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PORTAL PORTUGUES

A REVOLUÇÃO INTELECTUAL DA ESTRELA DA MANHÃ

 

 

A CRIAÇÃO DO UNIVERSO SEGUNDO O GÊNESIS.

 

No princípio, Deus criou os céus e a Terra.

A Terra estava confusa e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo,

mas o Espírito de Deus pairava sobre a superfície das águas.

Deus disse: “Haja luz”, e houve luz.

 

 

11.-DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS

21.-PRIMEIRA PARTE.- CRIAÇÃO DA LUZ DO GÊNESIS

42.-.- SEGUNDA PARTE.- CRIAÇÃO DO FIRMAMENTO DOS CÉUS

50.-TERCEIRA PARTE.- A ESCADARIA DOS ELEMENTOS NATURAIS

61.-QUARTA PARTE.- CRIAÇÃO DA BIOSFERA

66.-QUINTA PARTE.- CRIAÇÃO DA ECOSFERA

77.-SEXTA PARTE.- CRIAÇÃO DO SISTEMA SOLAR                                                          

89.- SÉTIMA PARTE.- CRIAÇÃO DOS CÉUS     

 

 

INTRODUÇÃO À COSMOLOGIA DO SÉCULO XXI

 

Eis o segredo mais bem guardado do mundo. Durante os 3.500 anos que se passaram desde Moisés até Cristo Raul, a nenhum ser humano foi permitido abrir o Selo com o qual YAVÉ, Deus, determinou que a História da Criação dos Céus e da Terra permanecesse fora do alcance da inteligência dos milênios; até o Dia fixado em Sua Presciência, é claro.

Uma vez aberto esse Selo, e exposto o Hieróglifo escrito por Moisés à leitura de todas as nações, a Inteligência de YAVÉ Deus, seu Criador, é magnificada até o infinito, tanto mais quanto os sábios e gênios de todos os séculos tentaram abrir esse Selo, ler seu Conteúdo, e não conseguiram. A inteligência de YAVÉ, Deus, Criador do Universo, torna-se ainda mais elevada e inacessível quando se percebe que o homem a quem Ele concedeu a glória de abrir esse Selo e ler seu conteúdo para todas as nações não passa de um homem sem mais estudos do que os elementares, próprios de sua época e de seu povo.

Obviamente, a força a ser vencida por este Livro se multiplica pelo número de homens que, frustrados por sua incapacidade de abrir o Selo do Gênesis, convenceram-se de que tal impossibilidade decorria do fato de o Relato bíblico do Gênesis não ser outra coisa senão “uma metáfora sem qualquer conteúdo científico”.

Tendo a inteligência humana sido criada para elevar-se à imagem da inteligência divina, conforme se lê: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, essa frustração não poderia deixar de trazer à luz uma visão sobre a origem do Universo, nascida para abafar a ignorância humana e manter à tona “o poder absoluto da Razão científica”. O fruto dessa dualidade emocional trouxe ao mundo uma cosmologia sem Deus, defensiva em um primeiro momento e, posteriormente, ofensiva — ou seja, anticriacionista —, com o objetivo de salvar a grandeza humana diante da “morte de Deus”.

Ora, Deus não mente; não foi à toa que Ele disse de Si mesmo: “Eu sou a Verdade”. Assim, tendo Ele escrito, na forma de hieróglifos, a Memória da Criação do nosso Universo, pela própria razão da impossibilidade de penetrar em seu Texto, sem a intervenção da Mão de seu Autor, e porque essa impossibilidade se manifesta na queda da ciência do século XX nos abismos do nazismo, por essa impossibilidade a existência do Texto passou a ser uma promessa de revelação, a ser cumprida, graças a Cristo, em data conhecida exclusivamente por Ele.

Em suma, o Selo deveria ser aberto e o Mistério de seu Conteúdo viria à luz.

Ora, tendo o ateísmo científico do século XIX evoluído para a cosmologia do século XX, e tendo o século XX construído uma estrutura artificial para o edifício irreal de sua imagem fictícia do Universo no Tempo e no Espaço, por lógica o choque entre tal visão artificial e fictícia e a verdadeira imagem do Universo, aqui revelada, deve fazer saltar faíscas.

Digamos que a necessidade de fundamentar, com base em princípios pseudocientíficos, uma imagem cosmológica sem qualquer apoio na estrutura da Realidade tenha dado origem, em torno daquele castelo no ar que foi a CSXX, toda uma religião neopagã, com as universidades como templos e a Academia de Ciências como Vaticano, demonstrando assim, mesmo em seu ateísmo, que qualquer estrutura humana que aspire a ser invencível deve seguir o modelo que Cristo estabeleceu em vida: a Igreja Católica.

Em suas aspirações à imortalidade, tanto o Terceiro Reich quanto o Partido Marxista-Leninista-Estalinista não hesitaram em adaptar a estrutura católica aos seus partidos. O ateísmo anticriacionista do século XX não ficaria atrás, nem deixaria de levar essa cópia à perfeição, tanto mais que entre seus construtores contavam-se os gênios que deram origem à Era Atômica.

A tarefa de Deus neste século não é pequena, nem insignificante.

Mas é na impossibilidade que a Onisciência e a Onipotência Divinas se manifestam em sua verdadeira natureza infinita e eterna.

Quanto ao aspecto literário, todos os defeitos que este livrinho possa ter devem ser atribuídos a mim. Por se tratar de uma Introdução, isso não implica infalibilidade nem dogma. No entanto, tendo seus fundamentos sido estabelecidos pelo próprio Criador dos Céus e da Terra, qualquer ruptura com esses fundamentos é reabrir a porta para as Guerras Mundiais.

Com o passar dos anos, meu pensamento foi se aprofundando. A essência original permanece.

A leitura deste livrinho não é fácil, nem pretendo adaptar meu estilo às leis do mercado. Tanto menos fácil me é, quanto mais complexa foi a estrutura artificial que a cosmologia do século XX construiu para o ateísmo da classe científica.

Foram muitos os gênios que usaram as costas de Newton como alavanca para chegar às de Einstein. Ignorando as revoluções tecnológicas e científicas vividas nos dois séculos passados, os herdeiros daquele Sistema Cosmológico, fundado em uma Hipótese cuja grandeza consistiu em ter reinventado um Universo que existia apenas em suas mentes, os astrônomos de nossos dias preferem continuar trabalhando com os olhos fechados diante dos dados a comprometer esse maravilhoso edifício cosmológico criado pelo homem e, sob o peso das evidências, ter que assinar a demolição da religião do ateísmo do século XX. A Verdade Divina, no entanto, é invencível. Os dados armazenados na memória astronômica do século XXI se levantam para, de uma só vez, derrubar esse castelo no ar que foi o século XX.

A Estrutura Dinâmica de nossos Céus, esse Firmamento dos Céus que todas as noites nos abre os olhos para as imensidões de sua Criação, e do qual, por razões de barbárie social histórica, os homens foram alienados de sua livre contemplação, escravos como são de um Sistema Social Animal fundado precisamente sobre aquele Sistema Cosmológico de cujo seio nasceram todos os males do século XX; quando, ao estudarmos os dados físicos que a Astronomia Natural nos fornece, nos revela-se uma Edificação de beleza infinita, cujos fundamentos abrem os olhos do pensamento para a existência de uma Sabedoria Criadora fundamentada na inteligência ilimitada de um Ser Todo-Poderoso, cuja força foi colocada a serviço da Árvore das Ciências da Criação dos Universos, em cuja atividade seu Ser adquire as propriedades sobrenaturais próprias do Criador do Cosmos: onisciência e onipotência.

É lógico, portanto, que diante da questão do ser ou não ser da CSXX, na medida em que se trata de uma religião da ciência, os astrônomos de nossos dias continuem com os olhos fechados diante das evidências que os dados astrofísicos universais lhes apresentam.

Meu trabalho neste contexto consiste em tornar simples o que é difícil e mostrar que a Luz que cega os olhos é a Luz que abre a inteligência da criatura humana à imagem da Inteligência Divina de seu Criador. Pois continua-se preferindo viver sob a condição animal única e exclusivamente por medo de viver uma Liberdade que, à imagem e semelhança da Divina, vence tudo e enfrenta os problemas do Espaço e do Tempo com a consciência vitoriosa de quem aprendeu que Viver é uma Aventura, uma Epopeia em avanço constante e contínuo rumo a um Horizonte que revela sua natureza à medida que nos aproximamos de sua Meta. Nas palavras d , nosso Criador, Deus Filho Unigênito, nosso Rei e Senhor, nosso Pai e Mestre: “Cada dia trará sua preocupação”.

Compreendo que, tendo trabalhado neste Campo da Criação do nosso Universo com a perseverança de quem dedicou sua vida a recriar a Verdadeira Imagem dos nossos Céus e sua Relação no Espaço e no Tempo com o Cosmos no qual foi criado, tendo minha inteligência sido formada para trabalhar com imagens simples sustentadas pelos Dados Astronômicos Naturais, preciso partir de um Princípio Universal claro, que não deixe margem para dúvidas e sirva de Ponte entre o século XX e esta Introdução ao século XXI. Para atender a essa necessidade, direi desde já que esta Introdução é exatamente o que seu título indica: “Uma Introdução”. Quem abre a Porta cumpre sua tarefa; cabe àqueles que entram continuar trabalhando e atualizar o pensamento cosmológico e astrofísico para que as novas gerações possam trilhar, nos próximos séculos, um caminho alimentado por uma árvore de ciências criadoras cujo fruto viva sob a Lei da Vida e não sob a Lei da Morte — que foi o fruto que a árvore do ateísmo científico veio oferecer ao século XX.

No que diz respeito à Origem do Cosmos, estabelecendo aqui o Princípio do Nosso Universo como uma Obra posterior à Criação do Cosmos, e um Cosmos que foi criado para ser o Campo de Matéria-Prima do qual seu Criador se serviria para a Criação de Novos Universos, essa Origem Cosmológica ocorreu em uma Transformação Massiva de matéria astrofísica em energia cósmica; energia global que, ao ser redirecionada para campos de energia espaço-tempo, iniciou sua jornada de retorno à matéria astrofísica.

Basicamente, esse Big Bang Original continua ocorrendo nas Fronteiras do Cosmos, onde a energia cósmica criada pelas Galáxias é captada por campos de energia espaço-tempo que transformam energia em matéria. Assim até o infinito, pela eternidade, e daí a expansão ad infinitum natural do Cosmos. A criação de galáxias é um evento sem fim que o Criador do Big Bang Original alimenta, expandindo o espaço das fronteiras de sua criação à medida que o tempo se materializa em galáxias e aglomerados de galáxias.

Não é, portanto, por acaso que a Revolução Radioastronômica que estamos vivendo soma e continua somando novas galáxias às já detectadas, e expande as fronteiras do Cosmos à medida que essa nova soma nos abre os olhos para uma Expansão alheia a qualquer Contração Cosmológica Final.

Assim como a Eternidade, o Infinito e Deus não têm Princípio nem Fim: a Criação veio para permanecer para sempre, por toda a eternidade. O contrário, negar a Expansão até o Infinito do Cosmos ao afirmar uma Contração que teria início em algum ponto da linha da Eternidade, é entregar-se à ficção científica; ou seja, é retornar à Era da Falácia do século XX, quando uma Hipótese era Lei enquanto não se demonstrasse sua Maldade. Tendo a maldade do século XX inundado os campos da Terra com duas guerras mundiais, a persistência em tal falácia é declarar-se em guerra aberta contra a humanidade, contra a vida e contra Deus.

E, concluindo este Prólogo, a observação em tempo real da evolução que as ciências astronômicas e físicas em geral têm experimentado nos últimos 40 anos é uma fonte de estudo de recursos intelectuais favoráveis à construção de um Pensamento nítido e sem fissuras sobre a Imagem Natural que corresponde aos nossos Céus e à nossa Terra. Não há como duvidar, a esta altura, que a imagem que as ciências geológicas e astronômicas projetam para a humanidade afeta sua posição em relação à sua civilização e sua atitude diante do universo. Querer se esquivar das responsabilidades e atribuir a culpa dos próprios males a uma força externa ao próprio sistema é um recurso patológico que, conforme se depreende da realidade histórica em que nos encontramos atualmente, não leva a lugar algum; ou melhor, leva a um lugar muito preciso: a destruição.

 O papel que as ciências naturais desempenharam no início da Segunda Guerra Mundial é um mea culpa que paira no ar como uma laje sobre um túmulo.

 A relação entre Conhecimento e Comportamento é uma lei perfeitamente aceita pelas ciências desde os dias mais gloriosos da Etologia; para não nos alongarmos demais no tempo, o papel que o ateísmo científico, sustentado pelo século XX, desempenhou na tragédia do século XX está longe de ser contestado. A menos, é claro, que agora, além de cegos, queiram que sejamos todos sem cérebro.

Pessoalmente, não acredito que a Maldade tenha sido consciente. Mas, uma vez que a Consciência é adquirida, as consequências da Liberdade não podem ser atribuídas à Impossibilidade de abrir um Selo que Deus manteve fechado com seu Punho e sua Letra. Não há, portanto, Condenação; nem meu trabalho consiste em julgar os Pensadores dos últimos séculos. A Verdade está além do julgamento dos outros; está em sua Natureza libertar aqueles que se viram aprisionados nas trevas de um Silêncio cuja Origem está em uma Necessidade Cosmológica, hoje superada.

Assim, abramos a Porta que, durante 3.500 anos, permaneceu fechada para a Glória de nosso Criador Divino e para a Libertação de todas as nações da humanidade das forças que a Ignorância, nascida da Queda do Primeiro Homem, desencadeou sobre todos os povos da Terra.

 

 

CAPÍTULO 1. DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS

 

1. Mas, para começar, e visto que sempre se deve escolher um bom ponto de partida, direi que este estudo sobre a Memória da Criação do Universo (Céus e Terra) tem sua origem na necessidade de abrir a Fé aos princípios científicos da Natureza. Não pretendo fundamentar a Fé nesses princípios, pois a Fé foi e está fundamentada nos princípios sobrenaturais, dos quais os Evangelhos são seu Tratado Eterno. A Encarnação e a Ressurreição são as duas colunas do Templo da Fé; quando se trata de perguntas sobre a Origem de todas as coisas, a única explicação que nossos pais puderam nos dar — e que nós mesmos pudemos dar, até agora, aos nossos filhos — é o Relato da Criação do Universo segundo o Gênesis. Ou seja, “Deus criou os Céus e a Terra”... E o restante, o “como” e o “quando”, são aspectos da Atividade Criadora que podemos conhecer ou desconhecer, mas que não acrescentam nem tiram nada da Fé.

 

2. A tarefa que me propus neste livro é superar a primeira das duas incógnitas: “o como”. Pois, embora a fé seja invencível, ninguém pode negar que a fé sem a inteligência é corruptível, como bem ficou demonstrado ao longo dos séculos. Devemos, portanto, atribuir à ignorância todos os erros do cristianismo. Consequentemente, neste livro irei direto à Verdade; e a verdade é esta: o Universo, essa estrutura de engenharia astrofísica dentro de cujas paredes orbita nosso Sistema Solar, foi criado pelo Deus do Gênesis. O contrário — o suposto fato circunstancial de que esse conjunto final de beleza impressionante que chamamos de “o Universo” tenha surgido a partir de uma série caótica de elementos — não causou ao materialismo científico nenhum tipo de conflito psicológico, na medida em que a Ciência negou a existência de uma Estética Natural. (Esse tema da Estética dos Céus e sua função estimulante da Inteligência é uma questão que o ateísmo científico declarou ser fruto de uma série de acasos, todos com origem no Caos. Quanto ao resto: como é possível que o Caos produza Céus de uma beleza tão impressionante, esse é um ponto ao qual se recusaram a responder. Ou responderam com o desdém que merece a pergunta de um tolo). Não à toa o pai da Etologia e ganhador do Prêmio Nobel Konrad Lorenz relacionou Conhecimento e Comportamento em sua equação clássica: “Verdade = Sobrevivência; Mentira = Destruição”.

 

3. Os exemplos que o sábio Konrad Lorenz, pai da Etologia, ao falar sobre a relação direta entre Conhecimento e Comportamento, colocou diante de nossos olhos são infinitos, mas, em suma, convergem para uma conclusão universal; a saber: o Comportamento positivo, ou de sobrevivência, adaptação e evolução de todo ser vivo, é fruto de seu Conhecimento verdadeiro e real sobre a Natureza; informação que adquire por meio de seus sentidos, por um lado; e de sua herança filogenética, por outro; de tal forma que, pela natureza do comportamento vivo de uma espécie, podemos definir a natureza do conhecimento que lhe serve de base para se mover no espaço e no tempo.

Ou seja, se fornecermos a um indivíduo uma informação falsa sobre o cenário em que ele se move, a consequência será que ele passe a se desorientar. Exemplo: se, a um indivíduo em movimento, transmitirmos uma informação falsa sobre o comprimento de uma fenda em seu caminho — para a qual, à medida que se aproxima, ele deve se preparar para atravessá-la —, informando-lhe que ela tem dois metros de comprimento como um fato, quando na verdade são dez, a aceitação dessa falsidade levará à sua ruína.

Nos animais, são os sentidos, quaisquer que sejam, que captam a informação à medida que o movimento ocorre. No ser inteligente, no caso humano, a informação provém da comunicação e, portanto, o indivíduo fica exposto a uma manipulação factual externa que, ao direcionar seu comportamento, pode ou não buscar sua destruição. Ora, quando é toda a espécie, todo o gênero humano, neste caso, que segue por um caminho autodestrutivo, por lógica devemos falar de uma patologia intelectual que, ao afetar todos os homens, inevitavelmente os arrastará a todos para o abismo de sua extinção. E como a Cosmologia se refere à Estrutura da Natureza, origem de toda a vida na Terra, o Comportamento Global Autodestrutivo que o Gênero Humano vive deve ser buscado em uma Patologia do Intelecto para recriar intelectualmente a natureza do mundo em que o Homem vive, existe e é.

 

4. Voltando ao tema metafísico, o fato é que a Ética também não está implicada na Genética e, no entanto, sua manifestação ocorre em todos os níveis históricos conhecidos. Assim, sendo a necessidade inata, o Conhecimento faz parte de nossa estrutura genética. Ou, o que dá no mesmo, não reagiríamos à Estética do Universo se nossa estrutura genética não estivesse preparada para responder às faíscas que os Céus fazem saltar em nosso cérebro.

Assim, ao negar a relação entre Inteligência Natural e Estética Universal, o que o materialismo científico fez foi conduzir o trem da pesquisa cosmológica criacionista a um beco sem saída. Contra essa tentativa, é preciso dizer que a história das civilizações, desde seus primórdios, mantém um registro das respostas das diferentes culturas a esse estímulo natural (Inteligência Natural – Estética Universal), em relação ao qual o Gênero Humano, encontrando-se como se encontrava em sua Infância Ontológica, não tinha capacidade de manipulação nem domínio. Ou, o que dá no mesmo, o ser humano reage diante da Beleza do Universo com a naturalidade das árvores diante da chegada da primavera e dos ventos diante do inverno.

Sendo “a admiração a mãe do pensamento filosófico”, é a própria Natureza que, carregando em sua Estrutura Universal a marca da Inteligência de seu Criador: seu efeito sobre a Vida, não podendo ser outro senão uma Criatura Inteligente “à imagem e semelhança de seu Criador”, engendra no ser humano o Pensamento Metafísico, com base no qual ele transcende a própria materialidade da informação registrada pelos sentidos para elevar-se a uma Causa Externa Universal que tem em Deus sua Origem.

Nesse sentido, pode-se objetar que a Metafísica tem pouco ou nada a ver com a Cosmologia. Objeção sem fundamento, pois a Filosofia, sendo a mãe da Metafísica, é o fogo que acende no Ser a Inteligência que o conduz à Ciência. E a Ciência direciona seu Pensamento para a Criação. Modelo de conduta que observamos em todas as civilizações. E do qual deduzimos que a marca do Criador se integra à Criação para elevar a Vida de sua Criatura à sua Existência e Participação na Eternidade.

 

5. Quanto à Criação da Vida Inteligente sobre a face da Terra, naquela época (referindo-se ao Homo Sapiens Adanensis), o ser humano em sua Infância Ontológica, a resposta do Homem ao estímulo do Universo em seu Cérebro foi a Palavra. Ou seja, se o fato da admiração constitui o passado da Ciência, esse mesmo fato revolucionou, muito antes, o futuro do Homem, abrindo-lhe a boca para articular sua Primeira Palavra.

A Primeira Palavra, a palavra de admiração por excelência, que outra poderia ser senão “Deus!”.

De fato, o relato bíblico sobre a Criação do Universo tem sua origem na satisfação daquele estímulo que despertou no Homem a busca pelo Conhecimento da Origem de todas as coisas. No seio dessas respostas que as diversas nações da Antiguidade deram a esse estímulo (Estética Celeste – Inteligência Natural), a Resposta Bíblica abriu entre Moisés e seus contemporâneos uma distância tão intransponível quanto seria impossível para o Faraó atravessar o Mar Vermelho.

 

6. De fato, em comparação com o relato de Moisés sobre a Criação do Universo, os relatos cosmogônicos dos povos antigos traziam a marca do trauma histórico vivido por seus antepassados em algum lugar do outro lado do Dilúvio. Deuses, demônios, oceano, céu, terra, semideuses... Todas as paranoias daqueles homens se misturaram em um caos mítico, de cujas entranhas nada de bom poderia surgir, exceto a justificativa do comportamento social que constituía seu patrimônio histórico. Por isso, neste livro, prefiro deixar para outra ocasião uma análise sobre a gênese das respostas da Antiguidade ao desafio do cosmos. Tampouco vou me perder na análise e refutação das teorias cosmológicas modernas, pois, embora sob uma roupagem diferente, as respostas da Era Atômica às antigas questões clássicas sobre a Origem e a Estrutura do Universo tiveram suas raízes na mesma atitude psicológica que arrastou o homem antigo para a Era dos mitos e das lendas.

No momento oportuno, quando a ocasião surgir, irei desmembrar suas estruturas até revelar a natureza de suas hipóteses. Pois, não sendo esta Nova Cosmologia o desenvolvimento de uma hipótese anterior, e não sendo devedora de nenhuma delas, a teoria histórica que dá início a este livro não tem por que seguir o mesmo método de registro e refutação de todas as hipóteses que, desde os dias do Mundo Clássico até a Era Atômica, fizeram o mesmo, ou seja, tentar satisfazer a necessidade de conhecimento do ser humano. E, considerando que a liberdade de expressão se une à liberdade de pensamento para criar seu próprio método, preferi seguir como linha de ação a plataforma que Moisés traçou no Gênesis. E digo isso ciente de que, sem o trabalho das gerações passadas, seria impossível estarmos aqui presentes.

Ora, levando em conta que esse progresso já estava inscrito na História de nossa Civilização desde o momento em que seu Fundador não foi outro senão Aquele que, abrindo a boca, disse: “HÁ LUZ”, esta Introdução não reconhece outro parentesco senão com Aquele que dispôs que a Inteligência humana encontrasse a Porta aberta para a Ciência d a Criação. As ciências cumpriram uma função histórica sagrada, que não é outra senão preparar a inteligência do nosso século para acessar a inteligência sem limites do nosso Criador.

 

7. A partir do estudo da História das Ciências, em geral, e da Astronomia, em especial, percebe-se de que maneira e em que medida a Ignorância foi a herança deixada à Humanidade pela geração daqueles míticos fundadores das primeiras cidades construídas pelas mãos dos homens, cuja idade de ouro foi alcançada quando “a coroa desceu do céu”, quando as cidades se ergueram como o corpo do Primeiro Rei da Terra, aquele Adão que, desafiando a Lei e desprezando a Paz enquanto caminho para a civilização da plenitude das nações do gênero humano, fez da Guerra Santa sua lei de ferro; herança que levou todos à Morte. Destruição onde se aprecia melhor do que em qualquer outro lugar a delicada relação entre Conhecimento e Comportamento.

Uma informação “falsa” sobre a Identidade e a Personalidade do Criador, aceita como verdadeira e certa, desencadeou a primeira guerra civil mundial, encenada no fratricídio de Caim contra Abel; informação que, se não tivesse sido aceita — caso o Homem tivesse empreendido um Caminho direto para a Civilização Universal —, teria poupado à Humanidade tanta desgraça.

Mas, como não estamos neste livrinho para corrigir os erros dos historiadores da Antiguidade, é melhor deixarmos de lado, por enquanto, o tema da Queda à luz das ciências históricas, e já teremos tempo, quando Deus assim o determinar, para viajar ao Sétimo Milênio a.C. e recriar, à luz das evidências, o Mundo antes da Queda daquele primeiro reino cujo rei recebeu a coroa “que desceu do Céu”, Adão para nós, “Alulim” para os herdeiros daquele mundo perdido… por causa de uma maçã!

 

8. Continuando com o tema, a título de introdução, e embora possa parecer fora de contexto uma breve visão geral, a entrada de Moisés na História Universal revolucionou a estrutura do Futuro da Humanidade por muitas razões. Ele foi o primeiro legislador a abolir os sacrifícios humanos. Uma vez purificado por Jesus Cristo das penas relacionadas ao crime bíblico, o Código Mosaico de Justiça continua sendo a base de nossa Ética Social, mantendo-se seus “NÃO matarás, NÃO roubarás, NÃO cometerás adultério, NÃO darás falso testemunho”... os pilares sobre os quais o Palácio da Justiça mantém sua estrutura básica.

Obviamente, o mundo continua sendo o que é devido à batalha até a morte que a semente de Caim vem travando contra Cristo.

Desde as origens do Mundo, daquele mundo renascido das cinzas do antigo mundo pré-cristão, o objetivo de reinos e impérios, tiranos e ditadores não foi, nem é outro senão legalizar o Roubo, o Adultério, o Crime, o Testemunho Falso, o Sexo contra a natureza, etc. A história dessa luta entre a lei da Natureza, escrita por Deus Criador no coração de todas as primeiras famílias da Terra, e a lei do Crime, cujo objetivo era e é a legalização dessa transgressão (em nome do Estado, da Casta, da Democracia e até mesmo de Deus), teve e tem como linhas-guiadoras conduzir as nações à aceitação da guerra como modo de vida.

Não é necessário enfatizar a transcendência do Código de Moisés e sua natureza revolucionária. Como já disse, esse Código foi o fogo que fez surgir das cinzas aquele Mundo Antigo que, com a Quadratura dos Césares, conduziu a Civilização Antiga à sua ruína. Animado pelo Espírito de Cristo, daquelas cinzas surgiu o Mundo Moderno, que atualmente volta a galopar rumo à sua ruína nas costas dos mesmos cavalos que conduziram à queda do Império Romano.

 

9. De muitas maneiras, portanto, a Revolução de Moisés continua a nos afetar três mil e quinhentos anos após seu nascimento.

Sem contradizer de forma alguma nossa Dogmática sobre a Trindade, seu monoteísmo continua sendo a Rocha sobre a qual Cristo ergueu sua Igreja. (Da oposição entre aquela força Antiga, estagnada em sua inércia, que se recusava a dar o salto para a frente, e a Nova, que clamava por renascimento, surgiu o grande conflito que, com sua explosão, devolveu à Sagrada Escritura a natureza revolucionária que ela possuía em suas origens e à qual nunca renunciou. Graças a Jesus Cristo, mesmo ao preço de ser considerado “traidor da pátria” por querer transformar a Sagrada Escritura em patrimônio universal da Humanidade, a Inteligência Natural Clássica encontrou a porta aberta para o estudo da Criação. E o que é mais importante, Jesus Cristo deu à Bíblia um Povo que a protegeria da Queda do Império Romano, que se aproximava).

 

10. O povo judeu, é verdade, havia carregado a Sagrada Escritura contra o vento dos séculos. Mas o havia feito como quem carrega um fardo do qual não se pode livrar. Seus períodos de idolatria, suas épocas de corrupção, tão comuns em sua história, não eram mais do que isso: a manifestação dessa impossibilidade de tirar aquele fardo das costas. Moisés firmou uma Aliança entre Deus e o povo hebreu, pela qual Israel nunca seria destruído; mas, ao vincular ambas as partes e com o Olho de Deus onipresente, isso criaria — e de fato criou — na consciência do povo judeu a necessidade de não se sentir vigiado de maneira tão constante e onipresente. O efeito dessa necessidade de libertação foram aqueles períodos de idolatria e corrupção dos quais a Bíblia está repleta.

Foi essa relação de natureza sadomasoquista — na medida em que Deus sabia que era impossível ao homem não pecar, e o homem sabia que era impossível a Deus deixar de punir — que conduziu o povo judeu à situação final que, por meio de seu confronto com os poderes sacerdotais de Jerusalém, nos revelou Jesus Cristo.

Após um milênio e meio estudando a Sagrada Escritura, vivenciando-a na própria pele — eu diria —, tal foi o modelo de relação entre Deus, o Universo e o Homem que moldou Jerusalém e seus filhos. Seus ritos litúrgicos, suas prescrições legislativas, o modo de vida judaico em geral, salvo algumas exceções, mantiveram as mãos do resto do mundo longe da Sagrada Escritura, e as do povo judeu, salvo raras exceções, longe dos livros da Idade de Ouro da Filosofia e das Ciências Clássicas.

Essa situação, esse muro psicohistórico intransponível nos dois sentidos, Jesus Cristo se propôs a derrubar.

E ele o derrubou.

 A necessidade era vital. Como depositários da Sagrada Escritura, os judeus não podiam ignorar que a História Universal continuava em evolução e que, ao seu redor, havia outro povo no qual Deus havia depositado outro tipo de “escritura sagrada”.

Se a Sagrada Escritura foi fruto do amor de Deus pelo Homem, o fruto do amor do Homem pela Sabedoria seria a Filosofia, mãe da Ciência.

 

11. Longo foi o caminho da Ciência ao longo dos séculos. Como não poderia ser de outra forma. Pois, tendo o Homem sido criado para ser participante da Onisciência criadora, a inteligência humana, reflexo vivo da Inteligência Divina, não podia nem pode deixar de aspirar a viver seu crescimento dentro da dimensão onisciente natural à Fonte de sua existência. A consequência direta e maligna que a Queda legou a todas as famílias do mundo foi essa desconexão; de modo que, tendo o homem “em si a potência de ser”, ele se viu, após a Queda, diante da impossibilidade de passar do “dito” ao “feito”, o que na Filosofia se denomina: passar da “potência” ao “ato”.

Essa impossibilidade natural traduziu-se em mitologias e cosmogonias, uma a uma e todas em conjunto, impulsionadoras do Delito contra uma Natureza que, portando em seu seio a lei Divina, viu-se impotente para reconectar a Criatura Humana com seu Criador.

A ignorância foi o destino do gênero humano (sobre cuja natureza já falaremos no momento oportuno, mas não aqui, uma vez que este livro se destina a permanecer exclusivamente no campo do conhecimento de Deus como Criador dos Céus e da Terra)... Contra essa ignorância se ergueu o Pensamento Filosófico e, embora a inteligência humana estivesse escravizada à lei da razão animal, pelo fato de o ser humano portar em seu seio a semente da inteligência divina, esta, por disposição do Criador, acabaria por dar seu fruto.

 

12. Assim, mil e quinhentos anos após o Nascimento, chegou para a Ciência a hora de sua liberdade. A tutela que a Teologia exercera sobre seu corpo chegava ao fim. Só que a situação não era a mesma. Não se pode comparar o mundo mil e quinhentos anos depois de Moisés com Galileu, mil e quinhentos anos depois de Jesus Cristo. Mas, no que diz respeito ao fim da tutela da Teologia sobre a Ciência, a Hora realmente havia chegado.

Os ponteiros do relógio do Tempo vinham avançando em direção a essa Hora.

Se os teólogos se escandalizaram com Galileu, não foi porque Deus tivesse deixado de ser o espírito que, em seu rosto, insufla o sopro da vida às suas criaturas. Eu diria que foi exatamente o contrário; foi porque a Teologia havia tentado monopolizar esse sopro da vida e, ao não conseguir, logicamente teve que se escandalizar com Deus. Mas essas coisas já haviam sido preditas. O verdadeiro problema, na essência da independência da Ciência, surgiu quando, a partir dos atritos, surgiu aquela sensação de liberdade de quem se liberta, finalmente, da proteção de uma mãe exageradamente — como eu diria — madona. Sensação crescente que, alimentada pela crítica da razão independente a uma igreja ancorada em seus comportamentos medievais, acabou por converter o Mundo Moderno aos diversos tipos de materialismos científicos.

Dado o condicionamento intelectual adquirido pela Ciência Moderna, dificilmente o progresso do conhecimento físico do Universo poderia convergir para o encontro com seu Criador.

 

13. Embora possa soar como uma crítica destrutiva — o que não é —, é fato que o fracasso da Era Moderna já estava escrito em seu legado para a Era Atômica. Muitas ideias sobre possíveis modelos cosmológicos, cada uma delas uma peça de um quebra-cabeça que se vislumbrava maravilhoso, mas que ninguém conseguia organizar. Coube ao gênio de Einstein e à sua geração elevar o Número à condição da Palavra e, com seu poder onipotente, ordenar o Cosmos. (A loucura que — segundo eles — havia no gênio levou os sábios da Era Atômica a acreditar que estavam em uma corrida de revezamento e que havia chegado a sua vez de correr. Com a fidelidade dos sábios a uma causa perdida, os gênios da primeira metade do século XX saltaram para a pista que conduzia ao inferno das guerras mundiais. Quando perceberam, quando quiseram parar o trem, já era tarde demais, e a inércia fez o resto). Eles saltaram e, como Pilatos lavando as mãos, se afastaram do caminho.

Nós, como não implicá-los no nascimento do monstro que alimentaram com o leite da lei do mais forte e o pão da guerra como instrumento de progresso e evolução!

Alimentados pela doutrina do materialismo científico, o monstro nazista e o monstro bolchevique cresceram até se tornarem os exércitos daquele inferno que fez do século XX o período mais maligno vivido até então pela humanidade.

É verdade que a Queda do Império Romano não foi menos infernal, mas o fato de o século XX ter contado com todos os meios necessários para impedir a hecatombe apocalíptica, o fato de ter visto na Guerra o único meio possível para sair da crise ideológica e econômica que afetava todas as nações por igual, transformou a Queda do Mundo Moderno na maior tragédia já conhecida, tanto pelo número de almas presas na hecatombe apocalíptica quanto pelo ódio e pela maldade que se liberaram nas guerras mundiais do século XX.

Ou seja, segundo o evangelho do mais forte: a Guerra Mundial era legítima.

Elas tinham que começar.

E começaram

 

14. Felizmente para nós, tudo o que tem um começo tem um fim, e a maior das guerras vividas pela humanidade também chegou ao fim.

Acabou; mas, fugindo da derrota do Forte, os atletas da Ciência correram em todas as direções e entregaram o bastão da energia atômica às duas grandes potências vencedoras do conflito.

Surgiu a Guerra Fria.

Uma Guerra Fria que teve sua origem na decisão de Deus de armar Caim e Abel com a mesma mandíbula, com o objetivo de impedir o fratricídio por meio do medo da destruição de ambos. Política maravilhosa, cujos frutos todos nós desfrutamos agora. Não que a Era Atômica seja, ou tenha sido, um paraíso de acordos com o pensamento voltado para a salvação das nações e a redenção da Mãe Terra. De jeito nenhum! Mas a revolução tecnológica tinha que seguir seu curso.

E, por uma dessas decisões maravilhosas da Providência, os olhos da inteligência humana se abriram; começaram a penetrar nas distâncias astronômicas.

E, à medida que o campo universal se expandia aos olhos telescópicos da Civilização, aquele Universo do Mais Forte foi se evaporando, desaparecendo como faz a bolha de sabão que, segundo seus criadores, existia. Atônitos, com os olhos incrédulos de quem vê seus ídolos vacilarem em seus pedestais e não conseguirem suportar o peso do terremoto que abala os alicerces da terra, as últimas gerações da Guerra Fria viram como a religião de Einstein e sua doutrina cosmológica tremeram em seu altar, e não havia nada que seus sacerdotes pudessem fazer para impedir isso.

Mais uma vez, a Realidade negou, nega e continuará negando a ideologia do materialismo científico. Primeiro, negou seu evangelho do mais forte; depois, negou sua doutrina da necessidade da guerra como instrumento biológico da civilização; e agora faz tremer os alicerces do Cosmos, segundo a Ciência.

 

15. Mas, em vez de me perder em uma crítica ao comportamento científico, prefiro passar diretamente a destacar o desenvolvimento da Civilização como resultado da evolução da linguagem humana, cavalo de batalha que nos conduziu à vitória sobre aquela ausência de conhecimento da qual o Filho de Deus se lamentou, dizendo: “Se não compreendeis as coisas da Terra, como ireis compreender as do Céu?”.

Não é um exercício de retórica afirmar que o sentido, o objetivo, a meta para a qual caminhamos nestes dois milênios passados tem sido a superação dessa deficiência intelectual. Lembremos que Deus havia falado como profeta, Deus havia falado como legislador, Deus havia falado como rei e senhor; finalmente, Deus falou como Pai, mas nunca nos falou como a Inteligência Criadora daquele que, abrindo a boca, disse: “Haja luz”.

E, no entanto, tendo afirmado que criou o Universo, no seio dessa afirmação estava a promessa de fazê-lo. Assim, no lamento do Filho de Deus, essa promessa pulsava em forma de Futuro, que estava por vir, que Ele gostaria de ter visto já, mas que, infelizmente, ainda estava por chegar.

E é que a inteligência do Homem Clássico teria de crescer muito para poder compreender as leis da Ciência da Criação. O Caminho da barbárie no alvorecer de nosso tempo seria longo e estreito; mas aquele Dia viria. A História abriria seu horizonte, e a Estrela da Manhã, que anuncia a chegada do Novo Dia, faria brilhar sua luz sobre a Plenitude das Nações.

 

16. Ao vê-la se aproximar, à distância dos séculos, um dos discípulos de Jesus a saudou, dizendo: “A ansiosa expectativa da Criação aguarda a manifestação da glória da liberdade dos filhos de Deus”. Filhos de Deus que eram todos os apóstolos de Jesus Cristo, ao afirmar Paulo que “toda a Criação” aguardava a “manifestação da glória da liberdade dos filhos de Deus”, à sua maneira, da maneira tão inteligente que São Pedro reconheceu, São Paulo profetizou o Nascimento desse Dia em que Deus nos falaria como aquele Criador do Universo que se revelou no início de seu Livro.

Além disso, os dois primeiros passos nessa direção já haviam sido dados. Havia a Revelação e a Ciência.

Embora fosse verdade que entre ambas existisse uma barreira, o cristianismo, como se veria na primeira metade do primeiro milênio, derrubou-a, e à luz de seu Magistério, a Teologia e a Ciência aprenderam a conviver, a crescer juntas.

Obviamente, a Civilização ainda teria de passar por momentos amargos e críticos; pairavam sobre seu caminho as invasões, a divisão das igrejas, a batalha entre a Fé e a Razão e, ao final dos dois milênios, as Guerras Mundiais. Somente no final o espírito da Inteligência entraria em cena.

 

PRIMEIRA PARTE

A CRIAÇÃO DA LUZ NO GÊNESIS

 

CAPÍTULO 2. NO PRINCÍPIO, DEUS CRIOU…

 

17. Entramos de cabeça no tema central deste livro: a Criação do nosso Universo. E, para começar — pois não poderia ser de outra forma —, escolhi a Revelação Bíblica como caminho para a descoberta da Origem e da Constituição dos nossos Céus e da nossa Terra.

Pelo simples fato de o pensamento científico ter se afastado da Revelação, o direito de inventar um Universo à medida de cada um não se torna, de forma alguma, legítimo. A legitimação dos modelos do universo, “desde que, em sua construção, se utilizem como tijolos as ciências dos números”, nada mais é do que uma forma sutil de reconhecer em particular — sem afirmá-lo publicamente — a incapacidade da Ciência de desatar a correia das sandálias daquele que é a Origem de todas as Ciências.

Mas será que poderia ser de outra forma? Nascidos, por assim dizer, ontem, pretendemos negar Deus para que nosso orgulho se salve da ruína?

 

18. Curiosamente, a Teologia, contagiada pela ousadia do ateísmo científico, deixou-se enganar pela farsa da cosmologia do século XX; e, compartilhando da impossibilidade de acessar o Pensamento de Deus, passou a fazer a Igreja acreditar que o Relato da Criação do Gênesis não passa de mais uma metáfora sem qualquer conteúdo científico; ou seja, que o único objetivo da Revelação do Gênesis consiste em relacionar a experiência do Universo com a Ideia de um Criador Divino.

Assim, daí a promover um constante aggiornamento do Texto, adaptando-o à mentalidade e à inteligência dos séculos, que mais!

Para o orgulho da intelectualidade, será sempre mais útil negar sua incapacidade de se colocar à altura do Deus Criador do Cosmos do que admitir a impossibilidade de se colocar à altura da sola dos sapatos do Criador de tantas maravilhas que adornam o Traje do nosso Universo.

 

19. Uns por uma razão e outros por outra, o fato é que, ao entrarmos no terreno da Onisciência Criadora, todos o fazemos como quem pisa em território virgem. Quer uns, negando a existência de um Deus Criador do Universo e do Cosmos, quer outros, afirmando sua impossibilidade de entrar na Palavra Criadora por meio do artifício teológico de que o Relato é uma metáfora; além das crenças e opiniões de uns e de outros, o Relato da Criação do Universo cumpriu sua função histórica de apresentar o Homem ao seu Criador.

Nas mãos de Deus está o direito de intervir em sua própria Criação; a Revelação foi concedida para revelar a vaidade de toda inteligência natural. Mas, visto que Deus não se glória em zombar de suas criaturas, sobretudo quando se uniu à sua Criação na qualidade de Pai, e sendo a Sabedoria o oposto da Ignorância, no corpo literário da Revelação estava selada a Promessa Todo-Poderosa do Acesso, no espírito da Fé, da Inteligência do Homem à Onisciência Criadora Divina.

Alegria, então, e deixemos que o rio dos séculos arraste para o mar do Passado os argumentos que surgiram para mascarar o fracasso de todos: cientistas e teólogos, para abrir a Porta, entrar e ver.

 

20. Dito isso, tendo em mente o Pensamento de Deus, o Texto Original do Gênesis diz que:

“A Terra estava… confusa!”.

“No princípio, a Terra estava confusa e vazia”, é a frase completa.

Na imensa maioria das traduções do original bíblico, especialmente desde os dias da Rebelião de Lutero contra a Unidade da Igreja Universal fundada pelo Senhor Jesus, Único Rei Eterno, Único Pontífice Universal, Deus Filho Unigênito, que com seu Poderoso Verbo trouxe à existência a Luz, o Firmamento, e toda a vida com que a Mãe Terra foi preenchida por seu Criador, as palavras: “A Terra estava confusa e vazia”, não são exatamente as mesmas.

E isso é compreensível.

Os próprios tradutores modernos viram-se presos à razão científica e, para evitar “a confusão” aos seus leitores, preferiram adaptar a Palavra de Deus ao espírito da época.

Aqui, com total independência dos complexos e preconceitos da época e de suas adaptações — pois consideramos que Deus é Eterno —, optei por manter o texto original e trabalhar a partir de suas informações:

 “No princípio, Deus criou os Céus e a Terra.

A Terra estava confusa e vazia…”.

 

21. Ora bem, o fato de a Terra ter passado por um período geohistórico caracterizado por um vazio planetário (no que se refere à biosfera) é um dado tão elementar e evidente quanto o fato de nascermos nus. Do ponto de vista da geologia clássica, não se fala de um período histórico de vazio cortês, no estilo que o autor do Gênesis quer nos apresentar. Mas, se devêssemos nos ater ao critério da geohistória moderna, também não seria correto falar de um vazio, para a superfície da Terra, à imagem e semelhança daquele que vemos na superfície da Lua. E é precisamente desse tipo de vazio cortês que nos fala o autor do Apocalipse.

 

22. A Lua, por exemplo; falando da Lua, podemos dizer — e dizemos — “que ela está vazia”. Por razões evidentes. Na Lua não há plantas; a Lua não tem atmosfera; a Lua não tem oceanos; a Lua não tem nada em sua crosta externa cujas propriedades nos permitam afirmar que a Lua teve, ou está a caminho de ter, uma biosfera.

Da crosta da Lua, em especial, além de não ser mais do que um deserto interminável que, por não ter nada, não possui sequer vestígios de alguma civilização perdida nas dobras de um desses cataclismos asimovianos de que tanto gostavam os leitores do século XX; e da Lua, em geral, podemos afirmar e afirmamos que “a Lua está vazia”. Sem atmosfera, sem oceanos, sem continentes, sem vida de qualquer tipo, nem vegetal nem animal, a Lua está hoje tão vazia quanto a Terra estava ontem, antes de Ele, o Filho de Deus, abrir a boca e dizer: “Haja luz”.

 

23. Não há necessidade de insistir, e insistir novamente, na imagem geohistórica a partir da qual o Verbo, abrindo a boca, com sua Palavra Todo-Poderosa, vestiu a nudez da Mãe Terra com o manto de gelo que Ele chamou de “a Luz”.

Quando, portanto, o Autor Divino nos revela que a Terra “no princípio estava vazia”, a imagem científica que seu Criador, Deus Pai, deseja nos transmitir e nos faz perceber é esta: a de uma Lua supergigante chamada Terra. E foi a esse planeta em sua infância, “nu” e exposto à destruição, que Deus Filho se aproximou, para maravilha de todos os filhos de Deus, “não desta Criação”, e, abrindo a boca, deu início à criação do gênero humano.

 

24. Assim, e para ir ampliando horizontes, a escada dos elementos naturais que o Gênesis nos convida a subir nos coloca diante de uma Terra sem oceanos, sem atmosfera, sem continentes, sem calotas polares, sem plantas, sem animais, sem aves nem peixes. Em uma palavra, sem biosfera. E a partir dessa retrospectiva, com toda a tranquilidade do mundo, um homem de 35 séculos atrás perguntava a todos os sábios de todos os tempos e lugares, nascidos e por nascer:

“Senhoras e senhores, partindo daquele planeta vazio, tão vazio quanto a superfície da Lua: como Deus criou a água, o gelo, o ar, a terra, o fogo? Ou seja, os oceanos, os continentes, a atmosfera, as calotas polares, as plantas, as aves, os peixes e toda a vida”.

Desde então, a pergunta do Autor do Apocalipse tem pairado sobre a inteligência dos milênios.

 

25. A esta altura, diante da distância entre o autor divino e o leitor do século XXI, a resposta oficial, na boca de teólogos e cientistas, é que Moisés se limitou a criar uma metáfora baseada em uma espécie rara de hipérbole mística.

Pessoalmente, não sei como chamar um fracasso que nega a possibilidade de qualquer vitória, e na afirmação do Nada espera afogar no mar do esquecimento sua derrota. Talvez algum dia eu consiga encontrar a resposta. Enquanto isso, a primeira tarefa deste livro é demonstrar, contra Descartes, que Deus não mente. A segunda, que os gênios se achavam mais espertos do que realmente eram. E a terceira, dar a resposta correta à pergunta em direção à qual a Civilização tem caminhado: “Como Deus criou o Universo?”.

 

26. A necessidade de começar por algum lugar nos colocou diante da informação bíblica em questão:

 “No princípio, Deus criou os céus e a Terra.

A Terra estava confusa e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a superfície das águas.

Disse Deus: ‘Haja luz’; e a luz se fez”.

Quantas vezes essa informação já foi lida? Quantas vezes essa revelação já foi comentada? Quantas gerações tentaram desvendar seu segredo! E quantos pensadores foram honestos consigo mesmos e com os outros e reconheceram que o quociente intelectual de quem criou esses Céus e esta Terra está tão distante do quociente intelectual humano quanto o Inferno está do Céu?

(Neste livro, o tempo será sempre entendido em escala geológica. À medida que avançarmos, novos horizontes irão se abrindo. O Princípio é o problema. E o problema está na escolha da plataforma).

 

 

CAPÍTULO 3. – CRIAÇÃO DA TERRA

 

27. A Informação bíblica nos coloca sobre uma plataforma geológica específica. Mais especificamente, a Revelação estende aos nossos pés um período geohistórico. Se, a partir de sua informação (“a Terra estava vazia”), olharmos ao redor e apagarmos da superfície do Globo todos os elementos clássicos da Natureza: atmosfera, continentes, oceanos e calotas polares; o que nos resta? Resta-nos um planeta vazio na véspera do Nascimento de sua Biosfera!

Mas o ponto, para o qual a inteligência foi mobilizada, centra-se na busca pela resposta atrás da qual tantos esforços se perderam. Quero dizer: partindo de um planeta com essas características geológicas, com uma crosta primária desprovida de qualquer elemento natural com o qual se pudesse começar a fazer algo — sendo que a imagem mais próxima de seu estado primário é a visão da superfície da Lua —, partindo desse estado primário, a pergunta é:

Como Deus conseguiu criar a Biosfera?

Essa seria a maneira tradicional de abordar o tema.

Mas há outra.

 

28. Abordemos o tema sob uma nova perspectiva. Por que não fazemos a nós mesmos a pergunta? A saber: que série de processos físicos teríamos que desencadear, controlar e dirigir para, trabalhando com uma plataforma geológica semelhante, criar uma biosfera?

Ver para acreditar! No futuro, veremos com nossos próprios olhos Deus em ação e nos maravilharemos ao contemplar como Deus realiza Suas Obras. Falando sobre elas, seu Filho, ao nos lançar um convite para assistir ao espetáculo da Criação, nos maravilhou dizendo-nos “que seu Pai fará obras maiores do que esta”. Com isso, também compreendemos que esse convite foi a causa da participação dos filhos de Deus nessa obra, a Criação de nossos Céus e de nossa Terra; Convite que atingiu sua felicidade suprema quando, chamando seus filhos, Ele os tornou participantes de nossa Formação e, dizendo “Façamos o Homem à nossa Imagem e à nossa Semelhança”, o Convite foi aberto à Participação no Ato Criador.

Dito isso, e para não nos perdermos em caminhos paralelos, e visto que a Origem do nosso Universo não pode ser vista por nós senão com os olhos da Inteligência, será com esses olhos da inteligência que veremos como Deus criou a Luz e todas as coisas.

 

29. Nem é preciso dizer que a recuperação, para a Memória da Humanidade, de uma Realidade Histórica à qual foi negado o acesso ao Gênero Humano, por lógica, entrará em conflito com os sistemas cosmológicos que o Mundo Moderno criou para preencher esse vazio.

Independentemente dos detalhes sobre as origens dos sistemas cosmológicos do século XX — aos quais, para conferir maior veracidade virtual, foi atribuída a medida do tempo até mesmo em nanossegundos —, a entrada em cena do verdadeiro sistema histórico na origem do Universo deve atordoar a inteligência de todos aqueles cujo pensamento ainda está ancorado no oceano sob cujas águas o Mundo Moderno pereceu.

Por minha parte, acostumado a navegar livremente pelo Conhecimento das Memórias do Universo, corro sempre o risco de avançar a uma velocidade maior do que a que o leitor consegue acompanhar. Confio em poder superar esse problema. Pelo menos é o que espero.

Desenhei a plataforma geohistórica da qual partiremos.

Ao amanhecer do Primeiro Dia do Gênesis, a Terra estava vazia, nua, sem oceanos, nem continentes, nem atmosfera, nem calotas polares. Nenhum dos elementos naturais revestia a nudez da Terra no dia seguinte ao seu nascimento. Como, então, Deus criou a Biosfera?

Como, se tivéssemos o Poder, nós mesmos a criaríamos?

 

30. De fato, Deus criou a Terra nas Trevas, pois o Autor escreve que, uma vez criada a Luz, Deus separou a Luz das Trevas; e depois diz que “Deus criou as estrelas para separar a Luz das Trevas”.

Daí surge a pergunta: onde estavam, e onde estão, essas trevas “que cobriam a superfície do abismo”, entre as quais Deus criou a luz?

Essa questão receberá, no devido tempo, a resposta que merece. Pelo que se lê, percebe-se, com olho de águia, que, onde quer que estivessem essas trevas entre as quais Deus criou a Luz, em sua Origem a Terra não foi criada no seio das estrelas de nossos Céus. Afirmação precoce avançando sobre as asas da aurora, mas que se verá cobrindo o firmamento do Século com a potência do Sol, afastando a Noite do Dia.

Basta pegar papel e lápis, dar vida à informação partindo do Princípio, relacionar a Luz com a Terra e deparar-se com uma imagem revolucionária na plenitude de sua grandeza. Ainda há um caminho a percorrer até que essa imagem seja desenhada.

Vamos percorrê-lo.

 

31. Na verdade, meu trabalho nesta Introdução consistirá em criar essa pintura, integrá-la à História da Terra e, a partir desse quadro, abrir a Porta da Luz da Inteligência para todas as ciências.

Há algo mais natural do que saber de onde viemos!

Por enquanto, uma vez colocado no papel o Mar das Estrelas de nossos Céus entre a Luz e as Trevas, a Admiração não apenas desperta, mas nos abre os olhos para um Cenário Criador que beira a incredulidade: “A Terra foi criada do outro lado do Mar das Estrelas de nossos Céus”.

Mas deixemos que a Luz nos desperte, nos abra os olhos, e que a “potência” sufocada, criada para se tornar “ato”, essa vocação de uma inteligência nascida para crescer na onisciência natural de seu Criador, realize essa natureza tão nossa, por culpa de uma rebelião sufocada no abismo da ignorância, mãe de todos os crimes, entre cujos rios de sangue a Mãe Terra sente-se morrer de vergonha e tristeza diante dos olhos do Céu. Por ela, levanto minha alma do pó, e que Deus transforme nossas lágrimas de horror diante de um ódio que não cessa em rios de alegria que jamais se sequem.

 

32. No que diz respeito à inteligência da Criação, que pai não revelaria aos seus filhos seus segredos mais íntimos!

A Terra foi criada lá, nas Trevas, do outro lado das estrelas do Firmamento. Sim, mas por quê?

Vista à distância, a Terra desenhava no espaço um planeta com toda a aparência de um satélite, do tipo Lua, só que muitas vezes maior. Um planeta “vazio” sobre aquele Abismo cuja superfície estava coberta pelas Trevas; como não se sentir confusa!

Será que seu Deus a criou para abandoná-la nas Trevas? Onde estava aquele esposo estelar que seu Criador lhe dera para que ela fosse sua esposa celestial? Desde o seu nascimento, a Terra e o Sol haviam sido prometidos em matrimônio perpétuo; de seu abraço, a Vida à Imagem de Deus emergiria para a alegria de todas as estrelas. Separada de seus irmãos, os planetas, abandonada nas trevas que cobrem a face do Abismo do outro lado do Mundo das estrelas, com a destruição cercando-a, seu futuro pendurado por um fio sob uma ponte de pedra, como não sentir a confusão rasgando a alma!

 

33. Será que Deus promete aleluias que enlouquecem de alegria e, uma vez consumado o nascimento, vira as costas para sua criatura, entrega-a à destruição e parte para outra coisa?

Ai, o coração da Terra, esse coração terno em sua esperança mais forte que o raio e a tempestade, entregue à solidão perpétua que precede a desintegração da consciência e da razão. “Ai, minha alma, que se parte em pedaços diante da indiferença do meu Criador”, chora desconsolada a Mãe que nunca deu à luz, e em sua confusão sente acreditar que nunca dará à luz.

O casamento foi anunciado, ela foi escolhida como dama de honra, bela como só ela, aquela Lua que espera em silêncio, com seu buquê de flores, a chegada de sua senhora e rainha, e logo se vê abandonada nas Trevas...

 

34. “Vazia e confusa”, abandonada nas Trevas do outro lado do mundo das estrelas, a Terra se encolhe, com os braços em volta dos joelhos, esperando a Morte. Ela já a cerca. Ela já se deixa cair, sem forças. O sono que tudo cura, lançando-a da Criação como uma pedra que se partiu ao golpe do escultor, a levará de volta ao pó de onde seu Criador a tirou. A Terra respira sem fôlego. Deita-se em torno da última centelha de calor. É a Sabedoria que, abraçando-a, a cobre com um cobertor e, ao ouvido, sussurra palavras de confiança e amor:

“Aguenta firme, minha filha, o teu Criador já está chegando”.

Esse era o cenário; e essa será a plataforma a partir da qual começaremos a subir a escada dos elementos naturais.

Como cheguei a montar esse cenário para uma Introdução Cosmológica, isso ficará claro no momento certo. Na falta de números, as letras servem bem. E estimular a inteligência com palavras é como açúcar na mão de uma criança. A inteligência sem o poder é estéril, e o poder sem a ciência se torna força de destruição. Pretender que o homem é a medida de todas as coisas é como uma arma nas mãos de um suicida; negar a existência de Deus com base na ignorância é alimentar o genocídio da extinção. As razões do Criador do Cosmos não precisam de justificativa, e é de criatura insensata pedir explicações ao seu Criador. Quem pode destruir um Universo com sua única Palavra faz o que faz porque ama a Vida; escandalizar-se com Seu Poder e com as razões pelas quais Ele determina que sua Criação siga por um caminho ou por outro é fazer uso da Liberdade para cometer homicídio. Não é na ignorância que provém da negação que se encontra a vitória da ciência; e, enfim, tudo o que sobe tem de descer, e a mentira não pode reinar para sempre enquanto a verdade viver.

Vamos prosseguir, então.

 

 

CAPÍTULO 4. – CRIAÇÃO DA BIOSFERA

 

35. Temos, portanto, duas realidades: a Terra, de um lado, e, do outro, Deus. Trata-se aqui de saber como, partindo daquela plataforma geológica “vazia”, Deus criou a Biosfera.

Eu disse antes que poderíamos fazer essa pergunta a nós mesmos. Pois, como conhecedores das ciências da matéria e de seu comportamento, sempre poderíamos apresentar uma sequência geofísica que se aproximasse o mais possível do modelo histórico real. E eu disse “ ” porque esse é o mesmo problema que Deus enfrentou e precisava resolver. E Ele resolveu. Sobre isso, não é necessário nos alongarmos nem insistirmos mais do que o necessário. Os resultados saltam aos olhos e preenchem tudo o que a Terra contém.

 

36. O fato é que “porque Ele conhecia a resposta”, Deus resolveu o problema da criação da biosfera a partir daquela estrutura geológica, aparentemente informe. E Ele conhecia a resposta porque conhecia todas as igualdades que as equações geofísicas colocavam diante Dele.

Perfeito conhecedor dessas equações e de suas soluções, Deus se levantou, subiu ao palco, abriu a boca e revelou o seu Verbo: “Haja Luz”.

 

37. Falamos da fusão do corpo geofísico externo. E aqui poderíamos nos lançar à descrição de uma fusão por fogo a partir do exterior, ou então trazer à tona uma fusão causada por uma compressão de fora para dentro, como se o campo gravitacional entrasse em colapso sobre si mesmo até reduzir seu raio à mínima expressão possível.

Se a Ignorância ainda nos mantivesse escravizados à Muralha da Morte, a escolha estaria em aberto. Não é esse o caso e, consequentemente, vou direto ao ponto.

 

38. O primeiro passo que Deus deu, para proceder à fusão do corpo geofísico, foi “o aumento da densidade por unidade cúbica astrofísica do campo gravitacional terrestre”. O efeito imediato foi o seguinte:

Imediatamente, a Terra começou a girar em torno de seu eixo a uma velocidade cada vez maior.

Sob a pressão gravitacional gerada — assim como uma rajada de vento transmite a tudo o que está nas bordas de sua trajetória um movimento acelerado —, o Globo Terrestre começou a girar em torno de seu eixo a velocidades cada vez mais elevadas.

Esse foi o primeiro efeito.

 

39. No que diz respeito aos fundamentos dessa Natureza dos campos gravitacionais envolvidos em um espaço tridimensional específico, de tal forma que a densidade pode aumentar ou diminuir de acordo com a lei da transformação da energia, estando essa natureza dos campos na raiz da relação entre a energia universal e a matéria astrofísica, a Criação não teria podido nascer sem que Deus fosse um Conhecedor até o infinito dessa Relação Cosmológica na base da Expansão do Cosmos e da Construção dos Universos.

A transformação da energia gravitacional em forças físicas materiais — campos elétricos, luz, energia cósmica etc. — é, de fato, o pilar fundamental sobre o qual toda a estrutura da Criação se sustenta. Ver-se-á a seguir o que essa relação implica e significa.

 

40. Consequentemente, partindo de uma rotação nula — o que é natural para todo corpo astrofísico cujo núcleo se encontra à beira do colapso —, a Terra começou a girar em torno de seu eixo a uma velocidade cada vez maior. Velocidade de rotação que Deus calculou de acordo com a necessidade; a elevação cinética do corpo da Terra deveria estar em correspondência com a densidade gravitacional por unidade cúbica astrofísica que a produziria.

Essa correspondência entre a densidade gravitacional de um campo e os parâmetros termodinâmicos dos corpos astrofísicos é uma das leis fundamentais do comportamento da Matéria Cósmica.

 

41. Esta foi, portanto, a primeira etapa da sequência geohistórica na Origem de nossa Biosfera.

O efeito de fusão do corpo geofísico externo — Manto e Crosta —, em resposta à ativação do Núcleo Astrofísico da Terra, não demorou a se manifestar.

Vamos ver se conseguimos entrar no quadro e, a partir do interior da tela, sentir o Movimento que, por ser Memória, se encontra como objeto de decoração pendurado na Parede de nossa História Universal.

Como sabemos que a Matéria que reage diretamente à Gravidade é a Matéria Astrofísica, e, pelos efeitos que levam à causa, compreendemos que os parâmetros cinéticos de um corpo estelar provêm dessa relação de correspondência com as propriedades do campo gravitacional em que se localiza, podemos abrir nossa inteligência à aceleração rotacional do Núcleo da Terra como efeito do aumento da Densidade do Campo Gravitacional da Terra impulsionado por Deus.

 

42. Criada essa ativação do núcleo astrofísico da Terra, pela qual o transformador geonuclear passou a produzir forças físicas naturais em seu corpo, a saber, forças eletromagnéticas e calor, o pulso sismológico da estrutura geofísica interna disparou, sendo que tanto o Manto quanto a Crosta da Terra experimentaram, no momento, o efeito natural de sua sujeição ao processo de expansão do Núcleo físico desencadeado por Deus, por um lado, e ao seu aumento de temperatura, por outro.

 

43. Como o rugido do rei da selva ao despertar, como os ecos dos primeiros raios da tempestade, como uma estrela no dia de sua implosão, como um terremoto de proporções astronômicas sacudindo o Manto sob o qual o Núcleo vinha dormindo, tanto o Manto quanto a Crosta começaram a se aquecer e a estalar sob uma sinfonia de terremotos e vulcões.

O espetáculo do despertar daquele gigante que jazia adormecido no coração da Terra transformou a superfície terrestre em um mar de lava viva, sacudida por um processo vulcanológico de poder e beleza indescritíveis.

Assim como o soldado que obedece ao seu rei e senhor e, ao ouvir a ordem de batalha, dá um salto, empunha a espada e o escudo e, sem hesitar, lança-se ao combate rugindo com a voz de um vulcão, e com o poder de pernas que provocam terremotos faz o solo estalar sob seus pés, dessa maneira maravilhosa, em algumas horas geológicas, aquela Terra “confusa e vazia” transformou-se em um oceano de lava viva, sob cujas correntes parecia mover-se um exército de vulcões lutando contra as ondas magmáticas de um Manto que havia rompido as barreiras externas e se espalhava alegremente pela superfície da Terra. Maremotos, gigantescos tsunamis de lava, sacudiram a superfície terrestre; de suas cristas foram lançadas para a estratosfera ilhas de magma que, ao esfriarem, transformaram-se em rocha e voltaram a cair no oceano de fogo com o estrondo de um meteorito ou de um cometa.

 

CAPÍTULO 5. – FUSÃO DA CASCA TERRESTRE

 

44. Vemos, portanto, que, partindo do que se vê para o que se deduz — tal como a inércia por si só propõe —, ao partir do que se possui para as consequências a que os fatos conduzem, não se admitem incongruências, embora seja verdade que quem possui não costuma valorizar o que o outro perde; é seguindo essa linha de pensamento que a resposta, de ordem física, ao enigma bíblico, põe em movimento uma série geofísica cujas principais etapas são:

1: Fusão da Crosta Primária

e 2: Sublimação da proto-atmosfera resultante.

 

45. O motor dessa série geohistórica foi o Núcleo. A energia necessária para provocar essa mudança de estado foi produzida por Deus por meio da aceleração do ritmo de trabalho do Núcleo; aceleração revolucionária que, por sua vez, foi efeito do aumento da Densidade Gravitacional por Unidade Cúbica Astrofísica do Campo Gravitacional Terrestre.

Em termos práticos, comparando agora o Corpo Geofísico a uma Máquina, digamos que Deus encheu o tanque (Campo Terrestre) de energia (Gravidade), provocando assim o aumento automático dos parâmetros do Motor Geonuclear até o Ponto Crítico de Implosão Astrofísica.

O fato de esse Ponto Crítico não ter sido ultrapassado é evidenciado pelos efeitos causados pela Sublimação da Proto-Atmosfera, que, por sua vez, deu origem às calotas polares, sem as quais o Sistema Biosférico não teria surgido, e cujo desaparecimento pressupõe seu colapso irrecuperável.

Assim, uma vez que a Crosta Primária se transformou em um mar de lava viva, abrangendo suas margens de um polo ao outro do Globo, e a Proto-Atmosfera (Primordial) elevou-se até o teto do Planeta, o corpo geonuclear começou a diminuir sua rotação por unidade geológica de tempo.

 

46. Já era meio-dia quando os gases produzidos pela fusão da crosta se acumularam ao redor do Globo e deram origem a uma atmosfera planetária, primitiva, mas que continha em seu volume todos os elementos necessários para dar origem à nossa biosfera.

Aquela atmosfera continuou a se expandir durante toda a manhã e, com o passar das horas, começou a ocultar, sob seu volume rarefeito, o mar de magma que lhe dera origem. (Sempre falando em linhas gerais, de maneira aproximada, concentrando a atenção no todo em vez de nos detalhes).

Essas coisas aconteceram durante a manhã do primeiro dia. Ainda restava uma tarde pela frente.

 

47. Levando em conta a mecânica da fusão dos sólidos — uma lição para crianças pequenas que costuma ser ensinada em todas as salas de aula desde tempos muito antigos, e cujo cerne iremos poupá-los, omitindo o conhecimento aprofundado das estruturas cristalinas e a manipulação a que se presta tanto na química quanto na física —, e entendendo que essa mecânica elementar foi a que Deus aplicou à Crosta Primária da Terra, podemos afirmar, sem medo de cair no absolutismo da razão onipotente da ciência, e muito menos na armadilha nobeliana do dogmatismo da Academia, que a estabilização dinâmica da estrutura geofísica externa daquela Terra Primária surgiu como consequência da diminuição da atividade sismológica de seu corpo interno.

Digamos que aquela Força que Deus empregou para brincar com a Terra como se fosse uma bateria de vulcões com a qual compor uma sinfonia única, espetacular, maravilhosa e alucinante, e depois de ter tirado faíscas e trovões dos pratos, seja porque se cansou e não aguentava mais, seja porque quebrou as baquetas, o fato é que a Força cessou, e se fez o silêncio. Traduzindo para o leigo:

 

48. Seguindo a lei da inércia, transformada a energia causadora da fusão da Crosta Primária, uma vez cumprida sua tarefa, o Núcleo Astrofísico da Terra retornou ao estado de equilíbrio anterior ao momento em que Deus abriu a boca e proclamou Sua Palavra: “Haja luz”.

Assim, à medida que o silêncio se tornava mais denso, até igualar a densidade da Atmosfera Primária assim criada, a cor vermelha e amarelada vulcânica da Crosta Primária começou a se dissipar, a se dissipar e a adquirir a cor da matéria sólida vulcânica. E assim, ao entrar na reta final da Tarde do Primeiro Dia do Gênesis, a Terra começou a retornar ao seu estado natural de equilíbrio entre as diferentes partes que compõem seu corpo geofísico.

 

49. A etapa final desse processo (a criação da Atmosfera Primordial por meio) foi a Sublimação de uma Proto-Atmosfera, cuja composição química primária podemos comparar à dos planetas “gasosos”, cuja evolução não foi submetida a esse evento especial, embora sem esquecer a fenomenologia única a que Deus submeteu a formação da Crosta Primária da Terra, assunto que será abordado quando for a hora certa e se adequar ao ritmo desta Introdução.

Portanto, e continuando, uma vez isolada a Terra de uma fonte de energia externa com a qual estabelecer uma “conversa” energética — para introduzir termos do dia a dia no assunto —, o Núcleo da Terra, em decorrência da transformação do campo gravitacional em forças mecânicas, entrou em uma perigosa trajetória de colapso astrofísico (assunto esse que também será abordado quando for oportuno e pertinente. O importante são os fatos, e o fato foi que:) Durante a transição do “estado de fusão maciça” para o “estado de equilíbrio geofísico”, a crosta terrestre se solidificou e, como resultado, a proto-atmosfera entrou em uma fase de sublimação repentina.

 

50. Ao cair a noite do Primeiro Dia, sem ir mais longe, a proto-atmosfera havia se transformado em um manto de gelo.

Manto de Gelo que cobriu a Terra do Polo Norte ao Polo Sul, e era a Luz de que fala o Gênesis.

Em linhas gerais: do Fogo ao Gelo.

 

CAPÍTULO 6. – CRIAÇÃO DA ATMOSFERA PRIMORDIAL

 

51. Naturalmente, passei por este Primeiro Dia o mais rápido possível, pensando em trabalhar a partir de uma base sólida. Não queria que, sem saber do que estou falando, o leitor se perdesse na tentativa de compreender a ideia que estou delineando.

Fusão da Crosta Primária e Sublimação da Atmosfera Primitiva: esses foram os dois principais processos que Deus realizou durante o Primeiro Dia.

(O fator tempo permanece uma incógnita. Não serei eu quem atribuirá valores numéricos ao tempo que Deus levou para realizar cada processo.

Pelas razões que veremos a seguir, meu conselho ao leitor é que ele também não se preocupe demais. Acima de tudo, porque, sendo Deus onipotente e uma vez definida a potência a partir da relação entre força e trabalho, uma das coisas ao alcance do Criador é acelerar um processo até sua máxima expressão possível.

Quando falo de onipotência, entendo-a sob essa perspectiva. Logicamente, a matéria impõe alguns limites, tanto para cima quanto para baixo.

Também considero isso como um dado adquirido).

 

52. Mas o que Deus fez para desencadear a rotação acelerada do Globo na origem da fusão de seu corpo geofísico?

Muito bem, “Deus disse e assim se fez”. Sou o primeiro a não me importar nem um pouco em saber como Ele fez isso ou como Deus faz o que quer fazer. O fato é que, tendo sido criado à sua imagem e semelhança, desviar o olhar e não me preocupar com uma resposta sem a qual meu ser se sentiria insatisfeito, não é o meu estilo. Não me basta acreditar. Quero dizer, isso já é mais do que o suficiente, mas se eu puder ver — e como acontece que tenho olhos para ver —, se eu vir, melhor ainda.

Portanto, insisto: que força capaz de provocar tal série de processos geofísicos Deus colocou em ação para desencadear, daquela maneira, a rotação acelerada do globo terrestre?

 O que Deus realizou no alvorecer do Primeiro Dia foi gerar um campo de energia. (Veremos que a Natureza Divina e a Essência do espírito Criador se encontram na essência desta afirmação: “Deus é Energia”, campo sobre o qual já teremos tempo de nos aprofundar. De fato, à medida que a inteligência for abrindo caminho para a contemplação da Natureza Não Criada do Ser Divino, veremos como a energia criadora se transforma nas forças naturais do corpo sobre o qual o Ato Criador está se realizando).

A primeira coisa, portanto, que Deus fez no alvorecer deste Primeiro Dia foi gerar um campo de energia. E a segunda, projetar esse campo de energia sobre a Terra.

 

53. Eu dizia que a primeira coisa que Deus fez no alvorecer deste Primeiro Dia foi gerar um campo de energia. E a segunda, projetar esse campo de energia sobre a Terra. E eu declarei que Deus é Energia; e que sua manifestação física ocorre por meio de sua transformação na natureza do campo do objeto sobre o qual Deus projeta sua força. No caso que nos ocupa, a Terra, o campo de energia que Deus gerou transformou-se em energia gravitacional.

 

54. De forma mais dinâmica, para não nos perdermos em movimentos muito lentos devido ao seu peso científico, direi que o campo gravitacional terrestre absorveu aquele rio de energia e duplicou sua densidade média por unidade cúbica astrofísica. Isso, por um lado. E, por outro, que Deus duplicou a densidade original do campo gravitacional terrestre com base nos cálculos estimados que havia feito para levar o Núcleo da Terra ao seu Ponto de Implosão Astrofísica, cujo efeito seria a fusão da Crosta Primária.

A consequência imediata da multiplicação da energia por unidade cúbica astrofísica a que o campo gravitacional terrestre foi submetido foi produzir o efeito de rotação orbital acelerada que a Terra iniciou.

(À medida que formos avançando, já ficará claro em que medida a velocidade de transformação da energia gravitacional em massa e calor e a velocidade de rotação do corpo celeste em questão mantêm uma espécie de relação semelhante à de qualquer máquina com o combustível necessário para seu funcionamento).

 

55. Eu sei, imagino que, ao abordar o tema nesse ritmo, comparar o campo gravitacional a um tanque de combustível que se enche e se esvazia não pareça nos levar a lugar algum. Mas foi isso que aconteceu: a resposta automática da Terra à multiplicação da densidade média de seu campo gravitacional foi a aceleração instantânea do número de rotações a que seu Núcleo vinha se movendo até então. E a resposta do Núcleo ao aumento de suas rotações de trabalho foi a produção de calor.

(De forma mais superficial, ou menos aprofundada, todos, em maior ou menor grau, sabem qual é o produto final da fusão de sólidos. Digo isso ao falar sobre a fusão da Crosta Primária. Os vulcões são o melhor exemplo que posso citar. A associação entre erupção vulcânica e massas de gases subindo ao céu é um clássico da Natureza, e a foto nos poupa de ter que navegar pelas redes cristalinas e suas ligações moleculares — uma viagem agradável para alguns, bastante pesada para outros. No âmbito industrial, os altos-fornos nos oferecem gratuitamente outro exemplo. Mas se o que nos preocupa é conhecer o assunto a fundo, o melhor é recorrer a um especialista em ciências da Natureza e perguntar-lhe como a matéria sólid e se comporta para retardar o pior; afinal, o comportamento das redes cristalinas submetidas a uma fonte de calor crescente é um caso onipresente nos manuais mais elementares de física).

 

56. As perguntas que aqui nos deixam perplexos são as seguintes:

O que Deus pretendia ao acelerar ao máximo os motores do transformador geofísico?

O que Ele pretendia ao provocar a aceleração das rotações de trabalho do Núcleo da Terra e produzir a fusão da Crosta Primária?

(As outras questões que deixei em aberto — a natureza química da Casca Primária e sua formação — são detalhes que tentarei abordar mais adiante, quando chegar ao capítulo sobre a Criação da Terra. Na hora certa, procurarei também abordar a natureza astrofísica do Núcleo e a relação entre a matéria estelar e os campos gravitacionais, que estão na origem das propriedades do cosmos. Salientar, como fiz, que essa relação entre energia e matéria se traduz em luz e calor não é uma ideia sem fundamento, mas simplesmente a forma mais natural e simples de explicar o processo básico no qual as estrelas e as galáxias têm sua origem e de acordo com cuja fenomenologia elas se distribuem e interagem. Mas, como o que foi prometido é uma dívida, espero lembrar-me disso mais adiante; e, caso não o faça, espero que o leitor desculpe esse tique psicológico que me afeta na hora de saldar “dívidas”).

 

57. Voltemos, então, retomemos o fio da meada e sigamos o caminho que, nas trevas do túnel, a Luz nos indica.

Eu estava dizendo que, uma vez ativado o Núcleo, devido à pressão causada pela multiplicação da densidade gravitacional do campo terrestre, a transformação da energia em calor precedeu a fusão do corpo geofísico. E perguntava, em seguida, o que Deus esperava obter dessa fusão.

Com base na representação da fusão da Crosta Primária, a resposta é a seguinte:

 Deus buscava a produção de uma atmosfera quimicamente predeterminada. Em outras palavras, o efeito final que Deus produziu ao pisar no acelerador do transformador geonuclear tinha na Atmosfera Primária sua estrela polar.

(Omitiremos nesta seção tudo o que se refere à matemática do controle de voo, desde o estado inicial até o final. A lógica da vitória alcançada implica, em sua estrutura e desenvolvimento, a superação de um complexo sistema de incógnitas. Com os resultados à vista, não seria justo arriscar-se a perder o fio da meada com base em considerações específicas “apenas adequadas para gênios”.

Mas seria bom deixar claro que a necessidade de atravessar esse mar de equações tinha o futuro como recompensa. Qualquer erro ao duplicar a densidade gravitacional por unidade cúbica astrofísica além de um ponto crítico teria levado o sistema geofísico a se transformar em uma espécie de supernova planetária. Nesse caso, a Terra teria se desintegrado em um enxame de meteoritos. Mas voltemos ao assunto).

 

58. Eu estava dizendo que, uma vez atingido o meio-dia dessa jornada, a Terra se viu envolvida por uma atmosfera supersaturada com um dos elementos mais abundantes nos espaços exteriores: o hidrogênio. Em todos os outros aspectos, a atmosfera terrestre era semelhante às atmosferas dos demais planetas.

Em termos de cores, digamos que, do preto e branco típico do corpo lunar, a Terra passou para o vermelho brilhante e vivo das fulgurações solares, só que, em estado líquido, para finalmente ir se apagando e esfriando até que sua superfície se dissipasse no seio de uma nuvem espessa, tão envolvente e enigmática quanto uma nebulosa que orbitasse em torno de um campo imaginário à velocidade de cruzeiro de um cometa de Natal.

Digamos...

E vamos deixar por aqui.

 

CAPÍTULO 7. – CRIAÇÃO DA LUZ

 

59. E continuamos.   

Espero que vocês tenham acompanhado meu raciocínio até aqui e que a velocidade com que meu pensamento se lançou a recriar as Memórias do nosso Universo não tenha representado nenhum inconveniente para vocês.

Vamos em frente, então.

Assim que a Terra transformou a energia que seu Criador lhe fornecera em forças naturais para seu sistema geofísico, e a implosão geonuclear provocou na arquitetura de seu corpo os dois processos mecânicos descritos: Fusão da Crosta Primária e Produção da Atmosfera Primitiva; uma vez concretizada essa primeira sequência, o motor geonuclear foi diminuindo sua rotação até atingir um novo estado de equilíbrio.

 

60. É possível acompanhar esse processo a partir dos manuais de Física. Na verdade, basta inverter a sequência: diminuir a velocidade de rotação do Globo, bem como a temperatura do Planeta, e o resto é brincadeira de criança — embora seja preciso dizer: de criança, sim, mas de crianças intelectualmente capazes de perceber o jogo de forças que constitui o Sistema da Criação, no qual Deus entra como “fonte universal de energia”, e onde o campo gravitacional se manifesta de acordo com os princípios clássicos da energia, ou seja, transforma-se, neste caso, nas forças naturais que atuam sobre um determinado corpo astrofísico — transformação que está na raiz do movimento universal e torna possível a existência tanto de estruturas astrofísicas sistemológicas pontuais, abertas ou globulares, quanto de estruturas do tipo das galáxias; não é à toa que, tomando sempre o Verbo como fonte de inspiração, verdade que se tornará evidente à medida que avançarmos, quando entrarmos na criação do Firmamento, Deus fala da Gravidade como daquelas “águas… que estão acima do Firmamento…”, abrindo assim nosso Criador nossa compreensão para a comparação da Gravidade com o elemento líquido, realidade à qual Ele mesmo está acostumado, que Lhe é natural e, a partir dessa realidade: Gravidade = combustível líquido, Ele trabalha. Certamente a Gravidade enquanto “energia líquida singular”, mas isso já será visto com mais detalhes à medida que avançarmos.

 

61. Assim, uma vez transformada a multiplicação adicional do volume original do campo gravitacional que Deus causou ao dizer “Haja luz” — transformação de energia no trabalho que implicava a fusão do corpo geofísico externo —, e uma vez consumada a fusão da crosta primária e do manto geológico, concluída essa série, a velocidade de rotação do núcleo do globo terrestre diminuiu, e, ao diminuir, arrastou consigo a temperatura geral do planeta em sua queda.

As duas consequências imediatas da queda da temperatura em todo o corpo geofísico foram:

1: Formação da litosfera

e 2: Sublimação da atmosfera.

 

62. O que eu disse antes, reitero agora. Meu hábito de lidar com esses processos como parte da minha Memória Viva me leva, por inércia, a pular etapas sequenciais que, aos olhos dos outros, podem não ser tão óbvias.

Vou me explicar.

Se eu disse que a velocidade de rotação e a velocidade de transformação da gravidade em luz e calor estão diretamente relacionadas, e agora digo que a velocidade de rotação da Terra começou a diminuir, entende-se que essa redução afetou o Núcleo. À medida que suas rotações de trabalho entravam em queda vertical descendente, uma vez que o combustível fornecido havia sido consumido no processo de transformação da gravidade em calor, a temperatura geológica geral começou a diminuir. Primeiro a do Núcleo, depois a do Manto e, finalmente, a da Crosta. A consequência desse resfriamento seria a formação do anel litosférico e a sublimação da Atmosfera. Abordaremos essa sublimação a seguir.

 

63. E, mais uma vez, ao falar sobre a Fusão da Crosta Primária, insisto na importância fundamental do conhecimento sobre a fusão de sólidos como ponto de partida para compreender a mudança na estrutura cristalina que ocorreu na estrutura da Terra em decorrência da Fusão de seu corpo geofísico primário.

Nesse sentido, o pré-condicionamento artificial existente, no âmbito universal, em relação à origem natural dos planetas, é uma barreira que o leitor deve superar. Essa imagem arquetípica para ignorantes que ainda se movem às cegas no túnel das vergonhas do século XX, onde uma Gravidade que surge como por magia do Nada comprime um mar de matéria flutuante que sai da cartola do Merlin de plantão e, abracadabra, produz um ente físico, essa imagem, tal como se depreende do próprio discurso, se encaixa perfeitamente em um conto de Alice no País da Ficção Científica.

E nada mais.

 

64. Toda inteligência que se preze e trabalhe com um sistema em que os valores astrofísicos são determinados pela relação entre a matéria (estrela) e a energia (gravidade) chega à conclusão, tomando a astro-iconografia como reflexo da Realidade, de que o resfriamento temporal dos corpos estelares provoca a fixação da matéria nebulosa em seu corpo externo, sendo esta a Origem Natural dos Planetas.

No caso da Origem do Planeta Terra, sua Singularidade Cósmica decorre do fato de sua Origem ser uma Aplicação direta da Inteligência Criadora sobre o sistema matéria-energia — assunto que abordaremos no momento oportuno —, e determinou tanto os parâmetros geofísicos primários quanto os efeitos geohistóricos dedutíveis dessa Aplicação Criativa.

Aqui, poderíamos nos perguntar por que Deus não se limitou, então, a brincar com um planeta de origem natural; questão que será respondida à medida que avançarmos, mas que envolve a Teologia, pois tem a ver com o “porquê”, sendo o “como” o domínio próprio das Ciências Físicas.

 

65. Voltando ao nosso tema principal:

Por sublimação dos gases entende-se a passagem da matéria do estado gasoso para o sólido sem passar pelo estado líquido. O exemplo mais cotidiano de sublimação gasosa nos é oferecido pela Natureza todos os invernos. As nuvens se transformam em neve e granizo.

No âmbito das experiências caseiras, o horizonte de experimentação nos parece muito limitado, mas, no âmbito do laboratório, os experimentos abertos à curiosidade são numerosos. Como aqui não temos espaço nem meios para transformar as palavras em imagens, concluo dizendo que:

O Manto de Gelo em que Deus transformou a Atmosfera Primitiva, protagonista deste Primeiro Dia, era “a Luz” do Gênesis.

 

66. E deixo aqui aos meus leitores a reflexão sobre o mais incrível dos mistérios: como um homem de três mil e quinhentos anos atrás pôde ter uma concepção física tão moderna sobre a Origem da Biosfera?

A. Fusão da crosta primária,

B. Formação da proto-atmosfera,

C. Resfriamento da crosta e sublimação da atmosfera primitiva.

Não é de tirar o chapéu?

Este é um ponto sobre o qual eu deveria insistir, creio eu, ou pelo menos é o que eu deveria pensar. Imagino que teremos tempo para voltar a essa questão da relação cognitiva, tal como descrita nesta Introdução, do pensamento de Moisés a respeito do Conteúdo do Hieróglifo que chamamos de “Gênesis”.

 

67. De qualquer forma, a relação de Moisés, o hebreu, com a História Universal não se deu por meio da ponte da Ciência, mas sobre os trilhos da Onipotência e do Todo-Poder, deixando a Onisciência — entendida como Ciência — a Deus, o verdadeiro Autor desse Hieróglifo, não sendo as mãos humanas senão canetas movendo-se ao ritmo marcado pelo Pensamento daquele que se coloca diante da Eternidade e desenha Acontecimentos na tela dos Milênios com a mesma facilidade com que outros planejam seus crimes à luz do mundo inteiro. Dois assuntos, portanto: a Onisciência e a Onipotência, pratos distintos, que serão servidos no momento oportuno, seguindo as regras da boa mesa.

 

 

SEGUNDA PARTE

CRIAÇÃO DO FIRMAMENTO DOS CÉUS

 

CAPÍTULO 8. – RECAPITULAÇÃO GEOHISTÓRICA

 

68. A surpresa ao descobrir essa sequência de acontecimentos geohistóricos — na qual os gênios do mundo moderno julgaram não haver nada, exceto a imaginação febril e fanática de uma mente em estado religioso febril (sequência perfeitamente científica em sua abordagem e desenvolvimento) — não deve desviar nosso olhar da série completa de fatos sobre os quais, para facilitar a visão geral do todo, passei rapidamente.

Recapitulando:

 

69. Um: Multiplicação Controlada da densidade por unidade cúbica astrofísica do campo gravitacional terrestre. A origem dessa Multiplicação Controlada, como afirmei, é a Natureza do Ser Divino.

 

70. Dois: Aceleração vertical das rotações de trabalho do transformador geonuclear da Terra. Daí derivou-se a aceleração rotacional do Globo em torno de seu eixo e a implosão astrofísica do Núcleo, na origem do calor do Planeta.

 

71. Três: Elevação termodinâmica global do corpo geofísico, que, a partir do Manto, se estendeu até a superfície e produziu a fusão da Crosta Primária.

 

72. Quatro: Liquefação da Crosta Primária sob os efeitos da Fusão do Globo externo e formação da Atmosfera Primitiva.

(A natureza química da atmosfera terrestre, única entre as de sua família planetária, nos apresenta um problema alternativo que não abordarei neste momento, mas sobre o qual voltarei a tratar oportunamente).

 

73. Cinco: Uma vez concluída a transformação do combustível gravitacional em calor, a Terra voltou às mãos da Natureza, ajustando-se, em suas novas mudanças, à lei da inércia.

A. Desaceleração das rotações de trabalho do transformador geonuclear.

B. Queda da velocidade de rotação do planeta.

C. E queda da temperatura do Globo.

Esses foram os três primeiros efeitos visíveis.

 

74. Seis: esses três efeitos foram a causa de uma nova sequência de efeitos. O primeiro desses novos efeitos foi o resfriamento da superfície externa do Globo, o que, ipso facto, lançou a primeira pedra para a criação do anel geofísico externo, a litosfera.

 

75. Sete: Também podemos falar de solidificação da Crosta Secundária. Enfim, isso já é uma questão de preferência. Assim que nos aprofundarmos mais no assunto, teremos tempo para diferenciá-las. Avançando um pouco no assunto, digamos que a litosfera é para o Globo o que a crosta secundária é para a litosfera. Resumindo, a crosta secundária é a camada externa da litosfera. Foi, portanto, a crosta secundária a primeira camada litosférica a se solidificar.

 

76. Oito: O contínuo abaixamento da temperatura geofísica até seu antigo estado inicial — que nunca mais seria alcançado — provocou a solidificação da Crosta Secundária, como já mencionei, e a formação do anel litosférico. A Arquitetura Geofísica continuou a completar sua estrutura com o surgimento do segundo anel, o Manto, cujo resfriamento fecharia a fonte de calor da qual, até então, a Atmosfera Primitiva vinha se abastecendo para conservar seu estado natural.

 

77. Nove: O resfriamento de fora para dentro do Globo, por lógica, tinha que transformar o anel litosférico em uma barreira que impedisse a transferência de calor do Núcleo para a Atmosfera.

 

78. Dez: Termicamente isolada do Núcleo, a temperatura da Atmosfera despencou à velocidade vertiginosa imposta pelo isolamento. Seu volume congelou. O resultado foi a transformação da Atmosfera no Manto de Gelo que cobriu a esfericidade do Planeta, do polo norte ao polo sul, durante a Tarde do Primeiro Dia.

Como disse antes, esse Manto de Gelo é a Luz no Verbo do Primeiro Dia.

 

79. Esta é a sequência que percorremos com alegria. Ao longo do caminho, fui apresentando fatos específicos que demonstram a grandeza da Inteligência Criadora e seu domínio das ciências do espaço, do tempo, da matéria e da energia. Domínio cognitivo que é como um campo onde a Árvore da Ciência da Criação lança suas raízes. Nesses fatos nos deteremos por um momento na próxima seção.

 

CAPÍTULO 9. – PRIMEIRA LEI DO COMPORTAMENTO DO UNIVERSO

 

80. Deus aplicou ao sistema geofísico a primeira das leis que regem o comportamento do Universo: a transformação da energia gravitacional em luz e calor. Sendo essa primeira lei o princípio geral sobre o qual Deus construiu a Arquitetura dos Céus, é graças à sua manifestação no espaço local que a geometria do nosso Universo se mantém constante ao longo do tempo. Sei que é um pouco precipitado afirmar algo tão contundente, mas, à medida que formos avançando, a imagem que os resultados expostos pretendem transmitir à nossa inteligência irá se revelando até desdobrar, em cores, a magnitude de sua beleza.

 

81. Dito isso, a aplicação ao sistema geofísico da primeira lei entre o conjunto que rege a Física dos Céus nos leva a nos interessar pelas reações que corpos estelares com propriedades diversas desencadeiam diante de um mesmo fator externo, como poderia ser a entrada em torrente no interior de seu sistema de uma corrente de energia, do tipo corda gravitacional intergaláctica que, à medida que atravessa os abismos, arrasta toda a matéria solta que encontra em seu caminho.

 

82. As explicações a que possamos chegar terão sempre, neste Acontecimento Histórico (multiplicação da densidade gravitacional do campo terrestre), seu ponto de partida. São suas derivações que nos levam a formular a relação entre a energia universal e a matéria astrofísica no âmbito da produção de luz e calor, as duas consequências visíveis mais diretas que chegam aos nossos sentidos. Quando falo em produção de luz, entende-se todo o espectro da radiação estelar na origem da energia cósmica. A importância dessa relação entre energia gravitacional e matéria estelar será revelada nos capítulos seguintes. Por enquanto, limitarei-me aos fatos, tomando sempre a multiplicação da densidade original do campo gravitacional como a plataforma de partida desta Nova Cosmologia.

 

83. Observamos (e isso foi feito porque se inferiu a causa primeira a partir dos efeitos finais) que, ao dobrar a densidade cúbica astrofísica — ou seja, a quantidade de energia presente em um campo gravitacional, no caso de um planeta e, mais especificamente, da Terra —, a produção de calor do transformador astrofísico se multiplica por esse múltiplo.

Se estivéssemos falando de um transformador estelar, a primeira consequência visível se manifestaria na intensidade da luz produzida.

No caso que nosso Criador nos apresenta, o calor é a consequência direta, em função da natureza do transformador sobre o qual Deus atuou.

(A variedade de transformadores astrofísicos está além da nossa imaginação. Dentro do horizonte que se abre diante de nós, é de se supor que essa variedade compreenda fontes de raios gama, raios X e raios de natureza indefinível para o nosso limitado alcance de conhecimento do Cosmos. E, enfim, como ousar colocar limites ao que não tem fim!).

 

84. As perguntas são: o que aconteceria se, em vez de Deus controlar o processo de transformação da energia de um sistema astrofísico em luz e calor, nos encontrássemos nas fronteiras dos Céus e, por qualquer causa externa, um sistema estelar binário ou múltiplo sofresse uma multiplicação descontrolada da densidade de seu campo gravitacional? E, inversamente, o que aconteceria se a velocidade de transformação do campo gravitacional em luz ou em qualquer outro tipo de fonte de radiação ultrapassasse o ritmo de transferência de energia de um sistema para outro? Não teríamos que começar a corrigir nossas hipóteses sobre a origem das novas e das supernovas?

 

85. Aqui vai outra: as flutuações na intensidade da luz das estrelas e as variações em seus períodos e ciclos orbitais não são um apelo à nossa inteligência, com a intenção de abrir nossa mente para a compreensão do universo como um oceano de energia sobre cujas águas flutua a matéria?

Não é maravilhosamente curioso que, ao falar sobre si mesmo e relembrar aqueles dias, Deus nos tenha contado dizendo: “que pairava sobre a superfície das Águas”?

Pessoalmente, não tenho nenhuma dúvida quanto à identificação do campo gravitacional universal com um oceano de energia onde ocorrem correntes que funcionam como canais de transferência da gravidade de algumas zonas para outras, mantendo Deus, por meio desse sistema de irrigação, a geometria de Sua Criação em perfeito estado de equilíbrio.

 Mas a questão que levantei anteriormente diz respeito à relação do nosso universo-galáxia com o cosmos exterior, com o reino das galáxias.

 

86. A pergunta era: o que acontece quando uma corrente extralocal irrompe com força no perímetro de nossos Céus e desequilibra uma zona, seja pela multiplicação da soma total de energia presente, seja pela aceleração instantânea das rotações de trabalho da matéria astrofísica.

Por meio desta análise, a ideia é recuperar o efeito de rotação acelerada que a Terra experimentou quando Deus multiplicou a densidade de seu campo gravitacional, efeito do qual extraímos uma lei de regularidade direta entre o processo de produção de calor e a velocidade de rotação do transformador astrofísico.

A ideia nos leva a perceber que, ao levar uma estrela a uma rotação acelerada instantânea, o efeito deve nos proporcionar, em sequência: a criação de uma nova ou de uma supernova, caso o corpo afetado pela multiplicação instantânea de suas rotações de trabalho seja um sistema múltiplo.

Também, no momento oportuno, nos dedicaremos a analisar detalhadamente esse processo de formação de novas e supernovas.

 

CAPÍTULO 10. – E O VERBO É DEUS

 

87. E retomamos agora o fio condutor que nosso Criador estendeu diante de nós, que sempre esteve ali, mas que, em Sua Presciência, Ele deixou repousar nas trevas até que a Inteligência de nossa Civilização abrisse seus ouvidos à Linguagem da Ciência da Criação. Dito isso, o resumo sequencial dos acontecimentos históricos protagonizados por Deus durante aquele Primeiro Dia pode ser apresentado da seguinte forma:

A: Multiplicação da densidade do Campo Gravitacional Terrestre. (Essa questão da multiplicação, por Deus, do volume de energia de um determinado sistema astrofísico — questão que está na base da própria Criação — é algo que resolvemos ao assumir a natureza do próprio Criador, natureza que Lhe permite ser a fonte de energia fundamental da qual se alimenta o oceano cósmico).

B: Aumento vertical ascendente do ritmo de funcionamento do Transformador Geofísico Central. (A existência de uma correspondência inata entre densidade gravitacional e rotação estelar está na base da luz e de sua intensidade).

C: Fusão do Manto e liquefação vulcânica da Crosta Primária. (Abro mão de qualquer comentário a esse respeito, pois confiei à inteligência natural do leitor a conexão entre a causa primeira apontada e os efeitos finais expostos).

D: Formação da atmosfera primitiva “clássica”. (Ao falar de “clássica”, tenho em mente a atmosfera planetária típica, rarefeita e caótica, tal como a encontramos nos demais planetas do nosso Sistema).

E: Resfriamento do Núcleo e solidificação da Crosta Secundária, ou Litosférica.

(Essa foi a origem da Crosta Secundária. Sobre ela e durante o resfriamento, Deus atuou visando a formação do Substrato Ecosférico Autônomo, sobre o qual ainda não falei nada, mas sobre o qual já se falará algo. Enfim, aí estão as dorsas oceânicas como provas das forças de arrasto que Deus colocou em ação, e de cuja solidificação se depreende o momento durante o qual Deus moldou a geografia dos continentes.

A lógica mais elementar impõe seu critério e pressupõe que um estado de semilíquido é o momento perfeito para remover da superfície do corpo semissólido parte de sua matéria, assim como faz quem trabalha com barro e depois leva a figura resultante ao forno. Nesse caso, o efeito do forno foi assumido pelo processo acelerado de solidificação que a Crosta Secundária havia iniciado.

O motivo pelo qual Deus abriu o hemisfério atlântico em canal faz parte da Arquitetura Geofísica na base da Criação do Plano Biosférico, sobre o qual falaremos em breve.

O fato é que as forças de arrasto que criaram o Canal Atlântico e deram origem às dorsas oceânicas deixaram suas marcas ao se solidificar a camada litosférica. E lá estão elas, como testemunho da existência da atividade criadora que molda as plataformas continentais.

Não pretendo me pronunciar sobre como essa criação afeta a teoria da tectônica de placas. Além da Teoria do Plano Biosférico, apresentarei outra evidência adicional contra o modelo geofísico que o século XX impôs como norma.

F: Sublimação da Atmosfera Primitiva. (Eu disse que, quando a litosfera isolou a atmosfera primitiva do Núcleo: levada pela queda da temperatura, a atmosfera congelou, sublimou-se, e o resultado final foi sua transformação em um manto de gelo, que, assim como antes o mar de lava, cobriu a esfericidade da Terra do Polo Norte ao Polo Sul, de leste a oeste).

 

88. Esse manto de gelo que envolveu o planeta na tarde daquele dia era a Luz que saiu dos lábios do nosso Criador, quando Ele disse: “Haja luz”.

 E assim se fez. E assim foi.

O contrário teria sido absurdo.

A dúvida cartesiana, como método de relação entre a Inteligência do Criador e a da Criatura, não é um método; é um muro de separação, uma barreira que limita as possibilidades e capacidades da Ciência de crescer na direção da Onisciência Criadora.

Se antes entendi por Onipotência a faculdade criadora de reduzir o tempo de trabalho de um processo à sua mínima expressão possível, entendo agora por Onisciência o domínio que, em Sua Sabedoria, Deus exerce sobre todas as ciências da matéria, do espaço, do tempo e da energia. E, ao fazê-lo, incluo nessa lista ciências que operam em diferentes universos, sobre os quais nada podemos dizer, a não ser nos maravilharmos com Seu conhecimento infinito.

 

CAPÍTULO 11. – CRIAÇÃO DO FIRMAMENTO

 

89. Assim, tendo em mente o estado da Terra ao final do Primeiro Dia, com o Globo Geofísico envolto naquele Manto de Gelo que seu Criador chama de “a Luz”, a visão do nosso Planeta, vista de longe, era a de uma imensa bola de gelo flutuando no Abismo, como a visão de um enorme ovo cósmico nascido nas Trevas.

 A próxima sequência geohistórica que Deus tinha em mente era a seguinte:

 

90. Deslocamento da Terra de sua região de origem para seu lugar definitivo nos Céus.

(A localização da região de origem da nossa Terra será um problema a ser resolvido nos próximos capítulos. A necessidade de alertar o leitor sobre o fator de descrença que essa localização suscitará me leva a isso. Também enfrentarei esse desafio com elegância e tranquilidade).

 

91. Lançamento da Terra no Sistema Solar e acoplamento em sua terceira órbita.

 

92. Sublimação do manto de gelo. (Por sublimação do gelo entende-se a passagem da matéria do estado sólido para o gasoso sem passar pelo estado líquido. Neste caso, seria o processo inverso ao da sublimação dos gases.

Se no dia anterior vimos como Deus conseguiu baixar a temperatura do Globo até o ponto crítico de sublimação de sua atmosfera, neste novo dia veremos o processo contrário. Meu conselho é abrir os olhos da inteligência e se preparar para compreender maravilhas. E, como sempre, se alguma objeção surgir, não se preocupe demais, tudo se resolverá).

 

93. Ruptura do manto de gelo em dois blocos e recuo em direção aos pólos geográficos. (Esse recuo dos dois blocos de gelo em direção às calotas polares é um período geohistórico que, abordado a partir de uma perspectiva diferente, a geologia clássica incutiu na mente de todos.

Lembro aqui que a Ciência é o ABC da Linguagem da Criação. O resto — pretender moldar o Universo e sua História à medida da onipotência da Razão humana — é um exercício de vaidade sobre o qual não vou dizer nada agora.

Tanto a Ciência quanto a Teologia permaneceram até hoje submetidas à escravidão imposta pela Necessidade da Queda. Não é a partir de uma tribuna de acusação e condenação que devemos analisar as teorias e os estados intelectuais pelos quais tanto a Fé quanto a Razão passaram. Talvez, se estivéssemos no lugar de qualquer um dos que nos precederam, teríamos feito exatamente o que eles fizeram. Portanto, neste dia de alegria, não vamos ficar sérios).

 

94. Nascimento do Oceano e Formação da Atmosfera Biosférica. (Essa Atmosfera é o Firmamento no Verbo do Segundo Dia. Em seguida, entraremos em sua sequência geohistórica. Antes que o amanhecer desse Segundo Dia se faça e a História se aproxime mais um passo de nós, acho que não é má ideia refletir sobre o lugar onde Deus criou a Luz. Já sei que mais de um vai levar as mãos à cabeça e ficar sem palavras. Bem, basta abrir o Evangelho e ver o que Seu Filho fazia para ficar maravilhado com a surpresa).

 

 

TERCEIRA PARTE

CRIAÇÃO DA ESCADA DOS ELEMENTOS NATURAIS

 

CAPÍTULO 12. – SOBRE AS TREVAS

 

95. O texto bíblico não mente. No quarto dia do Gênesis, é-nos dito que Deus criou as estrelas para separar a Luz das Trevas. Cito:

“E assim foi. Deus fez os dois grandes astros, o maior para presidir o dia, e o menor para presidir a noite, e as estrelas; e os colocou no firmamento dos céus para iluminar a terra e presidir o dia e a noite, e separar a Luz das Trevas”.

Quem nunca leu este texto?:

“Deus criou as estrelas e as colocou no firmamento dos céus para separar a luz das trevas”.

O autor do Gênesis primeiro nos diz que Deus criou a Luz e, em seguida, nos afirma que, uma vez criada a Luz, Ele a separou das Trevas.

 

96. Bem, as opções que nos são oferecidas são essas e não admitem contestação. Deus criou a Luz, depois a separou das Trevas e criou as estrelas para separar a Luz das Trevas. A questão é: o que aconteceria agora se, onde Moisés escreveu “Luz”, colocássemos o Manto de Gelo, cuja criação acompanhamos?

O clima está começando a esquentar?

Que tal pegarmos lápis e papel e traçarmos algumas linhas?

Traçamos uma circunferência em um canto da folha e a chamamos de Terra.

No lado oposto, traçamos outro círculo e o chamamos de Trevas.

Agora, traçamos no meio uma parede de separação entre a Terra e as Trevas, que chamaremos de Estrelas.

É a imagem que surge quando colocamos a Terra onde Moisés colocou a Luz. E, de fato, se olharmos para o céu, vemos que os Céus funcionam como uma parede de separação entre a Terra e o cosmos exterior.

 

97. Conclusão: Se Deus criou a Luz e a separou das Trevas… é porque a Terra se encontrava, naquele momento, naquela região da qual as estrelas a separam atualmente. Ou, o que dá no mesmo, antes de criar a Luz: a Terra se encontrava no meio das Trevas.

 

98. Compreendo que essa forma simples de construir uma lógica possa parecer ao leitor uma arte sinistra de complicar ainda mais as coisas. A verdade é que, por mais que eu queira, não encontro essa complicação e talvez por isso me lance à recriação dos acontecimentos geohistóricos sem me preocupar com a opinião dos séculos. Na hora da verdade, que é o que nos interessa aqui, o problema é onde, em que região do espaço sideral, se encontram essas Trevas que cobriam a face do Abismo quando Deus disse: “Haja luz”.

 

99. O Apocalipse limita-se a nos informar sobre a distância astronômica que Deus colocou entre as Trevas e a Luz. Não fornece números nem coordenadas intergalácticas. Diz-nos que Deus criou a Terra e, entre a Terra e sua região de Origem, colocou os Céus. Tradução maravilhosa e revolucionária que nos deixa grudados na cadeira e nos coloca exatamente onde nosso Criador queria nos ver: no meio das Trevas e olhando para os Céus. Então, de que adianta termos os pés no chão se, no fim das contas, quem tem a cabeça nas nuvens é quem vê melhor as coisas?

 

100. Uma questão adicional vem à tona.

Deus criou as estrelas para separar a Terra de sua região de origem sem outra razão além de desenhar o zodíaco na abóbada do firmamento?

Ou será que Ele conferiu aos céus dimensões galácticas por alguma outra razão?

A resposta afirmativa implica a afirmação de um impossível histórico: nada mais e nada menos do que um homem de três mil e quinhentos anos atrás ter compreendido, sem jamais ter observado o cosmos, que nosso Universo é uma galáxia no coração de um oceano de galáxias em movimento — razão pela qual Deus conferiu aos nossos Céus suas atuais dimensões astronômicas.

 

CAPÍTULO 13. – A ESCADA DOS ELEMENTOS NATURAIS

 

101. Mas continuemos.

Criada a Luz (processo que descrevemos seguindo a linha do tempo com a qual Deus desafiou, desde o Gênesis, a Ciência de todos os tempos; percorrendo essa linha, chegamos à Fusão da Crosta Primária e à Sublimação da Atmosfera Primitiva resultante, fábrica onde Deus produziu o Manto de gelo que, durante a Manhã do Primeiro Dia, cobriu a esfericidade do planeta Terra, e sem julgar os processos mecânicos, dada a naturalidade do tema: Fusão da Crosta Primária e Sublimação da Atmosfera Primordial), deixamos o assunto da Revelação um tanto no ar até que a ocasião nos permitisse voltar a colocar os pés no chão.

 

102. E, sem entrar em mais detalhes, voltamos ao Texto; ao ler suas letras, concordamos que a definição da Palavra Criadora — cuja identidade a faz abandonar o reino das metáforas, hipérboles, mitos e demais entidades lendárias — transformou “a Luz” em uma Chave de Champolion, cujo uso permite interpretar a Revelação, contra toda opinião, teológica ou científica, defendida até hoje, afirmando que Deus separou a Terra de sua região de origem e a introduziu nos Céus, conclusão que se depreende do Texto: “e Deus viu que a Luz era boa, e a separou das trevas”, declaração que, à luz dessa interpretação, me leva a admirar a coragem que o autor humano demonstrou ao ousar, sem conhecimento científico, confessar tal declaração de separação entre Luz e Trevas pela mão do próprio Deus que criou a Terra e os Céus.

A ignorância de Moisés é precisamente onde reside a sabedoria daquele que lhe ditou o texto, e, por seu silêncio, seu escriba tornou-se o homem mais sábio de sua época. Em uma seção dedicada à ignorância de Moisés enquanto escriba de Deus, voltaremos ao tema da onisciência do Senhor que lhe ditou o relato da criação do universo. Como não poderia ser de outra forma. Ou será que, para nós, tudo não começou quando a Terra foi criada?

 

103. Já sabemos que dizem por aí que a verdadeira história do Homem remonta até mesmo a antes da existência da Terra. Ora, nem a existência do Homem é transcendental para o Cosmos, nem o conhecimento da estrutura das galáxias é vital para a existência do Homem. Assim, se o Homem não existisse, o Cosmos continuaria e , onde está, seguindo seu curso; e se o Homem não conhecesse a estrutura do Cosmos, isso também não faria com que o Homem deixasse de ser o que é.

Isso não significa que a importância do Conhecimento do Universo não tenha um valor existencial específico para nós; mas sim deixar claro que o conhecimento que é de transcendência vital para o Homem, enquanto Ser, é o Conhecimento de Deus; e, como em Deus está o Criador, a Ciência da Criação vem junto, por assim dizer, com alegria no corpo.

 

104. Alguém poderá questionar por que, então, Deus manteve em silêncio a Memória da Criação da Terra e dos Céus, separando o Criador em Deus do Senhor. Postura que Deus manteve em Cristo, mantendo a Fé e a Inteligência como dois braços unidos a um mesmo corpo, nascidos para obedecer à mesma Vontade, mas com o movimento de cada braço sujeito ao pensamento da cabeça, sob cujos impulsos todo o corpo se move.

 E eu responderei a essa simples questão afirmando que assim foi, de fato.

Ao mesmo tempo, negarei que, desde o início, Deus tivesse disposto o Conhecimento do Criador em Si, seguindo esse padrão de crescimento sob as condições da Ciência do Bem e do Mal. Aconteceu o que aconteceu e já não há remédio. E, por ter acontecido isso, a Formação da Inteligência à Imagem e Semelhança da de nosso Criador sofreu, ao longo do caminho, um contratempo, que obrigou Deus, de fato, a antepor ao Conhecimento da Ciência da Criação o Conhecimento da árvore da ciência do Bem e do Mal, cujo fruto, como sabemos, é a Guerra.

 

105. Não sei se quem lê estas linhas compreendeu as leis desta Ciência. Pela minha parte, acredito que a estrutura desse Fruto está assimilada e, a partir do conhecimento que vem da experiência, posso escrever o que, com o conhecimento que vem da teoria, tomava forma na língua do Primeiro Homem, a saber: “Maldito seja todo aquele que comer desse fruto, e maldito seja aquele que der de comer do fruto da Árvore da Ciência do Bem e do Mal”.

Confissão final que me traz de volta ao ponto de onde iniciamos esta pequena jornada, falando da Separação da Luz que Deus realizou assim que a criou nas Trevas. Ao escrever sobre isso, afirmei que, enquanto a Ignorância teve sua Lei, a impossibilidade de penetrar em seu Conteúdo levou uns, os teólogos, e outros, os cientistas, a devolver a Deus seu Gênesis envolto no papel das metáforas e dos mitos.

Mas, uma vez que a Luz foi traduzida pelo Manto de Gelo que, ao final do Primeiro Dia, cobria a superfície da Terra — Manto de Gelo produzido pela Sublimação da Atmosfera Primitiva surgida da Fusão da Crosta Primária —, não nos resta mais do que atear fogo no papel da Tradição Teológica e da Cosmologia do Século XX, soprar sobre as cinzas, limpar a mesa e voltar a trabalhar partindo das Informações que Deus nos oferece em Seu Livro.

Talvez eu volte a abordar esse assunto em outra seção, e talvez já o tenha feito em uma anterior.

Não importa.

E não digo isso porque sou daqueles que acreditam que uma verdade é mais ou menos verdadeira dependendo do número de vezes que o martelo cai sobre a cabeça do tolo de turno. Digo isso pensando que a vida é um pensamento que se constrói a partir de raízes universais, e não porque se tenha um sonho muitas vezes esse sonho adquira mais sentido, nem porque, ao deixar de sonhar, o corpo vá perder o benefício que o descanso noturno lhe proporciona.

De jeito nenhum!

 

106. Pois a insignificância do homem para o Cosmos é um fato; a Verdade existe por si mesma, mesmo que não haja ninguém no Universo. Eu posso deixar de existir neste exato momento, mas a verdade existia antes de mim e permanecerá sem mim.

 

107. Quanto à minha mania de voltar a um ponto de referência, que pode ser um hoje e outro amanhã, ela se deve mais à necessidade de manter um ponto de referência comum entre escritor e leitor.

Por inércia, o ensaísta tende a se perder em seus pensamentos e o leitor, a se agarrar a uma ideia concreta.

E, sendo o caso em questão de tal complexidade, por mais que eu queira simplificá-lo, o fato é que excluir a Cosmologia e a Teologia — abordando sua postura em relação ao Gênesis de Moisés — da mesa de trabalho sobre cuja superfície o espírito da Inteligência de Deus está se movendo neste século XXI, pressupõe um ato mais próximo da arte do que da ciência, supondo que escrever seja uma arte, e que seja arte dar expressão ao pensamento; algo com o qual, pessoalmente, concordo, e deduzo dos filósofos e heróis das revoluções do segundo milênio, os primeiros afiando suas canetas com a arte do polemista e os segundos suas espadas com a arte dos filósofos.

Nas duas vezes em que essa união deu à luz, trouxe ao mundo dois Acontecimentos para a eternidade: a Revolução Francesa e a Revolução Russa.

 

108. O problema, portanto, não está na Palavra, mas no uso da arte de sua ciência. Nesse caso, a Verdade, e não o Poder, é o Princípio e o Fim. E daí que, sendo o homem insignificante e a Verdade eterna, a opinião humana seja pó sobre a mesa. Cuja superfície limpamos com o objetivo de colocar a Terra em seu devido lugar durante o Dia em que Deus criou a Luz e, uma vez criada: “a separou das Trevas”.

 

109. Voltando, portanto, ao ponto da restauração, direi que qualquer um que tenha dois olhos na face verá que, criada a Luz nas Trevas, a Terra — sendo a Luz o Manto de Gelo que, ao término do Primeiro Dia, cobria sua superfície — encontrava-se nas Trevas.

Dessa região Deus a separou uma vez criada a Luz, ou seja, o manto de gelo que cobria a esfericidade da Terra ao final do Primeiro Dia, conforme está escrito há três mil e quinhentos anos: “e Deus viu que a luz era boa, e a separou das trevas”.

Se Deus a separou, é porque ela estava lá. E se depois Deus criou as estrelas para separar a Luz das Trevas, como se pode ler no Quarto Dia: “Deus fez os dois grandes astros, o maior para presidir o dia, e o menor para presidir a noite, e as estrelas; e os colocou no firmamento dos céus para iluminar a Terra, e presidir o dia e a noite, e separar a Luz das Trevas”.

 

110. Assim, traduzindo nesta Linha do Hieróglifo de Moisés “Luz” por “Manto de Gelo”, temos que a Terra se encontrava em uma Região exterior aos Céus. Tradução impressionante e surpreendente que, se não fosse pelo fato de ser Deus quem a subscreve e seu Escriba quem a escreve com a Vara de comando da qual se serviu para separar as águas do Mar Vermelho, nossa inteligência se lançaria ao mundo dos extraterrestres e onde coloco C — de Cosmologia — teria que colocar F — de fantasia.

Dito isso — porque merece ser dito — e já que a porta está aberta, vamos entrar.

 

111. Como Deus produziu essa mudança de uma região do Espaço Geral para a região onde ela se encontra atualmente? Sobre esse particular, o autor nada disse. Tampouco disse nada sobre a natureza específica da região de origem onde Deus criou a Terra. Nem neste momento vou entrar em mais detalhes. Quando for conveniente para esta Cosmologia, já levantaremos o véu. Por enquanto, basta aceitar que Deus criou a Terra fora de nossos Céus, além das constelações de nossa galáxia, no Abismo coberto pelas Trevas.

 

112. De fato, voltando ao tema da Formação da Crosta Secundária e da Sublimação da Atmosfera Primitiva, o fato de a Terra se encontrar em uma região sujeita ao zero absoluto foi o catalisador de que Deus se serviu para criar o Manto de Gelo.

Vemos como, estando Marte a uma distância maior, sua atmosfera não passou por aquele processo de sublimação pelo qual passou a Terra. A singularidade que a Biosfera representa entre os planetas aponta para a existência de um período geohistórico especial que, por mais incrível que nos pareça, se revela a partir da Revelação, quando Deus declara que a singularidade da Biosfera obedece e é a resposta à região de origem onde Ele a criou. Afirmação espontânea que nos conduz imediatamente ao problema do Poder do Criador do Universo. Pois, se, intelectualmente falando, o processo de criação da Biosfera revela, na sequência exposta, sua natureza científica, a objeção insuperável diz respeito à Natureza desse Ser que não apenas pensa em como fazer as coisas, mas que também possui Poder Infinito para realizá-las.

 

113. Não sei se já disse isso, mas se não o disser agora: o Poder sem a Inteligência não satisfaz a necessidade que a transformação da Realidade exige; e vice-versa, a Inteligência sem o Poder fica restrita a sonhos, à fantasia, a respostas que o vento leva embora.

Nesse caso, conhecendo Deus pela Teologia e o Universo pela Ciência, a única coisa que precisamos fazer é fundi-los em uma Nova Ciência, a Ciência da Criação, e seguir suas leis e seus princípios.

Nesse caso, sabendo Deus que, ao expor uma atmosfera a uma região sujeita ao zero absoluto, seu volume se sublimaria e daria origem à criação de um bloco de gelo, e podendo fazê-lo, Ele o fez.

E chamou de Luz o manto de gelo.

 

114. Mas a integração da Terra nos Céus foi preparada por Deus antes de abrir a boca e dar início à sequência criadora da Luz. Não foi por acaso que Deus encontrou um sistema estelar com características planetárias compatíveis com a Terra. Antes de mergulhar no oceano das constelações da Via Láctea, Deus sabia o que estava procurando, onde se encontrava o que procurava e quais eram as características do Sistema Solar que buscava. E sabia disso porque Ele mesmo formou sua estrutura planetária com o objetivo de não provocar uma rejeição à integração da Terra na estrutura solar.

 

115. O Gênesis parte de uma plataforma prévia: a Terra e os Céus já haviam sido criados, e sobre sua superfície nos lançamos a navegar. Poderíamos ter iniciado essa jornada mergulhando nas profundezas do Tempo, mas preferi seguir a rota traçada por Deus de antemão, entre outras coisas, porque Ele conhece o terreno melhor do que nós. No momento oportuno, vou me empenhar na tentativa de recriar a Criação do Sistema Solar. Até que esse momento chegue, devemos colocar em discussão as leis básicas necessárias para a compreensão de uma sequência sistemológica de tanto interesse para nós.

 

116. Assim, a integração da Terra no Sistema Solar, por mais natural que pareça para quem associa a Divindade ao poder de abrir a boca e ter tudo pronto, implicava a resolução de um mar de equações complexas, repleto de incógnitas e fatores a serem levados em conta. Como qualquer outro sistema do Universo, o corpo solar não pode aceitar a integração de um novo elemento sem passar ele próprio por uma transformação de estado. Pensando nessa regra universal simples de integração de corpos astrofísicos em sistemas complexos, Deus garantiu a impossibilidade de rejeição ou perturbação destrutiva do Sistema Solar em resposta à integração da Terra em sua estrutura, criando o Sol, a Terra e a Lua com uma mesma Origem no espaço e no Tempo.

 

117. Uma vez criados o Sol e os planetas com suas luas e seus anéis, Deus procedeu ao isolamento da Terra, raiz da Confusão à qual o Texto se refere, para, após criar a Luz — como já vimos —, reunir novamente a Terra e o Sol, momento em torno do qual estamos nos concentrando nesta seção. Essa integração tinha um caminho. E, nesse caminho, a camada de gelo deveria iniciar sua trajetória particular rumo à sua transformação em ar e água. Descrever essa trajetória é o objetivo que nos propomos na próxima seção.

 

118. E, enfim, a consequência do lançamento da Terra na trajetória boreal (porta pela qual a Terra entrou no campo elétrico do Sol) fez-se sentir na superfície do manto de gelo. O fato de a Terra ter acessado sua órbita biosférica por essa rota boreal tinha causas mais complexas do que aquelas que nos interessam abordar aqui. Por enquanto, vamos nos concentrar no derretimento do Manto de Gelo e nas consequências físicas de sua aceleração até o ponto crítico máximo ao longo da duração desse processo. Elevação instantânea buscada por Deus ao proporcionar à Terra o acesso pela rota boreal.

 

119. O certo é que, ao introduzir a Terra pela rota solar boreal, o que Deus conseguiu foi acelerar, à velocidade máxima permitida, o processo de degelo do manto de gelo, bem como fazer o mesmo com a consequente evaporação do produto resultante.

O jogo de forças sobre o qual a fusão do Manto de Gelo se acelerou ao seu máximo possível combina as forças clássicas com as revolucionárias, e aponta para essa cosmologia quântica indescritível na origem de todos os processos de criação de matéria astrofísica e de energias eletromagnéticas.

Quanto mais se aproximavam a Terra e o Sol, menor ficava a distância Sol-Terra e mais intenso se tornava o processo de derretimento do Manto de Gelo. É a rapidez desse movimento de aproximação que nos leva a falar em sublimação. Nesse sentido, a sublimação do Manto de Gelo foi uma evaporação direta. Que, buscando compreendê-la da forma mais simples possível, podemos compará-la à aplicação de um ferro em brasa sobre a superfície de uma barra de gelo. O Sol funcionou como a barra de ferro em brasa na mão de Deus e a Terra, como a barra de gelo.

Não estou falando figurativamente ao dizer que, se Deus tivesse continuado aplicando o ferro indefinidamente, a massa total da camada de gelo teria se transformado em atmosfera. Pelo menos é essa a impressão que nos causa a extensão infinita do tema. Eu diria que se trata apenas de uma simples aparência e nada mais. Uma aparência que nos convida a dar mais um passo adiante. E a afirmar que a estabilidade do universo em geral, e do nosso Sistema em especial, baseia-se em dois pilares fundamentais. O primeiro já vimos: é a transformação da energia em novas formas de energia. O segundo é a natureza eletrodinâmica da matéria cósmica fundamental.

 

CAPÍTULO 14. – SEGUNDA LEI DO COMPORTAMENTO DO UNIVERSO

 

120. O estudo que Deus realizou sobre o comportamento da Matéria Cósmica o conduziu ao reino da Eletrodinâmica Astrofísica. Durante as pesquisas sobre a natureza do espaço, da matéria e do tempo que Deus realizou em sua busca pelo domínio da Ciência da Criação — o que Lhe permitiria transformar a Realidade Universal —, Deus observou como a matéria fundamental, apesar de suas transformações e saltos dimensionais no espaço geral, conserva as propriedades de sua natureza atômica.

A descoberta da conservação das propriedades atômicas naturais na energia cósmica fundamental, independentemente da direção percorrida, abriu para Deus um horizonte criativo sem limites. Pois, por maiores que sejam as distâncias percorridas durante o salto da matéria microcósmica para a macrocósmica, a natureza de suas forças eletrodinâmicas se conserva; o cenário que se abre para a inteligência criadora é ilimitado. Além disso, essa descoberta, por si só, faz com que as estrelas e suas redes sistemológicas se transformem em tijolos, em blocos, em um campo de matéria-prima do qual extrair toda a massa necessária para erguer edifícios constelacionais.

 

121. Assim, aplicando agora: se a primeira lei (transformação do campo gravitacional em luz) se opõe à contração infinita do universo, uma vez que a quantidade de energia não permanece estática na equação — instabilidade equacional derivada da transformação da gravidade em luz e forças eletromagnéticas —, condição de estabilidade exigida pela hipótese para dar via livre à contração do campo universal em um núcleo primordial, e que não é cumprida — realidade que a estabilidade do sistema astrofísico local demonstra; essa segunda lei — natureza eletrodinâmica dos campos gravitacionais — impede o movimento contrário (destruição por dispersão) ao estabelecer entre os sistemas siderais uma rede eletrodinâmica de comportamento.

Ou seja, a operacionalidade dessa lei de transformação da energia gravitacional em forças eletromagnéticas e outras formas de energia luminosa, a operacionalidade dessa lei — dizia eu — contra a dispersão por enfraquecimento constante do volume da energia universal: mantém a concentração a partir das leis da eletrodinâmica.

 

122. E, finalmente, a ativação dessa barreira eletrodinâmica de proteção permite a existência de correntes gravitacionais ao redor de continentes astrofísicos, sujeitos a uma teoria de estruturas moleculares em que as partículas são astros.

 

123. A aplicação visível dessas duas leis a um Sistema Estelar Individual está presente no nosso próprio sistema.

Por um lado, o campo magnético atua como elo entre a Terra e o Sol. O que se estende a todos os demais planetas.

Por outro lado, o campo elétrico ergue uma barreira entre o Sol e a Terra. O que, poeticamente falando, poderíamos resumir assim: Lançada a Terra ao encontro impossível de sua destruição, a natureza de seu espírito positivo transformou a aparência em admiração quando a igualdade entre os signos resolveu o conflito.

E continuamos.

 

124. De maneira mais ou menos simples, vou recriar o primeiro trecho dessa nova sequência geohistórica que ocorreu no Segundo Dia.

Mas voltando ao assunto, a incorporação de um novo planeta pelo Sol significava para seu Sistema a integração, em seu campo, de um novo transformador de energia gravitacional, com suas propriedades exclusivas. Como essa mudança estrutural alterou a relação entre a família planetária não é fácil de determinar, mas esse era um fator que Deus conhecia por experiência própria e, a partir dessa experiência, resolveu no papel todas as incógnitas antes de passar à ação. Não é preciso ir muito longe para encontrar o sucesso da aplicação de sua matemática à realidade; os resultados estão à vista. Vamos nos concentrar na Terra e no que sua integração em um campo gravitacional compartilhado significou para seu corpo físico.

 

125. Começarei dizendo que qualquer corpo de natureza astrofísica, enquanto estiver isolado de qualquer outro corpo, limita-se a consumir sua própria energia. Enquanto esteve isolada em sua região de origem durante o Dia Zero, a Terra se alimentava de seu próprio campo gravitacional. A baixa velocidade de transformação com que seu núcleo operava manteve seu pulso em um mínimo estável de rotações. O problema era que o campo gravitacional continuava aumentando a massa cortésia por meio de seu efeito de buraco negro. Portanto, a Terra tinha motivos para estar confusa.

 

126. E diz Deus que ela estava vazia porque a Terra, por si só, não conseguia sair daquela situação. Somente estando conectada a uma rede de energia ela poderia superar o fim para o qual, abandonada às suas próprias forças, se via condenada. Quando Deus retornou e duplicou a energia de seu campo, acelerando a rotação de seu corpo externo, rompeu aquela situação. Daí resultou, como mostrei, a fusão da crosta primária e a criação do Manto de Gelo que cobriu o Globo ao final do Primeiro Dia.

 

127. A energia fornecida, uma vez transformada em calor, e tendo o Núcleo retornado a um novo estado de equilíbrio ao final do Primeiro Dia, ao introduzi-la no Sistema Solar ao amanhecer do Segundo Dia, a Terra se viu repentinamente na situação em que se encontra um transformador conectado a uma rede de energia.

A primeira reação de seu Núcleo foi passar de um estado lento de funcionamento para outro mais avançado.

Podemos compreender o que isso significa relembrando como a variação da energia com a qual seu campo pode interagir a afetou no início do Primeiro Dia. Efeito do qual se deduz, de maneira universal, que o motor que mantém constante o movimento estelar é o Núcleo.

 

128. O movimento das estrelas e de todos os corpos do Universo, portanto, como se vê muito bem em nosso Sistema, possui uma singularidade. Todos giram em torno de seu eixo. O efeito físico natural desse tipo de movimento é, como se observa nos helicópteros, o movimento para cima. Daí deveríamos deduzir que todas as estrelas e seus sistemas seguem uma trajetória ascendente. Como se disséssemos que o Universo se comporta como um corpo que se move para cima eternamente. Agora, voltemos ao ponto em que interrompi este Relato.

 

QUARTA PARTE

CRIAÇÃO DA BIOSFERA

 

CAPÍTULO 15. – CRIAÇÃO DOS CONTINENTES E DOS OCEANOS

 

129. Eu dizia que Deus criou a Terra nas Trevas e que, após criar o Manto de Gelo — que, em Seu Livro, Ele chama de Luz —, Ele o separou das Trevas e o introduziu nos Céus, onde se encontra.

E creio ter dito que o primeiro de todos os efeitos que a Terra experimentou em decorrência dessa integração pode ser comparado ao efeito que um transformador experimenta ao ser integrado a um circuito elétrico. E que, assim como no início do Primeiro Dia, no início deste Segundo Dia, o aumento da velocidade de rotação do Globo — sinal externo do aumento das rotações que seu Núcleo experimentou — foi o efeito imediato da integração da Terra no campo do Sistema Solar.

 

130. Ora, sendo a trajetória natural entre dois pontos que se atraem a linha reta, e o movimento em um campo gravitacional semelhante ao de um líquido em um copo, o movimento aproximativo de um corpo externo em direção a um corpo astrofísico, em virtude dessa relação, traça um círculo ao redor da estrela. Mas, como Deus descartou a opção de aproximação pela trajetória planetária, a trajetória que a Terra deveria descrever não poderia ser outra senão a parábola. E foi precisamente essa que ela começou a traçar como reação à ação de aceleração instantânea que sua rotação sofreu. Isso no que diz respeito ao primeiro trecho do voo da Terra em busca de sua órbita biosférica.

 

131. No primeiro efeito desenhado — a lei que rege o voo dos helicópteros a lápis —, é preciso incluir nesse processo de acoplamento a natureza dos respectivos campos elétricos. Dito isso, qualquer campo eletromagnético é definido por suas duas componentes: a força magnética que atua à distância entre os corpos e a força elétrica que os posiciona em torno de um núcleo de referência. No caso do lançamento da Terra, temos a força magnética em ação, em combinação com a lei do movimento rotativo. A descrição que essa combinação nos oferece da aproximação da Terra ao Sol é a que nos traça uma parábola desde o exterior do Sistema Solar em direção ao polo boreal do Sol como rota de acesso.

 

132. A entrada em ação da segunda força eletromagnética, a elétrica, criou no horizonte de eventos uma faixa de inversão à medida que a Terra se aproximava indefinidamente do Sol.

Uma vez dentro dessa faixa, em resposta à igualdade dos sinais elétricos entre os respectivos campos, a trajetória da Terra iniciou seu descida em direção à sua órbita biosférica.

(Independentemente das equações que regulam a massa dos corpos astrofísicos sujeitos a uma relação sistemológica, as energias em jogo entre os corpos que compõem um sistema estelológico do tipo solar, e a distância percorrida por um corpo planetário durante sua órbita, a sequência de efeitos que a Terra experimentou durante sua trajetória de aproximaçã e ao Sol repercutiu no superaquecimento de seu núcleo, efeito do qual decorreu a série de ondas termonucleares na origem do estado termodinâmico do manto).

 

133. O efeito decorrente da transformação do Manto — algo que já vimos ao falar da Criação do Anel de Gelo — em uma massa de reação termonuclear foi a fusão da Litosfera Inferior.

(Por “Litosfera Inferior” entende-se a zona de contato geofísico com o Manto Superior. Vale lembrar que a divisão do corpo da Terra em três zonas principais, com suas faixas de contato intermediárias, não é um mero capricho da natureza. A zona que passou a ser chamada de Núcleo Externo pertence, dentro dessa Estrutura, à faixa de contato entre o Núcleo propriamente dito e o Manto. Levando em conta que o Núcleo é o corpo estelológico em torno do qual se forma um planeta e, portanto, é o Transformador da Energia Gravitacional em calor, a física do Núcleo Externo corresponde ao estado da matéria no Manto Inferior, que seria equivalente ao que se encontraria em uma massa ao redor de um microastro com baixa temperatura, ou seja, matéria comprimida no estado gasoso, embora esse estado não seja adequado para caracterizar a física da faixa dentro da qual o Núcleo oscila, causando com sua oscilação — como já mencionei em outra ocasião — o achatamento do Globo. Mas voltemos ao ponto principal:)

 

134. Em outras circunstâncias, o aquecimento do corpo do Manto Superior, ou massa de reação termonuclear, origem do Vulcanismo Geológico Global, deveria ter atingido o Anel Litosférico Superior ou externo, mas o fato de o Anel Litosférico estar sob a Camada de Gelo, cuja Criação vimos no início, manteve a estrutura da Crosta Litosférica em estado sólido, embora a Crosta Secundária estivesse sujeita à dinâmica da elevação da temperatura dentro de uma panela de pressão. É compreensível que a temperatura, no interior daquela panela de pressão em que Deus havia transformado o corpo geofísico, não pudesse continuar subindo indefinidamente.

 

135. Nossos geólogos determinaram a física da Terra partindo de um Núcleo frio, mecanicamente inativo e vivo apenas de acordo com a reação termodinâmica dependente da pressão gravitacional, que, neste caso, atuava como pressão sólida. Eles precisavam de um modelo virtual a partir do qual pudessem explicar a constância do calor geofísico determinante da atividade vulcânica litosférica. O fato de que a radiografia por ondas lhes traçasse na mesa uma estrutura termodinâmica de menor para maior, ou seja, de fora para dentro, acabou por dar razão ao modelo infantil do calor geonuclear por pressão da massa que haviam pré-estabelecido em suas mentes; modelo pueril que, por sua vez, se baseava na hipótese da origem da matéria estelógica a partir de uma concentração de poeira no coração de um campo gravitacional à deriva pelos mares estelares... não corta o mar sem que voe... blá blá blá... Que o leitor desculpe meu infinito cinismo.

 

136. E, fazendo amor, deram à luz uma Ecosfera por arte de magia, regulada por Equações Perfeitas que, claro, ao contradizerem a Origem a partir do Acaso, por lógica tinham que lhes parecer suspeitas e, consequentemente, sem qualquer possibilidade de prosperar. E preferiram continuar se agarrando ao modelo infantil a seguir buscando um Modelo Geofísico capaz de explicar o Equilíbrio Termodinâmico da Biosfera.

 

137. Como, no entanto, um planeta sem gerador de energia térmica pode permanecer quente por milhões de anos, de tal forma que, conforme demonstram os registros fósseis, é possível falar de um Ciclo Termodinâmico Ecosférico, esse é um ponto que, uma vez elevado à categoria de dogma o Modelo Infantil da Pressão da Matéria como Origem do Calor Geonuclear, e por não haver nenhuma hipótese com a qual substituí-lo, preferiram a ignorância de quem prefere o mal que conhece ao bem que ainda não conhece. E daí surge o desafio que “ ” — uma teoria em que o núcleo de todo planeta se torna um corpo estelógico, transformador da energia gravitacional em calor —, portanto, abre neste novo século.

 

138. Dizíamos, portanto, que a liberação do calor geonuclear (em consequência da entrada da Terra no Sistema Solar), que se acumulava entre a crosta e o manto, caso não encontrasse uma saída, acabaria provocando uma explosão astronômica, o que significaria a desintegração do corpo geofísico. Ou seja, e para centrar o tema: sem destruir a litosfera, Deus precisava romper aquela enorme barra de gelo sob cuja massa as reações termonucleares que cresciam no corpo do manto ameaçavam fazer o núcleo explodir. A solução estava na atração gravitacional que o campo magnético solar exerceria sobre o corpo geofísico ao cruzar a Terra (na direção de sua órbita estacionária) a faixa de interação entre os respetivos campos elétricos.

 

139. A origem da cadeia de reações termonucleares que mantêm o Manto ativo é um assunto a ser estudado sob a perspectiva da Arquitetura Geofísica que estamos desenvolvendo. Por exemplo, como uma série em cadeia de reações termonucleares pode estender sua frente de onda até a litosfera e abrir vias de flutuação pelas quais o calor magmático é liberado. Também este outro: a relação entre o Núcleo e a forma irregular do geoide da Crosta. Assunto esse que nos leva a considerar a oscilação do Núcleo dentro do Manto como a origem do abaulamento da região equatorial. E, consequentemente, a introduzir entre a zona externa do Núcleo e a interna do Manto um anel geofísico em estado cromosférico, sobre cuja singularidade não vou me aprofundar agora.

 

140. Vimos — recapitulando — que, lançada a Terra na direção do Sol, nosso planeta atravessou a faixa de interação entre os respetivos campos elétricos, o que provocou a reação elétrica natural entre dois campos do mesmo sinal. (A mesma lei operativa que configura as órbitas estacionárias das partículas ao redor de um núcleo atômico em função dos campos elétricos é a lei que devemos aplicar à estrutura do Sistema Solar. Embora pareça simples demais para ser verdade, em breve demonstraremos que a configuração planetária obedece às leis da eletrodinâmica. A órbita da Terra é uma consequência natural).

 

141. E é curioso que, tendo percebido a semelhança entre a estrutura de um átomo e o Sistema Solar, bem como a semelhança entre as forças intra-atômicas e as forças eletromagnéticas sistemológicas — por ser óbvia — e por se recusarem a acreditar que a Natureza e a Criação obedecem a princípios tão lógicos, os cientistas do século XX se recusaram a acreditar no que tinham diante dos olhos e, tendo a resposta bem debaixo do nariz, rejeitaram-na por considerá-la indigna de seu gênio, preferindo mergulhar em uma Teoria de Unificação dos campos eletromagnéticos e gravitacionais, que, no entanto, tem seu milagre diário na estrutura da matéria atômica. Pois, se a origem do calor geonuclear provém da pressão material, como é possível que essa mesma pressão não tenha feito com que toda a massa planetária afundasse no corpo do Sol nos milhões de séculos em que o Sistema está em atividade?

 

142. Eles respondem com a energia centrífuga, mas ignoram que um trabalho não pode ser executado até o infinito; a constância orbital contradiz isso. Assim, tendo que buscar uma força diferente, empreenderam a busca por um campo unificado e, ao falarem de forças eletromagnéticas, faziam-no eliminando a componente elétrica do campo magnético. Verdadeiros sábios!

Então: com a trajetória terrestre direcionada para sua órbita estacionária, por efeito da repulsão elétrica entre campos do mesmo sinal, em termos de trabalho podemos comparar esse efeito ao de uma força centrífuga acelerada. De fato, sujeita a esse efeito, se o campo magnético não tivesse freado as consequências: a Terra, arrastada pela tempestade elétrica, teria sido lançada contra a órbita de Marte, por exemplo. A atração gravitacional que a interação entre os respectivos campos magnéticos produziu, quando a Terra cruzou a faixa elétric e que lhe correspondia no Sistema, foi o freio que a estacionou em sua órbita. Essa atração repercutiu na Litosfera Inferior, arrancando do Manto Superior as bases das grandes cadeias montanhosas. Com essa ação de elevação das raízes das grandes cadeias montanhosas: a ação do martelo contra a barra de gelo sob cujo anel se encontrava a Litosfera já estava consumada. Reproduzir essa ação sismológica global seria abrir uma porta no tempo e ousar permanecer firmes sobre um terremoto com epicentro no Núcleo e cujo raio de extensão universal faz dançar sob nossos pés, plantados sobre o Anel de Gelo, todo o corpo da Crosta terrestre.

 (Os sábios do século XX encontraram, certamente, evidências de um recuo dos gelos; o que jamais ousaram sonhar é que a massa de gelo que se retirou, no início, cobria toda a esfericidade do Planeta. Como seu Criador conseguiu partir aquela Barra de Gelo é o ponto tratado nesta seção, sobre o qual há muito a ser dito, e cuja Mecânica, Origem da Orografia Ecosférica, teremos tempo de abordar, em todos os níveis, ao longo deste Século XXI).

Uma vez rachado dessa forma o manto de gelo que Deus chamou de “a Luz”, o calor acumulado no corpo geofísico interno encontrou a válvula de escape pela qual se libertar: na forma de gases e lavas, obtendo Deus, com esse efeito, a transformação do gelo em água. Essa é a sequência da origem da Água e do Ar. Mas lembremos como o Manto de Gelo reagiu à aproximação da Terra ao Sol.

 

 

QUINTA PARTE

CRIAÇÃO DA ECOSFERA

 

CAPÍTULO 16. – SUBLIMAÇÃO DO MANTO DE GELO

 

143. Há duas maneiras de fazer as coisas. Uma é deixar que a lei do tempo atue e a outra é acelerar o desenvolvimento de uma ação por meio dos recursos disponíveis. Se estivesse sujeito à lei do tempo, o Manto de Gelo teria respondido à energia solar derretendo-se, teria se partido em dois e, com o tempo, as duas barras de gelo teriam-se retirado em direção aos casquetes polares. As águas do primeiro grande oceano teriam se evaporado. Lentamente, mas sem parar, o oceano teria se dividido para se multiplicar; dos oceanos teriam surgido os mares... Mas Deus conhecia uma maneira mais rápida de desenvolver esse processo global.

Por que derreter o manto de gelo a baixa temperatura quando Ele poderia provocar, por meio da integração pela rota boreal, o efeito do ferro em brasa contra uma barra de gelo? A esse efeito chamamos de sublimação do gelo. O efeito imediato do encontro Terra-Sol nas condições expostas determinou a sublimação acelerada do manto de gelo. A energia solar agiu como ferro em brasa aplicado diretamente sobre a superfície do manto. Sublimação que determinou a ruptura do manto em dois grandes blocos e o nascimento da atmosfera biosférica. (Quando digo “condições expostas”, refiro-me à parábola de acesso, que determinou que a Terra permanecesse, por um tempo, a uma distância menor do que a natural de sua órbita estacionária).

 

144. Já mencionei que a atração gravitacional solar surgiu como consequência do efeito contrário que impulsionou a Terra em direção à sua órbita biosférica. E que, em consequência dessa atração — resultado da interação magnética entre os dois campos —, as bases das grandes cadeias montanhosas se soltaram completamente. Talvez “elevação” seja a palavra correta. A liberação foi promovida pelo aquecimento da estrutura geofísica. Lembremos que, ao esfriar o Manto, o anel litosférico se solidificou, ficando a placa de contato fundida em um único corpo. Quando a Terra entrou no Sistema Solar, o Núcleo se aqueceu, o diâmetro do Manto se ampliou e a pressão térmica criou ondas naturais que provocaram um movimento de expansão do centro para o exterior do corpo geológico. Esse movimento não era suficiente para lançar as cadeias montanhosas contra uma litosfera externa aprisionada sob um manto de gelo que, embora estivesse sendo sublimado externamente, internamente permanecia em seu estado original.

 

145. A solidez do manto de gelo resultou no acúmulo de calor no interior da Terra. Esse acúmulo começou a provocar um movimento sísmico generalizado que, a partir do manto e por meio de séries ininterruptas de reações termonucleares, aqueceu a crosta, abrindo vias de liberação do calor que ameaçava desintegrar toda a estrutura. A fusão entre a camada superior do Manto e a inferior da Crosta, assim rompida, fez com que a pressão térmica começasse a elevar as bases das cordilheiras, em torno das quais o calor geonuclear encontrou linhas de flutuação para o exterior. Assim, enquanto na zona externa a energia solar fazia o seu trabalho, na parte inferior a energia geofísica fazia o mesmo, rachando o Manto de Gelo, por entre cujas fendas os gases começaram a sair e a contribuir para a formação da Atmosfera em andamento.

 

146. A distância do Sol interrompeu a sublimação e deu lugar ao degelo do Manto de Gelo. A pressão térmica externa e interna sobre o Gelo resultou no derretimento do Gelo, transformando-o em Água. Processo que, dada a temperatura do Globo, deu origem a um oceano que cobriu o Equador e as regiões tropicais, e continuou empurrando em direção aos pólos geográficos os dois grandes blocos de gelo em que se dividira o bloco original. As águas desse Oceano-Mãe eram as águas que estavam sob o Firmamento dos Céus.

O Firmamento dos Céus que “estava entre as águas que estavam abaixo e acima de seu corpo” era a Atmosfera.

 

147. Identificação do Firmamento que esclarece muitas questões.

Primeiro: sendo que as águas que estão abaixo do Firmamento são as águas do Oceano Mãe, as águas que estão acima desse Firmamento são as águas do campo gravitacional solar.

 Esse ponto nos revela a necessidade de abordar o comportamento da gravidade a partir da natureza dos fluidos. O que dá origem à imagem do Universo como um oceano de energia sobre o qual flutuam os continentes com suas ilhas, que, neste caso, seriam os sistemas astrofísicos. Um oceano de energia sobre o qual há mais a ser dito, mas que, por enquanto, nos abre o horizonte para a compreensão do comportamento do campo gravitacional à imagem da fenomenologia típica de um fluido exposto a forças internas e externas.

 

148. Resumindo:

A Luz era o Manto de Gelo sob cujo corpo ficou encerrado o restante da estrutura geofísica ao final do Primeiro Dia. Sua criação ocorreu por meio da fusão da Crosta Primária; e a fusão dessa Crosta Primária foi iniciada por Deus, acelerando o pulso geonuclear do Globo. Esse aumento do ritmo de trabalho do coração astrofísico da Terra foi consequência da multiplicação da densidade do campo gravitacional terrestre por unidade cúbica astrofísica.

 

149. No início do Segundo Dia, a Terra e o Sol se reencontram. Deus cria uma série de efeitos, dos quais a Sublimação do Manto de Gelo será o primeiro. O Manto se rompe e nasce a Atmosfera, cujo crescimento, ao interagir com a atração gravitacional na origem da órbita estacionária, receberá uma impressionante aceleração física. Os dois blocos de gelo resultantes iniciam sua jornada em direção aos pólos geográficos, deixando entre si as águas do Oceano Mãe, cujo volume, por evaporação, continuará alimentando o corpo da Atmosfera. Essa Atmosfera é o Firmamento no Verbo do Segundo Dia.

 

150. Uma vez identificado o Firmamento, o movimento do Espírito de Deus sobre as Águas se resolve como seu movimento no Espaço. E nos aprofundamos no comportamento da Gravidade, que podemos compreender a partir de nosso conhecimento da natureza dos líquidos. O que abre nossa inteligência para a compreensão do campo gravitacional universal como um oceano no qual os sistemas siderais se apresentam como continentes e ilhas, permitindo a navegação sideral graças às suas posições no espaço galáctico local.

 

151. Fogo, Gelo, Água e Ar. Esses são os primeiros degraus da escada dos elementos naturais que estamos subindo. O próximo que vem não precisa de apresentação. Em suma, e para encerrar:

A. – Fusão da Crosta Primária.

B.- Sublimação da Atmosfera Primitiva.

 C. – Descongelamento e retirada dos gelos.

D.- Formação da Atmosfera Biosférica.

 

CAPÍTULO 17. – CRIAÇÃO DO PLANO DE INTER-RELAÇÃO BIOSFÉRICO

 

152. Encerramos a ascensão pela escada dos elementos naturais e abrimos um novo caminho.

Gelo, água, ar: todos os elementos estavam em seu devido lugar e preparados para o grande acontecimento da transição da matéria inorgânica para a orgânica. (Ponto em torno do qual a Razão e a Fé se perderam e seguiram caminhos tão opostos quanto suicidas).

Falando da evolução das espécies, o sábio bíblico por excelência lançou a pedra na água, dizendo: “E para exercer justiça sobre eles, os elementos se harmonizaram, assim como no saltério os sons se harmonizam em uma harmonia inalterável, como se pode ver claramente pelos acontecimentos. Pois os animais terrestres transformam-se em aquáticos, e os que nadam caminham sobre a terra”. Palavras perspicazes de um homem que não hesitou em lamentar a solidão do gênio em outro lugar, mas que, enquanto esteve em seus melhores momentos, também não hesitou em antecipar-se à mente científica e afirmar que Deus lhe deu “a verdadeira ciência das coisas e o conhecimento da constituição do universo e da força dos elementos; o princípio, o fim e o meio dos tempos; as alternâncias dos solstícios e as mudanças das estações; o ciclo dos anos e a posição das estrelas; a natureza dos animais e os instintos das feras; a força dos ventos e os raciocínios dos homens; as diferenças das plantas e as virtudes das raízes. Tudo o que é oculto e o que é manifesto ele conhecia, pois a Sabedoria, artífice de tudo, me ensinou isso”.

 É de se acreditar que, se a Fé e a Razão tivessem ouvido com ouvidos mais humildes essa confissão de Salomão, a inimizade entre o cristianismo e a ciência não teria chegado aos extremos que atingiu nas primeiras décadas do século XX.

Voltando ao tema da evolução da árvore da vida, o primeiro passo são as raízes. É por onde a árvore começa a germinar. Mas, para que haja árvore, deve haver semente. Partindo do pressuposto de que a Célula-Mãe, a Semente da Vida, teve em Deus sua origem, depreende-se das sequências biohistóricas que estamos acompanhando que a semente da árvore das espécies foi plantada por Deus sob as águas do Grande Oceano. E, consequentemente, primeiro vieram as plantas. Desse reino vegetal subaquático, por meio da adaptação dos primeiros ramos à vida terrestre — à medida que o nível das águas do Grande Oceano foi baixando —, surgiu a árvore das espécies vegetais terrestres. A evolução desse novo reino se completou quando a fotossíntese transformou a composição química da atmosfera.

 

153. Esse passo biohistórico ocorreu durante a Tarde do Terceiro Dia. Já vimos como, uma vez rompido o Manto de Gelo, os dois blocos resultantes iniciaram a retirada em direção aos pólos, e como a evaporação do oceano, em conjunto com o levantamento das cordilheiras pela atração gravitacional, produziu a multiplicação do oceano em oceanos e a divisão dos oceanos em mares. Assim, à medida que o nível das águas foi baixando, as plantas marinhas se adaptaram à vida terrestre, acabando, com o tempo, por transformar a atmosfera pré-histórica na atmosfera histórica, tendo o oxigênio como elemento principal. Por sua vez, e sob a necessária adaptação à revolução que o próprio reino vegetal estava produzindo, a fibra vegetal pré-histórica do substrato submarino adquiriu as propriedades das árvores terrestres históricas. Com a criação do reino das árvores, Deus completou a estrutura do Plano de Inter-relação Biosférico. Plano sobre o qual vou me deter por um momento antes de decolar do solo e lançar este relato aos espaços.

 

154. A autonomia do Plano de Inter-relação Biosférica pode ser resumida dizendo que as calotas polares foram estabilizadas para serem os dois principais focos termorrefrigeradores do sistema ecosférico. Focos dos quais Deus fez depender o equilíbrio da temperatura da biosfera e que, para estabilizar o degelo de ambos os focos termorrefrigeradores, Deus fez depender do ângulo de rotação do globo terrestre. Vamos por partes, no entanto.

 

155. Imaginemos por um segundo que a Terra fosse plana e permanecesse sempre à mesma distância do Sol. O que aconteceria? Quanto tempo o Sol levaria para aquecer os oceanos até o ponto de ebulição e transformar os oceanos em uma panela de água fervente? E em quantas horas geológicas a atmosfera perderia seu equilíbrio termodinâmico e toda a sua estrutura se desintegraria por não levar em conta o ângulo de rotação da Terra com um mecanismo regulador? Vamos calcular quantos anos seriam necessários para que, na ausência dos dois focos termorrefrigeradores polares, a temperatura dos oceanos e da atmosfera disparasse dez graus. Como esse aumento de temperatura afetaria a vida marinha? Se, em consequência de uma onda de calor, os seres humanos morressem, quantos morreriam por ano se essa onda de calor persistisse e, pior ainda, ameaçasse subir mais dez graus nos próximos vinte anos, por exemplo?

 

156. O que vem acontecendo ao longo desses milhões e milhões de anos é exatamente o contrário. Os focos termorrefrigeradores ecosféricos permaneceram constantes, mantiveram a temperatura biosférica estável, sempre levando em conta que, à medida que sua massa diminuía, a temperatura geral inevitavelmente aumentava. Mas, ao fazer com que a temperatura biosférica dependesse dos focos termorrefrigeradores polares, nosso Criador viu-se obrigado a proporcionar-lhes uma plataforma geofísica. Plataforma à qual chamarei de Substrato Ecosférico Autônomo e que está relacionada às equações que fundamentam a imutabilidade do ângulo de rotação da Terra.

 

CAPÍTULO 18. – O SUBSTRATO ECOSFÉRICO AUTÔNOMO

 

157. Temos a Terra girando em torno do Sol. Vimos que Deus fez com que a estabilidade termodinâmica da biosfera dependesse das massas polares. Agora cabe a nós estudar a mecânica de manutenção das calotas polares, pois tudo nos leva a acreditar que a temperatura e o ângulo de rotação estão diretamente relacionados; no entanto, a Terra orbita dentro de um campo gravitacional sujeito às alterações que, a partir do astro central, transformam o espaço interplanetário em função de sua inter-relação com o mundo sideral ao qual pertence. O que provoca nos planetas uma dinâmica rotacional instável, reflexo da oscilação do Sol.

(O fato de o Sol oscilar significa que seu ângulo de rotação parece se mover como se estivesse bêbado e, assim como o corpo de um bêbado se balança da esquerda para a direita, da mesma forma seu eixo geográfico se inclina ora para a direita, ora para a esquerda. Movimento que se reflete com especial intensidade na rotação de Marte e que, por natureza, deveria ser o natural para o eixo da Terra. Se a oscilação do ângulo de rotação planetária é a regra, a Terra é a exceção à regra. A importância dessa dinâmica constante é vital se lembrarmos que a temperatura e o ângulo de rotação estão diretamente relacionados).

A sujeição do nosso planeta à lei da inclinação solar — cuja causa teríamos que abordar em outro capítulo — alternaria a área de incidência da energia solar sobre a geografia continental, com o consequente efeito de degelo irregular das calotas polares. Mas isso não ocorre, e daí surge a pergunta: por que a Terra sempre apresenta ao Sol o mesmo ângulo de rotação?

 

158. Essa singularidade tem uma explicação. A resposta está na lei que rege a inclinação do eixo de rotação para um hemisfério ou para o outro de um corpo que gira sobre si mesmo. A experiência não falha. A realidade cotidiana nos oferece exemplos variados sobre a natureza e os efeitos práticos dessa lei. Sua descrição não é complicada. Pensemos: o que aconteceria se começássemos a girar com os braços abertos, segurando uma enciclopédia em uma das mãos? O braço carregado não cairia na direção natural, devido ao peso que sustenta? Enfim, sobre exemplos, assim como sobre gostos, não há nada escrito. Uma vez compreendida a natureza da lei e o efeito a que ela dá origem, cada um pode inventar o seu próprio exemplo. Compreendida em toda a sua extensão, o que precisamos fazer agora é aplicá-la à realidade do Globo Terrestre. Quero dizer, basta pegar um globo terrestre, colocá-lo sobre a mesa e parar para observar esse exemplo da enciclopédia em uma mão com o fenômeno da concentração dos continentes em um hemisfério. Toda a massa continental não está agrupada em um hemisfério? O outro hemisfério é ocupado pelas águas do Pacífico. Já temos a enciclopédia em um braço da Terra; que efeito teremos se agora pegarmos o globo terrestre e começarmos a girá-lo em torno de seu eixo?

 

159. Esse efeito de inclinação do ângulo de rotação em direção ao hemisfério sobrecarregado é exatamente o que Deus buscou ao concentrar a massa pentacontinental em um hemisfério. O efeito final produzido era um ângulo de rotação fixo. Por que se dar ao trabalho? Bem, a necessidade de estabilizar o Plano de Inter-relação Biosférico era uma causa de primeira ordem. A criação de uma plataforma termodinâmica estável era uma necessidade da Evolução. Graças à concentração pentacontinental dentro de um hemisfério do planeta, Deus tornava possível que a área de incidência que o Globo apresenta à energia solar fosse sempre a mesma. Graças a essa constância óptica, a curva de crescimento da temperatura biosférica e, portanto, do degelo das calotas polares se manteria em um ritmo estável durante todas as eras geológicas. (Conclusões extremamente simples e naturais estas que, para os defensores da tectônica de placas, por exemplo, devem parecer uma heresia. Mas o que se pode fazer? Nem sobre gostos há nada escrito, nem é possível agradar a todos).

 

CAPÍTULO 19. – TEORIA DOS ANÉIS GEOFÍSICOS

 

160. Afirmei que, ao estabilizar o ângulo de rotação do Globo por meio do deslocamento da massa continental sobre um hemisfério, Deus obtinha um ângulo constante de incidência da luz solar sobre os pólos geográficos. Desse efeito, esperava obter o degelo gradual que concederia à evolução da árvore das espécies o tempo necessário para ser levada a bom termo. E destaquei que, evidentemente, essa versão arquitetônica entra em conflito com a famosa hipótese da deriva continental. Mas não poderia ser de outra forma. A deriva continental não consegue explicar a constância do ângulo de rotação; e, pior ainda, contradiz sua própria existência. Além, obviamente, de não conseguir responder a nenhuma das incógnitas que a estrutura e a morfologia da litosfera apresentam. Negar as incógnitas para impor a ficção sobre a ciência foi, infelizmente, a atitude que a era moderna adotou como filosofia em seu ateísmo.

 

161. Deixando de lado discussões rebuscadas e partindo da materialização da matemática do Substrato Ecosférico Autônomo, digamos que a arquitetura geofísica a que Deus deu sua aprovação nos configura uma estrutura em que a litosfera se apresenta como um anel compacto girando uniformemente sobre um anel magmático, líquido. O anel magmático, ou Manto, por sua vez, flutua sobre um anel cromosférico. E, no centro, a microestrela que compõe o Núcleo oscila no seio das correntes gravitacionais que lhe servem de órbita. Dentro dessa configuração, o fato de haver igualdade de temperatura entre a superfície do Núcleo e a e e do Sol não é uma coincidência. Nem o fato de que, ao manter constante a temperatura litosférica, os oceanos se comportem como as águas do rio de que o reator nuclear precisa para manter sua temperatura em equilíbrio. (Quanto à igualdade de temperatura entre a superfície do Núcleo e a do Sol, não se sabe se ela se verifica em todos os membros do Sistema ou se se aplica apenas à Terra. Caso valha apenas para a Terra, é possível chegar a uma lei de interação entre estrela e planeta que confirme essa regra de igualdade para todo sistema biosférico. O tamanho do astro e sua temperatura superficial determinariam a distância até o planeta em questão. Embora, atualmente, isso seja apenas especulação, a igualdade mencionada não implicaria uma paridade entre os ciclos termodinâmicos do Sol e do Núcleo? Nesse caso, o importante não é tanto determinar, mas compreender a interação entre o Sol e a Terra).

 

162. Dito isso, vocês dirão então que o que estou propondo é uma espécie de engrenagem com mancal, em que o anel magmático desempenha as funções das esferas sobre as quais se move a roda externa. E concordo plenamente com vocês. Vocês vão me objetar, então, que, nesse caso, é preciso explicar como essa panela de pressão não explode. Pergunta sutil que lhes faz honra, e à qual vocês mesmos poderão responder a partir da visão cotidiana do sistema de flutuação do calor interno que são os vulcões. As linhas de flutuação do calor geonuclear não são constantes e não são marcadas pela circulação das correntes eletromagnéticas?

 

CAPÍTULO 20. – TEORIA DO SISTEMA SISMOLÓGICO DE FLUTUAÇÃO

 

163. Embora pareça um exercício sem sentido, vamos recomeçar. No primeiro Dia, nosso Criador duplicou a densidade de energia por unidade cúbica astrofísica do campo gravitacional terrestre. A resposta do Núcleo, naquele momento em estado frio, foi ativar-se e proceder à transformação desse suprimento em calor. Imediatamente, o Manto se liquefez e a crosta Primária se fundiu. Concluídos esses processos, o Núcleo esfriou novamente, de modo que a Crosta se solidificou e se transformou no anel geofísico que chamamos de Litosfera. Se a Terra tivesse permanecido na região onde esses processos ocorreram, o resfriamento de seu Núcleo teria levado o Manto à solidificação. A Bíblia diz que isso não aconteceu porque Deus separou a Terra de sua região de origem e a introduziu em um campo gravitacional de densidade estável, o Sistema Solar.

 

164. Uma vez dentro do campo de ação do Sol, o transformador geonuclear se reativou e atingiu uma temperatura constante, igual à temperatura externa do astro em torno do qual orbita. Acredito que sejam cerca de seis mil graus Celsius. Essa integração no Sistema Solar interrompeu a solidificação do Manto e, ao mesmo tempo, manteve a solidez do anel litosférico, que, a partir de então, giraria com movimento próprio sobre o anel magmático. Grosso modo.

 

165. Com a produção constante de calor pelo Núcleo, a física nos obriga a traçar, entre o Manto e o Núcleo, uma espécie de zona cromosférica, dentro da qual o próprio Núcleo oscila, fazendo com que essa oscilação — sujeita às alterações de gravidade de que falei anteriormente — provoque o achatamento dos pólos que o Globo apresenta. (Nesse sentido, a oscilação do Núcleo dentro do corpo geofísico depende de sua própria mecânica de produção de calor e de sua reação às ondas termonucleares na origem dos vulcões. Quanto à morfologia do Núcleo, a reação do próprio corpo geofísico à sua ação oscilatória nos dá certas pistas. Mas isso já será estabelecido em outro momento, a partir de outras bases).

 

166. É essa estrutura geofísica que nos leva a nos perguntar o seguinte: como a Terra libera o calor interno armazenado que é gerado pelo anel litosférico? A resposta, mais do que teorias, exige fatos; e bem, embora estejamos falando de uma litosfera com ângulo de rotação fixo sobre uma superfície magmática, seu corpo está dotado de um complexo sistema de tubos de flutuação através dos quais o calor geonuclear é continuamente liberado. Falar de vulcões é falar de toda a dinâmica sismológica que acompanha a criação dessa arquitetura geofísica, impressionante em sua manifestação e perfeita em sua execução. Agora: por que as aberturas do sistema de flutuação se estendem ao longo dos limites das grandes cadeias montanhosas?

 

167. A correspondência entre as linhas sismológicas e as linhas das grandes cadeias montanhosas explica-se a partir da física da atração gravitacional, cuja fenomenologia qualquer especialista pode esclarecer. E já que estamos falando nisso, a objeção à arquitetura geofísica que o aumento contínuo da temperatura de uma litosfera sujeita à lei do Substrato Ecosférico Autônomo apresentaria, elimina de uma só vez a temperatura constante dos fundos oceânicos, graças à qual a superfície mais exposta da litosfera freia esse aumento natural, que, sem esse equilíbrio, acabaria por fazer explodir essa estrutura de engenharia geofísica. Acredito que os reatores nucleares se valem dessa mesma teoria para frear o aquecimento de seus motores.

 

168. Esse sistema geofísico autônomo, fonte de tantas dores de cabeça, é complementado por uma estrutura planetária sui generis, especial, avassaladoramente maravilhosa, cujos fundamentos tenho a honra de apresentar a vocês. Mas quero partir de um fato. Melhor ainda, de uma lei: a saber, se todo sistema astrofísico é um transformador de energia universal em luz e calor, sua velocidade de funcionamento dependerá da densidade gravitacional de seu campo e do número de revoluções por século de seu astro. Isso, para começar.

 

169. Por outro lado, é correto afirmar que a velocidade sideral de um sistema — seja uma constelação ou uma galáxia — é uma constante deduzida das forças da região astrofísica à qual esse sistema pertence. Em outras palavras, se o Sistema Solar não interagisse com o Universo das constelações, sua velocidade de cruzeiro dependeria exclusivamente da quantidade de energia de seu campo gravitacional. Ao submeter o Sistema Solar à lei da atração gravitacional entre os corpos do universo, a própria lei nos diz que, ao diminuir a distância entre as constelações, logicamente a velocidade de cruzeiro dos sistemas estelares que as compõem deve aumentar. Trata-se de um efeito universal do qual podemos inferir que, se a velocidade do astro central — da qual dependem os corpos menores de um sistema — for acelerada, todos os corpos dependentes de sua física sofrerão essa variação. De alguma forma, de algum jeito.

 

170. E isso é relevante porque a questão não pode ser evitada nem deixada de lado em função de certos contextos, especialmente uma vez que a Evolução da Vida na Terra foi aberta a um complexo sistema de equações físicas, sem cuja resolução o futuro da vida não poderia ser garantido. A nova questão que se coloca é: como Deus impediu antecipadamente as possíveis alterações que, no futuro — e precisamente por nosso Sistema estar sujeito a essa lei universal —, a Terra viria a sofrer? Para compreender melhor o cerne da questão, comparemos nosso Sistema a uma nave. Feita a comparação do Sistema Solar com uma nave em pleno voo, o que estamos tentando descobrir aqui é se essa nave foi dotada de um freio de segurança ou se simplesmente navega à deriva pelo mar das constelações, exposta aos ventos gravitacionais e aos campos eletromagnéticos siderais.

 

171. Mas por que Deus precisaria dotar o Sistema Solar de um freio de segurança para manter estável sua velocidade de cruzeiro? Essa é a questão oposta à anterior. Bem, acho que a necessidade é tão óbvia quanto o fato de todos os corpos do universo estarem sujeitos às leis que o regem. Se as rodas aceleram, o chassi não fará o mesmo ao mesmo tempo? Se o Sol pisar no acelerador, os planetas não sofrerão as consequências?

 

172. E em que medida essa aceleração hipotética afetará os transformadores centrais dos planetas, e especialmente o da Terra, uma vez descoberta a relação direta entre velocidade e calor? Mas e se agora a velocidade solar diminuísse abruptamente por razões de interação eletrodinâmica à distância? Ou seja, será que Deus se esforçou tanto para criar um Substrato Ecosférico Autônomo para o Plano de Inter-relação Biosférico e depois iria expor toda a Arquitetura Geofísica à destruição em consequência de uma mudança repentina na orientação das constelações? Ele traçou linhas, deslocou continentes de um hemisfério para o outro, criou zonas sismológicas ativas, regulou a termodinâmica geonuclear, não deixou nada ao acaso, nenhuma ponta solta lhe escapou. E agora, quando a aventura da vida estava começando, ele iria deixar a nave solar à deriva pelas correntes interconstelacionais? A necessidade de corrigir trajetórias no tempo, controlar variações no espaço e governar a matéria por controle remoto obrigava a Inteligência Criadora a dotar o Sistema Solar de um freio de segurança que mantivesse a velocidade de cruzeiro do astro central dentro de uma faixa de máximos e mínimos. A questão é: a que tipo de freio automático um engenheiro astrofísico deve recorrer na hora de colocar em órbita um sistema do tipo solar? Embora, é claro, se não soubermos a que tipo pertence o Sistema Solar, dificilmente conseguiremos encontrar a resposta. A resposta está bem diante dos nossos olhos.

SEXTA PARTE

CRIAÇÃO DO SISTEMA SOLAR

 

CAPÍTULO 21. – SISTEMOLOGIA FINÍTICA APLICADA (ESTRUTURA DINÂMICA DO SISTEMA SOLAR

 

173. A resposta ao enigma apresentado na seção anterior, a saber: que tipo de freio automático mantém a velocidade de cruzeiro do Sistema Solar constante, contrariando a lei da gravidade que aponta para a necessidade de uma aceleração constante devido à diminuição das distâncias entre o Sol e qualquer ponto ao qual ele se aproxime? — a resposta a esse dilema é inequívoca. Ora bem, e confesso minha falha, o dever exige especificar melhor a natureza do problema. Quero dizer, estamos ou fomos acostumados a trabalhar com uma imagem instantânea do Sistema Solar. Aqui está ela:

 

 

 

174. Por inércia e devido a uma simulação virtual implantada durante os anos de nossa formação intelectual, tendemos a ser oniscientes e basta-nos aplicar as leis de Kepler à foto imaginária para nos sentirmos como deuses. Essa implantação vem de séculos atrás e a imagem é herdada nas entranhas com tal sutileza que aos profissionais da formação intelectual basta impor a ordem com a batuta de seus regimes estatais para encerrar o problema. O fato é que, hoje em dia, essa imagem simplista do movimento kepleriano é própria de mentes atrasadas e de inteligências sem qualquer atividade independente, com nula capacidade de julgamento crítico. O certo é que o resultado fica bom e até bonito, e atinge seu objetivo: fazer com que até o mais idiota se sinta maior do que São Tomás e Santo Agostinho juntos. Na hora de confrontar com a Realidade, essa imagem de um Sistema Solar congelado no tempo é o oposto da Física do Sistema Solar, que se move entre astros a poucos anos-luz de distância e com os quais forma, sem dúvida alguma, — cacofonia? — um Aglomerado Estelar Aberto.

 

175. Se tomarmos como referência os parâmetros dos aglomerados estelares abertos de nossos céus e combinarmos os dos sistemas estelares binários e múltiplos, onde as distâncias entre os astros de um sistema estelar individualizado superam, em muitas ocasiões, a distância existente entre o Sol e Alfa Centauri, por exemplo, eu me pergunto: onde fica aquela imagem destinada a crianças recém-iniciadas na astrofísica que saiu da oficina de Kepler nos dias de Matusalém? Dizem que a lei opera a distâncias infinitas — e nega-se que essa mesma lei atue entre corpos situados a apenas quatro ou cinco anos-luz de distância? Alguém, além do bom senso, perdeu a razão ao longo do século XIX, e a ninguém do século XX — com a Academia lançada na aventura da Busca pela Origem do Cosmos, já acomodados na nave do Tempo que levaria os sábios até o Núcleo da Origem e, de lá, saltariam até o Fim por meio de uma dobra no Espaço... a ninguém ocorreu apertar o botão e ativar a foto de um Sistema Solar congelado no tempo que Kepler lançou para o futuro. Nem mesmo para se divertir um pouco. O dogmatismo dos discípulos da revolução einsteiniana revelou-se tão primitivo e forte que, mesmo com os cálculos dinâmicos mais atuais à disposição, nenhum astrônomo ousou colocar o dedo no botão e ver o Sistema Solar tal como ele existe no Espaço e no Tempo, incrustado em um Aglomerado Estelar Local e com seus membros planetários dotados de estrutura sólida. É, portanto, deprimente a ponto de provocar a mais retumbante gargalhada abrir um Manual de Astronomia, escrito por professores universitários, como, por exemplo, o Manual da Complutense de Madri, para não me perder em outras linguagens mais sutis, e ler que Plutão é um corpo gasoso. Como somos bem-educados, contemos o vômito. Continuemos, então.

 

176. Afirmei acima que a resposta para o motivo pelo qual a velocidade do Sistema Solar escapa ao domínio da lei gravitacional — sob cuja força é governado todo o universo — deve ser inequívoca, simples e lógica. Reconheço agora que as expressões verbais, ao contrário das matemáticas, possuem uma ambiguidade de natureza tão profunda que é capaz de engolir em seu abismo a pureza de qualquer montanha de números. E gostaria de explicar esse enigma. A palavra, em definitiva, é um veículo capaz de transportar em seu seio diferentes viajantes, e acontece que, dependendo do viajante, uma palavra pode deixar de significar uma coisa para passar a ter um novo significado. Os políticos são mestres nessa arte. Mas não apenas eles; não sejamos cruéis com esses bichinhos. O número, por exemplo, é um ente perfeito; seu significado é intransferível, divino em sua incorruptibilidade, e daí a adoração pagã e selvagem que os matemáticos sentem por esses entes. Um quatro é um quatro, e quer se aplique a bananas ou a ratos, a essência e a substância do quatro, enquanto ente abstrato, puro e imaculado, permanecem apesar das mudanças. Eu, que sou um idiota, e por ser isso sirvo de exemplo, pois posso ser tanto um cretino quanto uma flor — o que mostra a ambiguidade da palavra, confusão à qual o número não se presta sob nenhuma desculpa —, e porque defendo a necessidade de dar o pontapé inicial no Movimento Sistemológico Solar para superar os traumas keplerianos e os complexos herdados dos séculos passados, guardo para mim o riso que me causa ver na Internet a defesa a todo custo desse antigo sistema sistemológico que, se em sua época nasceu para revolucionar, atualmente é o sistema mais reacionário que conheço. Ignoro por que os astrônomos não cumprem sua função e não processam a montanha de dados com a qual, se Kepler e Newton tivessem trabalhado, a imagem final do sistema herdado já teria passado a engrossar a longa lista de erros — necessários como um passo adiante, mas inimigos da Civilização por sua recusa em passar para a história melhor.

 

177. Mas o fato de uma resposta poder ser inequívoca não significa que ela não deva ser complexa. Tudo dependerá do modelo com o qual se trabalhe. Se o raciocínio se chocar com uma inteligência ancorada na imagem arquetípica que identifica os planetas com bolas de gás, acabará-se chegando à Ponte dos Suspiros, para escrever sobre as águas um melancólico: “Pobrezinho!” Superado esse problema e partindo do princípio de que o banco de dados à nossa disposição torna impossível manter ativa uma resposta obtida a partir de uma série de dados sem peso aos pés da montanha de conhecimentos, do cujo cume voltamos a contemplar o Universo, o Cosmos e o Sistema Solar, a decisão é nossa, e nas nossas mãos ficou o processamento desse acúmulo de parâmetros cuja igualdade final, e, por se basear em uma nova série de dados, por lógica deve colocar diante de nossos olhos uma Arquitetura Estelológica Local em relação à qual — sem renegar o foto-finish kepleriano — esta Sistemologia Finística Aplicada não pretende ser mais do que o ponto de partida e jamais o ponto final para a questão central desta Seção: por que a velocidade do Sol é estável e se desvia da lei da gravitação universal, segundo a qual, à medida que o Sol se aproxima de um sistema astrofísico, deve dobrar sua velocidade em função da distância?

 

178. Percebe-se que, pelo simples fato de sua complexidade, uma resposta não deixa de ser simples. É preciso situá-la em seu verdadeiro contexto. Esclarecer a natureza do problema que ela encarna. Definir qual lei a suscita. Abrir espaço e traçar na tela de nossa inteligência a natureza da questão para a qual buscamos resposta. Há um momento em que são os especialistas que devem intervir, pois são eles que possuem esse banco de dados cujo processamento permite demonstrar ou refutar, se for o caso, a integração do Sol em um aglomerado estelar, mais ou menos aberto e mais ou menos populoso, em função da arquitetur e gravitacional a que esses dados dão origem. Consideremos uma nova ampliação estelológica local de 20 anos-luz:

 

 

 

179. Quantos aglomerados estelares abertos poderiam nos servir de modelo astrofísico? Obviamente, estamos falando de uma verdadeira revolução no nível da conceituação sobre o que é um aglomerado estelar. Será necessário descartar conceitos antigos e trabalhar a partir dos sistemas binários até abrir, no espaço universal, campos gravitacionais regionais, dentro dos quais os astros se comportam como átomos dentro de uma molécula astrofísica. Isso explicaria a razão da constância óptica das formações estelares no firmamento, a constância nas distâncias e velocidades dos sistemas estelares dentro da Rede Universal Láctea, e nos colocaria diante de um Universo que se comporta como um Corpo Cristalino, alimentado por correntes gravitacionais, em função das quais o consumo da energia total se mantém ao longo do tempo dentro de uma faixa de máximos e mínimos. Daí as flutuações nas intensidades luminosas estelares. Isso implica Deus, é claro, mas neste Sistema Cosmológico Deus é dado como certo; portanto, vamos já apontar a resposta local ao problema da constância da velocidade do Sol.

 

180. Neste momento, preciso me corrigir, depois de ter destacado o ponto verdadeiramente importante: a existência do Sol como membro de um sistema sideral; meu próprio pensamento me leva a definir a transformação da massa planetária em Mecanismo de Correção da Órbita Solar, por cuja ação a Força Centrífuga a que o Sol está sujeito em resposta ao Movimento de seu Sistema dentro de um Campo Gravitacional Cumulativo é anulada e passa a estar sujeita a uma constante específica. Se antes eu disse que “Não temos mais do que transformar a massa total da família planetária em massa de arrasto, e já teremos o freio estabilizador da velocidade de cruzeiro do Sol”, agora penso que essa transformação concentra seu peso na Equação Corretora da Órbita do Sol, pela qual, como já disse, a força centrífuga a que o Sol está sujeito é vencida por meio da transformação da massa planetária em Controle de Direção por Mecanismo Remoto. (Se alguma objeção vier à sua mente, imagine correr impulsionando apenas o próprio corpo e, em seguida, repita a mesma operação carregando um saco de areia nas costas. Isso, para começar. Mas antes de colocarmos nas costas não o Globo, à semelhança daquele titã, mas os nove planetas com seus satélites e os cinturões de anéis solares, antes de pegarmos a alavanca para mover o universo, vocês terão que abandonar o lastro da visão decadente dos planetas como imensas bolas de gases flutuando entre os fios eletromagnéticos do campo do Sol).

 

181. Quero insistir nesse tema porque acredito que seja importante. A afirmação acadêmica de que os planetas são bolas de gases comprimidos sob pressão gravitacional é um desses argumentos pseudocientíficos primitivos, típicos do fundamentalismo do século XX, que não se sustentam de forma alguma por si só, mas que permanecem no século XXI como símbolo da submissão das universidades ao gênio do ateísmo científico. Até quando a idiotice e o gênio continuarão lado a lado, como as duas faces da mesma moeda? Não é algo fácil de afirmar. Até ontem mesmo, por exemplo, Marte era uma esfera de gás, assim como Vênus, Mercúrio, Júpiter, Saturno e os demais membros do nosso Sistema Solar. E assim continua sendo descrito nos manuais elaborados pelas mentes mais prestigiadas do planeta para consumo das massas. As fotos e as expedições a Marte e seus vizinhos servem-nos de prova ao abordar esse tema — o da absurda visão gasosa dos planetas. No entanto, as provas não são suficientes para apagar dos manuais de Astronomia e dos livros de Ciências Naturais essa vergonhosa mentira. É, portanto, engraçado a ponto de parecer palhaçada ver os eminentes gênios dos observatórios astronômicos de todo o mundo continuarem pregando o evangelho da natureza gasosa dos planetas. Devem ter alguma razão oculta para confessar com os lábios o que seus ouvidos consideram heresia. Ora bem, se houver algum super sábio eminente em alguma das universidades do mundo capaz de demonstrar que Marte é uma bola de gás, que não fique parado e nos exorcize; , cumprindo a vontade desse mega-deus, para o Tártaro dos tolos iremos. É uma vergonha alheia — digo eu — ver nos manuais de Astronomia palavras que só na boca de um idiota poderiam ser desculpadas; vergonha alheia porque quem as escreve são todas eminências, titulares de cátedras e coisas do gênero. Será que o século XXI merece a mente típica de um tolo como mestre e guia do conhecimento do universo? A questão continua sendo: sob que tipo de filosofia concederemos voz a uma cosmologia suicida, sabendo que seus efeitos sobre as nações, desta vez com meios de destruição infinitamente mais mortíferos ao seu alcance, serão os mesmos? Lembremos que Satanás não matou com a espada, mas com a palavra, pois, embora ainda haja quem não acredite nisso, a arma definitiva, para o bem e para o mal, é a palavra. Como acreditar, então, nos dias de hoje, que Plutão seja uma bola de gás? A esta altura, é preciso ser um verdadeiro ignorante para ensinar tal absurdo, e um idiota para acreditar nisso. Para quem escreve e quem lê fora desse círculo mortal típico do século XX, o que nos interessa agora é descobrir como a soma da massa planetária total entra em jogo na hora da estabilização corretiva da velocidade de cruzeiro do Sol. Voltemos, então, ao problema em questão, pois em outra ocasião as próprias circunstâncias nos levarão de volta às entranhas desse buraco negro, em cujo ventre lavam os cérebros da juventude mundial, nos quais, contra a natureza, escreve-se que os planetas são bolas de gás. E eu sou a Chapeuzinho Vermelho, está claro.

 

182. Retomemos, então, o fio da meada. Navegando à velocidade de cruzeiro X, temos, entre as constelações dos Céus, uma estrela chamada Sol. O atrito desta nave contra a superfície de voo é insignificante para frear sua velocidade; e, o que é mais natural, o impulso da força centrífuga a que sua órbita está sujeita impulsiona esta nave para fora do campo gravitacional ao qual pertence. Nosso problema é saber por que sua velocidade de aproximação em relação à estrela para a qual se move não aumenta com o passar do tempo. Independentemente de o Sol voar em linha reta ou seguir uma linha curva, enquanto ele navega no espaço interestelar, as distâncias entre ele e o ponto aparente de aproximação diminuem. Isso é óbvio. E, à medida que a distância entre o Sol e o ponto aparente de aproximação diminui, a força de atração entre o Sol e esse ponto estelar aumenta. A lei da gravidade é que prevalece. À medida que a atração entre o Sol e o sistema estelar de referência pontual aumenta, a velocidade de aproximação também aumenta. Consequentemente, a velocidade de cruzeiro do nosso Sistema aumenta. E continua aumentando. Quanto mais curta se torna a distância entre dois astros, maior se torna a velocidade do menor dos dois. Podemos estar falando ou não do Sol. Seja o Sol o astro maior ou o menor do par em questão, o fato é que ocorre uma variação em sua velocidade de cruzeiro. Mas, já que estamos falando do Sol... vamos falar.

 

183. Acredito que a distância do Sol ao sistema estelar mais próximo seja de alguns poucos anos-luz. Próxima Centauri fica a cerca de quatro anos-luz do Sol. Já foram descobertas estrelas ainda mais próximas. Pela velocidade com que o Sol se move, cerca de 600 quilômetros por segundo, a colisão entre o Sol e o sistema de Próxima Centauri, contando a partir de agora, ocorreria daqui a aproximadamente 500 anos. Perguntamo-nos agora, sem rodeios: há quantos milhares de anos o Sol vem navegando entre as constelações dos céus? E desses milhões de anos durante os quais a vida na Terra seguiu seu curso sem sofrer uma alteração letal, não podemos deduzir a estabilidade da velocidade de cruzeiro do Sol? E não temos o direito de acreditar que a velocidade do Sol é uma constante? E, sendo uma constante, essa constante não nos obriga a corrigir a fenomenologia da gravidade, não tanto como lei, mas quanto à sua natureza? Destaco este trecho especificando que minhas questões buscam abrir caminhos, jamais fechá-los. Na medida do meu conhecimento, faço o possível para sintetizar, a fim de enxergar o processo a partir de uma perspectiva dinâmica. Não aceito em minha mente o “foto finish” kepleriano e, se há algo a que eu comparo o movimento dos planetas ao redor do Sol, é a uma corrente elétrica que passa por uma barra de metal, do tipo solenóide. A própria angularidade das órbitas projetadas em um espaço tridimensional expõe a necessidade de um voo em ondas de corrente, onde o Sol ocupa o lugar da barra de metal. Mais ou menos assim:

 

 

 

184. Partindo dessa imagem, a questão tridimensional se simplifica e é possível deduzir as irregularidades nutacionais de algumas órbitas externas. Em outra seção, dedicada exclusivamente ao Sistema Solar, voltarei ao tema tentando definir melhor a imagem por meio da incorporação de dados físicos. Não pretendo, com essa imagem solenoidal, senão deslocar a imagem congelada no tempo que circula desde os tempos de Kepler, Galileu e Newton, e que se tornou uma barreira nos dias de hoje, um ídolo barato diante do qual todo mundo se acredita um gênio e, dobrando os joelhos, volta tranquilo para casa porque já sabe de tudo.

 

185. A Academia, sempre tão brilhante, sabe encontrar a cada momento a explicação que mais lhe convém para manter intacta sua glória diante das críticas do futuro. E é que, ao que parece, o Sol navega seguindo uma trajetória atípica, de tal forma que evita o contato gravitacional com as demais constelações. Fingindo ignorância ao estilo daquele Sócrates que só sabia que nada sabia, mas sabendo de tudo, a Academia proíbe as universidades de apagar dos manuais de astronomia as falsidades nas quais se baseia sua ideia sobre o Sistema Solar e seu lugar no Universo. Pois é claro que, se o Sol não segue uma trajetória natural para um corpo sujeito à lei da gravidade universal: que tipo de trajetória o Sol traça entre os demais sistemas estelares de sua vizinhança? O cálculo simplório que fiz acima em relação a Próxima Centauri pode ser extrapolado para os últimos quinhentos milhões de anos; e, considerando que o Sol esteve quinhentas mil vezes à beira da colisão, o fato de isso não ter ocorrido me dá motivos para descartar a ideia ingênua de um Sol solitário, que não pertence a nenhum aglomerado. E isso deveria fazer com que vocês parassem de repente e, olhando para cima, sentissem sob seus pés as vibrações do motor estelar. Perguntem a si mesmos como é possível que o Sol, nos milhões de anos em que vem navegando a 600 km por segundo, não tenha colidido com nenhum desses senhores de sua vizinhança. Não lhes parece lógico pensar que ele não poderia nem pode, simplesmente porque o Sol pertence a esse aglomerado? Insisto na imagem:

 

 

186. Na verdade, essa é uma pergunta interessante, que, pela simplicidade de sua formulação, pode soar como uma trivialidade sem importância. Erro grave. Ou será que o passageiro que embarca no avião não se interessa nem um pouco pela mecânica da aeronave, sabendo, como sabemos, que se arrisca a vida no ar? Não é o Sol, em sua totalidade, uma nave eternamente no ar, repleta de passageiros? Quanto à manutenção da velocidade autônoma da nave solar, podemos deduzi-la por meio da transformação da fenomenologia fotosférica solar na queima do combustível necessário para mover um corpo no espaço. Em que as grandes erupções solares diferem do jato do reator que impulsiona uma nave na direção oposta à sua emissão? Ambos os fenômenos não estão sujeitos à mesma lei de ação e reação? Suponhamos, por um momento, que seja assim. E, uma vez que conhecemos o ciclo de onze anos que rege a temperatura do corpo fotossférico solar — já que esse ciclo de aquecimento fotossférico está sujeito a um ciclo estável —, não poderíamos deduzir, a partir de sua constância, a mecânica de propulsão controlada que rege a velocidade de cruzeiro do Sol, mecânica essa, por sua vez, sujeita à lei de transformação da energia gravitacional em energia luminosa? A resposta é difícil, mas não impossível.

 

187. Consideremos a reação do Sol à passagem do cometa Hale-Bopp. Vocês se lembram? A extraordinária erupção observada na superfície solar imediatamente após a passagem do cometa Hale-Bopp não é um fenômeno suficiente para nos abrir a compreensão sobre a conexão entre temperatura, densidade gravitacional e velocidade de transformação, neste caso provocada por uma frente de onda com cabeça sólida? E se a conexão entre a passagem do Hale-Bopp e a extraordinária erupção observada é um fato científico, como continuar mantendo, dentro dos mesmos parâmetros de comportamento, a relação entre o Sol e os planetas, quando um corpo minúsculo é suficiente para acelerar, por um tempo x, a velocidade de transformação de uma estrela inteira!

 

188. Um dos pilares básicos do desenvolvimento do pensamento humano refere-se à busca das causas a partir dos efeitos observados e, inversamente, à descoberta dos efeitos a partir das causas dadas. Graças à capacidade da inteligência de valer-se dos instrumentos da lógica, a aventura do pensamento pôde atingir patamares inesperados. Mas, com o passar do tempo e muitas conquistas, os pensadores que em sua época foram revolucionários cometeram o crime nefasto que se define por eliminar a causa originária do efeito observado, sob a alegação de que a descoberta não se coadunava com seus interesses subjetivos e emoções irracionais. Tendo o século XX se perdido na teia de um ateísmo científico que apagou causas e opôs razões à lógica da realidade, é de se acreditar que os herdeiros daqueles gênios saibam como distorcer o caminho entre efeito e causa e conduzir os ignorantes ao abismo de uma irracionalidade ultrapassada. Pois, por mais difícil que seja acreditar, a Ciência tornou-se ateísta para provar a si mesma que sabia mais do que Deus. O fato de ter encerrado seu discurso às vésperas da Grande Guerra não a fez refletir, durante a Guerra Fria, sobre a patologia na qual sua inteligência havia levado sua lógica. Sua patologia chamava-se ateísmo. Mas voltemos ao tema do nosso Sistema Solar.

 

189. O primeiro a pensar em todos os fatores a serem levados em conta no que diz respeito à estabilidade dinâmica do Sistema Solar foi o Engenheiro que concebeu sua criação dentro de uma rede molecular astrofísica chamada Céus. A maior dificuldade que Deus tinha de superar era representada pelos milhões de anos que a evolução da árvore das espécies exigia para seu nascimento e crescimento. Se, no caso da criação da biosfera, os processos podiam ser acelerados sem causar nenhum conflito científico, no caso da vida a regra era — e continua sendo — bem diferente. No campo da vida, digamos assim: as leis são mais rigorosas. Os milhões de anos que a evolução da vida na Terra exigiam de Deus, por necessidade, tinham que colocar diante dele um complexo sistema de equações sistemológicas. Entre elas, como manter constante a velocidade de cruzeiro do Sol no espaço e no tempo, e como dotar seu Sistema de uma rota de voo tal que ele planasse entre as constelações sem se integrar aos seus sistemas, foram os dois grandes e principais desafios que sua Inteligência teve de superar. E, buscando aqui como ele fez isso, é nisso que estamos.

 

190. A autonomia de voo que a natureza das estrelas lhes proporciona, por serem transformadoras de energia em luz e calor — fenômeno muito semelhante ao comportamento de uma partícula excitada, que se defende irradiando uma subpartícula —, é um aspecto que implica a necessidade de corrigir a hipótese do movimento astrofísico a partir, e somente a partir, da lei da gravidade universal. Não se nega essa lei; simplesmente se corrige sua definição. Se até agora a lei era a única força, a partir de agora temos uma mecânica de transformação de energia, cujos efeitos geram a autonomia de propulsão necessária para manter constante a velocidade do Sistema. Nesse sentido, a fenomenologia da fotosfera solar nos serve de quadro de referência a partir do qual podemos ativar a imagem de um astro como uma nave propulsionada autonomamente por meio da transformação de sua energia no combustível necessário para manter o impulso inicial. Outra coisa será se, em sua irracionalidade científica, a Academia quiser negar a aplicação da lei de ação e reação às fulgurações estelares e à velocidade sideral. O autor não vê como tal negação possa ser demonstrada e, consequentemente, prefere prosseguir com sua exposição sobre a relação entre os planetas e a rotação do Sol durante sua trajetória entre as constelações que marcam sua órbita.

 

191. Imaginemos o seguinte cenário. Temos o Sistema no qual vamos cultivar a Árvore da Vida. Sabemos com certeza que, desde o momento em que a plantarmos até que ela nos dê seu fruto, deverão se passar milhões de anos naturais. Também sabemos que o desenvolvimento da Vida exige que a Natureza mantenha sua Estrutura nas condições que lhe são próprias. O que significa e que devemos evitar a interferência de fatores cosmológicos externos no processo evolutivo. Isso nos obriga a proteger o Sistema Biosférico de tal forma que, sem deixar de estar dentro de um Universo, a existência desse Universo não represente para ele a criação de uma interferência letal. Como fazer isso? A própria velocidade de cruzeiro do Sol, cerca de 600 quilômetros por segundo, e sua sujeição à lei da Gravidade indicam que, com o passar do tempo, essa velocidade deve aumentar, o que é exatamente o que não queremos. E, consequentemente, isso nos obriga a dotar o Sistema Solar de um freio de segurança que atue automaticamente e seja acionado em resposta ao aumento de sua velocidade. É isso que se busca. Vejamos quais soluções práticas nosso Criador encontrou.

 

192. A primeira solução prática era lógica: carregar a nave solar de tal forma que a aceleração gravitacional fosse freada pelo trabalho de deslocamento e obrigasse a nave a transformar essa aceleração exógena na força necessária para realizar o trabalho de deslocamento da carga de frenagem. Dessa forma prática, a nave solar manteria sua velocidade de cruzeiro sempre constante, ao mesmo tempo em que superaria a tendência inercial de aumentar sua velocidade com o tempo. Mas vamos transferir esse caso para o solo. Imaginemos que temos o carro abastecido com combustível. O tempo durante o qual o carro permanecerá na estrada dependerá, além da velocidade atingida, do peso com que o carregarmos. Se carregarmos o porta-malas ao máximo, reduziremos o tempo de funcionamento que o tanque pode proporcionar. A esse tipo de freio chamaremos de exógeno.

 

193. Mas agora imaginemos um tipo de freio exógeno ainda mais sofisticado. Imaginemos que, à medida que a máquina percorre uma distância maior, a carga no porta-malas multiplique seu peso. Não chegaria o momento em que a máquina seria freada, esmagada sob o peso adquirido por esse freio exógeno? A questão é: o Sol está dotado desse tipo de freio exógeno, de tal forma que o peso dos planetas se multiplica pela energia potencial adquirida durante o tempo decorrido? E, inversamente, não é por essa lei do aumento da energia potencial e sua transformação em peso que é freada a tendência do Sol de se comportar de acordo com a lei da gravitação universal?

 

194. Se as ideias sobre a natureza dos planetas são falsas, os números também devem sê-lo. O que me leva a afirmar que não se chegará a lugar algum enquanto a ditadura da cosmologia do século XX continuar impondo sua lei dogmática e seu absolutismo racionalista à inteligência do século XXI. Até ontem mesmo, Marte — como disse antes — era uma bola de gás. Portanto, se tivermos que esperar que as sondas cheguem a Plutão para traduzir seu corpo em massa geofísica, sentemo-nos e esperemos que a morte chegue; a morte chegará antes do que a sonda a Plutão. Assim que os cálculos corretos estiverem sobre a mesa, então poderemos começar a trabalhar com fatos e não com razões impostas com base em prêmios. Deixando de lado, portanto, a crítica destrutiva contra tais gênios, continuemos viajando a bordo da nave solar e continuemos nos fazendo perguntas.

 

195. O Sol está se aproximando de um sistema estelar e, consequentemente, sua aceleração vai disparar, mesmo com o freio exógeno em ação. Como vamos superar esse novo problema? No jogo imaginário que criamos, estamos no comando, pilotamos a nave e, portanto, seu futuro depende de nós. O que devemos fazer agora é pegar o volante e virar, por exemplo, para a esquerda. Ou isso, ou colidiremos com os astros do sistema estelar para o qual a lei da gravidade nos arrasta. Talvez não amanhã nem depois de amanhã. Dá no mesmo. Nossa missão é encontrar uma maneira de provocar a manobra que nos levará para longe da colisão inevitável contra o sistema que, com sua gravidade, tomou o controle dos comandos da nossa nave. A primeira coisa que nos ocorre é procurar o volante. Onde ele está? Pois ele existe, sem dúvida. Milhões de anos e o Sol ainda em rota são a melhor prova de que Deus dotou a nave solar de um freio exógeno — que são os planetas e o jogo de energias que os movem — e de um volante que é acionado por um programa de controle remoto que, , vence a invencível aceleração interconstelacional, obrigando a nave a girar. Minha inteligência me leva a olhar ao meu redor e me perguntar: que tipo de força endógena é capaz de fazer com que o Sistema Solar se comporte como uma nave pilotada por um capitão inteligente? Para tornar possível essa rotação que o Sol vem executando desde o alvorecer dos tempos e sem cujo mecanismo a nave teria se integrado a qualquer sistema estelar da vizinhança: com que tipo de mecânica autônoma Deus dotou o Sol?

 

196. Como ontem e como sempre, levanto meus braços ao meu Criador e dedico a Ele a alegria que desperta em minha inteligência minha admiração pela resposta que Ele me deu a esses problemas. O programa de controle remoto de rota chama-se Alinhamento Interplanetário. Criado o freio exógeno, para que serve um freio se não há um pé para pisá-lo? A essa ação do pé sobre o freio chamaremos de Mecânica Endógena de Giro. Se a ação exógena de frenagem surge como resposta do Sistema em seu conjunto ao meio universal, essa ação do pé sobre o freio surge como resposta dos planetas ao comportamento do Sol. Mais ou menos. Mas antes de abordar o efeito dos alinhamentos planetários sobre a trajetória solar, neste momento gostaria de trazer à memória a multiplicação da força do braço debaixo d’água e a redução do peso de um corpo nesse mesmo elemento. Não pensem que faço isso para despistar. Pelo contrário, faço isso para revelar o ambiente natural no qual se desenvolve o jogo de forças naturais em nosso Sistema.

 

197. Pensem que o peso de um corpo está diretamente relacionado à gravidade. Uma pedra de um quilo tem a mesma massa na Terra e na Lua. E essa mesma pedra não tem a mesma massa na água e fora dela? No entanto, elas têm o mesmo peso? Não é verdade que não? Agora, vamos aplicar essa realidade ao próprio Sol. Isso sem pretender nos equiparar, em visão, ao gênio que buscou uma alavanca para mover o universo. Imaginemos, então, que colocamos o Sol em uma extremidade da alavanca, nós nos colocamos na outra extremidade e cabe a nós movê-lo. A primeira coisa que devemos nos perguntar é qual é o valor da gravidade no meio em que nos situamos. Embora pareça um truque, quanto menor for a gravidade, menor será o peso do corpo e maior a eficácia da força do braço contra a alavanca. A dedução é óbvia. O peso do Sol e de qualquer corpo celeste varia de acordo com a interação gravitacional do momento. Isso de um lado. Do outro, que, ao contrário do Sol, os planetas do nosso Sistema se movem em um meio gravitacional estável e, portanto, mantêm a igualdade entre a força que desenvolvem e o peso que podem levantar.

 

198. O Alinhamento Planetário, total ou parcial, múltiplo ou simples, atua como um braço, e sua ação sobre o Sol é a do braço contra a alavanca. A equação sistemológica afirma que a aceleração solar é freada pelo programa regulador em que Deus transformou o alinhamento planetário. Os planetas transformam o peso do único corpo em que o Alinhamento os converte: em força; e, como toda força tem, por natureza, a função de realizar um trabalho, o trabalho que executam é provocar o ângulo de rotação de que falávamos e mantê-lo constante. Este, de fato, é o volante que estávamos procurando.

 

199. Quanto à descrição físico-matemática dessa nave estelar guiada por controle remoto em voo autônomo no seio das constelações dos Céus, deixo-a para outro mais versado em números, incógnitas e outras equações complexas. Destacando sempre as alinhamentos planetários, tanto parciais quanto totais, no quadro da Sistemologia Astrofísica Aplicada, os primeiros atuando como um contrapeso à velocidade, e os segundos como o deslocamento da proa do Sistema em direção ao hemisfério a partir do qual a carga é realizada. Em suma, antes de semear nas águas do grande oceano a semente da árvore das espécies, foram muitas as equações que Deus teve de resolver.

 

200. Concluindo: Tudo ainda está por ser resolvido no nível dos dados finais. As ideias são a antecâmara das pesquisas. E, nesse contexto, quis retocar minha primeira ideia sobre a relação entre os Planetas e o Sol no seio de um campo gravitacional compartilhado, no qual, assim como o próprio campo solar é causa de uma força centrífuga que repele os corpos e produz os anéis de asteróides externos; estando integrado ao Sol em um campo multiestelar, cujo centro é gravitacional — como se disséssemos que é um ponto de referência em torno do qual ocorre o movimento cumulativo —, esse centro é a causa de uma força centrífuga geral, que o Sol supera por meio da massa planetária geral que corresponde ao seu sistema. O que nos leva, finalmente, a uma estrutura de Engenharia Astrofísica tão perfeita que abandoná-la ao caos é, pura e simplesmente, próprio de um gênio incapaz de compreender o complexo edifício de equações que Esse Engenheiro Divino resolveu no início, e, como não é capaz de aceitar o fracasso por não conseguir, por si só, emular — se não em três dimensões, pelo menos no papel — a Ciência infinita dessa Inteligência Criadora, opta pela alternativa do louco: Deus não existe. Que os astrônomos e matemáticos deste século tomem nota disso.

 

201. As coisas, portanto, são o que são, e não o que parecem; embora, às vezes, o que pareçam ser seja o que são. Estamos falando de uma quantidade indefinida de milhões de anos, período durante o qual o sistema biosférico exigia sua integração em uma estrutura astrofísica estável. Até o momento, as quantidades de tempo para as sequências geofísicas descritas não entraram na narrativa. Deixei esses números para os desafios que, um a um, Deus foi superando. E creio ter dito que, uma vez relacionada a Onipotência Criadora com o conceito físico de potência, os cálculos naturais se queimam no Fogo, congelam no Gelo, se afogam na Água e se evaporam no Ar. Em quantos milhões de anos Deus reduziu a sublimação e o degelo do Manto de Gelo ao integrar a Terra ao Sistema Solar por meio da parábola boreal? Se o degelo do Manto de Gelo tivesse ficado exposto à distância correspondente à terceira órbita, quantos milhões de anos teria durado o degelo?

 

 

SÉTIMA PARTE

CRIAÇÃO DOS CÉUS

 

CAPÍTULO 22. – O PRINCÍPIO COSMOLÓGICO GERAL

 

202. O objetivo e a meta da criação dos Céus e da Terra, o Homem no fim do túnel do tempo: estamos vendo como Deus traçou a arquitetura geral dos Céus e a especial da Terra, pensando nos milhões de anos que o Nascimento e o Crescimento da Árvore da Vida exigiam para dar seu fruto. Porque podia e sabia fazê-lo, Deus criou um Plano de relação entre os elementos da Biosfera, com dois focos termorrefrigeradores principais nas extremidades da Ecosfera e focos pontuais distribuídos pelos continentes, que são as cordilheiras de neve perpétua. A forma como, a partir dos focos polares, as correntes atmosféricas e oceânicas se reciclam e mantêm estável o termômetro biosférico é uma obra de engenharia geofísica tão maravilhosa quanto surpreendente, que envolvia a morfologia da própria litosfera. Como precisava manter estável o termômetro ecosférico, Deus teve que dotar a Ecosfera de um ângulo de rotação perene. E, como podia e sabia, criou o Substrato Ecosférico Autônomo, graças ao qual, como já disse, o ângulo de incidência da energia solar se manteria constante durante os milhões de anos que a Árvore da Vida precisaria para dar seus frutos. Mas havia ainda mais, pois o Sistema Solar não está isolado do restante da Criação e, estando em movimento e sujeito às leis gerais do Universo, a inter-relação causava e poderia causar interferências que prejudicariam o trabalho de tantos milhões de anos. Como isso era possível, e Deus sabia disso, Ele não hesitou em empregar Sua inteligência e dotar o Sistema Solar de um mecanismo de controle remoto de sua velocidade sideral, ao qual chamei de Sistemologia Astrofísica Aplicada. E, no entanto, tudo isso não era suficiente.

 

203. O Universo local, a Via Láctea, move-se no seio de um Cosmos em que o movimento é a característica mais marcante. Pode ser que entre as galáxias existam diferenças qualitativas e quantitativas, mas em todas elas há um denominador comum: elas se movem. Dizer que se movem significa dizer que interagem, se multiplicam, se dividem, se somam, se subtraem. A Criação é movimento constante, avassalador, maravilhoso, surpreendente. Mais ainda, o Cosmos retratado nas teorias do século XX e o Cosmos de Hubble se assemelham tanto quanto uma foca a uma andorinha. No real, o de Hubble, não há movimento homogêneo, não há distâncias padrão, não há padrões. O reino das galáxias é pura diversidade, pura harmonia na descoberta do desconhecido, êxtase na apoteose da capacidade infinita da matéria cósmica de se reproduzir no espaço e entreter sem jamais entediar. Gênio espalhado aos quatro ventos, beleza que se manifesta alegremente e não clama por ser a última moda. Desenvolvimento de estrelas em aglomerados de aglomerados de trilhões de astros que não se destroem nem entram em colapso; são como faróis nas distâncias oceânicas. Galáxias que, como criaturas submarinas, viajam pelas correntes cósmicas e, como águias, abrem suas asas e se deixam levar pelos ventos intergalácticos. Onde está o Cosmos do Século XX?

 

204. De fato, a estrutura celeste que observamos em nosso entorno imediato apresenta características muito típicas. Para que, no fim das contas, o conjunto se resolva em uma arquitetura constelacional de defesa do coração astrofísico, a partir do centro do qual se define sua configuração óptica especial. Pois, tal como podemos contemplá-lo com nossos olhos telescópicos, o universo é percorrido por poderosas correntes gravitacionais que deslocam grandes massas de nuvens de um lado para outro, origem das nebulosas. Assim, ao nos revelar que “criou as estrelas do firmamento para separar a luz das trevas”, Deus nos diz muito sobre como a passagem da Terra por uma dessas correntes nebulosas afetaria o Sistema Solar. E nos revela a natureza dos escudos constelacionais.

 

205. O texto bíblico é claro como a água. “Deus criou as estrelas para separar a luz das trevas”, diz. No Primeiro Dia, é-nos dito que Deus criou a Luz e a separou das Trevas. Neste Quarto Dia da Primeira Semana da História da Humanidade, diz-se que, de fato, depois de separar a Luz das Trevas, Deus criou os Céus para separar a Luz das Trevas. O Texto não poderia ser mais direto. O fato de as conclusões que daí se derivam serem fascinantes e, por serem maravilhosas, totalmente opostas à mentalidade do século XX, não significa nada. A opinião do homem moderno sobre a Natureza do Universo não tem importância. Não foi olhando para o homem moderno que Deus redigiu Sua Revelação a Moisés. Quem não tinha importância para Deus também não pode ter importância para Seus filhos. As conclusões a que chegaram não interessam a este livro, nem as opiniões deles ao autor. Portanto, vamos prosseguir.

 

206. A estrutura do Universo da Revelação e sua resolução no espelho da Realidade nos revelam, por analogia, o seguinte. A saber: o Universo do Gênesis é a Via Láctea. E é sobre a Criação dessa Via Láctea que se diz: “Deus criou os Céus para separar a Terra do reino das Galáxias”. Necessidade física que se depreende do estudo dos Céus, e cujos fenômenos revelam que, do outro lado dos Céus, poderosas correntes e ventos percorrem o Cosmos. Lá estão as imagens astronômicas para falar com o poder de mil palavras por foto. Sua beleza, no entanto, não deve obscurecer a clareza de nossa inteligência na hora de interpretar os acontecimentos que são sua causa. A função física que cumprem os aglomerados estelares que nos cercam é a de uma rede que captura tudo o que a corrente arrasta e impede que as nuvens intergalácticas penetrem no interior do sistema constelacional em torno do qual estão distribuídos. Fundementemos agora, com base científica, a declaração divina de que os Céus foram criados para erguer, entre a Terra e o mundo das galáxias, uma barreira de proteção.

 

207. A descrição, portanto, do Espaço Cosmológico Geral que herdamos nos apresenta um Universo-Galáxia que se move e interage com os demais corpos por meio de leis gerais. O que se adequa perfeitamente à expansão até o infinito da Matéria sugerida pela Ideia da Criação. A necessidade de compreender por que Deus criou os Céus para proteger a Terra do Movimento Cósmico Geral implica a resposta à relação entre Deus e essa multiplicação da Matéria até o infinito. E a resposta a essa pergunta nos leva diretamente àquela outra pergunta à qual, com sua teoria cosmológica, o gênio do século XX quis responder, a saber: Antes do princípio, o quê? Questão que, por sua vez, nos leva diretamente a nos perguntar qual foi o papel de Deus nesse Princípio dos princípios e o que era Dele antes desse Princípio Cosmológico Geral. Assunto que nos obriga a entrar na Teologia, mas sempre conservando a atitude científica que, até agora, tem se mantido como linguagem de entendimento entre a Criação e nós.

 

208. Antes da Criação houve a Não-Criação e, antes do Criador, havia Deus. Deus se declara Eterno e, sobre Sua Idade, nada há a dizer. Mas Ele também confessa: “Antes de mim não foi formado nenhum Deus, e nenhum haverá depois de mim”. Assim, sabendo que Deus é Eterno e que, portanto, a Formação de que fala não poderia afetar Sua Natureza, deduz-se que essa Formação se referia à Sua Inteligência, que é a parte do Ser que cresce e se desenvolve no tempo. Conclusão lógica que coloca, de um lado, o Conhecimento da Ciência da Criação e, do outro, o Ser que possuía todos os Atributos Naturais de Deus. Quando essas duas coisas se uniram e se tornaram uma única coisa, então Deus tornou-se o Criador e a Realidade, sua Criação.

 

209. Quando e como ocorreu essa revolução cosmológica, abordei na História de Jesus. Lá, entrei no tema da História da Não-Criação e desenvolvi seus grandes momentos. Creio me lembrar de ter dito que o Criador se tornou porque estava em Deus. Mais ou menos o que quis dizer é que, se a Inteligência sem Poder não é suficiente para transformar a Realidade, tampouco o Poder sem a Inteligência possui essa faculdade. E afirmei ali que o Poder estava em Deus e a Inteligência na Força Incriadora, Origem de todas as coisas. Lembro-me de ter colocado a Eternidade e o Infinito diante de Deus, mas não em oposição a Ele. E de ter relatado essa relação não criada ao falar da Infância do Ser Divino. E essa Infância sob a ótica da revolução que levou Deus a se tornar a Origem de todas as coisas novas. Em relação a esse processo, Ele falou de si mesmo dizendo que foi formado. Processo de Formação que só pode ser compreendido como realizado pelo Infinito e pela Eternidade, na medida em que são realidades não criadas que tinham em Deus a estrela de tudo o que se movia e se fazia. E, uma vez que o Criador foi formado em Deus, consumou-se a revolução que faria de Deus, do Infinito e da Eternidade uma única coisa. Em linhas gerais.

 

210. Dessa revolução ontológica que integrou Deus, Espaço, Tempo e Matéria surge o conceito de Princípio Cosmológico Geral, ou seja, o acontecimento que marcou um Antes e um Depois. Pensando nisso, os gênios do século XX falaram de um Big Bang, e eu, na História Divina, parti de uma atividade criadora natural na qual Deus transformou a Realidade a partir da própria estrutura da Realidade. Ou seja, houve a destruição de um cosmos anterior e a transformação desse cosmos em um novo, que, como tudo o que começa, partiu de um acontecimento ou Princípio Cosmológico Geral. Princípio Cosmológico Geral que marcou de forma irreversível o Antes e o Depois. A questão é como Deus deu origem a esse Princípio, do qual o início do nosso Universo, em especial, é um fragmento da sequência histórica que pôs em movimento aquele Acontecimento.

 

211. A resposta a essa questão exige que se fale das leis fundamentais do Movimento de Multiplicação da Matéria Cósmica, que vinham atuando desde a Eternidade. Só que, ao contrário do Cosmos Não Criado, que envolvia o Infinito nessa Multiplicação, ao ter o Movimento sua Origem em Deus, esse Movimento foi revolucionado e realizado por campos que transformam a matéria em energia cósmica e essa energia cósmica em matéria astrofísica. Para compreender essa fenomenologia, recorramos à natureza quântica da matéria atômica.

 

212. Tanto no âmbito das observações em laboratório quanto em aceleradores de partículas, a reprodução da matéria tem sua origem no aumento da energia dinâmica que transforma a relação da partícula com o campo no qual ela se move. Desde o próprio surgimento da física quântica, observou-se que o aumento da massa exige o aumento da energia cinética, relação que Einstein tentou expressar em sua célebre equação da energia. Mas se, no átomo em seu meio natural, ao aumento de sua velocidade a partícula responde transformando a diferença em massa — e o mesmo ocorre em um acelerador —, se retirarmos o limite de velocidade da equação e procedermos à extração da partícula de seu meio, conferindo-lhe as características da energia cósmica em voo livre em um espaço sem referência eletromagnética: essa partícula continuará transformando a diferença de velocidade em massa. Supondo que lhe atribuamos uma acumulação de trajetórias até o infinito, já temos o salto da matéria quântica para a astrofísica. Esse era o processo natural não criado.

 

213. Deus revolucionou esse processo ao concentrar a trajetória em um campo onde o tempo matemático se curva e o espaço físico cai em direção ao centro. Simulando um acelerador em anel de tal forma que, a partir do exterior, crie uma espiral sobre a superfície de uma ampulheta, onde cada fragmento mantém a velocidade de aceleração independentemente da massa: no momento em que o feixe atinge o centro, ou seja, a boca da ampulheta, o feixe salta para o outro lado por meio da explosão na origem das estrelas. Esse é o fenômeno que chamo de Implosão Astrofísica, fenômeno que marca o nascimento das galáxias e das estrelas.

 

214. Pois, como um astro individual pode dar origem a uma quantidade ilimitada de feixes de energia cósmica, a reprodução da matéria até o infinito é uma realidade que vem desde a Eternidade. O que diferencia essa multiplicação até o infinito é que, antes, ela exigia o Infinito como pista de transformação e, depois, o mesmo processo se reproduz em campos de espaço-tempo desdobrados por Deus nas fronteiras do Cosmos. Isso torna o Cosmos um ente mais massivo e confere ao Espaço Geral uma densidade de matéria mais elevada, razão pela qual o Cosmos nos maravilha com novas criaturas galácticas a cada dia em que o Hubble abre seus olhos. A Criação é contínua e sua expansão, constante.

 

215. Esse processo de multiplicação da matéria cósmica a partir de um Princípio Geral Cosmológico pode ser comparado a uma reação em cadeia que nunca termina e amplia seu raio de ação e extensão à medida que o tempo avança, do centro em direção às fronteiras. Nossos olhos telescópicos nos permitem admirar o movimento das galáxias dentro desse Espaço Geral Cósmico em constante expansão. E também ajustar as leis da gravidade às criaturas galácticas, cuja ação nos permite observar como elas se atraem e se acumulam; lei clássica à qual devemos somar a lei das forças eletrodinâmicas, graças à qual a concentração da massa total em um ponto é um impossível físico de se alcançar. Razão extraordinária pela qual o movimento dos átomos de um gás quente dentro de um recipiente é o que corresponde ao Movimento Cosmológico Geral.

 

CAPÍTULO 23. – O ESPAÇO COSMOLÓGICO GERAL

 

216. A criação de galáxias como fenomenologia autônoma, ativada por Deus por meio da alimentação constante do campo transformador da energia cósmica em matéria astrofísica, nos leva diretamente a descobrir o Cosmos como um campo de matéria-prima do qual Deus extrai a matéria necessária para erguer Suas Obras. Entre elas, nosso Universo é uma delas. Não foi a primeira, nem será a última. A palavra de Deus a esse respeito é firme: “Em verdade, em verdade vos digo que o Filho não pode fazer nada por si mesmo, a não ser o que vê o Pai fazer; pois o que o Pai faz, o Filho também faz. Pois o Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que Ele faz, e lhe mostrará obras ainda maiores do que estas, de modo que vocês fiquem maravilhados”. As implicações teológicas não poderiam ser mais claras.

 

217. Mas por que um feixe de energia cósmica não cresce até o infinito uma vez ultrapassado o limite da velocidade da luz? Sendo que a origem da matéria astrofísica está no salto da energia cósmica e esse salto é condicionado pela transformação da energia cinética em massa, por que, uma vez criada uma trajetória que simula o vácuo, a transformação não continua até o infinito? Um projétil disparado no vácuo não tende a atingir velocidade infinita se o tempo que lhe for concedido for eterno? Por que, então, não existe um corpo escuro de massa infinita? Em suma: que tipo de mecanismo de segurança é que impõe limites ao salto da energia cósmica para a matéria astrofísica?

 

218. A resposta vem da experiência. O salto até o infinito colide com o ponto crítico de crescimento, ou Ponto de Implosão Astrofísica, a partir do qual o corpo estelar transforma a energia que absorve em luz. Dessa forma, mesmo que o sistema matéria-energia tivesse caminho livre, o próprio peso dinâmico do processo criador o conduz a um ponto em que a transformação em massa dá lugar à transformação em luz. E o ciclo continua. Esse ponto crítico, portanto, está na natureza da matéria em geral e se mantém ao longo de todo o percurso do salto, tanto do quântico ao sideral quanto do astrofísico ao cósmico. Outra questão será determinar como esse núcleo duro, o verdadeiro protagonista do salto interdimensional, funciona e em que medida suas revoluções de trabalho se aceleram ou desaceleram. E assim outras perguntas que dizem respeito ao salto criador em si. Como, por exemplo, o que acontece quando a massa galáctica criada consumiu a energia do campo espaço-temporal. E outras coisas mais. Também observamos no Espaço Cósmico Geral como as galáxias seguem o padrão natural de uma corrente que sai pela boca de uma ampulheta em movimento em torno de seu eixo. Ao compararmos os braços espirais com jatos de energia astrofísica lançados por forças centrífugas para o Espaço Cósmico Geral, a gama de galáxias se abre para a quantidade de energia concentrada em um determinado momento por um campo de transformação. Além disso, se compararmos esses campos a redes nas quais a energia cósmica flui em correntes alternadas, a gama anterior se abre em leque diante de nós, e o que vimos até agora não passa de uma amostra do que está por vir. As espécies galácticas crescem na eternidade até o infinito.

 

219. E, uma vez criadas, como se comportam as galáxias? Como crescem, qual é a regra que dá forma à sua essência, como conservam a energia cinética, qual é sua relação com o campo transformador e qual é a relação entre esse campo e o campo gravitacional astrofísico? Seremos capazes de deduzir, a partir do que vemos, algumas leis que nos ajudem a compreender a natureza dessa árvore de criaturas estelares que é o reino das galáxias? Somos capazes, por meio da combinação das leis físicas locais, de recriar as grandes leis que regem o movimento no Espaço Cósmico Geral? Por que as galáxias não obedecem à famosa lei da gravidade universal? Por que se comportam mais como enxames de criaturas exóticas voando sem direção aparente, tendo como norte a trajetória que o vento lhes traça? A partir do movimento browniano que demonstram possuir, é possível ou não aplicar as leis da eletrodinâmica às galáxias, em virtude das quais elas se repelem, colidem, se misturam, se dividem, se multiplicam e permanecem sempre em movimento? O Movimento Cosmológico Geral não ignora a natureza neutra do campo gravitacional universal? E esse movimento constante dessas criaturas enormes que se deslocam a velocidades fantásticas por um Cosmos de vocação eterna — que tipo de correntes e ventos intergalácticos elas não produzirão? Não são as tempestades nebulosas que arrasam nosso Universo Galáctico em seu caminho uma prova da existência dessas correntes intergalácticas que, impulsionadas pelo Movimento Cosmológico Geral, transportam, de um lado para outro, massas de matéria cósmica, causadas tanto pela combustão de sistemas inteiros quanto por sua existência anterior à criação do Princípio Cosmológico Geral? (Enfim, ao abordar esse tema, as perguntas poderiam se acumular umas sobre as outras até formar uma montanha. O fato de a Cosmologia do século XX ser onisciente e, ao descobrir uma nova galáxia com seu gênio todo-poderoso, já poder atribuir-lhe natureza, idade e distância é uma dessas maravilhas da natureza que devemos submeter à análise, ao exame e ao julgamento crítico. Mas não neste livro).

 

220. Aqui convém afirmar que a Ideia do Universo veio antes do Universo. Não se trata de dogmatizar nem de filosofar. Não é minha intenção. Trata-se apenas de colocar em evidência uma realidade tão natural quanto o fato de que o estudo do terreno é necessário antes de se erguer qualquer obra de engenharia. E é que, conhecendo Deus as leis de sua Criação, suas dimensões, sua fenomenologia e sua natureza, é lógico e natural que, ao se propôr a erguer uma Obra, Ele trace linhas e faça cálculos pensando na influência do terreno sobre o futuro do edifício, neste caso, astrofísico. Melhor do que eu, quem pode descrever com precisão esse processo de estudo e reflexão anterior ao Ato Criador é o próprio Deus, que inspirou a Salomão estas palavras sobre sua Sabedoria: “Yavé me possuía no início de seus caminhos, antes de suas obras, desde a antiguidade. Desde a eternidade fui estabelecida; desde as origens, antes que a terra existisse. Antes dos abismos, fui gerada; antes que surgissem as fontes de águas abundantes; antes que as montanhas fossem alicerçadas, antes que as colinas, fui concebida. Antes que Ele criasse a terra, nem os campos, nem o pó primitivo da terra. Quando Ele firmou os céus; quando traçou um círculo sobre a face do Abismo. Quando condensou as nuvens nas alturas, quando dava força às fontes do abismo. Quando fixou os limites do mar para que as águas não ultrapassassem seus confins. Quando lançou os alicerces da terra, eu estava com Ele como arquiteta, sendo sempre o seu deleite; regozijando-me diante Dele em todo o tempo”.

 

221. Com a Ideia na Mente e todos os cálculos resolvidos, Deus dá início à Obra. No caso dos Céus, a primeira coisa que Ele fez foi — segundo Salomão: “traçar um círculo sobre a superfície do abismo”. Ou seja, demarcar o território, indicar o perímetro dentro do qual criaria os Céus. O que significa especificar as dimensões da construção material pelo perímetro que lhe é atribuído no Espaço. O raio e o diâmetro desse círculo, dentro do perímetro do qual Ele planejou criar os Céus, não são números desconhecidos para nós. A razão desse número, a partir do conhecimento da natureza do terreno cósmico, é perfeitamente compreensível; sobretudo tendo diante de nossos olhos o álbum de fotos que o Hubble nos oferece gratuitamente. Não nos esqueçamos de que, embora a foto astronômica se limite a nos oferecer um instantâneo da matéria no tempo, os fenômenos que ela retrata são tão semelhantes aos fenômenos que observamos no mundo físico local que, por lógica, temos que deduzir do conhecido o que ainda está por conhecer. As nebulosas não se assemelham a tempestades atmosféricas? E não parece que ondas gigantes de energia as levantariam e as lançariam contra os sistemas estelares do nosso Universo?

 

222. Já entramos no cerne da questão. As galáxias geram, no Espaço Cosmológico Geral, poderosas correntes e ventos. Estes se deslocam e seguem as direções que lhes são marcadas pelas próprias galáxias. Mas não estamos falando apenas de matéria nebulosa. Aqui é preciso combinar a lei da curvatura da luz com o voo da energia cósmica. Melhor colocarmos de outra forma. Partamos de uma imagem mais simples. Transformemos as galáxias em canhões geradores de energia cósmica. Ao mesmo tempo em que a criam, elas a disparam para o Espaço Cosmológico Geral. Não abolimos a velocidade da luz dentro do campo galáctico; pelo contrário, mantemos seu limite. E enquanto segue seu caminho, à medida que gira em busca de sua rota para fora da galáxia, o jato de energia de uma estrela soma-se ao de outra, resultando, no final, na projeção para o Espaço Cosmológico Geral, não de feixes, mas de correntes de energia.

223. Esse fenômeno de multiplicação e concentração da massa de u

m feixe de partículas, criando uma corrente que se comporta como um núcleo rígido, foi observado em aceleradores de partículas. Verificou-se que a multiplicação quântica da matéria pela aceleração da velocidade do feixe inicial não cria novos feixes dispersos, de modo que cada um segue sua própria trajetória.

 

224. Fora do campo gravitacional galáctico, a aceleração das correntes de energia liberadas pela galáxia tende a aumentar à medida que se afastam de sua influência e a continuar crescendo à medida que se aproximam da próxima galáxia. Nesse sentido, a fonte de origem, a galáxia, comporta-se como o canhão no qual o feixe recebe sua energia inicial de voo cósmico, e o Espaço Cosmológico Geral como o acelerador no qual o feixe se multiplica e gera os núcleos duros criadores das correntes intergalácticas, na origem dos deslocamentos da matéria cósmica nebulosa de um lado para o outro. Essas correntes se movem no Espaço Cosmológico Geral da mesma forma que os rios traçam seus leitos contornando os sopés das cordilheiras e se lançam em linha reta quando o terreno o permite. A partir de nosso conhecimento hubbliano do Cosmos, podemos deduzir o número e a variedade de correntes que se movem no espaço intergaláctico, a quantidade de energia que transportam e as consequências sobre qualquer sistema que se cruze em seu caminho sem proteção contra sua frente de onda.

 

225. A Criação de Deus nesta forma dinâmica e estruturada, o Espaço Cosmológico Geral transformado em uma superfície sobre a qual poderosos rios de energia cósmica traçam seus leitos — o destino final dessas correntes é o Oceano! E esse Oceano, o que mais poderia ser senão o campo criador externo, em cujo seio ocorre a transformação da energia cósmica em matéria astrofísica? Mas antes de alcançarem seu destino, durante o trajeto desde suas fontes — as cachoeiras de origem — até o Oceano que transforma as correntes cósmicas em matéria astrofísica, essas correntes cósmicas se comportam como verdadeiros ciclones. Assim como o rio em cuja corrente uma árvore velha cai e é arrastada rio abaixo, da mesma forma as correntes cósmicas movem de um lugar para outro a matéria nebular intergaláctica. E da mesma forma que o vento segue seu curso ao se aproximar da montanha, mas descarrega sobre ela sua carga, assim também os rios de energia cósmica fazem o mesmo sobre as galáxias que contornam. Obviamente, não podemos detectar essas correntes, mas podemos deduzi-las a partir de nosso conhecimento da matéria e do que vemos com os olhos do Hubble.

 

226. Nosso Universo-Galáxia, a Via Láctea, se relaciona com o restante da Criação seguindo os parâmetros desse Movimento Cosmológico Geral. Visto de fora, nosso universo se comporta como a montanha sobre a qual o cosmos descarrega suas nuvens e de cujas entranhas jorra uma nova fonte de água eletromagnética que estende seu leito sobre o campo cósmico, recebe seus afluentes intergalácticos e avança entre as galáxias até alcançar seu destino. A origem das nebulosas está nesse jogo de interação, diante do qual — e pensando em suas dimensões — Deus conferiu ao nosso Universo as suas próprias dimensões.

 

CAPÍTULO 24. – ENGENHARIA ASTROFÍSICA DA CRIAÇÃO

 

227. A Inteligência Criadora se envolveu no jogo de ações e reações ao criar um Universo concebido para resistir ao peso das correntes cosmológicas. Ou seja, Deus ergueu a estrutura universal dotada de todos os mecanismos físicos necessários para superar as consequências do terremoto que sua própria criação viria a provocar. Deus também sabia que, assim como soldados que caem na vanguarda do combate, muitos astros do exterior do nosso Universo sucumbiriam sob o impulso das correntes intergalácticas. O que chamamos de Novas e Supernovas são esses guerreiros que caíram em combate e se desintegram em explosões fabulosas, que, por sua vez, são o berço dos cometas e meteoritos que atravessam os Céus. Paremos, então, por um momento na origem das novas e supernovas. E, a partir da quantidade de energia física que um núcleo denso é capaz de liberar, dada a semelhança entre o espaço cosmológico geral e um acelerador de partículas: se elevarmos o processo à dimensão astrofísica e aplicarmos a lei da influência mútua entre campo e luz, temos que concluir que um campo galáctico reage à ação de curvatura da trajetória das correntes cósmicas, acelerando o ritmo de rotação de seu cinturão estelar externo. Vamos aprofundar esse comportamento.

 

228. Assim como vemos na Criação de Deus, todos os sistemas de um corpo galáctico somam seus campos e criam um campo geral que reage como um todo diante do exterior. Já comparei anteriormente esse campo geral a um oceano, com base na Revelação. Partindo dessa semelhança e da comparação do campo universal com o volume contido em um copo de água, a ação das correntes cósmicas sobre o campo gravitacional se traduz na reação da água ao movimento da mão que introduz o dedo e o gira. Visto que todo corpo líquido possui um movimento próprio, natural ao corpo que o contém, a aceleração proveniente do exterior deve afetá-lo nas zonas externas, de onde se propaga para o interior, se for o caso.

 

229. Naturalmente, nem todos os corpos de um sistema reagem da mesma maneira diante de uma força externa. No caso dos sistemas estelares, essa lei simples é algo cotidiano. E como a transformação da gravidade em luz depende da velocidade de rotação do sistema — que é afetada pelo encontro com as correntes cósmicas —, os sistemas estelares externos, ao ficarem expostos à ação do dedo sobre a água, são constantemente acelerados; reação essa que alguns astros suportam perfeitamente, enquanto outros não conseguem suportar além de um limite crítico. Ao atingir esse limite, o freio de segurança sistemológico se rompe e o sistema escapa ao controle interno, rumando para sua destruição. O resultado é a explosão de uma nova. Isso quando se trata de um astro individual. E se o astro desencadear uma reação em cadeia que arraste todo o seu sistema para a destruição devido ao calor gerado pela combustão acelerada da gravidade, falaremos de supernova.

 

230. É a experiência que fala. A foto que demonstra. E a realidade que convence. Imaginemos que temos uma bola imensa; queremos fazê-la girar empurrando-a, mas não conseguimos; chamamos mais pessoas para nos ajudar e vamos nos unindo até forçá-la a girar. Assim que ela começar a girar, a força necessária para manter sua rotação constante será menor, de modo que o efeito dessa mesma força sobre a bola será maior à medida que sua velocidade aumentar. Elevamos agora esse jogo simples à relação entre um astro e seu campo gravitacional. E concordamos que a rotação de um campo gravitacional é semelhante à de um corpo sólido no qual o astro ocupa o núcleo. Em seguida, comparamos a ação da corrente cósmica sobre esse corpo com a da força da mão sobre a bola. E já temos o efeito físico na origem das novas. Sempre concordando, antes de mais nada, que a curvatura de uma corrente cósmica, como a da luz, não ocorreria se essa corrente não tivesse massa. Se não tivesse massa, não teria peso; e se não tivesse peso nem massa, o fenômeno da curvatura da luz não poderia existir. Pois, do ponto de vista da óptica, é possível comparar a curvatura da energia cósmica ao entrar em contato com um campo gravitacional com a refração da luz. A trajetória dos cometas ao passarem pelo Sol nos ajuda a descobrir a estrutura óptica da curvatura que a energia cósmica descreve ao passar por um campo gravitacional. Mas, se, ao contrário da energia cósmica, sua curvatura não se altera, no caso dos cometas temos a resposta que transforma o campo gravitacional em uma realidade que se comporta, para efeitos físicos, como um corpo. E, como tal, gira com o astro ao qual pertence.

 

231. Sabendo-se que a idade das estrelas é medida pelo tempo que levam para consumir a energia de seu campo gravitacional — processo de consumo sujeito à velocidade de trabalho do transformador —, a lógica nos leva a acreditar na existência de uma lei reguladora entre as rotações de trabalho e o tempo de vida do sistema. A questão que aqui nos ocupa é como acelerar as rotações de trabalho do transformador astrofísico até o ponto de reduzir sua vida útil ao mínimo de tempo possível. A lógica nos diz que existe apenas uma maneira, que é fazer com que o campo seja excitado até o infinito, da mesma forma que o líquido contido em um recipiente transborda por ação centrífuga. Não é essa a ação cumulativa das forças diante da grande esfera de que falávamos? Pois estamos falando de correntes que se movem em resposta aos estímulos dos campos galácticos e à excitação desses campos sob tais respostas: o nível de excitação provocado será refletido na intensificação da produção de luz. Quanto maior a excitação, maior a intensidade da produção e menor o tempo de vida do sistema. Os fenômenos de intensificação cíclica e atípica dos sistemas estelares devem ser relacionados a esse comportamento universal.

 

232. Resumindo: no caso das novas e supernovas, a excitação refere-se ao aumento da velocidade de transformação até o infinito. Fora de controle, os mecanismos naturais de frenagem dos sistemas gravitacionais, a rotação do astro e do campo disparam e interagem até se consumirem, reduzindo milhões de anos a uma questão de segundos. Se falarmos de um sistema astrofísico simples, falaremos de Novas. E se for todo um sistema múltiplo que entra nessa dinâmica, falaremos de Supernovas. Tanto as umas quanto as outras ocorrem nos cinturões constelacionais externos, que são os mais expostos às correntes intergalácticas. Essas novas e supernovas estão na origem dos cometas; os cometas são lançados como projéteis de canhão que aumentam seu poder destrutivo à medida que acumulam espaço percorrido.

 

233. E, para concluir: tendo em mente essas três frentes de ação — nebulosas, novas e cometas —, Deus estruturou a distribuição constelacional em torno do Sistema Solar, simulando uma rede gravitacional cristalina contra cuja solidez se desintegra o perigo de interrupção da Evolução da Árvore da Vida na Terra. Os maravilhosos resultados positivos à vista não devem obscurecer os olhos de nossa inteligência ao percebermos que, de acordo com as dimensões astronômicas, Deus traçou aquele Círculo sobre a Face do Abismo, do qual Salomão nos falou em sua Sabedoria. O que o rei sábio e pacífico por excelência viu com os olhos de sua Sabedoria, nós, graças a Deus, vemos com os olhos de nosso rosto. Aglomerados e superaglomerados no cinturão externo, e aglomerados abertos e sistemas múltiplos no interno, combinam-se nesta rede gravitacional cristalina e constelacional sobre a qual ainda há muito a ser dito. Comecemos resolvendo o mistério da Origem dos Céus.

 

CAPÍTULO 25. – ORIGEM E CONSTITUIÇÃO DOS CÉUS

 

234. Entramos em uma das grandes questões: a origem das estrelas do Firmamento. Acredito que a resposta já tenha sido esboçada nas seções anteriores. A formação de estrelas, na medida em que constitui o objetivo da existência das galáxias, tudo leva à transformação do Cosmos no campo de matéria-prima do qual Deus extrai a matéria com a qual realiza Suas Obras. Como a criação de galáxias é constante, a massa total de matéria-prima que o campo cósmico coloca à disposição de Deus para realizar qualquer Obra não tem limites. Outra questão é como Deus extrai essa matéria estelar e a transporta de suas regiões de origem para o Universo. Nós, sabendo que a maneira de fazer as coisas depende sempre do Poder de quem as faz, e que a imaginação para fazê-las está em relação direta com a Inteligência daquele que se propõe a fazê-las, podemos falar de grandes rios percorrendo as planícies intergalácticas, conforme o Senhor das Galáxias julgar melhor e de acordo com suas necessidades de trabalho. Que outro Nome poderíamos dar àquele que as cria e as governa? Ou como submeteremos ao nosso critério as leis que as regem e as formas de comportamento das galáxias e de seus mares de estrelas diante da ação de seu Criador sobre seus corpos? Imporemos à imaginação Divina os limites naturais da nossa própria imaginação? Como poderíamos ousar comparar nossa maneira de viver, sentir, respirar, pensar, andar, trabalhar, planejar, tocar, amar, tratar, ordenar, rir, calcular… com as desse Ser na Origem do Cosmos? A partir dos limites naturais de sua realidade, como poderia a criatura julgar seu Criador sem demonstrar estar cometendo um ato de loucura? O princípio e o fim da inteligência humana é a admiração; ela nasce da admiração pela Criação para culminar na admiração pelo seu Criador. Tudo o que for dito além disso provém dessa semente que não estava no Homem e foi plantada em seu ser por uma força alheia à Criação de Deus, o que é assunto da Teologia. De qualquer forma, a grande questão da Origem nos leva diretamente à outra grande questão: a Constituição do Universo.

 

235. Do que foi lido até aqui, deduz-se que o Universo e o Cosmos são duas coisas diferentes. Essas duas coisas, unidas, formam a Criação de Deus, e, dentro dela, uma coisa é o Cosmos e outra coisa é o Universo. O Cosmos é o campo de matéria-prima do qual Deus se serve e, com a liberdade de quem é o Senhor, retira todos os materiais necessários para levar adiante Suas Obras. Quanto ao Universo, o Universo é o campo estelar onde Deus realiza essas Obras. Quando, portanto, Moisés nos fala da Criação do Universo, ele estava se referindo a esse campo estelar. Cuja Origem, como vimos, está nesse campo cosmológico do qual Deus faz jorrar rios de estrelas que percorrem as planícies intergalácticas e desaguam neste oceano universal, em cujas águas a Árvore da Vida lançou suas raízes. Árvore da Vida sobre a qual há muito a dizer, especialmente nesta fase de sua História. Sobre a Constituição do Universo, no entanto, nem tudo foi dito.

 

236. Obviamente, Moisés fala, em seu Relato da Criação, dos nossos Céus. E, ao fazê-lo, nos apresenta uma Realidade: Deus é seu Criador. Realidade que nos conduz a outra realidade: a Eternidade, essa Eternidade que implica o Infinito. Realidades cujo conjunto tem a humanidade como fruto, mas não o único dessa Árvore da Vida, à qual o Deus do Infinito e da Eternidade concedeu o Universo como campo de Origem e Crescimento. Essa conclusão final nos leva de volta à revelação do Filho desse Criador e Senhor do Cosmos e do Universo: “O Pai mostra ao Filho tudo o que faz e lhe mostrará obras maiores do que estas, de modo que vocês fiquem maravilhados”. Ao empregar o plural ao falar do Passado como reflexo do Futuro, o Filho de Deus nos revela que nossos Céus e nossa Terra — em definitiva, que a Raça Humana — não são a primeira Colheita que a Árvore da Vida produziu. Afirmação essa que encerra o dilema sobre a vida no Universo. Pois o Homem não é o primeiro nem será o último Fruto dessa Árvore. Antes do Homem, outros mundos já haviam sido criados e, depois do Homem, novos mundos nascerão dos galhos da Árvore da Vida. “Os filhos de Deus”, dos quais fala a Bíblia, são o fruto dessas Obras que o Filho nos declarou que o Pai realiza. Não cabe divagar sobre as regiões de origem desses “filhos de Deus” no Universo. O fato é que o conhecimento de sua existência nos leva a uma nova maneira de encarar a Constituição dos Céus e do Universo em geral.

 

237. E essa forma tem a ver com a concepção do Universo. Ou seja, quando Deus o concebeu em sua Mente, qual foi a Ideia que lhe deu origem? Ele o criou para ser um campo no qual se ergue uma casa e, quando ela cai por estar velha, é demolida e outra é erguida? Ou o criou para ser construído ao longo do tempo, da mesma forma que quem possui um terreno o cultiva e transforma à medida que o tempo passa? Criou os Céus que circundam a Terra e são o berço da Raça Humana para que fossem varridos do Universo pelo tempo, ou criou os Céus para que permanecessem eternamente?

 

238. E, considerando essa última alternativa e sabendo que a criação de um Mundo introduz no Universo um conjunto de problemas constitucionais de magnitude astronômica, como vimos nas seções anteriores, o Universo não seria um campo continuamente sujeito a uma definição criadora de suas regiões, em razão da transformação dessas regiões em zonas de Origem de Mundos? Voltemos ao Princípio do Universo para definir melhor essa criação constante da geografia universal.

 

239. Tendo criado o Cosmos como região produtora de Galáxias — e sendo estas fábricas de estrelas —, Deus pensa na Vida e concebe um oceano estelar que crescerá continuamente, e sob cujas Águas a Vida lançará suas raízes, desdobrará sua Árvore e dará seu Fruto. Assim, Deus inaugura o Princípio das origens dos Mundos, direcionando rios de estrelas de todas as partes do campo cósmico, que atravessam, desde suas fontes nas cordilheiras galácticas, as planícies cosmológicas e desaguam em um espaço concreto, onde criam um Oceano de estrelas: o Universo. Um Universo, a princípio amorfo e de certa forma selvagem, no qual os aglomerados e os superaglomerados se associam e se dissociam, e as correntes estelares se movem sujeitas às forças que se manifestam no interior desse Oceano de estrelas que, em torrente, desaguaram nas margens do Universo. Mas o objetivo desse movimento é semear a Vida e colher seu Fruto; o horizonte que Deus estende ao Universo é o Infinito; e a duração é a Eternidade. Assim, durante cada Ato Criador, Ele estende Sua Mão sobre uma Zona do Universo e lhe dá forma, a esculpe, a identifica, confere-lhe propriedades, dando forma ao amorfo, tornando identificável o que não possuía identidade própria. Dentro desse Processo de Criação contínua do Universo e como resultado desse movimento nasceram nossos Céus. A questão fundamental — se os Céus de nosso Firmamento foram criados para permanecer ou para serem varridos do espaço como um castelo de areia quando a maré sobe — tem uma resposta decisiva e definitiva: ao criá-los e por meio de sua criação, Deus deu forma e identidade a uma região do Universo Geral. Acredito que, em Seu Livro, Ele tenha inserido, de maneira discreta, a expressão: “os Céus dos céus”, onde o Universo é identificado com uns Céus que abrigam muitos céus, cada um deles, à imagem e semelhança do nosso, berço e origem de outros mundos que existiram e de outros que ainda virão, cada um com sua região singular. Esse aspecto nos leva a outra questão: a navegação pelo Universo.

 

240. A tendência de crescimento até o infinito que Deus conferiu ao Universo pressupõe e implica a necessidade de uma cosmografia universal que permita a navegação interna por meio da identificação à distância das regiões que o compõem. Deus é livre e poderoso para fazer o que a maré faz com o castelo de areia, mas não concebeu o Universo assim. Ele poderia ter reunido em um livro a História e a Constituição celeste de cada Mundo, mas, em Sua Mente, o que Ele concebeu foi que essa História e essa Constituição permanecessem eternamente, tornando-se os Céus as letras desse Livro universal, onde cada Capítulo trata da Criação de um Mundo e de suas coisas. Não são belas as linhas sobre as quais as estrelas se ordenam para escrever esta mensagem à criatura humana: Infinito + Eternidade = Deus?

 

 

OS NOVOS CÉUS E A NOVA TERRA.

DISTRIBUIÇÃO DE MATÉRIA ASTROFÍSICA NA VIA LÁCTEA

 

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A REVOLUÇÃO INTELECTUAL DA ESTRELA DA MANHÃ

 

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