia cósmica não cresce
até o infinito uma vez ultrapassado o limite da velocidade da luz? Sendo que a
origem da matéria astrofísica está no salto da energia cósmica e esse salto é
condicionado pela transformação da energia cinética em massa, por que, uma vez
criada uma trajetória que simula o vácuo, a transformação não continua até o
infinito? Um projétil disparado no vácuo não tende a atingir velocidade
infinita se o tempo que lhe for concedido for eterno? Por que, então, não
existe um corpo escuro de massa infinita? Em suma: que tipo de mecanismo de
segurança é que impõe limites ao salto da energia cósmica para a matéria
astrofísica?
218. A resposta vem da experiência. O salto até o
infinito colide com o ponto crítico de crescimento, ou Ponto de Implosão
Astrofísica, a partir do qual o corpo estelar transforma a energia que absorve
em luz. Dessa forma, mesmo que o sistema matéria-energia tivesse caminho livre,
o próprio peso dinâmico do processo criador o conduz a um ponto em que a
transformação em massa dá lugar à transformação em luz. E o ciclo continua.
Esse ponto crítico, portanto, está na natureza da matéria em geral e se mantém
ao longo de todo o percurso do salto, tanto do quântico ao sideral quanto do
astrofísico ao cósmico. Outra questão será determinar como esse núcleo duro, o
verdadeiro protagonista do salto interdimensional, funciona e em que medida
suas revoluções de trabalho se aceleram ou desaceleram. E assim outras
perguntas que dizem respeito ao salto criador em si. Como, por exemplo, o que
acontece quando a massa galáctica criada consumiu a energia do campo espaço-temporal. E outras coisas mais. Também observamos no
Espaço Cósmico Geral como as galáxias seguem o padrão natural de uma corrente
que sai pela boca de uma ampulheta em movimento em torno de seu eixo. Ao
compararmos os braços espirais com jatos de energia astrofísica lançados por
forças centrífugas para o Espaço Cósmico Geral, a gama de galáxias se abre para
a quantidade de energia concentrada em um determinado momento por um campo de
transformação. Além disso, se compararmos esses campos a redes nas quais a
energia cósmica flui em correntes alternadas, a gama anterior se abre em leque
diante de nós, e o que vimos até agora não passa de uma amostra do que está por
vir. As espécies galácticas crescem na eternidade até o infinito.
219. E, uma vez criadas, como se comportam as galáxias?
Como crescem, qual é a regra que dá forma à sua essência, como conservam a
energia cinética, qual é sua relação com o campo transformador e qual é a
relação entre esse campo e o campo gravitacional astrofísico? Seremos capazes
de deduzir, a partir do que vemos, algumas leis que nos ajudem a compreender a
natureza dessa árvore de criaturas estelares que é o reino das galáxias? Somos
capazes, por meio da combinação das leis físicas locais, de recriar as grandes
leis que regem o movimento no Espaço Cósmico Geral? Por que as galáxias não
obedecem à famosa lei da gravidade universal? Por que se comportam mais como
enxames de criaturas exóticas voando sem direção aparente, tendo como norte a
trajetória que o vento lhes traça? A partir do movimento browniano que
demonstram possuir, é possível ou não aplicar as leis da eletrodinâmica às
galáxias, em virtude das quais elas se repelem, colidem, se misturam, se
dividem, se multiplicam e permanecem sempre em movimento? O Movimento
Cosmológico Geral não ignora a natureza neutra do campo gravitacional
universal? E esse movimento constante dessas criaturas enormes que se deslocam
a velocidades fantásticas por um Cosmos de vocação eterna — que tipo de
correntes e ventos intergalácticos elas não produzirão? Não são as tempestades
nebulosas que arrasam nosso Universo Galáctico em seu caminho uma prova da
existência dessas correntes intergalácticas que, impulsionadas pelo Movimento
Cosmológico Geral, transportam, de um lado para outro, massas de matéria
cósmica, causadas tanto pela combustão de sistemas inteiros quanto por sua
existência anterior à criação do Princípio Cosmológico Geral? (Enfim, ao
abordar esse tema, as perguntas poderiam se acumular umas sobre as outras até
formar uma montanha. O fato de a Cosmologia do século XX ser onisciente e, ao
descobrir uma nova galáxia com seu gênio todo-poderoso, já poder atribuir-lhe
natureza, idade e distância é uma dessas maravilhas da natureza que devemos
submeter à análise, ao exame e ao julgamento crítico. Mas não neste livro).
220. Aqui convém afirmar que a Ideia do Universo veio
antes do Universo. Não se trata de dogmatizar nem de filosofar. Não é minha
intenção. Trata-se apenas de colocar em evidência uma realidade tão natural
quanto o fato de que o estudo do terreno é necessário antes de se erguer
qualquer obra de engenharia. E é que, conhecendo Deus as leis de sua Criação,
suas dimensões, sua fenomenologia e sua natureza, é lógico e natural que, ao se propôr a erguer uma Obra, Ele trace linhas e faça
cálculos pensando na influência do terreno sobre o futuro do edifício, neste
caso, astrofísico. Melhor do que eu, quem pode descrever com precisão esse
processo de estudo e reflexão anterior ao Ato Criador é o próprio Deus, que
inspirou a Salomão estas palavras sobre sua Sabedoria: “Yavé me possuía no
início de seus caminhos, antes de suas obras, desde a antiguidade. Desde a
eternidade fui estabelecida; desde as origens, antes que a terra existisse.
Antes dos abismos, fui gerada; antes que surgissem as fontes de águas abundantes;
antes que as montanhas fossem alicerçadas, antes que as colinas, fui concebida.
Antes que Ele criasse a terra, nem os campos, nem o pó primitivo da terra.
Quando Ele firmou os céus; quando traçou um círculo sobre a face do Abismo.
Quando condensou as nuvens nas alturas, quando dava força às fontes do abismo.
Quando fixou os limites do mar para que as águas não ultrapassassem seus
confins. Quando lançou os alicerces da terra, eu estava com Ele como arquiteta,
sendo sempre o seu deleite; regozijando-me diante Dele em todo o tempo”.
221. Com a Ideia na Mente e todos os cálculos resolvidos,
Deus dá início à Obra. No caso dos Céus, a primeira coisa que Ele fez foi —
segundo Salomão: “traçar um círculo sobre a superfície do abismo”. Ou seja,
demarcar o território, indicar o perímetro dentro do qual criaria os Céus. O
que significa especificar as dimensões da construção material pelo perímetro
que lhe é atribuído no Espaço. O raio e o diâmetro desse círculo, dentro do
perímetro do qual Ele planejou criar os Céus, não são números desconhecidos
para nós. A razão desse número, a partir do conhecimento da natureza do terreno
cósmico, é perfeitamente compreensível; sobretudo tendo diante de nossos olhos
o álbum de fotos que o Hubble nos oferece gratuitamente. Não nos esqueçamos de
que, embora a foto astronômica se limite a nos oferecer um instantâneo da
matéria no tempo, os fenômenos que ela retrata são tão semelhantes aos
fenômenos que observamos no mundo físico local que, por lógica, temos que
deduzir do conhecido o que ainda está por conhecer. As nebulosas não se
assemelham a tempestades atmosféricas? E não parece que ondas gigantes de
energia as levantariam e as lançariam contra os sistemas estelares do nosso
Universo?
222. Já entramos no cerne da questão. As galáxias geram,
no Espaço Cosmológico Geral, poderosas correntes e ventos. Estes se deslocam e
seguem as direções que lhes são marcadas pelas próprias galáxias. Mas não
estamos falando apenas de matéria nebulosa. Aqui é preciso combinar a lei da
curvatura da luz com o voo da energia cósmica. Melhor colocarmos de outra
forma. Partamos de uma imagem mais simples. Transformemos as galáxias em
canhões geradores de energia cósmica. Ao mesmo tempo em que a criam, elas a disparam
para o Espaço Cosmológico Geral. Não abolimos a velocidade da luz dentro do
campo galáctico; pelo contrário, mantemos seu limite. E enquanto segue seu
caminho, à medida que gira em busca de sua rota para fora da galáxia, o jato de
energia de uma estrela soma-se ao de outra, resultando, no final, na projeção
para o Espaço Cosmológico Geral, não de feixes, mas de correntes de energia.
223. Esse fenômeno de multiplicação e concentração da
massa de u
m feixe de partículas, criando uma corrente que se
comporta como um núcleo rígido, foi observado em aceleradores de partículas.
Verificou-se que a multiplicação quântica da matéria pela aceleração da
velocidade do feixe inicial não cria novos feixes dispersos, de modo que cada
um segue sua própria trajetória.
224. Fora do campo gravitacional galáctico, a aceleração
das correntes de energia liberadas pela galáxia tende a aumentar à medida que
se afastam de sua influência e a continuar crescendo à medida que se aproximam
da próxima galáxia. Nesse sentido, a fonte de origem, a galáxia, comporta-se
como o canhão no qual o feixe recebe sua energia inicial de voo cósmico, e o
Espaço Cosmológico Geral como o acelerador no qual o feixe se multiplica e gera
os núcleos duros criadores das correntes intergalácticas, na origem dos
deslocamentos da matéria cósmica nebulosa de um lado para o outro. Essas
correntes se movem no Espaço Cosmológico Geral da mesma forma que os rios
traçam seus leitos contornando os sopés das cordilheiras e se lançam em linha
reta quando o terreno o permite. A partir de nosso conhecimento hubbliano do Cosmos, podemos deduzir o número e a variedade
de correntes que se movem no espaço intergaláctico, a quantidade de energia que
transportam e as consequências sobre qualquer sistema que se cruze em seu caminho
sem proteção contra sua frente de onda.
225. A Criação de Deus nesta forma dinâmica e
estruturada, o Espaço Cosmológico Geral transformado em uma superfície sobre a
qual poderosos rios de energia cósmica traçam seus leitos — o destino final
dessas correntes é o Oceano! E esse Oceano, o que mais poderia ser senão o
campo criador externo, em cujo seio ocorre a transformação da energia cósmica
em matéria astrofísica? Mas antes de alcançarem seu destino, durante o trajeto
desde suas fontes — as cachoeiras de origem — até o Oceano que transforma as correntes
cósmicas em matéria astrofísica, essas correntes cósmicas se comportam como
verdadeiros ciclones. Assim como o rio em cuja corrente uma árvore velha cai e
é arrastada rio abaixo, da mesma forma as correntes cósmicas movem de um lugar
para outro a matéria nebular intergaláctica. E da mesma forma que o vento segue
seu curso ao se aproximar da montanha, mas descarrega sobre ela sua carga,
assim também os rios de energia cósmica fazem o mesmo sobre as galáxias que
contornam. Obviamente, não podemos detectar essas
correntes, mas podemos deduzi-las a partir de nosso conhecimento da matéria e
do que vemos com os olhos do Hubble.
226. Nosso Universo-Galáxia, a Via Láctea, se relaciona
com o restante da Criação seguindo os parâmetros desse Movimento Cosmológico
Geral. Visto de fora, nosso universo se comporta como a montanha sobre a qual o
cosmos descarrega suas nuvens e de cujas entranhas jorra uma nova fonte de água
eletromagnética que estende seu leito sobre o campo cósmico, recebe seus
afluentes intergalácticos e avança entre as galáxias até alcançar seu destino.
A origem das nebulosas está nesse jogo de interação, diante do qual — e
pensando em suas dimensões — Deus conferiu ao nosso Universo as suas próprias
dimensões.
CAPÍTULO 24. – ENGENHARIA ASTROFÍSICA DA CRIAÇÃO
227. A Inteligência Criadora se envolveu no jogo de ações
e reações ao criar um Universo concebido para resistir ao peso das correntes
cosmológicas. Ou seja, Deus ergueu a estrutura universal dotada de todos os
mecanismos físicos necessários para superar as consequências do terremoto que
sua própria criação viria a provocar. Deus também sabia que, assim como
soldados que caem na vanguarda do combate, muitos astros do exterior do nosso
Universo sucumbiriam sob o impulso das correntes intergalácticas. O que chamamos
de Novas e Supernovas são esses guerreiros que caíram em combate e se
desintegram em explosões fabulosas, que, por sua vez, são o berço dos cometas e
meteoritos que atravessam os Céus. Paremos, então, por um momento na origem das
novas e supernovas. E, a partir da quantidade de energia física que um núcleo
denso é capaz de liberar, dada a semelhança entre o espaço cosmológico geral e
um acelerador de partículas: se elevarmos o processo à dimensão astrofísica e
aplicarmos a lei da influência mútua entre campo e luz, temos que concluir que
um campo galáctico reage à ação de curvatura da trajetória das correntes
cósmicas, acelerando o ritmo de rotação de seu cinturão estelar externo. Vamos
aprofundar esse comportamento.
228. Assim como vemos na Criação de Deus, todos os
sistemas de um corpo galáctico somam seus campos e criam um campo geral que
reage como um todo diante do exterior. Já comparei anteriormente esse campo
geral a um oceano, com base na Revelação. Partindo dessa semelhança e da
comparação do campo universal com o volume contido em um copo de água, a ação
das correntes cósmicas sobre o campo gravitacional se traduz na reação da água
ao movimento da mão que introduz o dedo e o gira. Visto que todo corpo líquido possui
um movimento próprio, natural ao corpo que o contém, a aceleração proveniente
do exterior deve afetá-lo nas zonas externas, de onde se propaga para o
interior, se for o caso.
229. Naturalmente, nem todos os corpos de um sistema
reagem da mesma maneira diante de uma força externa. No caso dos sistemas
estelares, essa lei simples é algo cotidiano. E como a transformação da
gravidade em luz depende da velocidade de rotação do sistema — que é afetada
pelo encontro com as correntes cósmicas —, os sistemas estelares externos, ao
ficarem expostos à ação do dedo sobre a água, são constantemente acelerados;
reação essa que alguns astros suportam perfeitamente, enquanto outros não conseguem
suportar além de um limite crítico. Ao atingir esse limite, o freio de
segurança sistemológico se rompe e o sistema escapa
ao controle interno, rumando para sua destruição. O resultado é a explosão de
uma nova. Isso quando se trata de um astro individual. E se o astro desencadear
uma reação em cadeia que arraste todo o seu sistema para a destruição devido ao
calor gerado pela combustão acelerada da gravidade, falaremos de supernova.
230. É a experiência que fala. A foto que demonstra. E a
realidade que convence. Imaginemos que temos uma bola imensa; queremos fazê-la
girar empurrando-a, mas não conseguimos; chamamos mais pessoas para nos ajudar
e vamos nos unindo até forçá-la a girar. Assim que ela começar a girar, a força
necessária para manter sua rotação constante será menor, de modo que o efeito
dessa mesma força sobre a bola será maior à medida que sua velocidade aumentar.
Elevamos agora esse jogo simples à relação entre um astro e seu campo
gravitacional. E concordamos que a rotação de um campo gravitacional é semelhante
à de um corpo sólido no qual o astro ocupa o núcleo. Em seguida, comparamos a
ação da corrente cósmica sobre esse corpo com a da força da mão sobre a bola. E
já temos o efeito físico na origem das novas. Sempre concordando, antes de mais
nada, que a curvatura de uma corrente cósmica, como a da luz, não ocorreria se
essa corrente não tivesse massa. Se não tivesse massa, não teria peso; e se não
tivesse peso nem massa, o fenômeno da curvatura da luz não poderia existir.
Pois, do ponto de vista da óptica, é possível
comparar a curvatura da energia cósmica ao entrar em contato com um campo
gravitacional com a refração da luz. A trajetória dos cometas ao passarem pelo
Sol nos ajuda a descobrir a estrutura óptica da
curvatura que a energia cósmica descreve ao passar por um campo gravitacional.
Mas, se, ao contrário da energia cósmica, sua curvatura não se altera, no caso
dos cometas temos a resposta que transforma o campo gravitacional em uma
realidade que se comporta, para efeitos físicos, como um corpo. E, como tal,
gira com o astro ao qual pertence.
231. Sabendo-se que a idade das estrelas é medida pelo
tempo que levam para consumir a energia de seu campo gravitacional — processo
de consumo sujeito à velocidade de trabalho do transformador —, a lógica nos
leva a acreditar na existência de uma lei reguladora entre as rotações de
trabalho e o tempo de vida do sistema. A questão que aqui nos ocupa é como
acelerar as rotações de trabalho do transformador astrofísico até o ponto de
reduzir sua vida útil ao mínimo de tempo possível. A lógica nos diz que existe
apenas uma maneira, que é fazer com que o campo seja excitado até o infinito,
da mesma forma que o líquido contido em um recipiente transborda por ação
centrífuga. Não é essa a ação cumulativa das forças diante da grande esfera de
que falávamos? Pois estamos falando de correntes que se movem em resposta aos
estímulos dos campos galácticos e à excitação desses campos sob tais respostas:
o nível de excitação provocado será refletido na intensificação da produção de
luz. Quanto maior a excitação, maior a intensidade da produção e menor o tempo
de vida do sistema. Os fenômenos de intensificação cíclica e atípica dos
sistemas estelares devem ser relacionados a esse comportamento universal.
232. Resumindo: no caso das novas e supernovas, a
excitação refere-se ao aumento da velocidade de transformação até o infinito.
Fora de controle, os mecanismos naturais de frenagem dos sistemas
gravitacionais, a rotação do astro e do campo disparam e interagem até se
consumirem, reduzindo milhões de anos a uma questão de segundos. Se falarmos de
um sistema astrofísico simples, falaremos de Novas. E se for todo um sistema
múltiplo que entra nessa dinâmica, falaremos de Supernovas. Tanto as umas
quanto as outras ocorrem nos cinturões constelacionais externos, que são os mais expostos às correntes intergalácticas. Essas novas e
supernovas estão na origem dos cometas; os cometas são lançados como projéteis
de canhão que aumentam seu poder destrutivo à medida que acumulam espaço
percorrido.
233. E, para concluir: tendo em mente essas três frentes
de ação — nebulosas, novas e cometas —, Deus estruturou a distribuição constelacional em torno do Sistema Solar, simulando uma
rede gravitacional cristalina contra cuja solidez se desintegra o perigo de
interrupção da Evolução da Árvore da Vida na Terra. Os maravilhosos resultados
positivos à vista não devem obscurecer os olhos de nossa inteligência ao
percebermos que, de acordo com as dimensões astronômicas, Deus traçou aquele
Círculo sobre a Face do Abismo, do qual Salomão nos falou em sua Sabedoria. O
que o rei sábio e pacífico por excelência viu com os olhos de sua Sabedoria,
nós, graças a Deus, vemos com os olhos de nosso rosto. Aglomerados e
superaglomerados no cinturão externo, e aglomerados abertos e sistemas
múltiplos no interno, combinam-se nesta rede gravitacional cristalina e constelacional sobre a qual ainda há muito a ser dito.
Comecemos resolvendo o mistério da Origem dos Céus.
CAPÍTULO 25. – ORIGEM E CONSTITUIÇÃO DOS CÉUS
234. Entramos em uma das grandes questões: a origem das
estrelas do Firmamento. Acredito que a resposta já tenha sido esboçada nas
seções anteriores. A formação de estrelas, na medida em que constitui o
objetivo da existência das galáxias, tudo leva à transformação do Cosmos no
campo de matéria-prima do qual Deus extrai a matéria com a qual realiza Suas
Obras. Como a criação de galáxias é constante, a massa total de matéria-prima
que o campo cósmico coloca à disposição de Deus para realizar qualquer Obra não
tem limites. Outra questão é como Deus extrai essa matéria estelar e a
transporta de suas regiões de origem para o Universo. Nós, sabendo que a
maneira de fazer as coisas depende sempre do Poder de quem as faz, e que a
imaginação para fazê-las está em relação direta com a Inteligência daquele que
se propõe a fazê-las, podemos falar de grandes rios percorrendo as planícies
intergalácticas, conforme o Senhor das Galáxias julgar melhor e de acordo com
suas necessidades de trabalho. Que outro Nome poderíamos dar àquele que as cria
e as governa? Ou como submeteremos ao nosso critério as leis que as regem e as
formas de comportamento das galáxias e de seus mares de estrelas diante da ação
de seu Criador sobre seus corpos? Imporemos à imaginação Divina os limites
naturais da nossa própria imaginação? Como poderíamos ousar comparar nossa
maneira de viver, sentir, respirar, pensar, andar, trabalhar, planejar, tocar,
amar, tratar, ordenar, rir, calcular… com as desse Ser na Origem do Cosmos? A
partir dos limites naturais de sua realidade, como poderia a criatura julgar
seu Criador sem demonstrar estar cometendo um ato de loucura? O princípio e o
fim da inteligência humana é a admiração; ela nasce da admiração pela Criação
para culminar na admiração pelo seu Criador. Tudo o que for dito além disso
provém dessa semente que não estava no Homem e foi plantada em seu ser por uma
força alheia à Criação de Deus, o que é assunto da Teologia. De qualquer forma,
a grande questão da Origem nos leva diretamente à outra grande questão: a
Constituição do Universo.
235. Do que foi lido até aqui, deduz-se que o Universo e
o Cosmos são duas coisas diferentes. Essas duas coisas, unidas, formam a
Criação de Deus, e, dentro dela, uma coisa é o Cosmos e outra coisa é o
Universo. O Cosmos é o campo de matéria-prima do qual Deus se serve e, com a
liberdade de quem é o Senhor, retira todos os materiais necessários para levar
adiante Suas Obras. Quanto ao Universo, o Universo é o campo estelar onde Deus
realiza essas Obras. Quando, portanto, Moisés nos fala da Criação do Universo,
ele estava se referindo a esse campo estelar. Cuja Origem, como vimos, está
nesse campo cosmológico do qual Deus faz jorrar rios de estrelas que percorrem
as planícies intergalácticas e desaguam neste oceano universal, em cujas águas
a Árvore da Vida lançou suas raízes. Árvore da Vida sobre a qual há muito a
dizer, especialmente nesta fase de sua História. Sobre a Constituição do
Universo, no entanto, nem tudo foi dito.
236. Obviamente, Moisés fala, em seu Relato da Criação,
dos nossos Céus. E, ao fazê-lo, nos apresenta uma Realidade: Deus é seu
Criador. Realidade que nos conduz a outra realidade: a Eternidade, essa
Eternidade que implica o Infinito. Realidades cujo conjunto tem a humanidade
como fruto, mas não o único dessa Árvore da Vida, à qual o Deus do Infinito e
da Eternidade concedeu o Universo como campo de Origem e Crescimento. Essa
conclusão final nos leva de volta à revelação do Filho desse Criador e Senhor do
Cosmos e do Universo: “O Pai mostra ao Filho tudo o que faz e lhe mostrará
obras maiores do que estas, de modo que vocês fiquem maravilhados”. Ao empregar
o plural ao falar do Passado como reflexo do Futuro, o Filho de Deus nos revela
que nossos Céus e nossa Terra — em definitiva, que a Raça Humana — não são a
primeira Colheita que a Árvore da Vida produziu. Afirmação essa que encerra o
dilema sobre a vida no Universo. Pois o Homem não é o primeiro nem será o
último Fruto dessa Árvore. Antes do Homem, outros mundos já haviam sido criados
e, depois do Homem, novos mundos nascerão dos galhos da Árvore da Vida. “Os
filhos de Deus”, dos quais fala a Bíblia, são o fruto dessas Obras que o Filho
nos declarou que o Pai realiza. Não cabe divagar sobre as regiões de origem
desses “filhos de Deus” no Universo. O fato é que o conhecimento de sua
existência nos leva a uma nova maneira de encarar a Constituição dos Céus e do
Universo em geral.
237. E essa forma tem a ver com a concepção do Universo. Ou seja, quando Deus o concebeu em sua Mente, qual foi a Ideia que
lhe deu origem? Ele o criou para ser um campo no qual se ergue uma casa e,
quando ela cai por estar velha, é demolida e outra é erguida? Ou o criou para
ser construído ao longo do tempo, da mesma forma que quem possui um terreno o
cultiva e transforma à medida que o tempo passa? Criou os Céus que circundam a
Terra e são o berço da Raça Humana para que fossem varridos do Universo pelo tempo,
ou criou os Céus para que permanecessem eternamente?
238. E, considerando essa última alternativa e sabendo
que a criação de um Mundo introduz no Universo um conjunto de problemas
constitucionais de magnitude astronômica, como vimos nas seções anteriores, o
Universo não seria um campo continuamente sujeito a uma definição criadora de
suas regiões, em razão da transformação dessas regiões em zonas de Origem de
Mundos? Voltemos ao Princípio do Universo para definir melhor essa criação
constante da geografia universal.
239. Tendo criado o Cosmos como região produtora de
Galáxias — e sendo estas fábricas de estrelas —, Deus pensa na Vida e concebe
um oceano estelar que crescerá continuamente, e sob cujas Águas a Vida lançará
suas raízes, desdobrará sua Árvore e dará seu Fruto. Assim, Deus inaugura o
Princípio das origens dos Mundos, direcionando rios de estrelas de todas as
partes do campo cósmico, que atravessam, desde suas fontes nas cordilheiras
galácticas, as planícies cosmológicas e desaguam em um espaço concreto, onde
criam um Oceano de estrelas: o Universo. Um Universo, a princípio amorfo e de
certa forma selvagem, no qual os aglomerados e os superaglomerados se associam
e se dissociam, e as correntes estelares se movem sujeitas às forças que se
manifestam no interior desse Oceano de estrelas que, em torrente, desaguaram
nas margens do Universo. Mas o objetivo desse movimento é semear a Vida e
colher seu Fruto; o horizonte que Deus estende ao Universo é o Infinito; e a
duração é a Eternidade. Assim, durante cada Ato Criador, Ele estende Sua Mão
sobre uma Zona do Universo e lhe dá forma, a esculpe, a identifica, confere-lhe
propriedades, dando forma ao amorfo, tornando identificável o que não possuía
identidade própria. Dentro desse Processo de Criação contínua do Universo e
como resultado desse movimento nasceram nossos Céus. A questão fundamental — se
os Céus de nosso Firmamento foram criados para permanecer ou para serem
varridos do espaço como um castelo de areia quando a maré sobe — tem uma
resposta decisiva e definitiva: ao criá-los e por meio de sua criação, Deus deu
forma e identidade a uma região do Universo Geral. Acredito que, em Seu Livro,
Ele tenha inserido, de maneira discreta, a expressão: “os Céus dos céus”, onde
o Universo é identificado com uns Céus que abrigam muitos céus, cada um deles,
à imagem e semelhança do nosso, berço e origem de outros mundos que existiram e
de outros que ainda virão, cada um com sua região singular. Esse aspecto nos leva a outra questão: a navegação pelo
Universo.
240. A tendência de crescimento até o infinito que Deus
conferiu ao Universo pressupõe e implica a necessidade de uma cosmografia
universal que permita a navegação interna por meio da identificação à distância
das regiões que o compõem. Deus é livre e poderoso para fazer o que a maré faz
com o castelo de areia, mas não concebeu o Universo assim. Ele poderia ter
reunido em um livro a História e a Constituição celeste de cada Mundo, mas, em
Sua Mente, o que Ele concebeu foi que essa História e essa Constituição
permanecessem eternamente, tornando-se os Céus as letras desse Livro universal,
onde cada Capítulo trata da Criação de um Mundo e de suas coisas. Não são belas
as linhas sobre as quais as estrelas se ordenam para escrever esta mensagem à
criatura humana: Infinito + Eternidade = Deus?
OS NOVOS CÉUS E A NOVA TERRA.DISTRIBUIÇÃO DE MATÉRIA ASTROFÍSICA NA VIA LÁCTEACRYS |
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